Caçadores de Recompensa
36 Capitulo 35
Notas iniciais
Acho que tomei maior decisão da minha vida. Mas por que eu faria isso... Eu já não sofri demais? Sou masoquista por fazer isso? Mesmo sabendo onde estou me metendo eu vou fazer isso? Sim, eu tomei essa decisão. Eu não serei mais uma marionete na mão de todo mundo. Eu não aceitarei mais o que as pessoas impõem. Eu não perdoarei mais. Não vou aguentar mais humilhações. A antiga Charlotte está morrendo aqui.
Assim me cadastrei para um emprego na Copas.
Ouço várias batidas na porta. Fecho rapidamente meu notebook.
— Está tudo bem Bárbara?
Abro a porta e vejo Oliver, ele está vermelho parece que está nervoso.
— Por que é que você saiu assim? Como você chegou aqui?
Lembro-me de tudo que prometi para mim mesma. Me lembro até dele me dizendo em deixar de ser uma presa.
— Por que eu quis. Não te devo nenhuma resposta que não tenha haver com trabalho.
— Você está brava? Me desculpa, é que...
— Por favor, Oliver. Eu estou ocupada no momento. Se não tem haver com trabalho, eu não quero falar com você.
Estava sendo dolorido falar aquelas coisas com ele. Mas ele é uma das pessoas que estava me manipulando. Mesmo que ele esteja gostando de mim...
— O que aconteceu? Você não é assim.
— Mas o que você sabe de mim? Não nos conhecemos há tanto tempo assim.
— Ainda quero saber por que você mudou de atitude. Mas agora vou te deixar sozinha. Só queria saber se você estava bem. – Ele disse secamente.
— Tchau, então. Por favor ligue antes de vir.
Ele não disse nada, apenas saiu.
Olhei para o meu quarto vazio e senti uma angustia. Liguei meu notebook de novo e recuperei todas as minhas ligações e mensagens do celular.
Havia 20 ligações perdidas da Suzie e 10 do meu avô, todas feitas na última hora. Alguma coisa aconteceu.
Usei meu Skype e liguei para o meu avô.
— Ah, meu deus. Obrigada por retornar Charlie. Que bom que você está bem.
— Sim vovô.Estou ótima. Aconteceu alguma coisa?
— Sim, a cidade está alvoroçada desde o desaparecimento de Robert.
— Alvoroçada?
— Sim, a família dele está muito preocupada. Provavelmente estão tentando ligar para você, já que você foi a última a ser vista com ele. Então não quero que você responda as ligações deles. Eles não podem saber onde você está. Mesmo que entrem em contato com a polícia daqui, eles não poderão fazer nada com você ai em Nova York.
— Ok vovô eu não vou ligar para eles.
— Mesmo se eu ligar para você, não me diga onde você está. Ok!
— Sim, vovô. Qualquer problema me mande um e-mail. Te amo!
E desliguei.
Chequei meu e-mail e já haviam aceitado meu cadastro de emprego, eles são rápidos.
Tenho uma entrevista marcada com a Copas depois de amanhã. Mas como farei para não ser reconhecida por alguém?
Acho que Barbara tem algumas perucas. Preciso comprar lentes de contato e roupas novas. Vou trabalhar na minha identidade falsa.
Alexia Turner – Natural de Nova Jersey, filha de Juliete Turner e Albert Turner. Nada mais que isso. Estou criando um ID falso, preciso ser bem convincente. Só preciso de fotos e exames médicos falsos. Talvez eu tenha que cobrar alguns favores.
Pronto, seria mais real se ela realmente existisse, só preciso das fotos agora.
Olho para o relógio, já são quase três da manhã. Não tive noção do tempo. Amanhã preciso ir à faculdade e trancar minha matricula. A partir de amanhã eu não serei somente Charlotte Pierce, Alexia Turner será meu pseudônimo e minha segunda vida.
Ouço a porta abrindo. Vejo que Barbara chegou. Vou sem muito alarde atrás dela.
Ela está usando um grande, sobretudo preto, mas assim que ela tranca a porta, ela retira o sobretudo, e assim eu posso ver a sua microssaia branca que combina com o sutiã de strass e uma meia arrastão completa o look de prostituta barata. Sei que ela é muito mais que o exterior que ela apresenta. Me aproximo e sinto o cheiro de rosas e cigarros.
— Boa noite Barbara!
Ela se assusta ainda não havia percebido minha presença.
— Que susto! Não imaginei que você estaria acordada, flor.
— É que eu fiquei trabalhando...
— Até agora?
— Sim. E preciso de um favor seu.
— O que precisar- Ela me disse com um sorriso cansado.
— Me desculpa por parecer intrometida, mas eu notei que você possui uma grande quantidade de perucas.
— Sim, tenho várias.
— Então, você poderia me vender uma?
— Vender?
—Sim.
— Flor, se você quiser uma é só pegar! Eu tenho algumas novas, que serão perfeitas para você. Claro, se forem mesmo para você.
— É para mim mesmo. Preciso que você me ensine como usa-la, não sei como colocar essa cabeleira.
— Você perguntou para a pessoa certa.
Apesar de nos estarmos cansadas, Barbara ainda me mostrou como usar as perucas. Ela tinha de diversas cores e de diversas texturas, a que melhor ficou em mim, foi uma preta com franja.
—Uau, eu nunca te reconheceria. – Barbara me disse.
— Essa é a ideia. Agora preciso comprar lentes de contato.
— Flor, posso ser um pouco intrometida?
— Pode perguntar o que quiser...
— Por que você está fazendo isso?
Olhei para ela.
— Você promete nunca contar isso para ninguém?
— Sou boa em guardar segredos.
— Você não pode contar isso nem para a Samantha.
— Tudo bem, ela nunca vai saber por mim.
— Eu estou fazendo uma identidade falsa para poder trabalhar na Copas.
— Copas, não é aquela empresa de segurança?
— Sim.
— Acho que tenho alguns clientes que trabalham lá. Não é perigoso?
— Muito perigoso, mas eu preciso saber algumas coisas, e só estando lá eu vou poder confirmar algumas dúvidas. E você também não deve contar para o Oliver, nem comentar nada.
— Eu não faria isso.
— Eu sei é que as coisas estão complicadas demais, nem eu sei direito por que eu estou fazendo isso. Acho que eu só quero respostas.
Barbara me abraçou e foi dormir. Eu tenho um grande dia hoje.
O primeiro lugar que eu fui, foi à faculdade, tranquei minha matricula. Como eu não tinha amigos lá acabei não me despedindo de ninguém. Fui também em um oftalmologista, falei com ele que havia perdido meus óculos e eu precisava de lentes de contato. Assim eu comprei lentes azuis, acho que não ficara tão falso por cima dos meus verdes.
A parte mais difícil e ironicamente divertido foi comprar as roupas, por que a lojista que me atendeu era a Amber. Não me lembro dela ter um emprego de qualquer maneira, mas quando ela me viu, ela foi forçada a ser educada.
— Precisa de alguma coisa senhora?
— Ah, talvez... Posso falar com outra vendedora.
— Eu estou disponível no momento senhora.
— Então você quer mesmo fazer isso?
— Sim, me deixe atende-la.
Então eu deixei. Nunca foi tão divertido escolher roupas, eu a fazia andar de um lado para o outro de propósito.
Ela já estava ofegante quando eu decidi levar apenas metade das roupas que eu havia experimentado. E não deixei nada de gorjeta para ela. Ela sabia que eu ia fazer isso. Mas por que ainda assim ela quis me atender, esse é um mistério que não quero desvendar.
Chegando em casa, eu fui tentar virar a Alexia.
Me olhei no espelho. Meu cabelo estava escondido firmemente sobre a peruca negra, e meus olhos ainda estava vermelho por causa das lentes, eu estava usando um terninho azul marinho que eu havia acabado de comprar. Aquela que eu estava vendo não era eu, mas sim a Alexia.
Eu precisava testar meu disfarce com a pessoa que eu mais quero que não descubra.
— Alô, Oliver?
— Charlotte? Você está com um melhor humor agora?
— Ah, bem, sim. Você poderia me encontrar no café, aquele que fica na esquina da minha rua.
— Claro, aconteceu alguma coisa?
— Não é que... Eu te explico lá. Preciso que você venha agora e me espere.
E assim ele aceitou.
Cerca de 40 minutos depois, ele me mandou um e-mail, dizendo que já estava lá.
Agora é a hora da verdade.
Cheguei ao café como Alexia, ele estava lá me esperando em uma mesa de canto, ele estava lindo, com uma camiseta preta e calça jeans, todas as moças do recinto não paravam de encara-lo. Acho que ele tem noção do efeito que ele causa nas mulheres. O ouvi pedindo um café entoando seu sotaque, e deixando a garçonete atordoada. Me sentei de frente para ele, o encarei também, mas ele nem me olhou de volta. Ele olhava para um relógio no pulso constantemente. Preciso da prova final. Me levantei e me aproximei perto o bastante para olhar aqueles olhos castanhos.
— Me desculpa, mas estou esperando alguém. – Me senti em um dejavú, quando ele disse essas palavras.
Eu não disse nada, pelo menos a voz eu ainda não consegui alterar, acenei com a cabeça e sai do ambiente, eu precisava me trocar rapidamente.
Entrei no apartamento correndo, e me troquei na velocidade da luz, me olhei no espelho e parecia que eu havia passado por um tornado.
Corri até o café, e ele ainda me esperava pacientemente, seu sorriso se iluminou quando me viu. E todas as mulheres olharam com raiva para mim.
Sentei-me ao seu lado.
— Me desculpa pelo atraso. – eu disse acanhada.
— Sem problemas... O que você queria mesmo me dizer?
— Me desculpe por tudo o que eu falei ontem, é que ainda estava me recuperando de tudo isso.
— Eu sei que as coisas não estão fáceis para você.
— Sim, vovô ontem me ligou, e ele disse que já estão procurando o Robert.
— Eu imaginei que isso iria acontecer, mas eles não podem fazer nada com você Charlotte, aqui você está segura.
— Será mesmo? – Falei com uma ironia que só eu percebi.
— Sim, eu irei te proteger. – Ele disse com seriedade.
— Não precisa falar tão seriamente capitão.
Ele riu
— Então estamos bem, Charlotte?
Não sei qual a definição de bem para ele.
— Eu estou bem e você.
—Acho que sim.
—Então estamos bem. – Completei.
Ele retirou um notebook da mala que estava ao seu lado, o mesmo notebook, em que eu descobri suas verdadeiras intenções.
— Temos trabalho.
— A vida de caçador não para.
— Sim, nós nunca temos folga.
Então ele me mostrou nosso próximo alvo.
Acho que ele não desconfia de nada, ele não sabe o que eu sei, ele acha que tudo vai ser ele planeja, mas agora eu estou um passo adiante. E vou ter que me desdobrar em duas para ter essa vida dupla. Como Charlotte, caçadora autônoma e Alexia, membro da Copas.
FIM
A próxima aventura.

Fale com o autor