Celle, o retorno
24 A intimação
Cris nem esperou Isabelle olhar para a tela do celular dele. Pegou a moça pela mão e disse:
— Melhor vermos pessoalmente agora mesmo! Aqui diz que está aberto para visitação ao longo do dia e a chave está na portaria.
Isabelle puxou a mão e disse:
— Calma, Cris. Onde fica esse aparamento? Eu não posso demorar, tenho aula daqui a pouco na pós...
— Fica há uma quadra daqui! Não é perfeito?
Sam manifestou-se:
— É perfeito! Belinha bem pertinho da mamãe! E Cris, da sogrinha – em tom de humor, abraçando o rapaz.
— Será um prazer ter a senhora por perto – disse ele, sorrindo.
— Ainda não estou tão velha para me chamar de senhora. Pode chamar de você, porque sempre esteve em casa. Sou a melhor amiga da sua mãe muito antes de você sonhar em conhecê-la.
— Está bem. É um prazer ter você como sogra.
— E uma sorte. Se tivesse uma sogra como a minha, saberia o que é o inferno na Terra.
Isabelle interveio:
— Mamãe não perde uma oportunidade de falar mal da vovó. Melhor irmos – puxando o noivo pela mão.
— Não falo mal, falo a verdade – rebateu Sam.
Isabelle ficou deslumbrada ao ver o apartamento. Era a cobertura de um prédio de 25 andares, com uma vista maravilhosa de boa parte da cidade.

— Uau! É realmente lindo, Cris. Mas, é muito alto, teremos que colocar redes em tudo por causa das crianças...
— Faremos como você quiser. Mas, fico feliz que já esteja nos imaginando com as crianças aqui. Posso fechar o contrato?
— Calma. Eu ainda só vi a sala, preciso analisar o todo.
Isabelle saiu andando e verificando cada um dos 4 quartos, sendo uma suíte, banheiros, cozinha, área de serviço, sacada, sala de 2 ambientes. Ela concluiu:
— Realmente, é o aparamento perfeito! Mas, não é muito caro?
— Tá no preço de mercado. Podemos bancar. Ora, amor, não precisamos ser pão-duros agora. Ganhamos o suficiente e ainda iremos prosperar.
— Pode ficar um pouco apertado com as crianças.
— Temos a Ellie, mas os gastos com ela são comigo, não inclui a sua parte. Quanto às crianças que ainda teremos, elas ainda não são uma realidade, até porque você mesma disse que era melhor adiar um pouco...
— Cris, talvez meus planos tenham falhado...
— Como assim?
— Eu tenho me sentido estranha ultimamente. Pensei que pudesse ser uma intolerância alimentar, como a que meu irmão tem, mas, pode ser um bebê.
— Sério?! — indagou Cris sorrindo e deixando escapar uma lágrima ao mesmo tempo.
O rapaz ajoelhou-se diante da moça e a abraçou pela cintura, depositando um beijo no ventre dela:
— Eu sempre sonhei com esse momento. O meu filho crescendo dentro do seu ventre. O fruto do nosso amor!
Ela também se sentiu emocionada, mas logo voltou a si:
— Eu não tenho certeza, Cris. Melhor se levantar – puxando os braços do rapaz para cima.
— Basta eu comprar um teste de farmácia agora mesmo...
— Eu tenho medo e prefiro esperar.
— Como assim?
— Eu já perdi o nosso bebê uma vez. Naquela ocasião, o médico falou que é comum aborto espontâneo nos 3 primeiros meses. Eu tenho muito medo de fazer o teste, dar positivo, eu me encher de expectativas e depois perdê-lo mais uma vez. Eu não suportaria – deixando rolar algumas lágrimas dos olhos.
Cris abraçou a noiva, dizendo:
— Isso não vai acontecer, meu amor. Eu estou aqui e vou cuidar de você e do nosso bebê, não está mais sozinha. Por isso quero tanto fechar o aluguel desse apartamento. Ele é amplo, vai caber a nossa grande família. Além disso, fica perto de nossos pais, que poderão estar conosco sempre. Ao mesmo tempo, teremos um espaço só nosso, o nosso ninho de amor. O que me diz?
— Se isso é tão importante para você, eu concordo.
— Não, resposta errada. Isso tem que ser muito importante para você também.
— Está certo, amor. Isso é muito importante para mim também. Eu quero um cantinho só nosso, para nós e a nossa família. E é ainda melhor ser for bem perto dos nossos pais. Você pode fechar negócio.
Cris pegou Isabelle no colo e a girou no ar, beijando-a na boca, com paixão em seguida.
Sam, Carly e Gibby ficaram muito contentes com a notícia, apenas Freddie mostrou-se contrariado, mas, logo foi persuadido por Cris e Isabelle, que explicaram que o casamento apenas não se daria antes do “ajuntamento” porque Mabel estava complicando as coisas, porém, assim que saísse o divórcio litigioso, iria formalizar o casamento como manda o figurino.
O casal preparava a mudança, com muita alegria, tirando as coisas do quarto de Cris e encaixotando, quando ouviram a campainha. Ambos desceram para atender. Era um oficial de justiça, que indagou:
— É o senhor Cristopher Shay?
— Sim, sou eu – respondeu o rapaz.
— Assine a intimação, por favor.
Cris assinou o papel entregue pelo oficial e leu rapidamente:
— É da audiência de guarda da Ellie.
O oficial agradeceu, deu uma cópia do documento para o rapaz e se retirou.
Cris sentou-se no tapete da sala, lendo o documento:
— É pra logo! Não sei se estou preparado.
Isabelle sentou-se ao lado dele:
— Você está! Você sabia que isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde, então, é melhor encarar logo. Eu estarei lá com você, vai dar tudo certo. Temos que acreditar que a justiça será feita!
— Será? Eu não sou o pai da Ellie!
— Sabemos disso. Mas, quem se importa com a verdade biológica? Você sempre foi o pai dela de fato.
— Eu andei procurando precedentes das Cortes de Seattle. A verdade biológica tem prevalecido em todos os casos.
— Mas, Ellie nem mesmo tem um pai biológico digno de ocupar esse papel. Você mesmo disse que Mabel relatou um estupro.
— Mas, eu sei lá o que essa louca vai relatar agora.
— Mais um ponto a seu favor. Mabel é louca, já esteve numa clínica psiquiátrica, não tem condições nenhuma de criar a Ellie. Que juiz tiraria a menina de um pai exemplar como você para dar a uma mãe maluca?
— Eu não sei. Ainda assim, sinto muito medo.
Isabelle simplesmente o abraçou e assim permaneceram, enquanto Cris respirava fundo, tentando se acalmar.
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