Caçador

18 O passado nos persegue


Notas iniciais
Personagem novo, u.u

A primeira coisa que noto quando chegamos ao hotel (mesmo já estando com receio de ir em algum hotel, precisamos dormir em algum lugar) é que a porta do quarto foi aberta. Alguém esteve nele.

A fechadura não mostra sinais de arrombamento, mas a chave está comigo e deixei ordens explícitas (e um suborno) para que nenhum funcionário entrasse no quarto.

Agora, vocês perguntam: Como sabe então que foi aberta?

Simples. Deixei um grafite de lapiseira na fresta entre a porta e a parede, em cima da dobradiça de cima. Nada que alguém fosse ver sem saber que está ali, mas fácil de verificar que está quebrado. Quem disse que mangás não servem pra nada? Uma boa pitada de Death Note nunca fez mal à ninguém.

— Alguém entrou. — Sussurro para Megan.

Ela imediatamente fica atenta, sacando uma pistola do bolso de trás e assumindo posição.

Ele? Ela pergunta, apenas movendo os lábios. Balanço a cabeça.

O quarto está protegido. Respondo da mesma maneira. E eu notaria. No três.

Saco o Colt. Troquei as balas por balas normais. Erro. Mais até é bom não desperdiçar as balas especiais.

Ergo um dedo. Então dois. E por último, ergo o terceiro, chutando a porta.

Ela se abre num rompante. É, parece que estava destrancada. Ops.

Pulamos para dentro, com as armas apontadas, vasculhando a sala com os olhos. Não é preciso muito tempo para achar.

— Ola para vocês. — Cumprimenta uma garota sentada no sofá de frente para a porta. Deve ter uns vinte e poucos anos, talvez 25, e se parece bastante com Megan. Como uma versão mais velha dela. — Olá mana, à quanto tempo.

Megan parece entrar em choque, e abaixa a arma.

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— Achei que não tivesse irmãos. — Falo para Megan.

— Eu menti. — Ela fala sem rodeios. — E tecnicamente não tenho mesma. Ela é minha irmã.

— Muito engraçado. Ainda é seu parente. — Me viro parcialmente para olhar para ela. — E, pelo que me lembro, não convidei em nenhum momento para entrar no nosso apartamento.

Amanda dá os ombros, como se não se importasse. E, sendo irmã da Megan, provavelmente não se importa mesmo. Está sentada tranquilamente em uma cadeira, com os braços cruzados nos observando com um sorriso no rosto. Megan está olhando para o copo d’água em suas mãos como se estivesse pensando num jeito de pular dentro dele (ou jogar Amanda lá, não tenho certeza), e eu estou olhando de uma para outra, mais confuso do fiquei dá primeira vez que enfrentei um Brincalhão.

— Então, Amanda, o que está fazendo aqui? — Pergunto.

Amanda sorri antes de responder. Agora, olhando mais de perto, noto que não é tão parecida com Megan. Seu nariz é mais afilado, e os olhos são castanhos, em vez de pretos. O corpo também é diferente. Megan parece uma atleta, mas com curvas o bastante para ser modelo se quisesse. Amanda é mais magrela, e mais forte. Parece mais resistente fisicamente, como uma corredora de longa distancia. Alguém acostumado a lutar pela vida. Tem tanto o tipo físico quanto a personalidade de uma Caçadora.

— Caçando, ora. Achei que estavam fazendo a mesma coisa. — Olho torto para ela, que sorri mais uma vez e acrescenta. — Está bem, está bem. Achei a Megan nesse hotel. Sei que ela anda Caçando desde que nos... Separamos. Então passei para dar um oi. Fiquei bem curiosa quando notei que andava com um cara. Quando entrei, tive certeza que você era Caçador. Então, estão demorando à quanto tempo?

Nem me dou ao trabalho de fingir ficar constrangido. Abro a boca para responder, mas Megan é mais rápida.

— Não estamos namorando. — Megan ignora o olhar descrente de Amanda. — O que Lian perguntou é o que você está fazendo aqui. Nossa despedida não foi realmente um “até logo, sentirei saudades”, por que resolveu me procurar agora?

— Se não vai tomar essa água, estou com sede. — Amanda muda de assunto, pegando o copo na frente de Megan e tomando um longo gole. Quando vê que continuamos olhando para ela de modo não muito amistoso, ela suspira e pousa o copo na mesa. — Está bem, está bem. Minha última Caçada me levou a uma pista de um ninho por aqui. Já estava curiosa pelo fato do grande número de desaparecimentos. Então cheguei aqui e vi que, bom, as coisas estavam mais complicadas que eu esperava. Vi sinais de Lobisomens e vampiros, sem falar de um massacre em um hotel por aqui sem que os corpos sejam levados. Parecia coisa de demônio. Então comecei a investigar, e me deparei com a ficha do hotel, e vi que havia duas pessoas que não morreram dos que estavam hospedados. Depois disso, bom, vi as gravações da tua placa e procurei pelas câmeras de segurança da cidade. Foi fácil na verdade. Era só procurar em todas na frente de hotéis.

Olho para Megan.

— Por que nunca me disse que tinha uma irmã tão boa? Esse truque das câmeras... Eu me gabava de ser o único Caçador que fazia.

Megan se irrita.

— Meu passado é complicado. Você sabe uma parte dele, e eu achei que a outra parte tinha sido deixada para trás. — Megan olha para Amanda.

Suspiro. Adeus paz e silêncio.

— Bom, não sei vocês, mas eu preciso de uma soneca. Passar a noite inteira Caçando dá sono. Fui!

Dizendo isso, dou no pé até meu quarto. Tenho o cuidado extra de trancar a porta de modo que ela fique trancada.

Pelo visto, vamos ter uma hospede a mais.

Notas finais
Qual das "manas" preferem? A Amanda é bem... Sei lá. (¬¬)