Caçada
28 A Canção para o Titã
– Você é mesmo louca, Penny. — falou Thalia pela decima vez naquele milesimo de segundo. Revirei os olhos para ela. Estava falando aquilo desde o momento em que contei o que iria fazer para ela.
– Não sou louca, Thalia. Se fosse mesmo, acha que eu estaria falando para vocês ficarem aqui ou voltarem para o Acampamento, ajudando o restante? — perguntei para ela, dando um sorriso sem animo.
– Mas, Penny...
– Sh Thalia, já concordei que vocês vão comigo, mas só eu irei entrar no tartaro.
– Quero ir com você.
– Não, Thalia!
Desde que eu falara sobre o que fui designada a fazer, Sebastian continuava quieto mas muito perto de mim. O curioso era que eu queria que ele fosse para longe, mas que ao mesmo tempo continuasse do meu lado. Droga de amor idiota!
Chamei a Cadela Infernal e a mesma logo apareceu. Dei um minusculo sorriso.
– Não tem lugar para todos. — falei, sorrindo. Vendo que finalmente tinha vencido!
Todos estavam me olhando.
– Há lugar para mais dois. — resmungou Bruna.
Droga de menina inteligente.
– Ótimo. Então vai Thalia. — falei,mordiscando os lábios.
– E eu. — se prontificou Sebastian
– Você não. Vai ficar aqui que é seu lugar!
– Eu vou onde você for, Penny.
Olhei para aqueles olhos lindos e brilhantes. Para aquele lindo rosto que me deixava zonza.
– Droga, Sebastian! -resmunguei. Com toda certeza, minha palavra favorita naquele dia era Droga, porque olha!
Dei um enorme e longo suspiro. Olhei para a cadela enorme e depois balancei a cabeça. Coloquei James em meu ombro e logo subi em cima do animal Infernal.
– Vamos montar, crianças!- brinquei por um segundo. Eles subiram no torço da Cadela, assim como Relampago e Nevasca.
–Fechem os olhos. — murmurei. Na verdade, nem fui ver se eles fizeram o que eu disse, mas eu mesma segui meu conselho.
(...)
Abri os olhos ao ouvir James miar em meu ombro e senti que já haviamos chegado no lugar destinado. Desmontei a Cadela e ajudei Thalia e Sebastian a descer.
Eles pareciam enjoados.
– Como você consegue?- perguntou Thalia, ao ver que eu permanecia normal.
– Não sei. Talvez eu tenha me acostumado. — resmungei, dando de ombros e acariciando a cachorra.
Murmurei em seu ouvido palavras tranquilizadoras, para que ela descansasse e procurasse alguma coisa para comer. Assim que a Cadela saiu em disparada pelos campos, fui para junto de Thalia e Sebastian.
– Vamos, não temos muito tempo até que minha tia saiba que eu estou aqui. — falei para eles e concordaram comigo, sem pestanejar.
Seguimos então para uma caverna que estava afastada do castelo. Nem eu sabia como sabia que aquela era a entrada do Tartaro, mas muitos flashs ficavam estalando em minha cabeça. Imagens confusas que deveriam ser memorias de Zoe.
Quando enfim chegamos a frente da caverna, pudemos sentir um frio arrasador. Eles tremeram, enquanto eu, fiquei normal e me sentindo fortalecida.
Tirei James do meu ombro e fiz Nevasca se transformar em ursinho de pelucia.
Dei James para Sebastian e acariciei sua cabeça uma ultima vez.
– Vocês devem ficar aqui. — avisei.
E lá veio Thalia.
– Nem vem. Vou ir com você, Penny. Você não pode ir sozinha! — disse ela, parecendo apavorada.
Sorri para ela.
– Fique aqui, querida. Nada vai me fazer algum mal. — falei, sem nem mesmo eu acreditar nas minhas proprias palavras.
Ela me olhou furiosa, mas dei de ombros e fui em direção a Caverna. Por sorte, ela não foi atrás de mim. Mas alguém foi.
– Que droga você está fazendo aqui, Sebastian? — perguntei para ele, raivosa.
– Só queria lhe dar uma coisa.- disse ele e, antes que eu protestasse, ele me deu um beijo na bochecha, virou-se e foi embora, me deixando entrar sozinha na caverna. Dei um longo suspiro e segui em frente.
Como posso explicar? A sensação era que eu estava indo para fundo do pior penhasco do desespero. Onde eu pisava, podia sentir o poder maligno que estava tentando entrar nos dedos dos meus pés. O ar era maligno e gelado e por um instante me senti fraca, mas continuei em frente, como se não estivesse sentindo nada.
Segui os comandos que Atena tinha me dado e fiquei na beirada de um grande abismo, que mais parecia um buraco negro do que um abismo. Pude ouvir sussurros malignos e outros desesperados, pedindo para que eu os ajuda-se. Mas não tem ouvidos aquilo. Estava ali por uma razão.Olhei para a pulseira que estava em minha mão esquerda e observei o pingente. Uma foice negra e gelida em miniatura se encontrava ali, enroscada na delicada corrente branca. Eu tinha sorte por me lembrar de tudo o que deveria fazer.
Me aproximei ainda mais do grande buraco e comecei a cantar a canção em Grego Antigo, que dizia sobre o grande titã voltar, mas ficar preso a algum objeto e ter que fazer o que o dono do objeto manda-se ele fazer. A foice começou a brilhar e parecia estar mais pesada que o habitual. Continuei a cantalorar,dizendo que ele iria fazer o que eu pedisse e não iria me trair.
Senti quando todo a minha volta começou a mudar, ficando mais pesado e gelido, mais ao mesmo tempo quente também. Tentei manter a calma e continuei a cantar.
Alguma coisa estava se mexendo no fundo do abismo. Se erguia mais e mais enquanto eu cantava.
Cantei o ultimo verso, que dizia que ele agora estava destinado a ficar ao meu lado e não poderia me desobedecer, até que eu o liberta-se de livre e espontanea vontade.
Quando parei de cantar, tudo a minha volta parecia ter congelado. Esperei, esperei e esperei, mas nada aconteceu. Vi que tinha fracassado e dei um suspiro.
Foi quando senti uma mão em meu pé, me puxando. Dei um enorme berro que fez minha garganta arranhar e meus pulmões protestarem pela falta de ar.
Era isso, eu ia morrer, com toda certeza. É só isso, não tem mais jeito, acabou.... Boa sorte!
Eu ainda estava sendo sarcastica e ironica comigo mesma, mas continuava a gritar desesperada. Realmente Penélope, qual é mesmo seu problema?
Foi quando eu vi quem estava agarrando minha perna e fiquei encarando aquela coisa linda de bonita.
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