Cem Anos Depois
12 XII - Memórias da Biblioteca do Amaldiçoado
Notas iniciais
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Adam encarava seu reflexo no espelho de corpo inteiro embutido na parte de dentro de seu guarda-roupa. Um terno branco risca de giz cobria seu corpo musculoso de uma maneira surpreendentemente delicada, mas que não deixava de mostrar toda a sua soberania como futuro novo rei das Terras Distantes.
Apesar da enorme elegância cobrir seu corpo, uma enorme peso de dúvidas parecia afogar sua mente redirecionadas ao dia de ontem.
Adam estava a pensar sobre o que teria acontecido a certa pessoa: Gaston. Sim, difícil de acreditar, porém o ex-Fera não conseguia distanciar seus pensamentos do homenzarrão.
Não que fossem bons, eram apenas perguntas retóricas sobre o que de fato teria acontecido ao caçador.
Logo após Adam tranca-lo na carruagem e manda-lo em disparada em meio à Floresta Encantada, ordenou a um de seus homens que fosse ver o que teria acontecido, e incrivelmente não havia sido encontrado sinal de nada a não ser o cavalo, que pastava em uma clareira ali próxima como se nada tivesse acontecido.
— Levaram algum mago ou feiticeiro para constatar o que pode ter ocorrido? – perguntou à O’Relógio.
— Non majestade, mas meus relógios ficarram malucos. Acrredito que deve ter ocorrido alguma distorção no tempo daquela encruzilhada – respondeu o homem.
— Deve ser alguma feitiçaria que há sempre pelo meio dessa mata – falou pensativo – Aposto minhas fixas que tem dedo da Feiticeira nisso – comentou com O'Relógio que apenas deu de ombros – Diga aos homens para que descansem, afinal amanhã é meu casamento e quero todos presentes.
— Sim senhor. – e retirou-se.
— Achei que ele nunca fosse sair – disse uma mulher aparecendo de trás de uma coluna – Não é correto eu aparecer para uma mesma pessoa duas vezes, mas também não posso recusar uma invocação ao meu nome.
— Feiticeira – observou Adam espantado e sacou sua espada – O que queres? Me transformar em Fera novamente?
— Ora essa, nós dois sabemos que eu não sou capaz disso. Pelo contrário, vim lhe oferecer respostas – disse ela apoiada em um pequeno cajado – Eu mandei Gaston para longe no tempo, assim como você adivinhou. Mas não é tão fácil assim.
— Com magia nada nunca é fácil. – disse irônico.
— Você foi o responsável por coloca-lo naquela carruagem. Você apertou o gatilho, ou melhor, bateu no cavalo para que ele saísse em disparada para longe de seu reino – apontou um dedo magrelo para ele.
— Gaston queria acabar com meu casamento e me matar, apenas me defendi!
— Você não aprende, não é? Lembra da sua ultima maldição? Transformado em Fera por não amar ninguém. Mas aquilo que você se tornou não fui eu – retirou a touca, mostrando o rosto acabado de uma velha mendiga – O monstro esteve sempre dentro de você, eu apenas lhe deu uma chance para sair – Adam suava frio – Agora, temo eu de que não será mais necessário minha ajuda para isso acontecer.
— Por que eu tentei me defender? – praticamente cuspiu as palavras.
— Porque você mandou-o para morrer! Um encontro com a Morte é a única coisa que não se deve desejar a ninguém! – os nós dos dedos do Príncipe ficaram brancos de tanto apertar o cabo da espada – Dizem por ai que o amor é mais poderoso que a morte, mas nem mesmo eu, em condição de semideusa ouso confirmar isso.
— O que queres dizer com tudo isso, afinal?
— Amanhã, durante o seu casamento, lhe serão dadas duas opções, e entre elas você terá que escolher para seguir uma linha do tempo distinta. – ela ergueu as mãos – Em ambas vocês dois não ficam juntos, mas cabe a você decidir qual será o melhor destino e...
A espada de Adam encravou-se na barriga da feiticeira mendiga, e sem que deixasse ela dizer algo mais, o Príncipe rosnou – Eu fasso o meu destino, e não será você quem o influenciará novamente.
A velha mendiga se desfez em energia dourada brilhante e afastou da lâmina, aparecendo logo atrás como a Bela Feiticeira em toda a sua elegância num vestido verde oliva – Guarde bem minhas palavras, arrogante garoto: a Fera sempre esteve dentro de você e estará sempre louca para se libertar. Agora basta uma escolha amanhã para saber se ela realmente retomará o controle.
E sumiu em um simples pop.
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— Quem é você? – questionou a garota após parar de gritar – O que quer?
— Oras, além de invadir meu castelo ainda achas que tem o direito de me perguntar coisas? – disse a jovem saindo da penumbra. O vestido azul estava coberto por um manto rosa claro assim como a fita que amarrava seu cabelo, os olhos verdes irradiavam magia.
— Seu castelo? Então você é a Rainha Má? – a moça começou a rir – Não, não é possível. Você esta muito jovem e... faz cinquenta anos da morte de Branca de Neve! Como teria essa aparência?
— Magia faz coisas incríveis, minha cara. Principalmente essa que carregas em mãos – explicou apontando pra varinha – Quanto mais clara a magia, quanto mais branca, mais poderosa ela é – um sorriso louco apareceu em seus lábios, e instintivamente Aurora recuou a varinha para trás das costas.
— Se queres isto, venha pegar – tentou parecer confiante mas a voz tremula entregou seu nervosismo.
— Hahaha – riu-se a jovem de cabelos castanhos – Além de ser uma ameaça infundada, a Varinha da Fada Madrinha só pode ser passada de um para outro por vontade própria. Eu não posso simplesmente pega-la de suas mãos – esticou o braço e uma bola de fogo apareceu na mão – Então espero que você a entregue de boa vontade se não quiser que eu a mate.
— E se eu não fizer isso? – disse mostrando o objeto mágico – Se você me matar vai acabar destruindo isso aqui.
— Essa varinha é mais que mera mágica, garota. Ela foi forjada em chifre de unicórnio e embebida no sangue de uma gorgona, é praticamente indestrutível – sorriu – Então não há problema algum em lhe atacar.
A Rainha Má lançou sua bola de fogo em direção a princesa que, em um gesto de impulso, girou a varinha no ar. Uma nuvem de fumaça branca espiralou em sua volta fazendo a garota sumir e reaparecer atrás de uma prateleira, de onde se podia observar a outra.
— Quer brincar? – perguntou olhando a volta para tentar achar Aurora — Então vamos brincar – entoou a rainha.
— Aurora! – gritou Ruby ao arrombar as portas e entrar na sala.
Nesse mesmo instante, a Rainha sumiu em uma nuvem de fumaça roxa que se espalhou por todo o cômodo e fez as garotas desmaiarem por um breve momento.
Quando acordaram, estavam em um labirinto.
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— Majestade? – chamou Lumier adentrando o quarto – Eu sei que é chique chegar atrrasado no casamento, mas penso que essa regrra vale somente a noiva.
— Ah, sim, Lumier. Já estou a caminho – acenou para o homem que fosse na frente e que logo estaria indo. Estivera tão mergulhado nas lembranças que nem reparara na hora.
Ajeitou a gravata e foi em direção ao salão principal. Normalmente nos casamentos – pelo menos nos realizados em igrejas – a noiva entraria pela porta da frente junto ao pai, mas ali resolveram fazer algo diferente. Adam desceria pelas escadas onde estivera se aprontando até o altar no primeiro degrau, enquanto Belle viria logo depois pela outra escadaria acompanhada de Morrice.
O Príncipe apresentou-se à todos no último degrau e foi descendo. A união de Belle e Fera fora abençoada pelas três boas fadas do Reino do Sol Nascente, que também ofereceram as vestes de Belle. Rei Stefan I era muito generoso.
Já o terno de Adam foi oferecido pelo Reino de Prata, conhecido por ter as melhores costureiras de todo o Vale da Floresta Encantada. E de fato era, pois de acordo com os movimentos do Príncipe para andar, o terno cintilavam como milhares de diamantes.
Chegou na base da escadaria e olhou para o topo direito, onde os holofotes brilhavam para declarar a chegada da noiva. Toda estonteante, Belle apareceu em um vestido esvoaçante branco com três faixas douradas pendidas sobre a saia. O cabelo castanho era amarrado com uma fita de diamantes e os olhos verdes realçados com uma leve maquiagem.
Boquiaberto, Adam viu sua amada descer junto ao pai até onde ele a aguardava. O sorriso sincero de quem lhe ensinara a dançar estava desenhado nos lábios vermelhos como maçãs – Você esta linda – falou admirando a beleza daquela que levava-a além do nome.
— Você também – disse pegando nas mãos dele.
— Vamos começar a cerimônia – anunciou o padre.
Porém, em meio a plateia, alguém se escondia.
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— Mas o que diabos é isso? – perguntou Aurora girando em 360° e observando as enormes prateleiras que formavam o labirinto – Não tinha lugar melhor para nos prender, não?
— Aurora? – chamou Ruby a distância. – Pode me ouvir?
— Ruby, estou te ouvindo, sim! – disse animada – Estavas perto da saída, esta vendo ela?
Cinco segundos mais tarde a garota respondeu – Não! É como se eu estivesse me movendo sem sair do lugar – uma pausa – Espera, as paredes estão andando!
Raios pensou Aurora consigo mesma Se eu demoro para escutar sua voz significa que estamos muito longe, embora na mesma sala. Olhou em volta e percebeu que era verdade, as paredes realmente se moviam para onde quisessem, cochando-se, separando-se ou estreitando os corredores.
— Muahahaha — ouviu-se a voz da rainha – Vocês estão presas no labirinto de histórias minhas caras. Ele não tem saída e muito menos entrada! Somente ao me matar vocês conseguirão cortar a magia.
— Ouviu isso Ruby? – gritou a princesa mais nova – Temos que arranjar um meio de nos encontrarmos, e rápido! – dito isso, começou a correr entre os corredores.
Várias vezes ambas estiveram a um vão de distância de se encontrar, mas como aquilo parecia divertir aquela majestade louca, as estantes se moviam e as separava novamente, fazendo a Rainha Má rir ainda mais.
Passaram-se horas daquele corre-corre dentro do labirinto, ambas as princesas estavam cansadas e mal se aguentavam de pé quando a voz soou – Desiste, Bela Rosa?
— O que você quer para nos tirar daqui? A varinha? – questionou já sabendo a resposta – Pois apareça aqui que eu lhe dou ela.
— Aurora, não! – alertou Cinderuby.
Uma nuvem de fumaça roxa brotou na frente da princesa do Sol Nascente e de dentro dela saiu a Rainha Má, com um sorriso vitorioso no rosto. Suas feições haviam alterado para a de uma mulher mais velha, entre 35-40 anos — Dei-me ela e eu acabo com isso tudo.
A jovem princesa então, esticou o objeto mágico para a mulher mais velha que o tomou em mãos. Uma série de risadas malignas escaparam da bruxa enquanto a varinha se tornava negra e as estantes ilusórias desmoronavam em poeira roxa – Muahahaha! Eu tenho agora toda a força do universo! Malévola que se prepare! Sua vingança será minha agora! Muahahaha! Muahah....
Sua última gargalhada triunfal foi cortada no meio assim que sentiu uma lâmina cravada em seu peito. Um grito de horror escapou de seus lábios enquanto todas as aparências que ela havia utilizado passavam pelo seu rosto. Não demorou muito para que seu corpo caísse morto no chão, e uma garota raivosa apareceu atrás dela.
— Agora estamos quites – disse tomando a varinha ainda completa branca das mãos da bruxa. Ajudou Aurora a se erguer e devolveu a espada.
— Quites? Pelo que? – perguntou confusa.
— Quando nos encontramos com o Caçador na casa dos Anões, você o matou antes que ele me matasse. Apenas retribui o favor – deu de ombros.
— Obrigada – sorriu sincera – Agora, vamos?
As duas garotas, com suas coisas já em mãos se encaminharam para a saída. Mas antes que pudessem sair daquela sala maldita, as portas arrombadas se trancaram e um fogo verde de fumaça vinho explodiram na frente delas. Uma criatura com chifres surgiu no meio do incêndio com um sorriso cínico, porém de alegria no rosto.
— Malévola – murmurou Aurora.
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— Belle Luna, você aceita Adam Malkovich como seu esposo?
— Aceito – respondeu sorridente. Mal podia conter a emoção de finalmente estar se casando com seu amado.
— E você, Adam Malkovich, aceita Belle Luna como sua esposa?
— Eu...
— Parem! – gritou um senhor vestido em farrapos – Parem essa cerimônia!
— Quem você pensa que é para parar o casamento real!? – gritou Adam protegendo Belle com seu corpo.
— Essa garota com quem esta se casando é louca! – gritou o homem – Ela e toda sua família! São loucos de pedra!
— Eu não aceitarei que falem assim de você, Belle – disse puxando a espada e indo em direção ao homem louco.
— Adam, não. – implorou a garota, mas era tarde demais. Antes que o velho pudesse sequer fazer seu último pedido, a espada de Adam encravou-se na barriga do mesmo, que revirou os olhos e caiu. Assim que o corpo atingiu o chão, ele se dissolveu – O que..? – questionou a garota ao perceber o que aconteceu.
Um raio dourado extremamente brilhante apareceu à frente do Príncipe, e nele moldou-se a forma de uma mulher – Eu lhe avisei, garoto arrogante. Foi lhe dado a chance de não mais transformar-se em Fera, mas você a jogou fora – disse.
— Isso foi o teste? Mas ele atrapalhou meu casamento! – tentou explicar.
— Não importa, veja – apontou para os braços do homem que começaram a ficar peludos – Você abriu novamente uma brecha para a Fera, e nada pode ser feito quanto a isso.
— Não! – gritou o homem enquanto se transformava – NÃO!
— Adam! – gritou Belle.
Logo após a transformação do Príncipe em Fera, a feiticeira sumiu. Adam estava dez vezes mais horrendo agora do que a primeira Fera que fora. Descontrolado e com raiva, a besta começou a atacar todos presentes no salão. Então, o Rei do Reino de Prata, vendo que não teria outro jeito, sacou sua espada e partiu pra cima do monstro.
Após muita luta, conseguiu ficar por cima da Fera, e então, fincou sua espada bem no coração do monstro. O brilho da vida sumiu dos olhos da Fera que voltou a homem. Retirou a espada e afastou-se do corpo, deixando que uma noiva desesperada fosse até ele.
— Não! Adam, por favor! Eu te amo! Volta para mim! – suplicou inúmeras vezes sobre o corpo desfalecido, mas de nada adiantou. Muitos se retiraram, deixando somente os criados e os convidados do Reino de Prata – Você – disse Belle apontando pro rei – Você o matou!
— Mas majestade...
— Sem mas! Você o matou, e agora eu farei isso também! – catou a espada e partiu para cima do jovem Rei que desviou e a derrubou no chão. Chutou a espada de Belle para longe.
— Eu fiz o que foi necessário para o bem de todos e... – parou de falar ao ver a névoa roxa espiralando ao redor do corpo da jovem.
— Saia daqui... SAIA DAQUI! – gritou, espantando todo mundo de dentro do Palácio.
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— Olá, querida Aurora. Você não deveria estar dormindo agora? Ou seu Príncipe à acordou? – riu da piada que havia feito enquanto a loira mais nova somente revirava os olhos – Oh, espere, eu o prendi no meu calabouço! Muahahaha!
— Não enrola, Malévola. Diga logo o que quer – disse Cinderela segurando o braço de Aurora – Ou vai querer sentir o poder dessa varinha?
— Acho que você não fará nada enquanto eu tiver isso comigo – dito isso, uma chama cresceu até atingir uma forma humana acorrentada.
— Henry! – gritou a loira mais velha ao ver seu amado preso nos braços da bruxa.
— Cinderela... – murmurou o mesmo.
— Cinderela?! – perguntou Aurora franzindo a testa.
— Calem-se as duas! – com um gesto, Malévola fez o Príncipe Henry sumir e ambas as princesas olharam-na horrorizadas – Você esteve bem perto de ter seu príncipe, garota tola. Ele esteve aqui, preso a Rainha Má durante toda a sua luta contra ela. – riu – Por falar nisso, obrigada por mata-la. Belle estava sendo um grande estorvo para meu plano.
— Espera aí! – Aurora fez sinal tempo – Belle era a Rainha Má? Este é o castelo de Adam?! E você... – apontou para a de vermelho com raiva – Você é a Cinderela do Reino de Prata?!
— Aurora... Eu juro que depois te explico tudo! Mas agora nosso foco principal é Malévola! – apontou a varinha para a bruxa. Relutante, Aurora apontou sua espada em posição de ataque – Traga Henry de volta antes que essa magia destrua seu cajado.
— Ora, ora, minhas queridas. Acham que sou tão burra à esse ponto? A força vital de seus príncipes esta ligada a essa esfera, assim como meus poderes – passou a mão sobre o topo do cajado – Mas agora, como foram arrogantes comigo, temo que terão de pagar.
Esticou o objeto mágico à frente lançando as duas garotas à uma estante, onde a madeira se curvou e as prendeu como algemas – Dei-me a varinha e a espada, se quiserem viver.
— Nunca – disseram em uníssono.
— Então espero que estejam em dia com os deuses – explodiu em uma nuvem roxa, transformando-se em Dragão. O peito lilás da fera começou a brilhar em alaranjado e logo uma coluna de fogo foi lançada sobre as garotas.
Mas antes do calor as atingir, uma supernova brilhou entre as princesas e o monstro, desintegrando as chamas. No meio da luz branca, uma figura de longos cabelos surgiu em prol da proteção das garotas.
— A oráculo – murmurou Cinderela.
Rapunzel virou para elas e sorriu – Vou tira-las daqui – e começou a brilhar.
A ultima coisa que viram foi um Dragão muito furioso cuspindo chamas e desmoronando o castelo de Belle e Adam.
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Belle olhava o horizonte do seu castelo. Era seu segundo casamento, dessa vez, com um marquês de um reino distante. Desde a morte de Adam, a mulher envelheceu dez anos em apenas três, porém, confiava a si mesma o titulo da mulher mais Bela do Reino das Macieiras.
Aquele seria um dia especial para seu noivo. Ele iria finalmente apresentar à esposa sua filha, por quem tinha muito apresso. Duas batidas na porta chamaram sua atenção – Entre – disse.
— Mademoiselle, seu esposo a aguarda – disse o criado.
— Obrigada por avisar, Lumier. Vem comigo? – chamou-o.
— Mas é clarro, madame.
Desceram as escadarias até o salão principal onde o Marquês de Arendelle a esperava – Pode ir, Lumier. – com uma menção, o criado saiu.
— Belle Luna, minha querida esposa – cumprimentou-a com um beijo nas mãos – Venha até a carruagem. Quero lhe apresentar minha filha.
— Claro – sorriu e deixou-se ser conduzida até o veículo.
— Querida? – chamou o homem ao bater duas vezes na porta do veículo que logo se abriu. De dentro dele, saiu uma jovem de cerca de quinze anos.
Os cabelos negros como ébano e a pele branca como a neve contrastavam junto aos lábios vermelhos como uma rosa. O nariz arrebitado e o queixo empinado indicavam uma pessoa que se achava acima de todos. Com um leque na mão e a outra segurando o vestido, desceu da carruagem com um falso sorriso. Curvou-se perante a rainha e disse – Prazer, sou Branca de Neve.
— Prazer, Belle Lun...
— Onde esta o meu quarto? – perguntou a jovem olhando para dentro do castelo.
— Ah, sim. O’Relógio! – chamou o criado um pouco desapontada pela educação da enteada. O homem apareceu na porta – Queira mostrar o quarto para Branca e seu pai, por favor. Eu tenho outros assuntos à tratar.
— Sim, majestade.
Belle então, pôs-se a subir às escadas até seu quarto, na Torre mais alta. Sentou-se na cama e começou a chorar. Apesar da arrogância da menina, ela tomaria o posto de mais bela de Belle – Eu já perdi tanto – colocou o rosto entre as mãos – E agora nem vista como modelo de beleza eu serei mais.
— Talvez você esteja enganada – assustou-se com a voz que falara em sua mente.
— Quem esta ai? Quem é você? – perguntou atordoada olhando por todo o quarto.
— Aqui – chamou novamente. Dessa vez, a mulher viu o reflexo do espelho tremular levemente – Aqui, no espelho.
Belle aproximou-se do vidro reflexivo e viu o seu reflexo desaparecer até ficar totalmente negro. Chamas ondularam por dentro do vidro e quando se apagaram, uma máscara surgiu ali – Pelos deuses – murmurou espantada.
— Eu sei o quanto você sofreu, Belle – disse a voz grossa saindo do vidro – Mas não precisa ser assim.
— O que devo fazer então? – perguntou.
— Vingança. – disse — Deve-se vingar daquele quem matou seu Príncipe.
— O rei? – disse assustada – Não! Eu não posso simplesmente matar alguém mesmo que me tenha feito mal!
— Então terei de despertar o que há de pior em você – a máscara abriu a boca e várias partículas de vidro saíram dela, entrando nos olhos da moça e os fazendo brilhar em verde esmeralda – Como se sente?
— Eu me sinto... Forte – disse e logo um sorriso de pura maldade brotou em seu belo rosto. Andou até a janela do castelo é viu a carruagem do marquês lá embaixo, enquanto os criados descarregavam a bagagem – Chegou a hora do reino conhecer o poder de uma mulher de coração partido, e você – apontou para o espelho – Vais me ajudar.
— Com todo o prazer, minha rainha – a máscara desapareceu deixando a mulher encarnado no espelho, Branca de Neve e seu pai.
— Agora, querida arrogante, esta na hora de conhecer o poder da sua Madrasta. – estendeu a mão e sentiu o poder lhe tomando a palma. O homem começou a agonizar conforme o punho ia se fechando.
Era linda a cena de Branca de Neve desesperada para ajudar seu pai enquanto ele morria. O punho se fechou completamente, e levou para longe a vida do Marquês.
— Muahahaha! – riu Belle – Contemple, a abominável Rainha Má! Muahahaha!
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