Caça às Bruxas

4 Canto dos gansos


Gibbs Tony e Ziva chegaram ao hospital. Hotchner estava na sala de espera junto com Reid e Anderson. Ambos bem e apenas com ferimentos leves. Abby era a única que ainda permanecia na sala de exames.

— Agente Hotchner. Tentando matar minha cientista? — Falou Gibbs alto o suficiente para Hotchner ouvir. – Acho que prender ela não foi o suficiente.

— Dê graças a deus que ela está viva por minha causa aliás. – Disse Hotchner.

Os dois agentes pareciam querer sair no braço ali mesmo.

— Por sua causa ela está aqui no hospital. Você não sabe fazer uma curva? – Perguntou Gibbs.

Tony segurou Gibbs e Reid segurou Hotchner. O clima era péssimo entre os dois.

— Senhores. Se não se comportarem terei que pedir que se retirem. – Falou o médico.

— Desculpa. – Disse Gibbs.

— Eu sinto muito doutor. – Respondeu Hotchner.

— Estou aqui para informar sobre a Senhorita Abigail Sciuto. – Disse o médico lendo o nome na prancheta.

— Somos nós. – Disse Gibbs.

— São da família? – Perguntou o médico?

— Ela trabalha com a gente e somos a família dela também. – Disse Gibbs.

— No entanto agora ela é uma suspeita de assassinato. – Disse Hotchner. – E está em custódia do FBI. Então somos prioridade.

— Filho da... – Resmungou Gibbs.

— Ok. Vou informá-los ao mesmo tempo. – Disse o médico. – Fizemos alguns exames na senhorita Sciuto e determinamos que ela sofreu uma concussão leve. Vai se recuperar em algumas horas. – Disse o médico tranquilizando.

— Eu quero vê-la. – Disse Gibbs.

— É claro agente. Venha comigo. Ela está no quarto. Precisa descansar um pouco. – Disse o médico. – É verdade que ela é bandida?

— Suspeita. O agente mal-humorado ali praticamente colou um papel na testa dela escrito culpada. – Disse Gibbs.

— Ah. – Foi apenas o que o médico disse. – Ela está com uma queda de pressão também agente. Não quis compartilhar com todo mundo.

— Por que? – Perguntou Gibbs.

— Porque eu vi o quanto o senhor a considera. – O médico virou para Gibbs. – Sua relação com ela é paternal. Você discutindo com agentes do FBI foi típico de um pai quando sua filha se machuca.

— Eu poderia dizer que Abby é uma filha sim. – Disse Gibbs. – Ela é tudo que eu queria que Kelly fosse se crescesse.

— O que houve com ela? – Perguntou o médico.

— Foi assassinada junto da minha esposa e mãe dela. E eu... – Gibbs parou antes de dizer o que pretendia.

— Você o que? – Perguntou o médico.

— Eu estava longe de casa, servindo. – Gibbs não iria revelar seu maior segredo.

— Chegamos. – Disse o médico indicando o quarto onde Abby estava. — Tome cuidado por favor.

— Sempre. – Gibbs entrou no quarto e Abby estava dormindo.

Um pouco de morfina talvez a fazia não acordar. Gibbs sentou-se ao lado dela e pegou sua mão. Colocou a dele sobre ela e acariciou.

— Ei, Abbs. – Disse Gibbs. – Eu vou provar que você não é a culpada.

Gibbs deu um beijo na testa de Abby e sentou de volta.

Ele se acomodou na poltrona lembrando da vez em que ela foi atacada pelo ex namorado e se escondeu no elevador.

“Oi Gibbs. – Disse Abby quando o elevador abriu e ela viu Gibbs.

Ele apenas sorriu e se sentou ao seu lado. As portas do elevador fecharam e Gibbs se virou para ela. Ela estava assustada.

— Você sabia que apenas 5 de 6 milhões de mortes ocorrem em elevadores?

— Não.

— A Ziva me deu isso. – Disse Abby mostrando uma arma de choque. – E a Cinthia me deu o spray de pimenta. E o soco inglês foi a diretora Shepard. – Abby fez uma cara de choro.

— Ninguém vai machucar você Abby. – Disse Gibbs ainda olhando para ela.

— Só está dizendo isso para me deixar melhor. – Disse Abby.

— E deixou? — Perguntou Gibbs.

Ele não tirava o olhar de Abby.

— Deixou. Pode falar de novo? – Pediu Abby fazendo Gibbs ficar mais contente.

— Ninguém vai machucar você Abby. – Repetiu Gibbs. Ele repetiria mil vezes se fosse preciso.

— Posso ficar aqui até você pegar ele? – Perguntou Abby.

— Posso colocar seu laboratório inteiro aqui se isso te fizer feliz. – Gibbs disse com um tom de ironia, mas faria de verdade para ver Abby feliz. Ele a abraçou um pouco mais.

A porta do elevador se abriu e Palmer ficou confuso com a cena. ”

Gibbs voltou a realidade ao ver que Abby estava acordando. Ele se arrumou na poltrona e apertou sua mão com carinho.

— Ei Abby. Como você está? – Perguntou quando ela acordou completamente.

— Parece a pior ressaca que eu já tive. – Abby disse com um pouco de sono. – E olha que eu já tive muitas.

— Haha. – Gibbs deu uma risada calma. – Pode ser que sim Abbs. Se lembra de algo? – Perguntou Gibbs.

— Apenas que eu estava num carro com três agentes e estava de algemas. O carro saiu da estrada de repente e eu não me lembro de mais nada. – Disse Abby.

— Bem. Você lembra de quase tudo menos do acidente. – Disse Gibbs. – Já é um começo.

— Por que eu estava de algemas Gibbs? – Perguntou Abby.

Gibbs não acreditou no que Abby disse.

— Você não sabe porque estava de algemas? Então não se lembra do interrogatório ou da acusação? – Perguntou Gibbs.

— De que acusação? – Abby perguntou.

Gibbs se sentou ao lado dela e contou tudo do começo. Abby parecia confusa.

— Eu fiz isso tudo? – Perguntou Abby.

— As provas indicam isso Abby. – Gibbs se aproximou mais de Abby.

Abby se sentou na cama com a ajuda de Gibbs. Ele por sua vez a deixou sozinha por alguns minutos para falar com o médico.

— Ela lembra do acidente e das algemas, mas afirma não se lembrar de o porquê estar algemada. Existe alguma droga que cause isso? – Perguntou Gibbs.

— Existem várias drogas assim e apesar de ela ter ficado inconsciente por algumas horas o acidente pode ter potencializado a ação. A inconsciência dela pode ter sido por causa das drogas. – Disse o médico. – Segundo os registros o agente Hotchner disse ter aplicado massagem cardíaca nela, o que significa que ela não respirava no momento que foi retirada do carro. Podemos procurar algum tipo de droga que cause isso ou que não esteja na prescrição médica do hospital.

— Eu realmente agradeceria. – Disse Gibbs.

Anderson aproveitou a ausência de Gibbs para entrar no quarto de Abby.

— Era para você ter morrido sabia? – Disse Anderson. – Eu planejei tudo direito. Era um plano a prova de falhas.

— Porque você quer me matar? – Perguntou Abby.

— Fui contratado pela antiga KGB para atacar o EUA. – Anderson se sentou na cadeira. –Infelizmente nossos planos foram frustrados pelo FBI. Me disfarcei de agente para descobrir vunerabilidades no sistema.

— Você armou para mim? – Perguntou Abby.

— Alguém tinha que levar a culpa. – Anderson se aproximou de Abby. – O soldado Harold descobriu o plano por acaso numa das idas ao parque. Tivemos que matar. Procuramos por alguém inocente na marinha e achamos você.

— E porque eu? – Perguntou Abby.

— Você é a protegida do agente Gibbs. — Respondeu Anderson.

— Esse acidente não foi exatamente um acidente né? – Perguntou Abby.

— Não. Antes de irmos para o NCIS eu estudei possíveis rotas para a agencia. Vi aquela curva fechada e sugeri que na volta poderíamos usa-la. – Anderson estava perigosamente perto de Abby. – Então quando estávamos perto eu injetei uma droga experimental em você e esperei a curva fazer o resto.

Gibbs chegou antes que Abby dissesse alguma coisa e Anderson se desculpou e saiu do quarto.

— O que ele queria? – Perguntou Gibbs.

Abby não respondeu.

— Abbs. O que foi? – Perguntou Gibbs vendo o olhar de Abby.

— Quando posso sair daqui? – Perguntou Abby.

— Em breve eu acho. – Disse Gibbs. – O que o agente Anderson queria com você?

— Ver se eu estava bem. – Mentiu Abby. Ela não queria seus amigos em perigo.

— O médico vai fazer um exame diferente para descobrir o que causou a perda de memória. – Gibbs começou. – E vai...

— Deixa para lá Gibbs. – Abby levantou com dificuldade da cama. – Eu só quero ir embora daqui.

Gibbs estranhou o jeito que Abby estava agindo.

— Está bem. Vou falar com os médicos. – Gibbs saiu do quarto e falou com o médico.

Ele deu alta para Abby.

— Senhorita Sciuto. – Disse Hotchner. – Espero que esteja bem.

Abby caminhava com alguma dificuldade pelo corredor.

— O que você quer agente? – Gibbs falou alto para o agente. – Porque não deixa a Abby em paz?

Gibbs caminhava ao lado de Abby a ajudando a caminhar.

— Ela e minha suspeita. – Disse Hotchner pegando Abby pelo braço. – Dispenso as algemas agora.

— Isso é tão reconfortante. – Gibbs estava irônico.

— Guarde suas ironias para si mesmo, agente Gibbs. – Disse Hotchner puxando Abby. – Não vou dar tratamento especial para uma suspeita.

— Ela acabou de receber alta depois de um acidente grave e você a trata feito uma boneca? – Gibbs estava mais rabugento do que de costume. – Eu posso muito bem leva-la para o FBI.

— Vai sonhando. – Disse Hotchner. – Vamos senhorita. Hora de voltar ao plano original.

— Onde a Abby vai? – Perguntou Tony.

— O agente Hotchner vai leva-la a sede do FBI. – Disse Gibbs. – Parece que ela sofrer um acidente não é o suficiente para ela ser liberada.

Gibbs começou a andar pelo corredor rapidamente.

— Temos que provar a inocência dela. – Disse Gibbs vendo Hotchner colocando Abby no carro. – Ela pode não ter muito tempo.

— Nós vamos chefe. – Disse Tony. – Só há m problema. Não sabemos onde ela estava na hora do crime. Não sabemos nada sobre a amiga nem se ela realmente existe.

— Temos que encontrar ela Tony. – Disse Gibbs. – Por que se não o fizermos Abby será presa e julgada. Talvez até condenada à morte.

— E como a gente vai fazer isso? – Disse Tony.

— Refazendo os passos dela no dia do assassinato. – Disse Gibbs.

Gibbs, Tony e Ziva chegaram a sede do NCIS. Timothy estranhou ao não ver Abby com eles.

— Onde está Abby? – Perguntou McGee.

— Os agentes a levaram. – Disse Gibbs jogando a arma e o distintivo na mesa. – Droga. Cadê o papel que estava na minha mesa? – Ele estava visivelmente irritado.

— Ah. Está aqui chefe. – Disse McGee entregando o papel. – Peguei para ver uma coisa.

— E o que descobriu? – Perguntou Gibbs.

— Que podemos ter um jeito de determinar o paradeiro e localização da Abby no dia do assassinato. – Disse McGee.

— Maravilha. – Disse Gibbs. – Me mostre.

Gibbs deixou um sorriso passar pelo rosto pela primeira vez desde que tudo aquilo começou.