Caçadores de Orion
12 Valtor

A fada remexia o longo vestido branco enquanto sentia um nervosismo crescente por finalmente ter chegado aquele momento. É claro que, no início, faria aquilo apenas pelo seu reino, mas não mais; algo misterioso crescia dentro do seu coração, e não era apenas poder.
— Querida, vai amassar o vestido se continuar mexendo assim — Oritel falou, aproximando-se da filha e segurando suas duas mãos. — Tem certeza de que fará isso?
Ela respirou profundamente e soltou todo o ar, confirmando com a cabeça, fazendo o pai apenas assentir. Oritel temia que a união não ocorresse conforme o esperado e que pudesse perder a única filha que lhe restava.
Os dois caminharam pelo longo tapete branco. O salão real de Domino era magnífico, com as paredes beges adornadas com arabescos dourados. As cortinas eram brancas, pois naquele momento celebravam um casamento. Os assentos estavam cobertos com um tecido dourado, pois Eraklyon tinha a tradição de utilizar o dourado em cerimônias matrimoniais.
Ao altar, Saladin, o mago que celebraria a união, esperava. Sky, o noivo, estava vestido a rigor em suas roupas principescas, e ao seu lado estavam seus padrinhos: Brandon, Helia e Nabu. Do outro lado, onde Bloom ficaria, estavam Stella, Flora e Musa.
Oritel entregou a mão de Bloom a Sky, lançando-lhe um olhar que dizia tudo: “Cuide da minha filha”. E ele cuidaria. A cerimônia prosseguiu tranquilamente; todos pareciam em paz naquele momento, mesmo que o mundo lá fora estivesse em chamas. Ali dentro, a única coisa que importava era a união daqueles dois jovens, que inicialmente tinham princípios reais, mas que, ao longo do tempo, tornaram-se muito mais do que isso para eles.
— Eu vos declaro marido e mulher, rei e rainha de Eraklyon e Domino — Saladin finalizou. A tradição dizia que, se duas pessoas de reinos diferentes se casassem, teriam que governar ambos os reinos. — Pode beijar a noiva.
Sky sorriu e se aproximou lentamente de Bloom. Suas mãos foram para a lateral da cintura dela, puxando-a com cuidado para perto de si. Os braços dela se enroscaram no pescoço dele, e seus rostos estavam perto o suficiente para sentirem a respiração um do outro.
— Posso? — ele perguntou cauteloso. Aquele beijo seria o primeiro que daria nela. Mesmo que já fossem namorados e tivessem encontros, ainda assim esperaram até o casamento para que tudo seguisse as regras de seus reinos.
— Sim, meu rei — ela murmurou, logo sentindo os lábios dele sobre os seus. O primeiro contato gerou um choque entre eles e um friozinho na barriga, como se aquele ato fosse mágico demais. E, de certa forma, era. Ambos agora estavam conectados em um vínculo místico.
Ela suspirou quando ele aprofundou o beijo. Era calmo e lento, permitindo que ambos sentissem da melhor forma possível. Um fio de luz alaranjado envolveu os dois, e um dragão luminoso pairou sobre suas cabeças, fazendo os convidados se espantarem e os dois se separarem para olhar para cima.
— Ele é lindo — Sky elogiou, sorrindo. Logo voltou a olhar para a ruiva. — Como a protetora dele.
— Sky, eu...
As portas se abriram, e todos os olhos se voltaram para a presença ilustre do não convidado. Ele exalava arrogância e prepotência, como em outros tempos; nada mudara para ele, continuava petulante.
— Oh! Não me digam que eu cheguei atrasado — disse rindo, enquanto todos pareciam ter congelado em seus lugares, e não era por magia, mas por medo. — Não trouxe presentes, mas a minha presença é melhor do que qualquer coisa que poderiam ganhar.
— Você não é bem-vindo — Erendor disse, já havia tomado a frente do seu filho e da nora, assim como Oritel, ao seu lado, que empunhava sua espada fora da bainha.
O homem revirou os olhos e deu dois passos, procurando os olhos da fada. Quando os encontrou, sorriu.
— Você me pertence desde que nasceu, fada. É a minha destinada — ele disse, fazendo-a estranhar, mas sem esboçar reação.
Ela sabia bem quem ele era e por que estava ali. Aquele era o guardião do lado obscuro do seu poder e, supostamente, sim, eram destinados pelo destino, mas ela não se renderia a isso. O destino não pode ser determinado; ele pode mudar, e ela mudaria o seu.
— Deveria retornar à Dimensão Ômega; não terá o que deseja — Bloom respondeu firme, afastando-se de Sky e revelando seus olhos azuis brilhantes. Seu vestido branco foi substituído por roupas azuis, e onde antes o véu cobria, agora tinha asas azuis. — Vá embora, Valtor.
Sim, ela o conhecia. Havia visto seu rosto milhões de vezes nos livros de história, especialmente naquele que contava a história da Ninfa de Domino, sua irmã, Daphne. Milênios atrás, o reino do guardião do fogo fora invadido por Valtor, que procurava sua metade, mas acabou encontrando Daphne e uma das Caçadoras de Orion. Eles travaram uma luta intensa e ambos foram parar na Dimensão Ômega após o sacrifício de Daphne.
— Só quando eu tiver o que quero — Valtor desapareceu, e, no instante seguinte, todos ao redor de Bloom foram lançados pelos ares. O bruxo surgiu novamente com seu sorriso típico, mas dessa vez, diante dela, a um palmo de distância.
— Cedo demais — a voz soou, e Valtor voou em direção a uma pilastra, batendo com tudo, mas logo se recompondo e estralando o pescoço. Olhou desafiadoramente para a fada com a roupa e as asas coloridas. — Olá, Valtor.
E sem precisar chamar, todas as outras apareceram atrás de Amália, fazendo o homem grunhir.
— Eu voltarei — ele disse e desapareceu, deixando o ar livre da sua presença horrenda.
— Sky — Bloom correu até o marido e agachou-se, ajudando-o a sentar. — Você está bem?
— Estou, não se preocupe — ele sorriu e alisou o rosto da ruiva. — Precisamos voltar a Alfea; você não está segura aqui.
Bloom apenas assentiu e olhou para trás, vendo os adultos conversando com fervor. Oritel, Marion, Erendor e Samara pareciam apreensivos e agora, mais do que nunca, fervorosos. Amália e Alice apenas ouviam com calma e assentiam.
— Precisamos vencê-lo — Bloom voltou a olhar para Sky, que concordou com ela. — Pela Daphne.
— Estamos juntos nessa — Sky disse, juntando sua testa à dela. — Vamos acabar com isso.
Fale com o autor