CdE - A Relíquia de Chaos

4 Capitulo III - Pulo de uma janela


As chamas envolveram meu corpo. Meu chifre ardia e então eu golpeei o guarda sem lança. O fogo o contundiu, e ele caiu no chão da batalha, com queimaduras. O corpo dele se dissolveu em areia. Restavam quatro guardas reais. Pela rasteira, joguei o fogo contra o chão. Um deles me atacou pulando em cima de mim. Caímos e deslisamos pelo chão até eu me chocar contra a parede mais próxima. Ele havia deixado sua lança no chão, e então com magia eu segurei a lança dele e a fiz atravessar seu corpo antes que eu levasse mais um golpe. Ele se desintegrou em areia na mesma hora.

Os guardas restantes se desfizeram em areia, mas continuaram seguindo. Eles se fundiram em um só montinho de grãos e se transformaram num escorpião — um dos bichos que eu nunca havia visto em Equestria. Tinha estudados esses aqui, em Ázebra. O escorpião de três metros de altura atacou com sua calda. Eu usei minha magia para desviar a calda, mas ao mesmo tempo ele investiu com uma de suas garras. O bicho negro havia me capturado, e me apertava até a morte. Eu me concentrei em criar um campo de força dentro do animal, pois conseguia ver sua boca. Assim que criei, mistifiquei o campo para que aumentasse. Uma explosão de entranhas e areia sujou todo o cômodo. Eu estava livre, ferido e cansado, e sabia que não poderia usar aquilo por um longo tempo.

A porta por onde eu vinha se arrombou, e mais seguranças apareceram. Eles viram toda a confusão que eu tinha causado e hesitaram. Foi ai que eu vi a minha saída, e corri até lá.

Havia um portal levando para um novo corredor. Desta vez tinha progresso, pois encontrei escadarias. Selecionei a mais aleatória o possível e continuei descendo. Eu estava começando a sentir sede. Não estava com a minha roupa, e nem com minha mochila — meus equipamentos se foram, mas pelo menos consegui enviar uma cópia das descobertas para Celestia, dias antes de ser atacado.

A construção continuava no mesmo esquema de arenito. Já estava ficando enjoado. Minha crina vermelha-alaranjada estava bagunçada e um pouco tostada, como sempre. Senti um corte no meu flanco direito, e acima de minha Bela Marca havia um machucado. Cheguei num outro corredor, mas dessa vez havia uma janela grande e das escadas eu ouvia trotes e vozes dos guardas. Eu estava ficando sem opções. Eu poderia por o feitiço da invisibilidade em prática, mas me custaria muito caro e não tinha garantias. Então eu corri até a janela, quebrando-a. Há vários metros de altura lá estava o solo de areia. Uma cidade de areia e minérios rodeava aquela construção. Ao fundo, a pirâmide que me trouxera até esta cilada.

A queda estava ficando cada vez mais lenta. Eu planei no ar e visualizei o chão.

Usei um feitiço de teletransporte rápido, e em instantes meus cascos tocaram o chão, assustando os pôneis que ali estavam. Mulheres e crianças compravam frutas na feira e vendiam grãos. Uma grande área comercial, de tecidos e joias. Muita coisa interessante, e o pessoal se respeitava. Não gostava da atenção que eu estava trazendo para mim. Os guardas da janela gritaram e me avistaram, e daí eu usei o feitiço de invisibilidade. Num clarão, sumi do mapa.

Eu continuei trocando em silêncio até poder correr. Muitos deles tentavam me procurar. Eu avancei até o oeste da cidadela, onde estava localizada a pirâmide. Passei por algumas casas e finalmente cheguei num rio, que dividia o lado leste do lado oeste da cidade. Todas as casas estavam construídas no lado leste. Eu não sabia o por quê. Templos e esta pirâmide estavam no lado oeste. Havia algum padrão aqui. Atravessei o rio e senti algo forte percorrendo meu corpo. A água se envolvia em minhas patas, e ao mesmo tempo que me sentia vivo, eu me sentia morto. Aquele rio tinha um poder mágico. O Sol atingiu o horizonte, então a informação veio na minha mente. O lado leste era o lado da vida, o lado onde o Sol nascia, enquanto o oeste era o lado da morte, onde o Sol dormia. A pirâmide era uma tumba de um faraó assim como Artrot, e aqueles templos eram para a comunicação dos mortos. Um cala frio passou por mim, e então me teletransportei para fora do rio. As informações sobre aquela nação pararam de vir. Eu havia descoberto muita coisa em uma simples banhada, mas aquilo custava minha alma. Bizarro. Continuei trotando até a pirâmide.

. . .

Perto da base, havia escondida uma tenda de areia. A noite começava à cair, e então eu acampei invisível por ali mesmo. Na espreita, uma unicórnio de roupa elástica preta entrou na tenda. Eu não sabia o que ela estava tramando, mas seria bom eu ficar de olho. Obviamente ela não era daqui, pois não estava vestida como tal, e tinha um chifre marrom. Por um minuto ela pareceu sentir minha presença. Então uma cadeia de terra me cercou em um cubo, e eu estava preso mais uma vez.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.