CelleXty Saga - Temporada I
11 Ecos do passado
Arquivo Confidencial — Instituto Xavier
Sujeitos: Basco Khassan Markel (Nevoeiro), Igon Markel (Scariotis), Edher Markel, Thamine Markel, Alex Aleff, Verônica, Gregory
Status: Revelações familiares confirmadas. Conexão psíquica entre Nevoeiro e Scariotis validada. Risco emocional elevado. Novo mutante sob possível tutela externa.
Muito antes de existir uma Escola Brasil X, antes dos CelleXty, antes dos conflitos envolvendo vampiros, mutantes e profecias ancestrais, a família Markel acreditou ter encontrado algo simples e precioso: paz.
Quando chegaram à pequena comunidade de Cipó-Guaçu, no interior paulista, o lugar pareceu distante o suficiente dos problemas que os perseguiam havia anos. Cercada por matas, riachos e estradas de terra, a região possuía um ritmo completamente diferente daquele das grandes cidades. As pessoas se conheciam pelo nome, as portas permaneciam abertas durante boa parte do dia e a vida seguia marcada pelas estações do ano e pelas colheitas. Para muitos, aquele seria apenas mais um vilarejo perdido no mapa. Para Edher Markel, representava uma oportunidade de recomeçar.
A pequena casa adquirida pela família ficava próxima à borda da mata. Não era grande, nem particularmente confortável, mas possuía tudo o que precisavam. Havia um quintal amplo onde as crianças podiam brincar, uma cozinha simples onde Thamine passava boa parte do dia e uma varanda de madeira que rapidamente se tornou o lugar favorito de Edher para observar o entardecer. Aos olhos de qualquer vizinho, pareciam apenas uma família comum tentando construir uma nova vida. Ninguém imaginava quantas fronteiras, perseguições e tragédias existiam por trás daqueles rostos.
Edher carregava cicatrizes que não apareciam na pele. Anos antes, ainda muito jovem, participara de conflitos ligados ao grupo conhecido como 99 de Allah, uma organização que misturava ideais políticos, resistência armada e indivíduos portadores do Gene X. Na época acreditava lutar por liberdade. Mais tarde descobriu que guerras raramente entregavam aquilo que prometiam. O mundo que deixara para trás estava repleto de companheiros mortos, alianças quebradas e inimigos que nunca esqueciam um rosto. Mesmo depois de atravessar países, desertos e oceanos, parte dele continuava esperando que o passado surgisse novamente à sua porta.
Foi no Líbano que encontrou Thamine.
Ela representou tudo aquilo que a guerra não era.
Calma.
Afeto.
Esperança.
A relação entre os dois nasceu em meio ao caos, mas rapidamente transformou-se no centro de suas vidas. Quando Igon nasceu, seguido alguns anos depois por Basco, Edher acreditou que finalmente havia encontrado algo pelo qual valia a pena abandonar definitivamente os conflitos do passado.
Contudo, existia um medo que jamais o abandonou.
O Gene X.
Durante anos, observou os filhos crescerem tentando identificar sinais que indicassem o despertar da mutação. Alguns pais preocupavam-se com doenças, acidentes ou dificuldades escolares. Edher preocupava-se com algo muito mais complexo. Sabia exatamente o que significava viver em um mundo que temia aquilo que não compreendia. Conhecia histórias de perseguições, experimentos e assassinatos cometidos contra mutantes em diferentes partes do planeta. Por isso, mesmo vivendo em uma pequena cidade do interior brasileiro, jamais permitia que a vigilância desaparecesse completamente.
À noite, depois que as crianças dormiam, ele costumava acompanhar notícias internacionais em um velho rádio instalado na cozinha. Os relatos vindos dos Estados Unidos não ajudavam a aliviar suas preocupações. O governo Reagan ampliava discussões sobre segurança nacional, grupos extremistas ganhavam espaço e a presença mutante tornava-se tema frequente nos meios de comunicação. O Brasil ainda vivia seus próprios processos de transformação política, mas Edher sabia que preconceito não respeitava fronteiras. Mais cedo ou mais tarde, o mundo encontraria maneiras de alcançar sua família.
Thamine enxergava a situação de forma diferente.
Embora compreendesse os medos do marido, recusava-se a permitir que eles definissem a infância dos filhos. Frequentemente observava Igon e Basco brincando no quintal enquanto preparava refeições ou cuidava da casa. O irmão mais velho demonstrava uma tendência natural à proteção. Sempre que Basco caía, era Igon quem o ajudava a levantar. Quando alguma brincadeira terminava em choro, era Igon quem encontrava uma forma de fazê-lo sorrir novamente. Existia entre os dois uma ligação forte e espontânea, construída muito antes que qualquer um deles compreendesse o significado daquela relação.
As divergências entre Edher e Thamine começaram justamente por causa dessa diferença de perspectivas. Enquanto ela desejava preservar a normalidade da infância dos filhos, ele acreditava que preparação era uma forma de amor. O assunto tornou-se frequente nas conversas do casal. Inicialmente surgia apenas como pequenas discordâncias. Com o passar do tempo, transformou-se em discussões cada vez mais sérias.
Edher defendia que os meninos precisavam aprender a sobreviver.
Thamine argumentava que eles precisavam aprender a viver.
Ambos acreditavam estar certos.
E, de certa forma, ambos estavam.
Parte 2 — O DesaparecimentoApesar das constantes discussões, Edher jamais deixou de amar a família que construíra ao lado de Thamine. O problema era que o amor, muitas vezes, assumia formas diferentes para cada pessoa. Enquanto ela acreditava que proteger significava oferecer estabilidade, ele estava convencido de que proteger significava preparar. Por isso, sempre que encontrava oportunidade, levava Igon para pequenas aventuras na mata que cercava Cipó-Guaçu. Oficialmente, eram apenas passeios entre pai e filho. Na prática, funcionavam como discretas lições de sobrevivência.
A poucos quilômetros da cidade, próximo a um riacho cercado por árvores centenárias, Edher construiu uma pequena cabana de madeira. O local servia como refúgio para momentos em que precisava se afastar das preocupações do cotidiano. Igon adorava aquele lugar. Para ele, a cabana representava liberdade, descoberta e a possibilidade de viver aventuras semelhantes às histórias que escutava antes de dormir. Edher aproveitava esse entusiasmo para ensinar orientação, observação, rastreamento e resistência física sem transformar tudo em treinamento formal. O menino acreditava estar brincando. O pai sabia que estava preparando algo muito mais importante.
Durante um daqueles acampamentos, Edher teve a primeira suspeita concreta de que seus receios talvez estivessem corretos. Enquanto atravessavam uma trilha próxima ao riacho, percebeu um brilho incomum nos olhos de Igon. O fenômeno durou apenas alguns segundos. Tão rápido que poderia facilmente ser confundido com reflexo da luz atravessando as folhas da mata. Ainda assim, algo dentro dele reagiu imediatamente. Anos convivendo com mutantes ensinaram-no a reconhecer certos sinais. Quando voltaram para casa naquela noite, a preocupação permaneceu presente.
Foi também a partir desse momento que as discussões com Thamine se tornaram mais frequentes. Edher passou a insistir que os filhos precisavam estar preparados para enfrentar situações difíceis. Falava sobre disciplina, autocontrole e responsabilidade. Thamine enxergava apenas uma tentativa de antecipar problemas que talvez nunca existissem. Para ela, o marido permitia que fantasmas antigos invadissem a vida dos meninos. Nenhum dos dois conseguia convencer o outro. Com o passar dos meses, pequenas divergências transformaram-se em debates cada vez mais intensos.
A última discussão aconteceu em uma tarde aparentemente comum.
Basco brincava no quintal enquanto Igon ajudava a mãe com pequenas tarefas domésticas. O assunto surgiu novamente durante o jantar e rapidamente escalou para um confronto emocional que nenhum dos dois conseguiu evitar. Thamine acusou Edher de enxergar ameaças em todos os lugares. Ele respondeu afirmando que a ingenuidade podia custar vidas. Palavras duras foram ditas dos dois lados. Quando a noite chegou, o clima dentro da casa havia se tornado insustentável.
Sem encontrar uma forma de encerrar a discussão, Edher decidiu afastar-se por algumas horas.
Pegou algumas ferramentas, colocou provisões em uma mochila e informou que passaria a noite na cabana. Não era algo incomum. Em outras ocasiões já utilizara aquele espaço para organizar pensamentos e retornar mais tranquilo. Thamine acreditou que seria apenas mais um desses momentos. Apesar da irritação, não tentou impedi-lo. Precisavam de distância para evitar que a situação piorasse.
O que nenhum dos dois percebeu foi que Igon escutara toda a conversa.
O menino admirava profundamente o pai. Via nele uma figura quase heroica. Por isso, ao perceber que Edher deixava a propriedade sozinho, tomou uma decisão impulsiva. Algumas horas depois, aproveitando o silêncio da madrugada, saiu discretamente de casa e seguiu a trilha que conhecia tão bem. Seu objetivo era simples. Encontrar o pai e convencê-lo a voltar.
Quando Thamine acordou na manhã seguinte, encontrou a cama de Igon vazia.
O pânico surgiu imediatamente.
Basco ainda dormia quando ela iniciou uma busca desesperada pelos arredores da propriedade. Chamou pelo filho repetidas vezes, percorreu o quintal, conversou com vizinhos e verificou todos os lugares onde ele costumava brincar. Nenhum sinal. Nenhuma resposta. Apenas o crescimento constante de uma angústia que parecia apertar seu peito a cada minuto.
Foi apenas no final daquela manhã que o telefone tocou.
Do outro lado da linha estava Edher.
Sua voz parecia cansada, mas tranquila.
Explicou que encontrara Igon próximo à cabana poucas horas antes. O menino havia chegado durante a madrugada e adormecido exausto depois de caminhar sozinho pela mata. Edher pediu desculpas pelo susto e prometeu retornar no dia seguinte. A conversa durou apenas alguns minutos. Mesmo assim, foi suficiente para aliviar temporariamente o desespero que dominava a casa.
Thamine jamais esqueceria aquela ligação.
Porque foi a última vez que ouviu a voz do marido.
O dia seguinte passou.
Depois outro.
E mais outro.
Nenhum dos dois voltou para casa.
Inicialmente, ela acreditou que algum imprevisto os havia atrasado. Talvez problemas mecânicos, dificuldades na mata ou alguma decisão impulsiva de permanecer mais tempo na cabana. Quando a primeira semana terminou sem qualquer notícia, a preocupação transformou-se em desespero absoluto.
As buscas começaram imediatamente.
Moradores da região organizaram expedições.
Policiais percorreram trilhas.
Caçadores locais auxiliaram na procura.
A cabana foi encontrada.
As ferramentas continuavam lá.
Alguns pertences também.
Mas não existia qualquer sinal de Edher ou Igon.
Nenhum corpo.
Nenhuma evidência de violência.
Nenhuma pista.
Era como se ambos tivessem simplesmente desaparecido da face da Terra.
Os meses seguintes foram devastadores para Thamine. A ausência de respostas corroía sua mente de forma constante. Em alguns dias acreditava que os dois retornariam a qualquer momento. Em outros, convencia-se de que algo terrível havia acontecido na mata. A incerteza transformou-se em uma ferida permanente. Mais dolorosa do que o luto tradicional. Afinal, como aceitar a morte de alguém quando sequer existe confirmação de que morreu?
Basco era pequeno demais para compreender completamente o que estava acontecendo.
Mesmo assim, sentia o peso daquela perda.
Via a mãe chorar quando acreditava estar sozinha.
Percebia o silêncio crescente dentro da casa.
Notava que o nome de Igon era pronunciado cada vez menos, como se falar sobre ele tornasse a dor ainda mais difícil de suportar.
Sem perceber, a ausência do pai e do irmão começou a moldar quem ele se tornaria.
Uma ausência que continuaria ecoando por muitos anos.
Muito além de Cipó-Guaçu.
Muito além daquela floresta.
Muito além do que qualquer um deles poderia imaginar.
Parte 3 — Sangue Chamando SangueO retorno ao presente foi tão doloroso quanto as próprias lembranças. Nos dias que se seguiram ao confronto no Mascarade, a atmosfera da Escola Brasil X tornou-se estranhamente silenciosa. Os corredores continuavam movimentados, as aulas prosseguiam e os treinamentos aconteciam dentro dos horários habituais, mas algo havia mudado. A morte de Raquel deixara uma ferida aberta na comunidade mutante. Ao mesmo tempo, a transformação de João Victor em uma estátua de prata permanecia como um lembrete constante de que os CelleXty não eram invencíveis. Pela primeira vez desde sua chegada à EBX, Basco percebeu que a sensação de segurança construída nos túneis subterrâneos podia desaparecer tão rapidamente quanto surgira.
Durante boa parte daquela semana, ele permaneceu isolado. Não por escolha consciente, mas porque sua mente parecia incapaz de processar tudo o que acontecera. Sentado sozinho em um dos dormitórios desocupados da escola, observava repetidamente uma fotografia antiga retirada de uma caixa de lembranças que sua mãe preservara até o fim da vida. A imagem mostrava os quatro juntos. Edher sorria discretamente enquanto mantinha uma das mãos sobre o ombro de Thamine. Igon aparecia ao lado do pai, exibindo a mesma expressão determinada que Basco agora reconhecia em Scariotis. Quanto mais observava aquela fotografia, mais difícil se tornava enxergar o líder da Gangue Fantasma como um simples inimigo. O homem que enfrentara no estacionamento do Mascarade era também a criança que dividira com ele os primeiros anos de vida.
A revelação acabou sendo compartilhada durante uma reunião restrita com Alex, Lucius e Isabelle. Nenhum deles tentou pressioná-lo. O próprio Basco tomou a iniciativa de explicar o que havia visto durante a conexão mental estabelecida no confronto. Enquanto falava, percebeu que estava organizando pensamentos que até então existiam apenas como fragmentos desconexos. Contou sobre a infância em Cipó-Guaçu, sobre o desaparecimento de Edher e Igon e sobre as memórias que haviam atravessado sua mente quando a névoa entrou em contato com Scariotis. Não eram impressões vagas. Não eram suspeitas. Eram lembranças compartilhadas. A ligação entre os dois era real.
O silêncio que se seguiu ao relato foi respeitoso. Lucius foi o primeiro a compreender o peso daquela descoberta. Durante anos, acompanhara a busca de Basco por respostas sobre a própria família. Agora, diante daquela revelação, finalmente entendia por que a presença de Scariotis provocava reações tão contraditórias. Não se tratava apenas de enfrentar um adversário poderoso. Basco estava sendo forçado a confrontar alguém que deveria ter permanecido ao seu lado durante toda a vida. Alguém que desaparecera quando ambos ainda eram crianças.
Alex permaneceu observando a fotografia durante alguns segundos antes de devolvê-la ao proprietário. Sua experiência ensinara que algumas informações exigiam mais investigação do que reação imediata. Se Scariotis realmente era Igon, outras perguntas tornavam-se inevitáveis. Quem o encontrara após o desaparecimento? Como sobrevivera durante todos aqueles anos? E, acima de tudo, qual havia sido o destino de Edher? A possibilidade de que o pai de Basco também continuasse vivo deixou de parecer uma fantasia produzida pela esperança. Pela primeira vez, existiam indícios concretos de que o desaparecimento ocorrido em 1983 escondia algo muito maior do que um simples acidente.
Enquanto Basco tentava lidar com aquelas descobertas, Alex iniciou sua própria investigação. Parte desse trabalho o levou novamente ao Mascarade. Dias após o confronto, encontrou-se com Verônica em uma das áreas reservadas da boate, longe dos olhares curiosos dos frequentadores habituais. A vampira ainda supervisionava os esforços para restaurar a normalidade entre os membros da Geração Vamp. O ataque deixara consequências políticas importantes. Muitos clãs exigiam respostas, e a existência de um grupo disposto a exterminar vampiros em larga escala começava a preocupar até mesmo aqueles acostumados a séculos de intrigas.
A conversa entre os dois revelou informações importantes. Verônica confirmou que Scariotis era conhecido em diversos círculos sobrenaturais da América do Sul. Seu nome surgia repetidamente associado a caçadas, execuções e missões realizadas mediante pagamento. Diferentemente de mercenários comuns, porém, ele parecia selecionar seus contratos de acordo com critérios próprios. Havia cidades inteiras onde sua passagem se transformara em lenda. Vampiros desapareciam. Criaturas consideradas perigosas eram eliminadas. Comunidades inteiras aprendiam a temer a figura encapuzada conhecida como Senhor das Lamentações. Poucos sobreviveram tempo suficiente para reunir informações detalhadas sobre ele.
Ao mesmo tempo, outro assunto exigia atenção urgente:

Gregory.
O jovem vampiro permanecia em recuperação nas instalações da EBX. Seu despertar mutante fora tão violento que nem mesmo os especialistas da escola conseguiam compreender completamente a extensão de suas capacidades. Os exames iniciais confirmavam apenas o óbvio: sua habilidade possuía potencial suficiente para alterar matéria em escala preocupante. A transformação de João Victor em prata era prova disso. Embora Hardcore continuasse vivo de alguma forma, ninguém conseguia explicar como reverter o processo.
Foi justamente por causa de Gregory que Verônica procurou Alex ao final da reunião.
A expressão da vampira tornou-se mais séria do que em qualquer outro momento da conversa.
Ela conhecia a política interna dos Treze Clãs melhor do que qualquer pessoa.
E sabia exatamente o que aconteceria quando a verdade viesse à tona.
— Proteja aquele garoto.
Alex percebeu imediatamente que não se tratava de um pedido comum.
— Por quê?
Verônica permaneceu alguns segundos em silêncio antes de responder.
— Porque, quando os outros clãs descobrirem que ele é mutante, deixarão de enxergá-lo como vampiro.
A frase carregava implicações profundas.
O preconceito não existia apenas entre humanos.
Também florescia entre criaturas que conheciam na própria pele o significado da perseguição.
— Eles vão caçá-lo.
Alex não precisou de mais explicações.
Ao deixar o Mascarade naquela noite, já havia tomado sua decisão. Gregory permaneceria sob proteção da EBX. Talvez por necessidade. Talvez por compaixão. Talvez porque o garoto representasse algo que o mundo ainda não estava preparado para compreender. Um vampiro mutante desafiava fronteiras que diferentes sociedades passaram séculos tentando preservar.
Nos subterrâneos da escola, porém, outra preocupação crescia silenciosamente.
Basco passava cada vez mais tempo diante da fotografia da família.
A imagem deixara de representar apenas uma lembrança dolorosa da infância. Agora funcionava como evidência. Igon estava vivo. E, se o irmão sobrevivera àquele desaparecimento, a possibilidade de encontrar Edher também permanecia aberta. O problema era que cada nova resposta parecia trazer perguntas ainda maiores. Afinal, alguém transformara uma criança desaparecida no homem conhecido como Scariotis. Alguém o treinara. Moldara suas crenças. Conduzira seus passos até transformá-lo em uma figura temida por vampiros, mutantes e criminosos.
Naquela noite, enquanto observava a fotografia sob a luz fraca de um abajur, Basco percebeu que sua busca havia mudado completamente de natureza. Durante anos procurara vestígios do passado. Agora perseguia pessoas reais. Pessoas que continuavam vivas em algum lugar do mundo. A descoberta deveria trazer esperança. Em vez disso, alimentava uma inquietação crescente. Porque, se Igon sobrevivera àquela noite na floresta de Cipó-Guaçu, alguém o havia levado embora.
E se alguém levou Igon...
O que aconteceu com Edher?
Essa pergunta acompanhou Basco até o amanhecer.
E continuaria acompanhando-o pelos capítulos que ainda estavam por vir.
Fale com o autor