Notas iniciais
Hola muchachos Esse capítulo tá meio chatonho, mas prometo que o próximo será melhorzinho :/ Ah, eu estou trazendo várias coisas de um tempo longínquo, quando supernatural não destruía os nossos corações com tanta frequência (aka "primeiras" temporadas). Por via das dúvidas, estou deixando algumas explicações nas notas finais, mas vocês também podem perguntar :) Boa leituraa ^^

Thomas dirigia o Impala para fora da cidade enquanto Melanie vasculhava uma caixa cheia de coisas que pertenceram ao Sam. Tom estava quieto e mantinha os olhos na estrada.

— Ei, tudo bem? — Mel o acordou do transe — Eu sei como você se sente, fiquei do mesmo jeito quando decidi deixar minha casa depois da morte de Doug...

— Não, não é isso. É só que... Muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, quer dizer, meu pai está vivo!

— Ainda não temos certeza, nunca se deve confiar plenamente em um demônio.

— Ele não mentiria, estava certo de que iria me matar, por que mentir?

— São demônios, oras. Quer motivo melhor para não confiar neles?

— Não, eu sinto que meu pai está mesmo vivo... e em perigo. E pelo que falaram, Dean está na mesma encrenca, nós temos que ajudá-los.

Mel não respondeu, simplesmente continuou mexendo nas coisas da caixa. Ela também tinha a mesma sensação de que Dean estava em perigo, sonhava com isso quase todas às noites.

— A maioria das coisas aqui são feitiços e pesquisas sobre lendas, nada muito interessante, mas isto aqui — pegou a faca que usaram para matar os demônios — Essa belezinha é FODA. Nunca tinha visto nada tão poderoso contra demônios.

— O que são essas coisas escritas na lâmina?

— Não sei, mas essa faca não é nem um pouco normal, muito menos fácil de conseguir. É o tipo de arma única no mundo! Tipo a Colt, mas sem limite de balas.

— Colt?

— É só uma história velha, dizem que existiu uma arma muito poderosa capaz de matar quase qualquer coisa, inclusive demônios. O nome da pistola foi em homenagem ao seu criador, mas apenas algumas balas foram forjadas para essa arma. Contam que a última bala foi atirada para matar Azazel, um dos demônios mais cruéis que já existiu.

— Então, sem balas, sem tiros, a pistola ficou inutilizável?

— Isso, mas é só um conto de fadas pra caçadores... Pelo menos agora podemos nos defender com essa faca — respondeu ainda analisando o objeto que tinha em mãos — Outra coisa que está me incomodando é aquele diário de caçador — falou abrindo o caderno — A última coisa escrita foi "Dean" e alguns números aleatórios... um código?

— Quais são os números?

— "35-111".

— São coordenadas.

Mel estalou os dedos e pegou o notebook.

— Ah, garoto esperto! Lost Creek, Colorado!

— É pra lá que vamos?

— É pra lá que vamos!

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Lost Creek, Colorado

7:00 AM

[Melanie's POV]

Chegamos de madrugada em Lost Creek e paramos no primeiro motel que encontramos. Pretendíamos procurar o local das coordenadas depois de uma boa noite de sono, mas o planejado não deu muito certo comigo. Bom, Tommy dormia pesado na cama ao lado, mas eu não conseguia pregar os olhos sem ouvir gritos estranhos que só existiam em minha mente. Acabei rolando de um lado ao outro nas cobertas à noite toda.

Após muitos pesadelos, eu tinha finalmente conseguido dormir tranquila. Entretanto, como felicidade de pobre dura pouco, repentinamente um clarão surgiu no quarto me obrigando a acordar. Na verdade, eu literalmente pulei da cama com o susto e, num reflexo, apontei a arma que tinha escondida debaixo do travesseiro para o primeiro ser que vi pela frente — e esse ser era Tom.

Depois de alguns segundos eu entendi o que estava acontecendo, o lazarento tinha acabado de abrir as cortinas deixando a luz do sol bater na minha cara (o que era pior do que uma agressão propriamente física). Bufei deixando a arma cair no chão e me joguei na cama enquanto Tom ria da minha reação.

— Eu podia ter te matado — resmunguei enquanto ele ria.

— Bom dia pra você também, raio de sol!

— Que horas são? — perguntei, pois a preguiça me impedia de levantar a cabeça para checar o relógio.

— Sete.

— DA MANHÃ?! — gritei com a cara enfiada no travesseiro.

— Para de reclamar, eu vi uma lanchonete legal aqui perto para tomarmos café da manhã.

— Você saiu?

— Acordei cedo e fui correr.

— Tem certeza de que somos da mesma família, ou melhor, da mesma espécie? — debochei levantando a cabeça para olhá-lo.

Ele estava sentado em sua cama secando os cabelos com uma toalha, tinha acabado de sair do banho e estava sem camisa. Fiquei deitada analisando-o, haviam vários cortes e hematomas espalhado por suas costas, resultados da luta com os demônios. Não pude evitar me sentir culpada, afinal eu era a caçadora, mas foi Tommy que acabou me salvando. Eu deveria ter previsto o ataque e colocado algumas armadilhas de demônios ou algo do tipo para evitar que aquilo acontecesse e Tom acabasse se ferindo. Foi pura sorte ele ter encontrado a faca fodinha capaz de matar demônios, graças à ela conseguimos sair vivos.

Deixei que meus olhos vagassem nele. De repente, bateu um deja vú...

— Ei, se você ficar olhando muito vai acabar se apaixonando — debochou.

— Eu me lembro de você... Ah! — exclamei apontando o indicador para ele — Você é o cara sem camisa que eu vi correndo no dia em que cheguei em Jericho! — sabia que conhecia aquele tanquinho de algum lugar!

— Ah, sério? Estranho, nesse mesmo dia eu vi uma mendiga entrando no mesmo motel em que você estava hospedada... — ele arregalou os olhos e exibiu um enorme sorriso zombeteiro — Nãaaaaao! Era você?

— Você me chamou do quê, seu cretino?! — agarrei meu travesseiro e joguei em sua direção enquanto ele explodia em gargalhadas.

Ninguém chama Melanie Winchester de mendiga, a não ser eu mesma! Tom estava com as mãos na barriga e já se formavam lágrimas em seus olhos, o que me deixou ainda mais irritada. Ah, ele vai engolir esse riso já já e ainda vai ter uma indigestão daquelas!

Fiquei de pé na cama e peguei outro travesseiro enquanto Tom andava de um lado ao outro tentando controlar o riso. Joguei com toda a minha foça, o que fez com que ele cambaleasse com o impacto na cara. Rapidamente pulei da cama e corri em sua direção pronta para dar-lhe uma rasteira, mas ele foi mais rápido e inverteu a situação. Resultado: eu cai no chão e ele me imobilizou colocando uma perna da cada lado do meu corpo e segurando meus pulsos com as mãos. Desgraçado.

— Não sei se você sabe, mas além de educação física, eu era professor de artes marciais também.

Apenas bufei. Quando ele estava saindo de cima de mim, aproveitei a chance e passei a perna nele agarrando seu braço com a mão e invertendo as posições. Ele caiu de cara no chão e o imobilizei colocando o joelho em suas costas e prendendo sua mão entre as escápulas. Vitória!

— Eu não sei se você sabe, mas caçadores não seguem regras de tatame — fiz questão de debochar.

Senti-me satisfeita com a minha pequena vingança pessoal e saí de cima dele esticando a mão para ajudá-lo a se levantar, mas, surpreendentemente, ele pegou o meu pulso e puxou com força fazendo com que eu caísse ao seu lado.

— Tipo assim? — soltei algum xingamento — Aiai, é uma tristeza quando o aluno supera o mestre! — riu ao ver o meu olhar de raiva e se levantou — Te espero lá fora — pronunciou ao colocar uma blusa e saiu dando uma piscadela.

Suspirei no chão e não pude evitar rir comigo mesma. Apesar de ele ficar me chamando de mendiga, era muito bom ter Tommy por perto, ele fazia com que eu esquecesse dos problemas e, apesar de ser mais velho, parecia uma criança espoleta. Me sentia bem com ele.

Levantei-me com certa dificuldade e fui ao banheiro. Me inclinei sobre a pia para analisar de perto o meu reflexo. Revirei os olhos ao ver o estado do meu rosto. O roxo em minha bochecha era culpa do Jack. O galo enorme na minha testa era culpa do Jack. A espinha nascendo na ponta do meu queixo era culpa do Jack!... Bom, na verdade, era culpa do chocolate com amendoim que comi ontem, mas prefiro culpar o Jack. Demoniozinho filho da puta! Que ódio que eu tenho desse sujeitinho!

Joguei água no rosto e escovei os dentes antes de sair imaginando o enorme prato de bacon que devoraria.

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Blackwater Ridge (Lost Creek, Colorado)

9:25 AM

[Thomas' POV]

Após Melanie se empanturrar com gordura de porco, fomos até a cabana de guardas florestais de Blackwater Ridge para fazer algumas perguntas na esperança de conseguir alguma pista sobre o paradeiro dos nossos pais. Entretanto, encontramos a cabana vazia e resolvemos esperar até que alguém aparecesse.

— Não faz sentido, as coordenadas levam direto para a floresta — Mel disse apontando para um ponto verde em um mapa pregado na parede — Mas não tem nada ali, literalmente nada, só mato!

— De qualquer forma, é a única pista que temos. Vale a pena dar uma olhada.

Ela não respondeu. Ficamos lá por um tempo, eu sentei em uma cadeira e fiquei brincando com um esquilo empalhado que encontrei enquanto Mel andava de um lado ao outro pensativa.

Eu ia dizer algo, porém fui interrompido por uma voz vinda de fora.

— Eu reconheceria esse carro em qualquer lugar! — entrou na sala um homem na beira dos 50 anos vestindo uniforme de guarda florestal — Onde estão os Winchester? — Mel e eu nos entreolhamos com a pergunta.

— Bom, nós somos os Winchester... Mas você deve estar falando dos outros Winchester.

— Quem são vocês?

— Este é Thomas, filho do Sam e eu sou prima dele — Mel nos apresentou sem citar Dean.

— Eu sou Ben — disse cumprimentando-nos sorridente — Nossa, faz muito tempo que não vejo os pais de vocês, como eles estão?

— Na verdade, é por isso que estamos aqui. Eles desapareceram e nós estamos procurando por eles — comecei a explicar — Eles estiveram aqui?

— Sim, mas isso já faz muito tempo... 2005, se não me engano. Resolveram um caso e partiram. Graças à eles, eu e meus irmãos estamos vivos!

— Poderia nos contar o que aconteceu?

Ele assentiu com a cabeça e pediu que sentássemos enquanto ia preparar café. Disse que na época já estavam acontecendo alguns desaparecimentos naquela região e as autoridades culpavam um suposto urso. Contou como seu irmão mais velho havia deixado de dar notícias quando foi acampar em Blackwater Ridge, então ele e a irmã foram procurá-lo por conta própria.

— E então, esses dois caras apareceram dirigindo o mesmo carro preto que está lá fora e diziam-se "guardas florestais" — disse fazendo gestos de aspas com as mãos.

— Sam e Dean? — perguntei.

— Com certeza não eram guardas florestais. Um deles levava como suprimentos um pacote de M&M's! — ri ao imaginar aquilo — Enfim, versão curta: conseguimos salvar o meu irmão e escapar vivos do Wendigo graças à eles. Depois disso, resolvi me tornar guarda florestal para ficar de olho caso algum monstro como aquele voltasse a atacar a região.

Mel me encarou e notei que eu estava parecendo um idiota com um sorriso de criança no rosto. Não pude evitar, era simplesmente incrível saber um pouco mais sobre esse lado caçador do meu pai.

— Então, depois de concluir o caso, eles partiram? Sabe para onde foram? — Mel questionou.

— Nós não mantivemos exatamente contato. Também não sei para onde foram, só sei como chegaram, aparentemente estavam procurando o pai, assim como vocês agora.

— Deve ser coisa de família — riu irônica — Tudo bem, mesmo se soubéssemos para onde foram, seria uma pista fria. Eles viajavam muito e isso já faz muito tempo — suspirou e olhou para mim — Vamos voltar e dar mais uma olhada nas coisas que Sam deixou. Talvez encontremos algo.

Assenti com a cabeça, me levantei agradecendo Ben por nos ter cedido um pouco de seu tempo e ele no acompanhou até a porta.

— Sinto muito não poder ajudar mais — balancei a cabeça indicando que não tinha problema — Mas foi bom conhecê-los, até pensei que tinham sido enviados aqui por causa do caso.

— Caso? — Mel indagou.

— Ah, sim. Não posso afirmar com certeza o que é, mas há algo estranho nas matas recentemente, talvez um wendigo novamente. Como não sou caçador, resolvi ligar para um e ele disse que enviaria um grupo para averiguar isso. Disseram que chegariam ontem, mas até agora nada. O caso é de vocês, se interessar — disse pegando uma pasta de arquivos em sua mesa e entregou para Mel.

— Vamos dar uma olhada — ela agradeceu e saímos.

Voltamos para o motel e começamos as pesquisas. Eu estava vasculhando as coisas do meu pai que trouxemos enquanto Mel olhava os papéis de Ben. Fiquei horas olhando para aquelas bugigangas de Sam sem entender do que se tratavam até que cansei, me joguei no chão e fiquei lá fitando o teto.

— Achou alguma coisa? — perguntou Mel já sabendo qual seria a resposta.

— Só um pouquinho de absolutamente nada — respondi — E você?

— Pra falar a verdade, encontrei um pouquinho de tudo — ela disse e me mostrou as fotos de vários corpos mortos.

— Wendigo? — perguntei mesmo sem saber direito o que era um wendigo.

— Não, wendigos devoram suas vítimas ou estocam para o inverno. Bom, temos sim algumas pessoas desaparecidas, mas esses corpos encontrados não fazem sentido.

— Talvez seja algum outro bicho — disse olhando as fotos de corpos ensanguentados, era como se tivessem sido atacados brutalmente por algum animal selvagem.

— Aí é que tá, essas vítimas foram atacadas por monstros diferentes — ela falou — Aqui, este teve uma mordida enorme no pescoço: vampiro. Coração arrancado: lobisomem. Cortes pelo corpo e perfuração profunda atrás da orelha: kitsune.

— ... Então não é um wendigo...

— Nope.

— Então o quê? Uma convenção de monstros no meio da floresta?

— Não faz sentido, vampiros costumam andar em bandos e o dia dos ataques não bate no ciclo lunar para ser um lobisomem, mesmo assim, as evidências dizem o contrário.

— Então estamos lidando com um vampiro-lobisomem-kitsune (seja lá o que for esse tal de kitsune), mas que não pode ser vampiro nem lobisomem?

— Kitsunes também não costumam viver em florestas. Então, temos um monstro que é tudo e nada ao mesmo tempo... Maravilha! Vamos?

— Vamos aonde?

— Almoçar, eu tô morrendo de fome — declarou se levantando da cadeira — Depois de comer eu pensei em irmos fazer uma caminhada bem legal em Blackwater Ridge.

— Vamos enfrentar a coisa sem nem saber com o que exatamente estamos lidando?

— Talvez seja uma nova espécie, sabe? Do tipo perigosa e imprevisível... Vamos lá cutucar com vara curta! — disse com um sorriso amarelo que me fez rir — Não, sério, vamos aproveitar a luz do dia e dar uma olhada no local, procurar as coordenadas do Dean e depois decidimos o que fazer.

Concordei, parecia um bom plano.

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Blackwater Ridge

1:30 PM

Entramos na floresta úmida e densa. O sol havia sido coberto por nuvens e planejávamos sair de lá antes que começasse a chover. Mel parecia bem durante o almoço, mas agora estava estranhamente quieta e pensativa enquanto caminhávamos. Observava-a com aquele cenho franzido, igual quando estávamos na cabana dos guardas florestais.

— ... Está tudo bem? — arrisquei em perguntar e ela pareceu despertar de um transe ao ouvir minha voz.

— O que? Ah, sim, tudo bem, é só que... — ela soltou um suspiro antes de continuar — Tommy, eu preciso mandar a real ok? Dean, ele me abandonou... O que eu quero dizer é que, sim, eu vou te ajudar a encontrar Sam e Dean, mas não porque eu quero o meu pai de volta... Doug é o meu pai de verdade e ele não vai voltar.

Fiquei alguns segundos refletindo sobre a confissão. Os nossos motivos de estar ali eram completamente diferentes, eu tinha o incontrolável desejo de reencontrar o meu pai e de descobrir a verdade, mas Mel não carregava nenhum desses sentimentos.

— Por que você odeia tanto o Dean? — estive pensando sobre isso desde a conversa com Ben. Mel nem ao menos quis ser apresentada como filha do Dean — Não sabemos o que aconteceu, a culpa pode não ser dele, talvez ele não tivesse escolha...

— Mas veja, Sam deixou o carro e a faca para você. Ele se importava... — ela soltou um suspiro triste — Dean poderia ao menos ter deixado uma mensagem talvez? Quanto mais eu penso sobre isso, mais eu me convenço de que ele realmente me abandonou por escolha própria...

— Mesmo assim você ainda quer ajudá-lo? Quer dizer, se ele realmente te abandonou, eu não a culparia se você quisesse nunca o ver...

— Eu sou caçadora, esse é o meu trabalho: salvar pessoas e caçar coisas... Doug me ensinou isso. Além do mais, o que eu realmente quero é acabar com tudo isso, sem demônios tentando nos matar. Essa briga não é nossa.

Fiquei quieto. Será que não? Sim, isso tudo começou com os nossos pais, mas, querendo ou não, somos filhos deles. Somos família.

Meus pensamentos foram interrompidos por um barulho vindo do meio das árvores. Nós dois paramos e ficamos atentos sem saber o que nos esperava.

[Melanie's POV]

Eu estava parada ao lado de Tom concentrando-me em meus sentidos. Ouvi um barulho vindo da esquerda, mas quando virei apenas vi os galhos se mexendo. Seja o que for, é rápido, bem rápido.

Engoli a seco. Apesar de nublado, estava claro e não é comum monstros sobrenaturais saírem assim à luz do dia. Droga! Será que arrisquei demais outra vez? Tom não estava pronto para uma caçada de verdade e nem sabíamos com o que estávamos lidando.

Senti algo se movendo na direita e apontei a arma, mas novamente não consegui ver nada. Estávamos os dois com a respiração pesada. Tom estava com a faca de matar demônios, já que era péssimo em atirar e eu não tinha tido tempo de ensiná-lo.

Ouvimos o farfalhar de folhas e um rosnado diferente de qualquer animal selvagem. Apontei a arma para onde achava que o bicho estava escondido e me aproximei cautelosa afastando-me de Tom. De repente algo me atingiu, como se um grande animal pulasse em cima de mim, mas eu não conseguia ver nada!

— Melanie! — Tom gritou e correu em minha direção com a intenção de atacar a coisa com a faca sem nem conseguir vê-la. Doido.

Entretanto, antes de ele conseguir me alcançar, tiros foram disparados de algum lugar entre as árvores e atingiram o ser invisível, o que fez com que ele saísse de cima de mim e corresse pra vai saber onde.

Thomas me ajudou a levantar e eu olhava em volta ofegante procurando de onde vieram os tiros. Subitamente, um grupo formado por duas mulheres e um homem apareceram dentre as árvores.

— Vocês estão bem? — perguntou o homem.

— Sim — respondi sem pensar.

— Não, não está tudo bem — disse a moça de pele morena ao ver a ferida no meu ombro causada pelas garras do monstro.

Ela tirou a mochila das costas pegando de dentro um estojo com bandagens e outras coisas para fazer os primeiros-socorros. Na verdade eu nem tinha notado o ferimento, estava muito interessada em entender o que raios estava acontecendo.

— O que era aquilo? Não conseguia ver nada! — Tom perguntou.

— Cão do inferno — respondi — Mas não faz sentido um bicho desses estar numa floresta à luz do dia. Além disso, eu não me lembro de ter feito um pacto com um demônio para ser atacada por um troço desses!

— Você tem razão, não faz sentido. Mas o que te atacou não era um cão do inferno — disse a outra mulher — Aquilo era um shapeshifter.

— Um shapeshifter que se transforma em qualquer monstro? Ok... Essa é nova — disse enquanto a outra cuidava do meu machucado.

— Estamos na cola dele já faz semanas! Ele escapou de nós da última vez e fugiu ora cá. Demoramos para encontrá-lo novamente.

— Bom, ainda bem que encontraram. Obrigada por nos salvar — disse Tom.

— Agradeçam à nossa atiradora de elite — disse o homem passando o braço nos ombros da mulher.

— Mesmo assim, os tiros pegaram de raspão. O monstro ainda está por aí — ela respondeu.

— Obrigada — agradeci tanto à ela quanto à morena que terminou meu curativo — Então, vocês devem ser os caçadores que Ben estava esperando, né?

— Sim, eu sou Josephine, este é Aidan e esta é Krissy — a morena apresentou.

— Melanie e Thomas Winchester.

— Espera, você disse Winchester?! — exclamou Krissy.

Notas finais
OK.. Vamos lá: Ben é um garoto que aparece em "Wendigo" (E02S01), episódio que se passa em Lost Creek - Colorado, mais especificamente, Blackwater Ridge. Kitsune - é um monstro de garras longas que sai furando a cabeça de pessoas pra devorar o cérebro e, particularmente a glândula pituitária... (E03S07) Wendigo - pra quem não lembra, é um humano que se alimenta de carne humana. Algumas lendas dizem que o canibalismo poderia dar habilidades sobrenaturais ao indivíduo, desse modo, o que era um ser humano vira aquele bicho lindo que é o wendigo. Cão do inferno - os bichinhos de estimação dos demônios que vão coletar as almas daqueles que fizeram algum pacto demoníaco. Vampiro e Lobisomem nem precisa falar né. Bom, Krissy Chambers é do ep "Adventures in babysitting" (E11S07) e "Freaks and geeks" (E18S08) com Josephine e Aidan. Acho que isso é tudo pessoal!