Caçada

6 Fio prata.


As outras garotas- agora minhas irmãs e companheiras – me olharam por um momento com curiosidade, até perceberem que eu havia me tornado uma delas. Dei um sorriso, corajosa como nunca havia sido.

- Bem-vinda Penélope. – diz a garota que haviam dado o nome de Thalia.

Aceno com a cabeça uma vez, fitando-a por um momento. Depois, meus olhos passam a todas que estão ali. Todas elas usam tranças, roupas prateadas e com alguma coisa também prateada em suas tranças.

Senti-me constrangida por ser a única diferente ali, com os cabelos soltos nas costas, roupas simples, folgadas e brancas.

Acho que a garota chamada Jessica percebeu isso.

- Me siga, vou mostrar-lhe sua nova barraca. – é tudo o que ela diz.

Segui-a até uma barraca onde mais tantas garotas estavam. Tinha, ao todo, umas 5 garotas ali, e vários sacos de dormir. E tudo, tudo para o que eu olhava, tinha alguma coisa prateada.

As garotas sorriram para mim.

- Então você é a nova garota. – diz uma loira, se aproximando de mim. Seus olhos são de um azul infinito e cálido. Ela é branca, mas com um tom meio de porcelana, não pálida como eu. Seus lábios sorrirem de forma branda.

- Me chamo Lucy. Sou filha de Morfeu. – diz ela, estendendo a mão para mim. Meus olhos piscam por várias vezes até eu aceitar sua mão.

- Meu nome é Penélope. Não sei de quem sou filha. – me apresento baixinho, não suportando olhar em seus olhos.

Ela dá um sorriso leve.

- Ah, não se preocupe. Logo você saberá. – é tudo o que diz.

As outras quatro garotas se levantam, começando a se apresentar. Uma com os cabelos pretos, pálida com mãos delicadas se apresenta, sorrindo.

- Sou Katherine. Mas a maioria me chama de Katie. Sou filha de Dionisio.

Outra, com os cabelos tão louros que chegavam a brilhar. Os olhos de um tom caramelo encantadores.

- Mandelaine. Filha de Apolo.

Uma outra, com os cabelos castanhos disse que seu nome era Helena e que era filha de Démeter. A com os cabelos louros, olhos de um tom cinzento, disse que seu nome era Emma e que era filha de Atena.

Todas seriam minhas companheiras de barraca. E todas elas tinham apelidos e sabiam quem eram seus pais. E eu, só tinha mesmo o apelido Penny e não fazia ideia de quem era meu parente divino, embora tivesse consciência de que a mulher que havia me dado o pingente de gelo, era alguma coisa minha. Mas não comentei sobre ela.

Logo, todas estavam em volta de mim. Mostrando-me minhas roupas novas, o lugar onde eu ia dormir. Como eu deveria agir. Minhas armas. O que eu precisaria aprender. Tudo.

Lucy estava trançando meus cabelos, de uma maneira rápida. Um fio prata em suas mãos que logo se junto em minha trança.

- O fio é um presente de lady Ártemis. Mas também é uma replica perfeita do fio da vida. – explica.

Meus olhos se esbugalham.

- Fio da vida? – pergunto.

- Sim. O fio dos deuses, como não pode ser cortado, é feito de ouro. O dos heróis, ou semideuses, são feitos de bronze, mas podem ser facilmente cortados, uma vez que eles sofrem um pouco mais que os mortais. Os mortais, seus fios são de couro. E os das caçadoras, são prateados, porque somos imortais, a menos que quebremos o nosso acordo com Ártemis ou caímos em batalha.

Absorvo tudo o que ela diz, sem realmente entender muita coisa.

Com as roupas já trocadas, segui o restante das garotas para a fogueira. Lucy me explicando como funcionava as coisas ali.

- As barracas abrigam apenas, no máximo oito garotas. É o número favorito de Lady Ártemis. E temos tenentes, das quais são escolhidas por Ártemis a dedo. Thalia é uma delas. E todas as tenentes usam uma tiara para serem diferenciada.

Escuto atentamente. Era a primeira vez que eu era aceita. A primeira vez que as pessoas me queriam por perto. A primeira vez em que eu me sentia em casa.

Katie sentou-se do meu lado esquerdo e chamou minha atenção, o que deixou Lucy um pouco irritada.

- Então, Penny. Quais são seus poderes? – pergunta ela.

Ergui minhas sobrancelhas, sem entender.

- Poderes? – perguntei.

Ela revirou os olhos e estendeu a mão a frente. Seus dedos traçaram desenhos estranhos no ar. Observei-a enquanto algum tipo de planta crescia lentamente da terra onde seus dedos estavam a alguns centímetros de cima. Continuou a crescer até formarem umas flores estranhas e, por fim, se transformarem em minúsculas frutinhas roxas, uma do lado da outra. Ela estava criando um vinheiro.

- Como... – tento dizer, mas minha língua não deixa eu expressar minhas palavras. A garota ri e pega um cacho de uvas, dando-o para mim.

- Experimente. – diz. Comecei a comer as frutas ali, sentindo seu sabor meio agridoce e delicioso. Mas elas estavam um tanto fortes. Não me importei, tamanha era a vontade de entender o que a garota havia conseguido fazer.

- Sua vez, Lucy. – diz Katie.

Lucy revirou os olhos mas assoviou. Em poucos segundos, um grande lobo cinzento apareceu a seu lado.

- Antes de qualquer coisa. Penny,conheça Frannie.

Eu estava petrificada com o modo que ela acariciava aquele grande lobo. Mas ela não se importou, então dei um sorrisinho para Frannie.

Lucy olhou atentamente para Frannie e deu um sorriso, se aproximando um pouco mais. Deu um enorme suspiro e sussurrou alguma coisa. Frannie caiu em seus pés, dormindo profundamente.

- Incrível. – sussurrei.

Lucy sorriu para mim. E, ao olhar para a loba, foi como se percebesse que havia se esquecido de algum.

- Oh Céus. Esquecemos que você ainda deve escolher sua companheira de Lua. – diz ela.

Isso não me parece lá muito fácil de entender.

- Lady Ártemis está providenciando isso. Há lobos aqui perto, e amanhã mesmo Penélope vai até lá, escolher. – diz Thalia.

Eu ainda não estou entendendo nada. Mas Katherine logo muda de assunto.

- Então, Penny. Sabe fazer alguma coisa como eu e Lucy fizemos? – perguntou ela.

Franzi os lábios por um momento. Será que eu conseguiria? Será que o que eu iria fazer poderia estregar quem eu era?

Tentei não pensar mais nisso.

- Acho que sei. – respondo.

Minhas mãos foram rapidamente para a vinheira pequena que estava ali e me concentrei. Novamente, meus dedos começaram a formigar. Lentamente, a vinha começou a murchar e ficar cada vez mais e mais gelada, soltando fumaça de gelo e congelando-se. Quando finalmente quebrou em vários pedaços, retirei minha mão e ergui os olhos para todas.

Katherine sorria.

- Maravilhoso. – diz, batendo palminhas.

Meus olhos encontraram com o de Ártemis e, naquele olhar, dizia que era mesmo maravilhoso o que eu havia acabado de fazer. Maravilhosamente assustador.

Todas fomos mandadas de volta para as barracas. Adormeci logo, mas ainda pensando no que o olhar de Ártemis tinha a ver com a mulher branca.