Isabelle não se lembrava de já ter sentido tanto medo na vida. Olhava a sala cirúrgica, via os médicos, os enfermeiros e a prima, que segurava a sua mão e lhe dizia palavras de incentivo, as quais mal podia compreender, tudo parecia longe, como num filme do qual não fazia parte, apenas assistia, cujo final ela temia.

A anestesia certamente já estava fazendo efeito e seus olhos pesavam, mas lutava com todas as forças para manter-se acordada, não perderia o nascimento dos seus filhos por nada.

Via apenas algo como uma parede sobre a sua barriga, impedindo-a de ver a cesariana, não veria seus filhos sendo retirados de dentro dela, mas ansiava por ouvi-los chorar pela primeira vez.

De repente, ela não teve certeza de estar acordada ou sonhando. Viu Cris, usando uma máscara, toca e roupa do centro cirúrgico, entrar.

Ele segurou a mão de Isabelle e a beijou. A moça pode ouvi-lo dizer:

— Vai dar tudo certo, eu estou aqui.

O tempo parecia se arrastar, enquanto Isabelle prosseguia travando a sua luta contra o sono, só poderia relaxar ao ver que seus dois filhos nasceram fortes e saudáveis.

O aparelho que marcava as suas batidas cardíacas e fazia-a acompanhar o sons do seu próprio coração, cada vez mais acelerado. Lembrou-se de ter ouvido os sons das batidas de seus filhos em ultrassom, que mais lhe parecia música. Como ansiava por vê-los logo!

O zumbido das vozes baixas dos componentes da equipe cirúrgica. Os apertos cada vez mais fortes de Mabel ao segurar a sua mão esquerda e os carinhos de Cris na sua mão direita. Precisava se concentrar em cada detalhe do momento mais especial da sua vida.

O primeiro tão esperado chorinho foi ouvido pela mãe, o pai e a madrinha. Era forte e apontava para um bebê saudável, como constatou satisfeita Isabelle. O médico levantou o recém-nascido sobre o biombo que encobria a mãe e anunciou:

— É uma linda menina!

Isabelle já não conteve as lágrimas, seguida por Cris. Mabel comentou:

— É realmente linda a minha afilhada.

Cris olhou para a ex-esposa sem entender, mas logo compreendeu que não era a hora para tal questionamento.

O cordão umbilical foi cortado e a pequena foi entregue para uma enfermeira, que a enrolou numa manta e a levou para a sala ao lado.

Os pais ainda ansiavam a chegada do segundo bebê, do seu menino.

O cirurgião retirou o segundo bebê, Cris e Mabel logo se aproximaram para ver mais de perto, mas algo estava errado. O pequeno simplesmente não chorava. O médico não anunciou com o mesmo entusiasmo o nascimento, disse apenas:

— É um menino. Preciso de ajuda! – à sua equipe.

Cris perguntou aflito:

— O que há com o meu filho?

— Ele não está respirando.

Cris sentiu o sangue fugir-lhe das faces. Isabelle, chorando, pediu:

— Eu quero o meu filho!

O médico tentou acalmá-los:

— Ele está ligado ao cordão umbilical, que lhe garante por ora oxigênio, não vamos forçar a respiração enquanto há tempo. Vamos ressucitá-lo.

— Meu filho está morto? – questionou Isabelle, chorando desesperada.

Cris correu para acudi-la:

— Não, meu amor. Ele ainda não conseguiu respirar, mas o médico vai ajudá-lo.

A enfermeira apareceu trazendo a menina, colocando-a sobre o peito de Isabelle, que olhou para ela, sentindo um amor imensurável. A pequena choramingou e com a pequena mão segurou um dedo da mãe.

Isabelle sentia o coração divido: alegre pela filhinha linda e saudável e dolorido pelo filho que não sabia se teria a mesma sorte da irmã de viver.

Cris beijou a cabecinha da filha, sorriu, mas, logo voltou para perto do filho. O médico já estava tentando reanimá-lo. O enfermeiro se aproximou para cortar o cordão umbilical e o pai se insurgiu:

— Meu filho vai morrer!

O médico olhou para o homem em desespero e sorriu:

— Seu filho vai viver, observe a barriga, começa a respirar.

De repente, o médico tirou o aparelho de reanimação e o bebê fez ecoar um forte choro, acompanhado pela mãe, pelo pai e por Mabel. A emoção tomou conta do local.

O menino, tal como a irmã, foi embrulhado numa manta e levado para a sala ao lado. Retornou limpo aos braços da mãe, que já embalava a sua menina. Ao ver os seus dois filhos vivos e saudáveis sobre o seu peito, Isabelle sentiu-se a mulher mais feliz e realizada do mundo. Numa prece silenciosa agradeceu a Deus.

Cris aproximou-se da esposa e beijou-lhe os lábios, agradecendo:

— Muito obrigado, amor da minha vida, pelo presente mais lindo!

Ela apenas sorriu em resposta, conseguiu relaxar, não resistiu mais ao sono. Acordou horas depois no quarto do hospital, com os seus filhos dormindo graciosamente em pequenos berços ao lado, Cris velando o sono deles. Sam e Freddie ao lado da filha. Carly e Gibby sentados no sofá próximo observando os netos como que encantados.

Cris percebeu que Isabelle despertava e correu para ela:

— Como se sente, meu amor?

— Cansada. Mas, muito feliz!

Ela tentou se sentar para ver os seus filhos, mas sentiu uma dor lancinante no lugar do corte da cesariana. Sam correu para amparar a filha:

— Está passando mal, Belinha?

— Não, mãe. Só muita dor.

Carly esclareceu:

— A cesariana dói muito mesmo depois. Melhor, por enquanto, você não se mexer muito. Depois, aos poucos, vai ter que forçar um pouco.

— Eu quero os meus filhos – pediu Isabelle.

Sam pegou a menina do berço e Carly o menino, ambas levaram os pequenos para perto da mãe, que pediu para que fossem colocados nos seus braços.

Gibby perguntou:

— Já escolheram os nomes? O menino poderia ter o nome do avô...

Freddie adiantou-se:

— Embora Freddie seja um belo nome...

Gibby interveio:

— Eu iria sugerir Cornelius.

Sam observou:

— Credo! Meu neto não vai ter um nome desses!

Freddie prosseguiu:

— Não se preocupe, amor – à esposa – Não vou chamá-lo de Cornelius, nem de Fredwardo...

Carly ficou curiosa:

— Então, vai chamá-lo como?