CelleXty Saga - Temporada III
12 Há algum médico em casa?

Personagens:
Lucius, La'Vern, Raial, Noah, Gregory e Beatrice
Ambiente:
Região dos Campos Elíseos, São Paulo — exterior decadente do antigo Hospital Psiquiátrico São Dimas e interior altamente tecnológico reestruturado pelos X-MEN.
Contexto:
Após os eventos do capítulo anterior, com a destruição da antiga base (EBX) e a reorganização dos CelleXtys, Alex conduz parte da equipe até o novo QG em São Paulo. Enquanto se prepara para uma nova missão ao lado de Elana Agnes, ele oficializa Raial como líder em sua ausência. O São Dimas, agora reconfigurado como base avançada, representa um novo começo para a equipe — mas também carrega vestígios de um passado que ainda não foi totalmente compreendido.
...
Ninguém explicava exatamente onde terminava a cidade e começava o Hospital Psiquiátrico São Dimas, mas todos sabiam quando estavam perto. Inaugurado em 18 de fevereiro de 1893, nos Campos Elíseos — então símbolo da modernidade paulistana — o edifício nascera com a promessa de cura e ciência, recebendo pacientes não apenas da capital, mas também do interior e até de outros Estados. Com o tempo, porém, algo naquela promessa se deteriorou, como tinta exposta à umidade persistente. O hospital continuava de pé, imponente, funcional, mas havia um descompasso entre o que dizia ser e o que, de fato, operava em suas entranhas. As janelas gradeadas não refletiam luz; pareciam absorvê-la, como se cada quarto acumulasse não apenas corpos, mas histórias que jamais encontrariam saída. E, ao cair da noite, o silêncio ao redor do quarteirão não era ausência de som — era contenção.
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O ano era 1947. Antônio, um jovem paulistano, franzino, cabelos curtos, pele branca e profundas olheiras chegou sem registro de crime, mas com diagnóstico suficiente para justificar seu desaparecimento. “Inversão de instintos”, dizia o documento. “Conduta incompatível com os padrões sociais vigentes.” O pai assinara sem hesitação, e isso bastara. Jamais iria admitir um “invertido”, um “sodomita” na família. O São Dimas não exigia provas, apenas categorias. Ao atravessar os portões, Antônio teve a sensação de que o mundo exterior não havia ficado para trás, mas sido cuidadosamente selado — como se tudo o que existira antes agora estivesse inacessível, não por distância, mas por decisão. Um funcionário ouvia no rádio o mais novo lançamento de Jorge Veiga, “Cabo Laurindo”, enquanto anotava seu nome sem levantar os olhos. Por um breve instante, Antônio pensou ter visto outras anotações sob a tinta recente, nomes sobrepostos, apagados, reescritos, como se ninguém ali fosse o primeiro a ocupar aquele espaço — apenas o próximo.
Os corredores não obedeciam à lógica comum. Havia algo nos ângulos, na repetição irregular das portas, na forma como a luz parecia sempre insuficiente, que sugeria não um erro arquitetônico, mas uma intenção. Antônio percebeu isso ao notar marcas nas paredes — inscrições incompletas, símbolos que não reconhecia, fragmentos de frases em diferentes idiomas. Algumas em português, outras em alemão, outras ainda que ele não conseguia identificar. Ao passar a mão sobre uma delas, sentiu que não se tratava de tinta, mas de algo mais profundo, como se a parede tivesse sido ferida para registrar aquilo. Um enfermeiro o interrompeu com um toque firme no ombro, dizendo apenas: “Aqui, certas coisas não devem ser lidas.” Não era um conselho. Era um limite.
Raul, apareceu na terceira noite, sentado na cama ao lado, como se sempre tivesse estado ali. Seu rosto carregava uma palidez que não parecia natural, mas adquirida, construída ao longo do tempo lhe dando uma aparência bem mais velha do que a realidade. Falava baixo, medindo cada palavra com cuidado obsessivo, como quem sabe que até o ar pode denunciar intenções. Foi ele quem primeiro mencionou aquilo que ninguém dizia abertamente: “Eles usam nomes diferentes para as coisas, mas o que acontece aqui não é tratamento.” Antônio quis perguntar o que era, então, mas Raul apenas inclinou a cabeça, escutando algo distante, algo que parecia vir das paredes. “Você vai ouvir falar de experimentos”, continuou. “Mas essa palavra ainda é pequena demais.” Seus olhos se fixaram nos de Antônio com intensidade desconfortável. “Durante a guerra, eles aprenderam a não desperdiçar material humano.”
Com o tempo, as histórias começaram a se repetir — sempre em sussurros, sempre incompletas, como se cada paciente carregasse apenas um fragmento de uma verdade maior. Falava-se de imigrantes que haviam desaparecido sem deixar rastro, recém-chegados da Europa, sem documentos, sem família, facilmente convertidos em inexistência oficial. Falava-se de homens trazidos à noite, escoltados, sem identificação, que nunca eram vistos novamente após serem levados para os pavilhões inferiores, áreas que não constavam nos mapas do hospital. E, entre os mais antigos, havia menções persistentes à época da primeira grande guerra — não como um evento distante, mas como algo que deixara marcas físicas naquele lugar. Diziam que o São Dimas abrigara, sob sigilo, células ligadas ao III Reich, e que, ali, ciência e ideologia haviam se confundido de maneira irreversível. Pacientes deixaram de ser pacientes. Tornaram-se material.
Antônio começou a perceber que o hospital operava em camadas. Havia o nível visível — consultas, diagnósticos, rotinas — e outro, subterrâneo, onde as regras pareciam diferentes. Em certas noites, sons atravessavam o silêncio com precisão perturbadora: não gritos comuns, mas algo mais controlado, interrompido abruptamente, como se o sofrimento tivesse sido calibrado. Uma vez, ao seguir um desses sons, Antônio encontrou uma porta entreaberta que não deveria estar ali. Lá dentro, por um breve segundo, viu figuras de branco ao redor de uma mesa, instrumentos que não reconheceu, e um corpo que não reagia mais. Antes que pudesse compreender o que via, a porta se fechou com violência e, no dia seguinte, aquele corredor parecia ligeiramente diferente — como se tivesse sido reorganizado durante a noite.
Raul desapareceu sem aviso. Nenhum registro, nenhuma menção. Quando Antônio insistiu em perguntar, recebeu respostas vazias, padronizadas, como se estivesse cometendo um erro ao insistir na existência de alguém que, oficialmente, nunca estivera ali. Foi então que algo mudou dentro dele, não de forma abrupta, mas como um deslocamento silencioso. Começou a duvidar não apenas do que via, mas do que lembrava. As histórias sobre experimentos, sobre guerras, sobre corpos utilizados e descartados — tudo isso começou a parecer distante, quase irreal. E essa dúvida, ele percebeu com horror crescente, não era natural. Era cultivada. Pouco tempo depois, Antônio teve o mesmo destino de Raul. Transformou-se em mais uma das vozes esquecidas do São Dimas.
Quando o hospital encerrou suas atividades em 1973, disseram que era o fim de um ciclo. Arquivos foram lacrados, documentos desapareceram e o prédio foi abandonado à própria decomposição. Mas o silêncio não veio. Moradores ao redor do quarteirão passaram a relatar sons vindos do interior do edifício: gritos abafados, gemidos prolongados, choros que pareciam atravessar as paredes como se ainda houvesse algo vivo — ou preso — lá dentro. Nada foi comprovado. Nunca há provas quando o que está em jogo não pertence inteiramente ao mundo visível. Ainda assim, quem passa pelos Campos Elíseos à noite evita olhar diretamente para as janelas do antigo São Dimas. Não por superstição simples, mas por uma sensação persistente, difícil de nomear, de que o hospital não foi esvaziado — apenas deixou de precisar de testemunhas.
E, em algum ponto entre memória e apagamento, entre o que foi registrado e o que foi deliberadamente esquecido, algo permanece. Não como presença definida, mas como eco. Como um nome que se recusa a desaparecer completamente, mesmo depois de repetidamente negado. Porque certos lugares não guardam apenas histórias. Guardam aquilo que nunca pôde ser contado — e que, por isso mesmo, continua tentando, incessantemente, encontrar voz.
...
ANO 2000. Recomeço
No ano 2000, o Hospital Psiquiátrico São Dimas já não existia — pelo menos, era isso que a cidade acreditava. Entre os casarões decadentes dos Campos Elíseos, muitos deles presos em disputas judiciais ou esquecidos por herdeiros ausentes, o antigo hospital era apenas mais uma ruína no imaginário urbano: paredes pichadas, janelas quebradas, tapumes irregulares tentando conter aquilo que já não fazia questão de ser contido. Para quem passava apressado pela rua, não havia mistério — apenas abandono. Um prédio morto em um bairro que lentamente aprendia a conviver com seus próprios fantasmas arquitetônicos. Mas o São Dimas nunca fora um lugar comum e, como toda estrutura construída sobre silêncio e apagamento, ele não se contentaria em desaparecer por completo.
Do lado de dentro, a realidade era outra — não uma reforma, mas uma reescrita. Onde antes havia corredores tortos e paredes marcadas por unhas, agora existia precisão. Sistemas de iluminação inteligente percorriam os tetos com uma claridade limpa e controlada, sem sombras desnecessárias. Superfícies metálicas e painéis translúcidos substituíam o antigo reboco, criando um ambiente onde cada centímetro parecia pensado, calculado e funcional. Foi ali que os X-MEN Fera, Jean Grey e Forge estabeleceram um dos centros mais discretos e tecnologicamente avançados já concebidos fora dos radares oficiais, em resposta direta ao pedido de Alex Aleff, líder dos CelleXty. Um sistema de camuflagem envolvia toda a estrutura, projetando para o exterior a imagem contínua de abandono, enquanto, internamente, o prédio operava em um nível de sofisticação que poucos governos no mundo conseguiriam replicar.
Erguido em tempo recorde, as antigas alas deram lugar a setores especializados, todos integrados por uma rede neural artificial projetada por Forge, capaz de responder em tempo real a qualquer alteração estrutural ou ameaça externa. Havia uma ala de comunicação com painéis holográficos que monitoravam atividades mutantes em escala global, uma área de treinamento equipada com ambientes simulados que podiam reproduzir desde combates urbanos até condições extremas de sobrevivência, além de alojamentos individuais projetados para estabilidade emocional e fisiológica dos residentes. O refeitório não era apenas funcional — era um espaço de convivência cuidadosamente planejado, com controle ambiental e nutricional preciso. Laboratórios de pesquisa genética, salas de contenção de energia e câmaras de análise psíquica completavam o conjunto. Nada ali era improvisado. Cada detalhe carregava a assinatura de um projeto pensado para durar, resistir e, acima de tudo, proteger.
E, ainda assim, o passado não havia sido completamente removido.
O subsolo permanecia quase intocado.
Não por incapacidade técnica, mas por escolha.
As plantas originais indicavam alas que não constavam nos registros oficiais do hospital — corredores que terminavam em portas sem identificação, salas sem função catalogada, estruturas que pareciam ter sido adicionadas sem seguir qualquer lógica arquitetônica convencional. Forge tentara mapear completamente a área, mas os sensores apresentavam falhas inexplicáveis, como se certas regiões simplesmente recusassem ser medidas com precisão. Jean Grey, ao descer pela primeira vez, descrevera a sensação de “ruído psíquico contínuo”, algo que não se organizava em pensamentos claros, mas também não podia ser ignorado. Fera, sempre racional, classificou o fenômeno como “resíduo emocional extremo”, acumulado ao longo de décadas de sofrimento humano. Nenhum deles, no entanto, se dispôs a ativar aquelas alas.
Porque havia algo ali. Não necessariamente vivo. Mas tampouco inerte — e que deveria ser estudado e aprofundado no futuro. Assim, decidiram deixar as portas do porão lacradas, por hora...
Às vezes, nos momentos de menor atividade, quando os sistemas operavam em modo reduzido e o silêncio dominava os níveis superiores, sensores registravam variações mínimas vindas do subsolo — flutuações térmicas, alterações eletromagnéticas, microvibrações que não correspondiam a nenhuma atividade catalogada. Nada alarmante. Nada conclusivo. Apenas… presente. Em uma ocasião, um dos monitores captou um padrão sonoro quase imperceptível, repetitivo, como se fosse uma tentativa de comunicação fragmentada. O arquivo foi arquivado como interferência. Ainda assim, ninguém o apagou.
Do lado de fora, moradores continuavam a evitar o quarteirão durante a noite. Alguns diziam ouvir sons vindos do prédio abandonado — ecos de gritos, passos arrastados, murmúrios que pareciam atravessar as paredes como vento preso. Nada disso era oficialmente reconhecido. Nunca fora. Mas, curiosamente, mesmo com toda a tecnologia instalada, mesmo com sensores capazes de detectar variações microscópicas no ambiente, nenhum dos X-MEN jamais afirmou com certeza absoluta que aqueles relatos eram falsos.
Porque o São Dimas não era apenas uma estrutura recuperada. Era um lugar que havia aprendido, por décadas, a esconder o que fazia. E talvez — apenas talvez — ainda estivesse fazendo.
...
Semanas depois, dois veículos desaceleraram ao entrar na rua estreita dos Campos Elíseos, onde o asfalto irregular e as fachadas desgastadas pareciam contar histórias que ninguém mais se interessava em ouvir. O prédio do antigo Hospital Psiquiátrico São Dimas surgia à frente como mais um entre tantos esqueletos urbanos esquecidos pela cidade — pichado, parcialmente coberto por tapumes, com janelas escuras que não refletiam luz alguma. Para qualquer observador comum, não havia nada ali além de abandono. Nenhum sinal de atividade. Nenhuma indicação de que aquele lugar ainda pudesse abrigar algo vivo. Mas, dentro dos veículos, o silêncio não era de desinteresse. Era de atenção.
Raial foi a primeira a falar, mantendo os olhos fixos no edifício.
— Então é aqui…
Alex, ao volante, não respondeu de imediato. Apenas desligou o motor, observando a estrutura como se confirmasse algo que já sabia há muito tempo.
— É aqui, disse por fim, com firmeza controlada. Mas não se deixem enganar pelo que estão vendo.
No banco de trás, Gregory inclinou o corpo para frente, analisando o prédio com um meio sorriso que misturava curiosidade e cautela.
— Se isso aqui é o novo lar… você tem um conceito bem específico de “aconchegante”, Alex.
No outro veículo, Beatrice soltou um leve suspiro, cruzando os braços enquanto observava o entorno.
— Eu já vi lugares piores… mas esse aqui definitivamente tenta competir.
La’Vern, concordando, não tirava os olhos das janelas superiores. Havia algo ali que ele não conseguia explicar — não uma presença clara, mas uma sensação que parecia se infiltrar lentamente, como um frio que não vinha do clima.
— Esse lugar…, murmurou ele. Parece meio… mórbido.
Lucius fechou os olhos por um instante, como se tentasse sentir algo além do físico, algo que escapava aos sentidos comuns. Quando voltou a falar, sua voz carregava um peso diferente.
— Há silêncio aqui… mas não é um silêncio natural.
Noah trocou um olhar rápido com Beatrice antes de abrir a porta do carro.
— Eu gostei!
O grupo desceu.
O ar da rua parecia mais denso do que deveria. Não havia vento, mas ainda assim algo se movia — uma sensação quase imperceptível, como se o próprio espaço ao redor estivesse atento à presença deles. Alex caminhou à frente, guiando-os até o portão principal, onde o metal enferrujado rangia levemente ao toque.
Por um segundo… nada aconteceu.
Então, sem qualquer som mecânico aparente, algo mudou.
Não no prédio. Mas na percepção.
As paredes pareceram se alinhar. A estrutura, antes irregular, assumiu uma simetria impossível de ser notada à distância. A entrada, que antes parecia bloqueada, agora estava… acessível. Como se atravessassem um portal invisível.
Gregory piscou, confuso.
— Ok… isso foi só impressão minha ou o prédio acabou de… se reorganizar?
Alex abriu a porta com naturalidade.
— Camuflagem psíquica e óptica combinadas. A senhora Jean Grey e os senhores Hank McCoy e Forge fizeram um excelente trabalho.
— Os X-Men? É sério? — perguntou Lucius.
— Nós temos aliados, meu amigo. Nunca duvide disso.
Todos ficaram surpresos, visto que os mutantes norte-americanos não costumam interferir em assuntos da mutandade em regiões da América do Sul.
Ao cruzarem o limite da entrada, a transição foi imediata. O abandono desapareceu. Onde antes havia poeira e decadência, agora existia precisão. A iluminação controlada revelava corredores amplos, superfícies impecáveis e uma arquitetura que misturava o antigo com o absolutamente moderno de forma quase cirúrgica. O contraste era tão abrupto que, por um instante, ninguém falou.
Beatrice foi a primeira a reagir, impressionada.
— …Ok, isso aqui definitivamente não é o que eu esperava.
Noah girou lentamente, observando cada detalhe.
— Isso não é um esconderijo… isso é uma base.
Gregory sorriu.
— Agora sim estamos falando a mesma língua.
La’Vern avançou alguns passos, tocando levemente uma das superfícies metálicas. O frio ali era diferente — não natural, não ambiental. Era… controlado.
— Tudo aqui responde, disse ele. Como se o lugar estivesse… vivo.
Alex assentiu discretamente.
— De certa forma, está.
Raial permaneceu em silêncio por mais tempo que os outros, absorvendo o ambiente não apenas com os olhos, mas com algo mais profundo. Não era apenas um novo local. Era uma responsabilidade.
E ela sabia disso.
Alex então se aproximou dela, em um gesto que os outros perceberam, mas não interromperam.
— A partir daqui… é com você.
Raial manteve o olhar fixo à frente.
— Eu sei.
— Esse lugar vai responder a quem estiver no comando. Não apenas aos sistemas… mas às decisões.
Ela respirou fundo antes de finalmente se virar para encará-lo.
— Então espero que você tenha feito a escolha certa.
Alex esboçou um leve sorriso.
— Eu não teria feito se não tivesse certeza.
O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Foi… definitivo.
Gregory cruzou os braços.
— Então, líder… qual é o plano?
Raial olhou ao redor — para cada um deles, para aquele lugar, para o que aquilo representava.
— O plano é simples, disse ela. A gente transforma isso aqui em casa.
Lucius, ainda atento, falou em tom mais baixo:
— E o que estiver lá fora?

Raial não desviou o olhar.
— Defender, resgatar, proteger. A gente descobre… o que vier primeiro.
E, naquele exato momento, quase imperceptível aos sentidos comuns, um dos sensores no subsolo registrou uma variação mínima.
Algo… respondeu.
Mas ninguém, nos níveis superiores, ainda sabia disso.
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