Caçada
16 Profecia.
Não havia nada no bosque, como eu já previra mesmo. Algumas dríades havia me parado para perguntar o porque eu estava me camuflando como elas. Eu nem tinha percebido, só quando vi que em meus dedos brotavam algumas folhas e flores se enroscavam em meus cabelos. Foi um tanto quanto difícil explicar que eu tinha uma benção que me ajudava a me camuflar e que, com toda certeza, eu não era uma ninfa.
Por fim parei no pé de uma arvore e sentei-me, com Nevasca deitando a cabeça em meus joelhos enquanto eu acariciava seus pelos brancos e macios. Estava tão distraída que não percebi quando alguém chegou perto de mim.
– Miss Summers? – perguntou uma voz baixinha como de um passarinho. Virei a cabeça e vi uma dríade que me fitava com grandes e imensos olhos verdes.
– Sim? – respondi, tentando forçar um sorriso e esquecer o pensamento insano que havia criado em minha cabeça.
– Se importa se eu me sentar com a Senhorita? É que você está perto da minha arvore e... – ela parecia nervosa demais, como se eu fosse algum tipo de monstro.
– Oh, peço perdão. Esqueço sempre que todas as arvores aqui pertencem a alguém. – falei, dando espaço para ela e ficando um pouco longe demais. Ela me olhou, meio medrosa, como se eu fosse fazer alguma coisa com ela.
– Algum problema? – perguntei, erguendo as sobrancelhas.
– Você é filha de Despina. – respondeu ela, como os olhos tão esbugalhados que poderiam saltar. Demorei pare entender, mas quando enfim compreendi, me levantei.
– Claro, acho que você não quer que eu tente arruinar sua arvore, não? – apesar de a perguntar ser meio irônica, eu estava meio triste. Não era minha culpa se minha mãe odiava qualquer coisa viva. Nem sabia o porque ela não me odiava!
Sai de perto da jovem dríade e segui junto de Nevasca para voltar aos chalés, até que vi uma movimentação na Grande Casa e depois Thalia saiu correndo, aos berros, me chamando. Corri para o encontro dela.
– Rachel chegou. – disse simplesmente. Embora eu não soubesse quem era Rachel, já sabia que tinha que ser alguma coisa relacionada ao grande oraculo, então corri para junto dela.
Quando chegamos na Casa Grande, vi uma mulher, de pelo menos uns 25 anos, por ai. Menos ou mais, sei lá. O cabelo era tão ruivo quanto o de Artemis. Pensei que ela fosse alguma filha de algum deus, mas era obvio que não era. Eu podia ver, ou melhor, sentir que ela era coberta por uma aura de poder, mas era um poder frágil, que envelhecia e não a protegia muito bem. Céus, ela era uma mortal!
– Então mais alguns semideuses querem uma missão? – perguntou ela, olhando atentamente para cada um de nós. Seus olhos se detiveram nos meus por alguns segundos, mas logo se desviaram. Ok então, né.
– Dê um passo a frente quem vai liderar... – Thalia deu um passo a frente. Rachel revirou os olhos. Quíron se entrepôs.
– Lembrem-se do que Zeus disse. Só pode semideuses de dentro do acampamento. – avisou ele, mas percebi que seus olhos estavam focados em mim.
Talvez todos resolvessem ter medo de mim hoje, ou sei lá.
– Então dê um passo a frente o semideus que irá liderar. – resmungou Rachel, parecendo meio chateada.
Sebastian deu um passo a frente.
– Muito bem. – aprovou Rachel, sorrindo para ele. Ela fechou os olhos por alguns instantes, mas logo os abriu. Parecia meio confusa, os olhos estavam bem dilatados e sua testa franzida.
– Não pode ser ele. – sussurrou ela tão baixo, que quase não conseguia ouvir. Ela sussurrou mais alguma coisa e eu não entendi porcaria nenhuma. Dei um passo a frente.
– Pode repe...- mas fui interrompida quando ela se ergueu no ar, e começou a brilhar de uma maneira não lá muito normal.
– Não!- gritou Dionisio e Quíron ao mesmo tempo, mas O Oraculo já estava recitando a profecia.
A Alma da Grande Caçadora, agora feita de Neve
Ira caminhar para o lugar onde não deve
A noite, o mar, o raio e o sol irão ajudar
Fazendo então o que ela desejar
Mas se fizer uma escolha errada
A humanidade ficara desesperada.
E ela logo caiu aos meus pés, meio guinchando, meio que tentando respirar. Mas eu mesma não conseguia respirar. Não sabia sobre o que ela estava falando, mas sentia que aquilo era pra mim, de alguma maneira. Só poderia ser. De que outra maneira aquilo aconteceria, e me tocaria tanto quanto aquele poema sem sentido tocara?
– Que Diabos foi isso, Rachel? – pergunto Thalia, ajudando Rachel a se levantar. Eu poderia tentar ajuda-lá, mas ainda estava meio incrédula com o que havia acontecido ali e não conseguia me mexer, mesmo que tentasse ou quisesse.
– Não sei. – ofegou – Foi como se ela tivesse ligado alguma lâmpada e, tam, lá estava a profecia. – sussurrou ela.
Todos olharam para Quíron e Dionisio. Nem dei atenção para isso, tamanha era a minha incredulidade. O que queria dizer A Alma da Grande Caçadora? Humanidade Desesperada? O que aquilo tinha a ver comigo? E o porque a parte da Alma me dizia mais respeito, ainda mais por ser feita de Neve? Ah, porcaria. Por que ninguém poderia responder minhas perguntas.
– E então, Quíron? – perguntou Thalia, me tirando de meus pensamentos e fazendo-me voltar para a realidade. Voltei meus olhos a Quíron, que, para minha surpresa, também me olhava.
–Creio que vocês devem ir. Pediram uma missão, e foi o que acabou de acontecer, não? – ele estava nervoso, poderia perceber aquilo. Seus olhos desviaram dos meus e foram para Dionisio. – Senhor D? – perguntou ele, pedindo uma opinião. O Deus do Vinho deu um longo suspiro.
– É melhor essa bendita ir logo. Ela iria descobrir a Grande Profecia mesmo. – resmungou ele. E de novo, entendi porcaria nenhuma. Mas poderia fazer alguma coisa? Claro que não.
Todos agora estavam me olhando, com expectativa.
– E então? – perguntou Thalia para mim.
– Então o que?
–Você que vai liderar a missão. Quando acha que devemos partir?
Mordi os lábios. Odiava quando a atenção estava em mim. Dei um longo suspiro e dei de ombros.
– Hoje a noite, se for possível. – sussurrei.
Todos concordaram com a cabeça e eu dei as costas, indo para o Chalé. Senti os dedos de Sebastian em meu cotovelo e não liguei quando ele tentou me puxar para mais perto. Pra falar a verdade, eu meio que o agarrei.
– Está tudo bem. – sussurrou ele, delicadamente.
Mas não estava tudo bem. Claro que não. Minha cabeça estava apoiada em seu ombro e lagrimas começaram a escapar de meus olhos por conta própria.
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