Notas iniciais
Musical: Chicago.

Six

“You know, some guys just can't hold their arsenic”

Haruno Sakura

Idade: 27 anos.

Estado civil: Noiva

Crime: Assassinato.

— Diga, senhora…

— Senhorita.

— Como?

— Não sou casada.

— Ah, sim! Diga, senhorita Haruno, por favor, quando e como conheceu o senhor Uchiha Sasuke?

Tsunade cruzou os dedos sobre o queixo e observou com atenção.

Essa parecia vagamente arrependida, mas não inocente.

— Sim. Foi há dois anos, em um bar da Vila do Som. Nos demos bem instantaneamente. Ele me disse que era solteiro e começamos a sair.

— E depois?

— Depois de um ano fomos morar juntos. Era o paraíso. Eu chegava da faculdade de medicina e fazia o jantar. Ele chegava do trabalho e colocava a mesa. Depois bebíamos e nos divertíamos.

— Que tipo de bebida?

A Haruno deu de ombros.

— Diversos tipos. Cerveja, vodka, chá.

Riso do júri.

O promotor colocou as mãos nos bolsos.

— E, por acaso, foi o chá que a senhorita adoçou com arsênico?

Hatake Kakashi se ergueu.

— Protesto, meritíssima!

— Aceito. Promotor, mude a pergunta.

Uchiha Obito respirou fundo.

— Perdão, meritíssima. Certo, certo, senhorita Haruno, poderia nos dizer, então, qual foi sua reação quando soube que o seu noivo tinha outras seis casas e outras seis mulheres?

Os olhos verdes piscaram em fúria por um instante, mas a voz não tremeu em nenhum segundo.

— Fiquei muito chateada. E com raiva, naturalmente.

Pelo canto do olho, a juíza viu duas senhoras do júri conversando. Com a cabeça, concordavam em algo.

Naturalmente. — o Uchiha repetiu com ironia. — Mas a minha pergunta, senhorita, foi outra. Como reagiu ao saber disso? Como foi a noite em que seu noivo morreu?

Sakura cruzou as mãos sobre o colo calmamente.

— Uma noite comum, usual. Quando ele chegou eu já tinha preparado o jantar e separado nossas bebidas. Eu tinha até preparado um Dry Martini. O drink favorito de Sasuke.

— Ah! E foi, por acaso, nesse drink que a senhorita deixou cair arsênico?

— Eu não deixei cair, senhor promotor. Provavelmente, o arsênico caiu no drink enquanto eu estava distraída com a comida.

— Que conveniente, senhorita! Que conveniente! E por qual motivo a senhorita tinha arsênico em sua cozinha?

— Para matar ratos. — Sakura respondeu com uma voz estranha e gélida.

O Uchiha balançou a cabeça.

— Sem mais perguntas, excelência.

— Advogado de defesa.

Hatake levantou-se com altivez, arrumando o terno. Aproximou-se da ré e, protetor, apoiou o braço no encosto de seu banco.

— Senhoras e senhores do júri, eu peço a vocês que sejam honestos comigo: quem, amando o parceiro ou a parceira, não teria sofrido arduamente com uma traição? E seis, então, todas descobertas simultaneamente? A minha cliente sofreu, senhores, ela sofreu e, ainda assim, ela preparou o jantar do noivo, seu drink favorito, disposta a conversar com ele.

Uma lágrima escorreu pelo olho esquerdo e pela bochecha da mulher julgada.

— A minha cliente, a senhorita Haruno Sakura, faz estágio em um prestigiado hospital cuidando de crianças e idosos e todos lá a amam. Dizem como é eficaz e gentil. Como alguém poderia imaginar que ela propositalmente colocaria arsênico em um Dry Martini preparado com carinho para o homem que amava? O arsênico caiu, senhores. Obviamente, caiu! Quem nunca cometeu um erro na cozinha que jogue a primeira pedra!

Ele suspirou e balançou a cabeça.

— Se vocês acreditam, de fato, que um ser humano que comete um erro culinário deve ir para trás das grades… — Kakashi ergueu as mãos. — Não quero nem imaginar onde vamos chegar.

Tsunade virou-se para o júri.

— Precisamos de um recesso, excelência.

— Uma hora de recesso. — determinou.

A juíza saiu. Precisava esticar as pernas e beber um pouco de café, mas não pode deixar de observar as mãos do Hatake apertando amorosamente as da Haruno.