Caçar. Passado. Presente. Futuro.
6 Sombra
Notas iniciais
“Nossos pensamentos são as sombras de nossos sentimentos, sempre mais obscuros, mais vazios, mais simples que estes.”
Por Sam Winchester:
O hospital não era muito grande. As paredes eram de uma mistura de cores entre o branco e o verde. O hospital fora fundado em 1989, então acho que a única pintura que aquilo recebera, fora no ano de estreia.
–Qual é o plano? – Katherine disse enquanto vinha até nós com Emily em seu encalço.
–Agentes do FBI? –sugeriu Dean.
Pegamos as nossas identificações e fomos em direção à porta do hospital. E... Bingo. O hospital dentro era bem pior do que fora, havia cheiro de mofo no ar.
–Vamos nós separar, Katy e Sam por aqui – ele apontou para os corredores do lado esquerdo — e eu e Emily vamos por ali – disse Dean apontando para os do lado direito – vamos falar com Verônica, enquanto vocês falam com o médico dela.
–Claro – Katherine falou cruzando os braços.
–Mais alguma coisa majestade? – Emily falou fazendo um sinal de reverência.
–Será que nós podemos ir ou vou ser obrigado a ver o teatro “Emily brigando com Dean”?- dei risada de novo.
–Haha nossa Sam, você se superou. Suas piadas conseguem ficar piores – respondeu-me Emily.
...
Por Dean Winchester:
–Bom dia – disse para uma velha senhora que estava atrás do balcão verde musgo, com os óculos pairando sobre a ponta do nariz.
–Bom dia, em que posso lhes ajudar? – ela perguntou sem nos olhar.
–Somos agentes do FBI – falamos juntos mostrando as nossas identificações – gostaríamos de falar com a senhorita Verônica – disse e ela nos olhou desconfiada.
–Por que agentes do FBI estariam interessados nessa mulher? – a velha já escrevia no seu computador.
–Não podemos falar senhora. É sigiloso – disse Emily revirando os olhos como se fosse óbvio.
–Claro, desculpem. Nomes por favor? –ela perguntou sem tirar os olhos do computador.
–George Simpson e Sara Hilton – Emily disse enquanto observava o local.
–Podem subir. Quarto 66 à direita — ela fez um sinal com a mão enrugada, indicando o caminho pelo corredor com azulejos verdes decorando as paredes na cor creme.
–Obrigado – dissemos em uníssono e seguimos para as escadas.
– Qual vai ser a desculpa dessa vez? Já faz anos que aquilo aconteceu, não podemos voltar ao assunto, seria estranho. – perguntei entre um suspiro e outro de cansaço.
–Se parasse de falar talvez me desse um tempo pra pensar – Emily falou brava.
–Desculpe linda – disse levantando as mãos em sinal de rendimento.
–Não me chame assim – ela me olhou — pela milésima vez, odeio ser chamada de linda.
–Ok linda – dei um sorrisinho e aquilo pareceu irritá-la.
Depois que eu disse isso ela me deu um soco no braço. O local machucado pela garota, estava ardendo, trazendo uma desconfortante dor.
–Dói, sabia? – passei a mão no braço, onde logo se tornaria um hematoma. Que mão pesada!
–Já tive a oportunidade de experimentar a dor – por um momento, eu sorri perverso levando outro soco da garota — Agora para de falar. E não importa se vai ser estranho. Ela deve ver coisas, depois do que aconteceu com o marido dela. Esse tipo de estranheza vai ser bem normal para o que ela está acostumada.
Por Emily Brooke:
Subimos três lances de escada, pois o elevador estava quebrado. A porta do quarto estava agora a nossa frente.
–Toc, toc, toc –fez o barulho da porta.
–Podemos entrar? – perguntou Dean já entrando no quarto.
–O que vocês querem comigo? –Verônica falou assustada.
–Somos agentes do FBI e queremos fazer algumas perguntas – falei entrando no recinto atrás de Dean. Ele foi caminhando, olhando para todos os lados do quarto quando...
Wow, como essa calça fica bem nele. Apertada. E que bunda é essa, nossa... FOCO Ems!
– Onde estão as suas identificações? – ela perguntou em tom defensivo.
–Aqui – eu disse mostrando-a e Dean fazendo o mesmo.
–Podem perguntar – ela relaxou. O que diabos aquela mulher tinha?
–Como à senhora veio parar aqui? – perguntou Dean.
– Problemas cardíacos – respondeu.
– Vimos sua ficha senhora – Dean mentiu – sabemos que isso foi só para abafar a mídia dessa pequena cidade, onde após um espirro, todos já estão sabendo – ele estava... Improvisando?
– Fui espancada – respondeu.
Não é que ele acertou? Filho de uma...
– Por quem? — perguntei olhando incisivamente para ela. A mulher era velha, já pela sua idade, mas era elegante. Seus olhos estavam envoltos por olheiras e seus cabelos brancos estavam bagunçados.
Ela nada respondeu, mas suspirou.
–Será que a senhora não viu nada estranho? – perguntei tentando arrancar mais informações de outra forma.
–O que querem dizer com isso? — ela, desconfiada, começou uma inquietude nas pernas, balançando-as freneticamente para os lados.
Ela escondia algo. Isso eu tinha certeza.
–Nós só estamos querendo te ajudar. Pode nós falar a verdade – confortou Dean – Sabemos do Philip, Verônica. Pode nos falar sobre o caso?
–Tudo bem. É o seguinte. Eu casei com o Phillip por causa do meu pai, mas na verdade eu não o queria. Eu não o desejava — ela soltou um grande suspiro antes de continuar — estava apaixonada por outro, e o pior de tudo, era que esse homem, era irmão de Philip, Peter — mais que azar — eu não conseguia ficar longe dele e ele também não. Então começamos a... — ela parou — ficar juntos. Semanas depois, numa certa noite, eu e Peter decidimos dar uma volta e nessa época Phillip já estava desconfiado. Quando estávamos passeando decidimos ir até a cabana que Philip havia comprado para nós e que mantínhamos apenas para lazer. Só que Phillip nós seguiu e quando abriu a porta da cabana viu eu e Peter nós beijando. Então ele foi embora. Tentei me explicar para ele, mas de nada adiantou. Passou alguns dias e ele passou a nutri um tipo de ódio por nós dois. Um dia eles desapareceram e eu sabia que havia algo errado. Então procurei-os e por fim fui até a cabana. Quando cheguei até lá, Peter e Philip estavam mortos.
–E por qual motivo à senhora está nesse hospital? Quem a espancou? — Dean olhou significadamente para mim, indicando que talvez ele tivesse um palpite sobre o assunto.
–Eu não posso falar — ela baixou o olhar até seu colo.
–Por que não? — perguntei.
–Ele está aqui, ele está em todo lugar — ela disse e passou a examinar a sala.
–Nós podemos lhe ajudar, apenas nós diga onde ele está — Dean assegurou e começou a passar os olhos pelo lugar assim como eu.
Olhei em direção a janela e no canto do quarto, havia uma sombra que estava nos observando. Uma sombra escura, sem rosto. Tomei um susto enorme. Não podia ser... Podia?
–É ele, ele está bravo comigo. Por favor, saiam daqui. Eu imploro – Verônica estava muito assustada.
Eu e Dean fomos chegando perto para examinar melhor. Meus batimentos estavam acelerados e meu sangue borbulhava dentro de minhas veias.
–Não cheguem perto, apenas saiam daqui, por favor — ela alertou num tom amedrontado.
–Não vamos... –antes que pudéssemos terminar a frase todas as quatro janelas do quarto quebraram ao mesmo tempo, escondi meu rosto com os braços e senti a dor dos cacos de vidro cortando a minha pele. Olhei para Dean e ele teve a mesma reação que eu, seu rosto estava cortado na bochecha, mas, mesmo com tudo isso, a mais ferida entre todos foi Verônica.
Mas, o pior de tudo era que, o rosto da sombra que agora a pouco estava parada no canto do quarto, era de um homem. Era o rosto de Philip Price.
Por Katherine Brooke:
Eu e Sam estávamos à procura do medico de Verônica pelos corredores do hospital, que de acordo com a recepcionista se chama Jordan Sparks. Quando íamos subir para o terceiro andar, ouvimos uma enfermeira falando com Jordan sobre uma paciente sua... Verônica.
–É... Com licença? – falou Sam tentando seguir os passos do doutor – somos agentes do FBI e gostaríamos de lhe fazer algumas perguntas.
–Filho, agora eu estou ocupado. Será que você poderia falar comigo depois? –assim que ele falou isso eu vi o estado em que se encontrava o quarto da paciente. Estava um estardalhaço. Vidro para todos os lados. Sangue. Feridas. Enfermeiros e médicos andavam de um lado para o outro a fim de conseguirem ajudar.
–Ems! Você está bem? –perguntei quando vi minha irmã ferida – E você Dean?
–Estou bem, não foi nada – respondeu Emily.
–É, estamos bem. Obrigada – foi à vez de Dean.
–O que houve aqui? –Sam perguntou confuso.
–Não tenho tempo de explicar agora. Temos de ir imediatamente para a cabana — Emily disse com o olhar indicando perigo. Algo estava muito errado.
...
Por Emily Brooke:
No caminho para a cabana, contamos ao Sam e a Katherine o acontecido no quarto de Verônica.
–Então que dizer que, quando ele nos atacou, o fantasma queria matar a Verônica? –perguntou Dean.
– Não Dean, quê isso, se ele apareceu lá e fez aquele estardalhaço todo, ele estava querendo fazer carinho! – eu disse irritada. Gente lerda é um saco.
–Por que você é tão irritante? – Dean tinha um tom de desdém na voz.
–Não sou irritante, sou um pouco sincera. São duas coisas bem diferentes – respondi sem paciência alguma — e se você não aguenta ouvir então não abre a boquinha.
–Podemos? –perguntou Sam impaciente – tem a vida de alguém em jogo.
–E o que vamos fazer? Sair pela mata chamando Phillip, Phillip? –falou Dean sarcasticamente.
–Que tal você se vestir de Verônica e sair por ai gritando amor, amor? -sugeriu Sam.
–Você tem mais cara de mulher do que eu – Dean reclamou como sempre por ser alvo de zoação — quer dizer, não que eu tenha cara de mulher, é que...
Katherine, mesmo no momento mais inoportuno, caiu na gargalhada.
–Será que dá pras duas moças pararem de brigar? – perguntei.
–Quer dizer que vocês também não estavam?! – reclamou Sam.
–Você acertou, estávamos! É passado – sorri vitoriosa.
Paramos o carro próximo a espelunca que um dia foi chamado de cabana para lazer.
– Stop! Peguem as armas e vamos tentar descobrir como acabar com o fantasma – Katherine estava tão irritada que só faltava sair fumacinha pela cabeça dela.
Peguei minha arma preciosa, a que me acompanhava em tudo e me armei com facas de prata, sal grosso... Só por precaução.
– Ei, que tal darmos olhada na frase hein? – perguntou Katy.
– Frase... É! A frase! Como não pensei nisso antes – me xinguei mentalmente por ser tão lenta.
Andamos em círculos. Andamos em todos os cômodos. Pra lá e pra cá. Não encontrávamos a maldita frase.
– Ah mais que... – Dean ia falar mal de todos os antepassados do fantasma até que – OLHEM!
Ele apontou para a lareira avermelhada e acima dela, quase que invisível, estava escrito em um tom vermelho vivo:
Et omnis arbor in latus meum
–Que lingua é essa? – perguntou Katherine.
– Grego? – perguntou Sam, passando os dedos por cima das letras chamuscadas.
– Quase… É latim – respondi. É óbvio que era latim.
– Nossa agora a nerd vai dizer que sabe latim também? – zoou Dean.
– Deixa de ser infantil Dean, e vê se cresce primeiro antes de vir me cobrar algo – falei brava – e sim, eu sei um pouco de latim.
– E o que significa? – perguntou Katy.
Pensei um pouco para não confundir as palavras. Latim é uma língua confusa.
– A árvore sempre ao meu lado – respondi dando de ombros — ou talvez... — pensei um pouco — Toda árvore ao meu lado, no meu lado... Enfim, já deu pra entender.
– Ok, depois dessa frase, é capaz de o poder dele vir de uma dessas árvores – disse Dean. Nossa que lógica!
Por Katherine Brooke:
–Mais por que árvore? –perguntou Dean.
–Talvez porque ele gostasse de árvores... Sei lá. Mas e se o poder dele não estiver na cabana e sim nas árvores? – perguntou Sam.
–E o que fazemos agora? Vamos sair por ai criando uma queimada? – Emily perguntou cruzando os braços — não podemos fazer isso, vai chamar muita atenção.
– É e até porque, tem milhões de árvores nessa floresta ai atrás, é provável que seja qualquer uma dessas. Não temos como saber qual — falou Katherine.
– Mas, há uma árvore bem na frente daqui. Pode ser essa por ser a mais próxima da propriedade — disse Dean.
– Ou pode não ser — respondeu Katherine.
– Não faz sentido. É melhor queimarmos a cabana, ele morreu aqui e de nada adiantaria queimarmos a árvore se ela não teve inclusão na história – falou Sam.
–Vou pegar a gasolina – disse Dean.
Rapidamente o loiro pegou à gasolina, Emily salgou as extremidades da cabana e Dean molhou-a com o liquido e eu acendi o fósforo em seguida joguei-o. Esperamos alguns minutos, apreciando a cabana velha queimar lentamente. O trabalho estava feito. Ou não!
– Onde está a Emily? –perguntou Dean. Olhei para onde ela estava há poucos minutos e então percebi. A garota não estava por mais perto.
– Ela sumiu. Será que foi ele? – perguntei desesperada, tendo a primeira hipótese que consegui pensar naquele momento.
– Tem uma grande possibilidade de ser – disse Sam com receio na voz.
– Eu te mato desgraçado – disse isso indo em direção à porta da cabana – com minha irmã você não mexe.
Por Emily Brooke:
Enquanto víamos a cabana ser queimada algo me puxou e eu simplesmente não consegui gritar. Foi tudo tão rápido e estava muito escuro. Levei uma pancada enorme na cabeça. Quando abri os olhos me vi em uma sala que deveria ser um dos quartos da cabana. Tentei chamar o nome de alguém mais minha voz não saía. Tentei fazer o máximo que pude para me livrar da corda que estava presa ao meu pescoço mais não deu certo, estava completamente presa. Então esperei. Esperei por muito tempo, por tempo até demais. Dando um palpite, acho que fiquei ali por uns bons quarenta minutos, no mínimo. Eu poderia morrer mais minha esperança até lá, não. Antes que pudesse concluir os meus pensamentos vi uma sombra vindo em minha direção e dizendo:
–Bem vindos visitantes – ele falou isso estalando os dedos fazendo as luzes do quarto acenderem – fico feliz em ver todos aqui – o homem aparentava ter uns trinta anos – a morte vos aguarda – ele disse lentamente dando um ar tenso a cena.
Olhei para os lados e vi Dean, Sam e Katherine amarrados como eu. Como eles chegaram aqui? Como o fantasma os colocou aqui sem que eu percebesse? Será que eu apaguei? Todos estavam com cordas envoltas do pescoço. Ele pretende nos enforcar? Todos nós estávamos mais admirados que tudo. Sim, sou caçadora, mas toda vez que estava em perigo, sentia medo. Não medo de morrer. Ou medo do sobrenatural... Medo de perder quem amava. Medo de perder Katherine. Agora estavam quatro pessoas prestes a serem mortas. Usei tudo o que aprendi com John, tentei desamarrar as cordas mais... Não queria sair. Tentei mais uma vez até conseguir me desvencilhar das cordas enquanto o fantasma estava de costas, virado para uma mesa, se preparando para nós matar.
Tudo dependia de mim, apenas tinha que saber a hora certa pra atacar.
–Por quem eu começo? –falou Phillip com uma voz assustadora – que tal por esse aqui? –ele falou apontando para Sam em seguida fazendo um pequeno arranhão na bochecha de Sam. Não podia deixar isso acontecer. Não podia. Ninguém mexe com o meu futuro cunhado perfeito. Assim que ele se virou, nem pensei duas vezes. Levantei-me com um solavanco e puxei a arma que eu guardava na bota esquerda. Destravei e atirei no fantasma. O mesmo sumiu segundos depois e eu tirei a corda do meu pescoço. E a fita da minha boca. Corri em direção a Katherine retirando as cordas de seus pulsos, ela retirou a corda do pescoço e a fita da boca. Fui em direção a Sam e Katherine em direção a Dean. Ela o libertou. Tirei as cordas dos pulsos de Sam, olhei de relance e vi que Katherine estava perto de tirar a fita da boca de Dean:
– Melhor deixar a fita na boca desse aí – disse sarcástica e Dean revirou os olhos.
Parece que Katherine demorou uns segundos para voltar à realidade, pois depois disso, ela soltou:
–Eu vou matar aquele desgraçado – pegou sua arma.
– Não temos muito tempo! – disse Sam já se armando novamente.
Por Katherine Brooke:
Estávamos nós preparando para a volta do fantasma quando ele apareceu por trás de Emily e saiu pela porta da cabana com ela em seus braços. O que tanto ele quer com a minha irmã hein? O que ela tem que ele quer tanto? Será que é só por ela ser a irmã mais nova e ser o primeiro alvo? Ele estava arrastando-a para a floresta. Não! Eu não permitiria que minha pirralhinha morresse. Não permitiria!
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