Cenas Inéditas Feliko

3 Meu quarto, seu quarto


Notas iniciais
No início do namoro

Niko foi pela primeira vez no quarto de Félix. Entrou timidamente e olhou ao redor, Félix sentou na cama e fez sinal para que ele sentasse também. Alguns beijos depois, a coisa esquentou e Félix pediu pra ele dormir lá.

— Liga pra Adriana e avisa. De manhã cedinho você vai pra casa e ainda pega as crianças dormindo.

— Não sei Félix... A sua familia, pode não gostar.

— Não gostar? Carneirinho, todos te adoram! Mamy, Vovotrix, Jonathan... até a cadelinha do Lutero, estão todos felizes porque estou com você.

— É mas... o sei pai não.

— Niko, meu pai nem sabe que você está aqui e vamos deixar assim por enquanto tá? Vamos dar tempo ao tempo... isso a gente resolve um dia. O que importa é o agora, eu estou louco pra que você durma aqui comigo. Fica... hein?

— Mas é esquisito, não é? Eu dormir aqui no seu quarto.

— Não tem nada esquisito, Niko! Pera, já sei. Você vai fazer jogo duro comigo, para se vingar das vezes que eu recusei seu convite pra dormir na sua casa!

— Não Félix — Niko ri. — Mas devia!

— Ai Carneirinho, por favor... — Félix o abraçou, porque estava disposto a convencê-lo e porque tudo que queria era ficar assim por toda a noite. — Fica.

— Félix.

— Hein?

— Era aqui que você dormia com a Edith?

— Que pergunta Niko... onde você acha que ela dormia? No jardim?

— Só perguntei...

— Teve uma época que ela passou no quarto que era da Paloma... Mas mesmo antes não era raro e nos brigavamos... ela dormiu muitas vezes no quarto daquela jararaca, a Tamara... a mãe dela, enfim... Mas sim, aqui era o nosso quarto.

— Hum...

— Alias, você disse bem. Dormia! Eu mais dormia ao lado da Edith do que qualquer outra coisa. Se dependesse dela, eu viveria tal qual um zumbi porque olha... a criatura queria sexo todo dia e eu...

— Ok, não precisa dar detalhes!

— Eu só queria explicar que não rolou tanto assim quanto você pensa...

— Whatever, Félix. Eu não vou me sentir bem aqui nessa cama...

— Oi? Eu ouvi direito?

— Não vou mesmo.

— Não vai me dizer que é por causa da Edith?

— Ah Félix... Pensar que você e ela... aqui nesse quarto... nessa cama...

— Mas eu passei a noite na cama onde você dormia com aquela lacraia, alias não só dormia mas... bem... enfim nem quero pensar nisso... o fato é que eu dormi no seu quarto e não reclamei.

— Mas é diferente... eu troquei a decoração, comprei roupa de cama nova...

— Olha... eu devo ter salgado a Santa Ceia mesmo... Você não vai ficar, por causa de uma bobagem, é isso?

— Félix... não sei...

— Sinceramente Carneirinho... por tanto tempo eu sonhei em ser feliz aqui nesse quarto e nunca fui. Depois que te conheci imaginei nós dois aqui tantas vezes e... enfim... deixa pra la. Vai, quer ir embora por causa disso ... vai.

— Você imaginou eu aqui, no seu quarto?

— Imaginei.

— Assim... fantasiou... comigo?

— Carneirinho... não faça a Sandy, a inocente.

— Jura?

— Ai Niko... criatura, o que você acha? Quantos meses fiquei sozinho, depois te conheci... te encontrava... nada rolava, vinha pra casa... Pelas contas do Rosário, eu não sou de ferro, Niko!

— Ah Félix... tá bom. Eu vou ficar.

— Agora não quero mais.

— Seu bobo, claro que quer.

— Não... acabou o clima, perdi o tesão.

— Não me faça rir, Félix!

— Perdi mesmo.

— Quer que eu prove que você não perdeu?

— Carneirinho...

— Tranca a porta.

— humm, começou a ficar interessante. Vai dormir aqui?

— Vou. Uma cama enorme dessa com lençois de seda pura e Félix Khoury deitado nela, só se eu fosse bicha burra pra dispensar.

— Bom Niko, é realmente uma decisão inteligente! Mas quanto a você ser ou não uma bicha burra... aí já é outro assunto....

— Félix!

— Brincadeirinha!

...

Félix trancou a porta. Fim da cena.