As aulas haviam começado, e, por mais que aquela semana estivesse envolta em uma calma aparente, alguns ali não conseguiam se sentir tranquilos. Suas mentes estavam imersas na inquietante realidade de que Ogron, Darkar, Valtor e os Bruxos do Círculo Negro estavam à espreita em algum lugar de sua dimensão, aguardando o momento de fraqueza para atacá-los.

Sasha havia se recuperado, embora ocasionalmente ainda fosse assaltada por flashes perturbadores, nada que a forçasse a voltar para a cama. Naquele momento, as Winx estavam na aula com a fada da Harmonia. Junto a ela estava Dean, cada um deles ensinando em conjunto, para proporcionar o melhor de seus conhecimentos e habilidades. Esse era o acordo e agora era imperativo que confiassem uns nos outros.

— Bem, meninas, sejam bem-vindas à aula de dons. Eu e Sasha sempre traremos para vocês o equilíbrio entre as magias — iniciou Dean, sentado sobre a mesa, enquanto Sasha se recostava contra o quadro negro atrás de si. Não estavam apenas as Winx presentes; havia uma grande turma de fadas, e, como os temas das aulas eram diversos, elas aprenderiam a aprimorar o uso de seus poderes.

— Professor — uma fada de cabelos verdes levantou a mão, exibindo um sorriso flertante. — Pode me ajudar com o equilíbrio? Estou um pouco confusa.

Claramente exasperada, Sasha revirou os olhos e negou com desdém. A fada se afastou do quadro e acenou com a mão, fazendo uma esfera aparecer à frente de cada fada presente. O exercício inicial era simples: canalizar seus poderes e conectá-los à esfera. Elas precisavam aprender a controlar, inicialmente, o equilíbrio entre sua magia e os objetos.

— Garanto que não precisará dele, senhorita — disse Sasha com rudeza, fazendo a fada murchar e olhar para sua esfera.

Sasha lançou um olhar para Dean, que apenas deu de ombros. Ela os desprezava e certamente não confiava neles.

— Como sabem, eu sou a fada da Harmonia, e meu dom é a clarividência. Tenho o poder de prever minutos, horas, dias, séculos; tudo depende da canalização do meu poder e do foco que dedico a ele — Sasha andou pela sala, observando cada fada. Todas estavam concentradas na esfera à sua frente.

— Soube que o professor Dean é uma esponja mágica — comentou Tecna, depois de levantar a mão e obter permissão para falar.

Esponja mágica era o termo utilizado para descrever aqueles que absorviam magia, canalizavam poderes e replicavam energias. O dom de Dean, de fato, era ser uma esponja mágica. Ele podia absorver qualquer magia lançada contra ele, e por isso treinava não só a parte mágica, mas também a física, porque a magia não o afetava, mas uma boa surra ainda era uma possibilidade.

— Sim, senhorita, eu sou uma esponja mágica — confirmou Dean, descendo da mesa e caminhando até Stella. — Posso demonstrar, princesa Stella?

Stella anuiu, e ele apenas tocou o dedo na mão dela, puxando um rastro amarelo brilhante, que era o poder dela. Dean poderia tanto remover todo o poder de Stella quanto apenas um pouco, mas ele optou por não fazer nenhuma das duas coisas e, após demonstrar, devolveu o poder.

Sasha observava atentamente, desconfiada. Não compreendia como um filho de Ogron possuía um poder assim e não havia se tornado maligno como o pai. Era um mistério que não seria resolvido apenas com observações.

— Pensem em suas magias — continuou Dean, fazendo Sasha retornar à frente da sala. — Pensem na cor que elas têm, na textura, se são moles, grudentas, duras; pensem no cheiro e sintam-nas dentro de vocês.

— Quando conseguirem sentir, externalizem, visualizem-nas na esfera à sua frente — completou Sasha, fazendo Dean assentir. — Podem começar.

As fadas iniciaram o exercício. Algumas geravam faíscas, outras apenas piscavam, e houve aquelas que se conectaram excepcionalmente com suas magias. Stella foi uma das primeiras. Ela tinha uma conexão muito forte consigo mesma.

— Muito bem, jovem Stella — elogiou Sasha com um sorriso, observando a esfera brilhar em um amarelo transparente e cintilante. — Foi fácil para você.

— Sempre tive uma conexão muito forte com meu interior. Ser a fada do Sol Reluzente é ter essa luz dentro de si — Stella respondeu, encantada, enquanto contemplava sua esfera. — Eu costumava ver minha magia como um amarelo-ouro, forte, uma magia dura e inatingível. Mas tudo parece diferente agora com meu dom.

— O dom da invisibilidade é totalmente o oposto de como você via sua magia, Stella — disse Dean com ternura, entendendo a sensação de mudança. — Agora sua magia é diferente, e você combinou o melhor dos dois.

Stella sorriu orgulhosa e olhou para suas amigas. Flora havia conseguido, Tecna também, mas Musa, Aisha e Bloom pareciam enfrentar uma tarefa muito árdua.

— Tudo bem, é suficiente por hoje — disse Sasha, fazendo as fadas pararem. — Isso exige um grande esforço, e está bem que nem todos consigam no primeiro dia. É uma magia complexa e exige concentração. Não se esqueçam da lição.

— Que lição, professora? — perguntou a fada de cabelos verdes, entediada. Sasha estalou os dedos, fazendo um papel surgir à sua frente. — Ah, que horror, dever de casa.

— Magia não é só sobre prática, mas também sobre conhecimento. Estudem — finalizou a mulher, enquanto as fadinhas começavam a se dispersar.

Enquanto as fadas saíam da sala, Amália chegou com os outros, coincidindo com a chegada dos especialistas. Aquilo não podia ser um bom sinal e deixou a dupla daquela aula confusa.

— Winx, podem ficar um momento? — pediu Amália, e elas assentiram, voltando às suas cadeiras com expressões de curiosidade.

— Aconteceu algo? — perguntou Dean, não notando nada de estranho. Claramente, seu pai ainda não havia surgido para criar o caos que tanto amava e que o moreno tanto detestava.

— Não, eu só acho que todos vocês precisam saber de algo — disse Amália, com uma expressão neutra, mas visivelmente preocupada, o que deixou todos apreensivos. — Se lembram de dias atrás, quando contamos a história de como o grande dragão criou a dimensão mágica? — Ela olhou para as Winx, que afirmaram com um aceno. Amália deu um sorriso imperceptível. — Uma de vocês questionou o motivo pelo qual esses dons só se revelaram agora, e nós evitamos essa pergunta — uma mentira básica para não revelar que Kimmie havia manipulado a mente delas.

— Existe uma profecia sobre nós cinco — disse Alice, olhando para as amigas, que assentiram. Era hora de falar sobre isso, e, embora não confiassem nos rapazes, precisavam lidar com a situação.

— Espera — Aisha falou, lembrando-se de algo. — No dia do aniversário da Bloom, Lilith disse que os Caçadores de Orion estavam vindo e que pagaríamos o preço da ambição. Mas não parece ser isso.

— Porque não é — Kimmie respondeu com firmeza, atraindo a atenção para si. — A profecia diz que o destino reuniria cinco crianças escolhidas pela morte, para vingar aqueles que foram injustamente aprisionados.

— Basicamente, fala que somos as escolhidas e estamos aqui para honrar nossos ancestrais — continuou Alice. — E, quando a última de nós chegar, invocaremos os espíritos dos caçadores para nos ajudar na luta.

— Então, a volta de Ogron já estava prevista? — perguntou Dean, recebendo um sinal afirmativo de Alice. — E quando pretendiam nos contar?

— Não sabíamos exatamente que seria ele, mas sempre suspeitamos, pois Ogron foi um de nós, aquele que nos traiu — suspirou Sasha, exausta demais para lidar com a situação.

— Como saberão quem é a última? — Lewis perguntou, fazendo seus amigos franzirem o cenho. Ele apenas deu de ombros, estando ao lado certo e não se importando em apoiar a decisão delas de revelar ou não seus destinos.

— Todas nós temos o Escorpião de Orion. É um símbolo para nos reconhecermos. Mas, quando a última chegar e entrarmos em fluxo, ganharemos a Constelação de Orion inteira — explicou Amália.

Era uma quantidade imensa de informações para processar. Assim, o que podiam fazer naquele momento era ouvir e assimilar aos poucos. Lilith havia se equivocado, e a informação que os reis possuíam estava errada. Mas, por que a bruxa havia dito aquilo? O que havia mudado? Bem, teriam que descobrir por conta própria.

Assim, quando aquela pequena reunião terminou, as Winx se dirigiram aos seus quartos e ligaram para seus pais, relatando o erro na visão de Lilith e compartilhando tudo o que sabiam.

As Winx estavam entrelaçadas com aquela realidade, tão fundamentais quanto as escolhidas. Não era justo deixá-las à parte, pois elas também precisariam se preparar para a defesa. Afinal, havia uma certeza mística de que Valtor e Darkar ainda estavam predestinados a buscar as princesas, e cada uma delas precisaria estar pronta para enfrentar o que estava por vir.