Cenas cortadas de ISan Diego
1 A conversa - Freddie e Meião
Notas iniciais
Boa leitura.
Freddie chegou em casa e viu a cena que vira praticamente todos os dias daquele mês: sua mãe cozinhando e o namorado dela ao lado ajudando no que podia. Mas como a Marizza odiava a ajuda de seu namorado, ele na maioria das vezes Meião ficava apenas sentado na mesa elogiando cada ação da mulher.
Não era comum Meião ir jantar com eles, então naquele mês de férias que ele pegara do trabalho, ele fizera questão de praticamente montar acampamento na casa dos Benson. O que Freddie ainda não entendia era como seus vizinhos ainda não tinham se tocado do relacionamento da sua mãe com o Meião nesses dois anos de namoro deles.
Mas aquilo não era hora para ele ficar divagando. Não. Aquela era hora de fazer sua parte na aposta. Afinal, não era sempre que podia ganhar 100 paus de Gibby assim tão fácil.
Observou a cena na cozinha mais um tempo e então olhou para os lados a fim de achar o ângulo perfeito para posicionar a câmera
–Freddie? – perguntou Meião olhando o enteado de forma curiosa – ta estranhando alguma coisa?
–Não, to procurando algo... Acho que eu esqueci aqui...
Freddie decidiu que em cima do aparador seria o lugar perfeito para colocar a câmera de vídeo. Ali ficaria meio escondido por causa das fotos na frente, mas ao mesmo tempo ficaria na posição perfeita para pegar as feições do homem.
–Se você dizer o que é eu posso te ajudar a procurar. –propôs o homem
–Ah, não ta aqui na sala, vou procurar no quarto. – ele subiu as escadas com pressa, a mochila balançando em suas costas. – Vai demorar o jantar? – ele perguntou
–Sua mãe ta dizendo que não – gritou Meião lá de baixo – E ta mandando eu parar de gritar também – o homem continuou gritando, fazendo Freddie rir.
Desde que sua mãe começara a namorar Meião, ela tinha ficado bem mais tranqüila e quando ele estava presente, ela fazia uma comida saudavelmente gordurosa. Assim, ambos ficavam satisfeitos com a comida. Para Freddie, era como se ele tivesse comendo na casa dos amigos, uma vez que era uma comida normal.
Sem divagar. Ele se lembrou e então passou a pensar num plano para conseguir colocar a câmera no local desejado e fazer a bendita pergunta ao padrasto. Ele se olhou no espelho do quarto e respirou fundo, como se isso lhe desse coragem a fazer o que iria fazer.
Desceu e disfarçadamente foi até o aparador posicionar a câmera, aproveitando que Meião estava enchendo a paciência de sua mãe e ambos estavam de costas para a sala e consequentemente o que quer que ele tivesse fazendo.
–Freddie? –perguntou Meião se virando quando ouviu a cadeira ser movida – Achou o que você tava procurando?
–Sim. Meus óculos de leitura tão lá em cima – ele disse, lembrando-se do primeiro objeto que veio à mente e o usando como desculpa. Sentou calmamente revisando o plano na sua mente.
–Eu percebi que você tinha esquecido eles –disse sua mãe – Não ficou com dor de cabeça hoje?
–Não precisei ler muito na escola.
Sua mãe colocou as panelas na mesa que já tinha sido posta por Meião. Não demorou muito para eles começarem a comer uma comida simples, mas gostosa.
– Eu tenho algo a perguntar a vocês – começou Freddie – Mãe, essa torta de palmito ta gostosa (N/A: eu to morrendo de vontade de uma torta de palmito. Alguém me arranja um pedaço?)
–O que foi, Freddie? – perguntou Meião sorrindo, como sempre. Apesar de ele ter todo aquele corpanzil e de ser dono de uma empresa de segurança particular, Meião era uma pessoa que sempre mantinha um sorriso no rosto e era super brincalhão.
–Eu... – Freddie respirou fundo mais uma vez – Hum... Eu quero saber de onde vêm os bebês.
Marizza se engasgou e Meião ficou chocado.
–Porque isso agora, Freddie?
–Na aula de ciências... Gibby disse que estudar anatomia humana era bom para fazer bebês, mas... bem, a senhora disse que os bebês vêm de dentro das abóboras então não faz muito sentido estudar anatomia humana para fazer bebês.
–Eu não acredito que você falou isso pra ele! -ralhou Meião olhando Marizza
–Ele tinha três anos! Não sabia que ia acreditar nisso até hoje! – a mulher se defendeu
–Então não vem das abóboras? – perguntou Freddie com sua expressão mais inocente.
–Freddie, você está de brincadeira, não é? – perguntou Meião incrédulo e o menino manteve a expressão inocente enquanto negava com a cabeça. -Sério? Você não pode estar falando sério... Digo, alguém da sua idade...
–O que tem alguém da minha idade? – Freddie suspirou e olhou para a comida – Tudo bem, vocês não querem responder... Eu pesquiso na internet depois.
Meião desesperou-se. Se permitisse isso estaria permitindo ele entrar em sites pornôs.
–NÃO!!! – Ele gritou, mas logo voltou ao tom normal – Deixa que eu explico. – Ele engoliu seco – Então, Freddie... Os bebês... É...
–É... – Freddie ficou olhando o homem o encorajando a falar. Marizza mantinha um tom vermelho em suas bochechas e fingia ignorar a conversa que estava acontecendo.
–Quando um homem e uma mulher se gostam... eles fazem coisas... E o bebê vai parar na barriga da mulher e...
–Coisas? Que coisas? – Freddie manteve sua expressão inocente, só que ela adquiriu um quê de curiosidade.
Meião desesperou-se. Freddie realmente queria entrar naquele assunto no meio do jantar?
–Coisas, Freddie... Vai dizer que não sabe? – o menino manteve expressão inocente enquanto negava novamente com a cabeça – Coisas como sexo. — O menino ficou vermelho e a mãe parecia que iria desmaiar a qualquer momento. Meião pigarreou, voltando a falar – Então, um homem e uma mulher fazem sexo, aí o bebê é gerado na barriga da mulher e depois de nove meses nasce.
Freddie percebeu que não escutaria nada mais elaborado do que aquilo. Então deu-se por satisfeito.
–Obrigado, pai. – ele sorriu para o homem mais velho, mostrando todos os seus dentes num sorriso genuíno. – Foi de muita ajuda.
E assim, como tinha acontecido na primeira conversa deles, Freddie mudara de assunto totalmente, como se aquele nunca tivesse existido. Mas Meião sabia que aquele assunto tinha existido e nunca mais iria esquecer dele.
Aquela tinha sido a primeira vez que o garoto a quem ele amava como um filho o tinha chamado de pai.
Meião voltou a olhar para seu prato, enquanto o garoto mantinha uma conversa sobre futilidades com a mãe, e sorriu
–De nada, meu filho. – ele sussurrou com um sorriso bobo na face.
–--
Era cerca de nove horas da noite quando Freddie terminara de editar o vídeo e mandá-lo a Gibby como prova da aposta. Agora era esperar pelos 100 conto que apareceriam magicamente amanhã em seu bolso.
O garoto riu lembrando-se do tanto que se segurou para não rir durante a conversa na cozinha.
Definitivamente Freddie era um ator digno do Oscar.
Notas finais
Prometo que sai em breve.
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