Cego Coração

13 Décimo Terceiro Capítulo - Tribo do Norte


Notas iniciais
Oi gente! Sei que sumi, mas não foi culpa minha! ^-^ Mesmo assim, peço mil desculpas!
Aqui está mais um capítulo para os amantes do Kouga-kun! Espero que gostem!

Kouga estava andando pelos limites de seu território, seu olhar no horizonte, atentos para qualquer movimento suspeito. Depois do ataque dos youkais aves, que já fazia um mês que havia acontecido, e depois de ele se recuperar de seus ferimentos — o que levou mais ou menos umas duas semanas — ele havia aumentado a segurança da tribo espetacularmente. É claro que ele, sendo Alpha, não precisava estar lá fazendo ele mesmo o serviço, mas seu pai, mesmo nunca tendo sido Alpha, havia lhe ensinado como ser um bom líder. Um bom líder não se vê acima de seu povo, e um bom líder não ordena outros de seu povo para cuidar do que tem que ser feito enquanto ele senta em seu trono e recebe uvas na boca. Ele já vira sujeitos assim nos reinos humanos e não era a toa que os reinos humanos eram os mais fracos. Os humanos eram facilmente corrompidos, mas os youkais lobos eram extremamente fiéis uns aos outros, que nem seus próprios irmãos lobos.


Além de tudo isso, Kouga gostava de andar no topo das montanhas, observando o movimento de sua tribo lá embaixo, tão pequenos que ele quase não os reconhecia. Era sua tribo, afinal, e ele gostava de vê-los levando suas vidas em paz e tranquilidade.



Ele sentou por um minuto, seus pensamentos viajando involuntariamente para Kagome, como eles insistiam em fazer quando ele estava em momentos assim, sozinho. Kagome agora era uma legítima loba, graças à sua ótima performance em batalha e aos seus dons de cura. Ele sempre soubera que a moça era muito mais do que apenas uma detectora de fragmentos, coisa que o velho hanyou parecia não compreender.



Kouga balançou a cabeça, afastando os pensamentos de Inuyasha de sua mente. Era melhor não pensar nele, levando em conta que o youkai ainda não sabia qual sentimento tinha para com o hanyou. Seria raiva por ele ter enganado a Kagome, fazendo-a acreditar que ele a queria quando, realmente, apenas queria a outra sacerdotisa? Seria ciúmes, pois lembrava de como Kagome sempre escolhia a droga do cara de cachorro ao invés dele? Ou talvez seria pena, pois o hanyou havia perdido a mulher que amava para sempre e isso o quebrou, fazendo-o fugir do lugar que ele chamava de casa e andar o mundo sozinho?



Bem, o que interessava era Kagome, e era nela que ele iria pensar. Fechou seus olhos por um instante, imaginando seu rosto. Sorriu involuntariamente, mas abriu seus olhos de volta. Ele estava ali no alto por um motivo, afinal. Iria sim continuar pensando em sua Kagome, mas iria estar com os olhos atentos.



Todos gostavam da sacerdotisa agora e ela se dava expetacularmente bem com os filhotes. Não é de se supreender, na verdade. Ela havia praticamente criado aquele pequeno youkai raposa após a morte de seu pai. Ela tinha mesmo um jeito incrível com crianças, e Kouga se viu pensando novamente em como ela seria uma ótima mãe.



Ao longe, andando próximos à margem de seu rio, o Alpha avistou um grupo grande de figuras, andando em direção ao seu território. De tão longe ele não conseguiria ver quem ou o que eram e, justo quando ia virar e correr para alertar os outros, seus dois companheiros mais fiéis apareceram.



– Kouga! Kouga!



– Ah, Alpha Kouga!



– Ginta, Hakkaku. — O youkai disse, um pouco assustado por vê-los ali. Eles nunca foram tão rápidos assim. — Tem um grupo vindo em nossa direção, — Ele disse apontando. — mas não sei dizer se são youkais ou humanos.



– É sobre isso que queremos lhe informar, Kouga.



– Estávamos lhe procurando por toda parte! — Ginta explicou. — Não se preocupe, eles não nos atacarão nem nada. Não são uma ameaça.



– Quem são?



– É a tribo do Norte, Kouga. Eles vieram para uma visita, já que faz tempo que você não organiza um grupo para ir lá. — Era a vez de Hakkaku explicar.



O youkai lobo colocou a mão nas têmporas, como se estivesse começando uma dor de cabeça.



– Quantos são? — Perguntou.



– Não muitos, uns dez no máximo.



– O general deles, o Yosuke, é um dos que está vindo. Ele trouxe alguns outros homens e, provavelmente a pedido do Ancião, está trazendo Ayame e duas de suas amigas.



– A-Ayame? — Kouga quase se engasgou com a mencão do nome daquela mulher. Ele estava tão feliz e contente com Kagome que havia se esquecido completamente dela.



Ele já havia deixado claro várias e várias e várias vezes que ele não iria tê-la como companheira, e após tanto tempo sem vê-la e sem ela vir atrás dele, ele achou que ela já deveria ter se conformado e ter acasalado. Porém, algo lhe dizia que esse não era o caso. Kouga lembrava bem do Ancião, um velho lobo branco e sábio, Alpha da tribo do Norte e avô de Ayame. Ele não era tão persistente assim. Ele sabia que a escolha de Kouga sempre fora Kagome.



– Isso não é ideia do Ancião. — O youkai de olhos azuis disse, enquanto os outros dois o observavam para ver sua reação ao nome de seu ex-noiva. — Isso me cheira a Ayame, e eu não estou gostando nada disso...



– B-Bem, é só uma visita, Kouga. Não podemos pular para conclusões que ela esteja vindo para tentar lhe fisgar, apesar de ela ter tentando tanto no passado... — Ginta disse, com uma pontada de dor em sua voz que Kouga não conseguiu entender.



– Ginta tem razão. Vai ver ela só esta seguindo ordens mesmo.



– Tudo bem... — O Alpha concordou com um suspiro. — Espalhem a notícia e começem a preparar um banquete. Estarei lá em alguns minutos. — Ordenou e viu os dois saírem correndo novamente.



Observou por um tempo o grupo de youkais lobos da outra tribo se aproximando. Ayame estava em algum lugar ali no meio, e ele não estava nem um pouco contente em revê-la. Desviou seu olhar para o Sol, que brilhava fortemente sobre suas terras naquela manhã. Brilhava como os lindos olhos castanhos de Kagome...



Kagome... Ele só esperava que essa visita não danificasse o que ele estava construindo com ela. Mas, conhecendo Ayame, tudo era possível.



–x-



– Nossa, Kagome, parecem uma delícia! — Uma das fêmeas falou para ela, ao ver o enorme prato de peixe grelhado.



A sacerdotisa havia sido informada, junto com as outras fêmeas, que a tribo do Norte estava vindo para uma visita, e elas deveriam preparar a comida enquanto alguns machos iam caçar mais carne e outros iriam arrumar a caverna principal. Kagome nunca havia cozinhado para os lobos antes, mas ela estava cheia de ter que comer apenas as frutas pois os lobos comiam as carnes cruas, coisa que ela não gostava muito. Ela nunca fora fã de sushi, então fez uma pequena fogueira e pegou os peixes que haviam na cozinha e os colocou em cima do fogo. Era o mais próximo dos peixes grelhados de sua era que ela iria conseguir.



Pelo visto, as fêmeas haviam gostado da aparência e do cheiro.



– Realmente Kagome, — Outra delas falou. — O que você fez com os peixes? Estão tão diferentes e cheirando tão bem!



– Apenas os coloquei no fogo por um tempo. — Ela respondeu e os olhos das fêmeas ao seu redor se arregalaram.



– Nós nunca colocamos nada no fogo...



– Que coisa mais estranha...



– Isso é comum entre os humanos? — Katsumi perguntou, enquanto lavava uma bacia de frutas para serem comidas.



– Ah sim, é bem comum. — Respondeu.



– Bem, realmente está com uma cara boa. Deve ser uma ótima ideia!



– Sim, sim! Vamos começar a por mais carnes ao fogo daqui para frente e ver como ficam! — Katsumi sugeriu e as outras fêmeas, concordaram. — Kagome, você já ajudou um monte aqui na cozinha. Por que você não vai para sua caverna se trocar?



– Tudo bem, mas e vocês?



– Ah, não se preocupe conosco, querida. Nós logo terminaremos aqui e já vamos nos arrumar. Pode ir. — Disse uma das fêmeas, chamada Junko.



A moça concordou e desejou um bom trabalho para as outras, mas, assim que saiu da cozinha, ouviu a Junko cochichando para as outras.



– Ela deveria parar de pensar tanto nos outros. A gente se vira por aqui, mas é ela quem precisa estar realmente bonita hoje. Afinal de contas, ela é a noiva do Alpha. — As outras todas fizeram sons em aprovação e logo voltaram para suas tarefas.



Kagome sentiu suas bochechas queimando. O pessoal da tribo ainda achava isso? Ela era noiva do Kouga? E era isso que as outras tribos achavam também? Estranhamente, ela não sentiu aquela vontade imensa de corrigir o pensamente de todo mundo, como ela normalmente teria. Ela não era noiva de Kouga, mas ela não se importava se falassem que ela era. Ela se sentia até... lisonjeada, de uma certa forma. E agora ansiosa para ir se arrumar!



Ela continuou seu caminho até o covil que dividia com Kouga e o adentrou, pronta para escolher o que vestir e se arrumar, com todas as pressões de ser a noiva do Alpha em suas costas.



–x-



Ela estava muito bonita, ele tinha que adimitir. Seus trajes de pelo branco em contraste com seu cabelo cor de fogo chamavam muito a atenção, e não era só dele, de muitos de seus lobos também. Ela havia perdido o rosto de menina e tinha um andar mais confiante. Por mais que ele a observasse enquanto ela e Yosuke falavam com outros lobos, ele não conseguia parar de pensar em como, mesmo bonita, ela não chegava aos pés da moça que realmente tinha posse de seu coração, e não conseguia parar de se perguntar onde ela estaria.



Ayame ainda não tinha vindo falar com ele, mas lhe lançava pequenos olhares a cada minuto. Quando ela percebeu que ele a observava tão atentamente, seus lábios viraram num pequeno sorriso triunfante, e foi ai que Kouga percebeu que nada havia mudado. Ela ainda era aquela mesma menina irritante e mimada, que tentava a todo custo ter o que queria, que não entendia o significado de um “não”. A única mínima diferença era que ela agora estava com um corpo e aparência de mulher.



Ele se virou em direção a mesa onde estavam as frutas e pegou uma maçã para comer.



– Olá Kouga, faz muito tempo que não lhe vejo. — A voz da ruiva soou por trás. Ele se virou para encará-la. — Você não mudou nada.



– Você também não, Ayame. — Ele disse em um tom educado.



– Hm, estranho. Todos com quem eu ando conversando parecem pensar o contrário. — Ela deu uma pequena rodopiada, atraindo todos os olhos masculinos da caverna. — Dizem que eu cresci, em todos os sentidos, Kouga. — Ela disse essa última parte em um sussurro que, em outras circunstâncias, ele até acharia atraente.



– Bem, erm, Ayame, eu ainda acho que você não mudou nada. Em todos os sentidos.



A loba arqueou um sobrancelha em uma expressão de quem duvidava muito do que Kouga falara. Em seguida fingiu derrubar a fruta que comia no chão e se abaixou para pegá-la, puxando seu traje um pouco mais para baixo ao subir. O Alpha desviou instantaneamente o olhar de seu corpo.



– Você só pode ser cego então, Kouga. — Ela disse, tentando de várias maneiras fazê-lo olhar para ela novamente.



– Mas ele está mesmo cego, Ayame! — Yosuke disse de repente, abraçando Kouga com um braço e rindo.



– Yosuke. Como é bom revê-lo, meu amigo. — Kouga disse, cumprimentando o general, apenas alguns anos mais velho do que ele.



– Sim, que bom que veio se juntar a nossa conversa, Yosuke. — A fêmea disse entre dentes. — Por favor explique seu comentário anterior, eu acho que não entendi.



– Ah, Princesa Ayame, é muito simples. — O general riu. — O nosso querido Alpha Kouga está cego de amor. — Ayame se engasgou com o pedaço de fruta que estava comendo, mas logo se recompôs. — Não é mesmo, Kouga?



– Pode-se dizer que sim. — Ele respondeu, ainda olhando para os lados para ver se achava a culpada por sua cegueira.



– Você não estava sabendo, Ayame? O Kouga logo irá acasalar! Finalmente também, hein.



– O-o quê? Com quem?! — Perguntou a loba, enquanto os dois riam como velhos amigos.



– Com a Kagome, quem mais? — O lobo de olhos azuis respondeu e jogou fora os restos de sua maçã. — Agora, se me dão licença, minha noiva chegou.



Kouga andou até o centro do salão, esperando Kagome vir até ele. Ela estava com um dos vários vestidos de pele de lobo que ele havia lhe dado, e esse em especial caía muito bem nela. Seu cabelo estava feito em uma trança que começava de seus lado esquerdo e acabava em seu lado direito, caindo em seu ombro direito. Em outras palavras, ela estava de tirar o fôlego.



Ayame, porém, parecia não ter gostado nada de ter sido deixada de lado, e muito menos de só ter ficado sabendo agora dessa notícia. Ela não fazia ideia que a queridinha da Kagome estaria lá. Mas, não fazia mal algum. Ela sinalizou para suas amigas e saiu discretamente da caverna, as duas fêmeas seguindo-a.



– Ah, eu vou mostrar para a Kagome exatamente a quem o Kouga pertence... Kaye, Noriko, vamos precisar de ajuda...

Notas finais
Mais uma vez, desculpem-me pelo atraso. Mas, não se preocupem, mesmo se eu, de vez em quando, demorar para postar, não irei abandonar essa fanfic. Eu não ousaria abandonar uma fic do Kouga-kun *-*
Deixem seus comentários, por favor, para eu saber o que vocês acharam! ♥
Ah sim, gostaria de pedir mais uma coisinha! Se, por acaso, alguém de vocês gostem de histórias originais, por favor deem uma olhada na minha nova história original Dominante. É sobre lobisomens e acho, já que vocês são fãs do Kouga, que vocês iriam gostar! ^-^
Domo arigato!