Cave

9 O dia em que ela exalou cheiro de medo


Notas iniciais
OI GENTE, OLHA EU AQUI. Meu deus eu deveria ter vergonha de demorar tanto pra postar os capítulos, e mais ainda por, mesmo depois de tanto tempo, vir com um capítulo curto desses. Mas eu queria postar uma atualização, por menos que fosse, pra vocês verem que eu não desisti da fic OAOIFJCASOIH Desculpa gente, sério mesmo, mas eu já to escrevendo o próximo, então acho que não vai mais demorar tanto. Eu não revisei direito, então se tiver com uns errinhos tensos, por favor me perdoem!

Lucy havia recobrado a consciência já a algum tempo, mas não tinha coragem de abrir seus olhos e anunciar isso a aquele que a acompanhava. Ela sequer ousava chama-lo de Natsu naquele momento, pois simplesmente não o reconhecia, recusava a acreditar que aquilo era ele.

Ela não estava certa de onde estava, mas era frio, escuro e ventava muito. Apesar dos uivos da congelante ventania que deixava suas canelas dormentes, ainda conseguia ouvir aquele som aterrorizante. O som de uma respiração quente e fumacenta abandonando as duas narinas do monstro que estava a poucos metros dela, andando de um lado pro outro, debatendo-se contra as paredes enquanto sangrava e gritava de agonia, vez o outra resmungando o nome dela.

Tomando o pouco de coragem que ainda tinha, Lucy entreabriu um dos olhos para espiar o que se passava, e o que a circulava. Se os últimos acontecimentos não estivessem ainda bastante vívidos em sua mente, ela poderia jurar que eles ainda estavam na mesma caverna de sempre. Os padrões de rochas ao redor dela eram diferentes, mas ainda eram rochas. Não havia estalagmites ou estalactites, no entanto. Era uma caverna diferente, onde sua entrada ao invés de mostrar a visão da entrada da floresta que levava à casa de Lucy, mostrava o céu estrelado por onde ela havia sido carregada até ali.

Eles estavam em uma caverna pequena, no topo de alguma montanha, constatou. Não sabia o quão longe estava de casa, não sabia o que havia acontecido com Gray, e muito menos com Natsu.

Voltou sua atenção a ele, a sua forma estranha, que já não era mais a mesma novamente. Ele tinha perdido a forma de dragão, e agora suas escamas começavam novamente a cair, bem como seus chifres. Suas asas estavam tomadas por uma chama escura, que tratava de reduzir aquela parte do corpo dele à cinzas. E obviamente, era um processo bastante doloroso, e por isso ele se debatia e gritava no chão a medida que tudo isso acontecia.

O peito de Lucy apertou. Ver o homem-criatura que ela amava ali, sofrendo de dor a deixa aflita, mas não conseguia levantar-se e tentar ajuda-lo, pois agora, pela primeira vez desde que o conheceu, ela o temia.

Temia tanto que um suor frio escorria pelas suas costas. Temia tanto que não ousava respirar muito alto, para quem sabe ele esquecer que ela estava ali. Ela simplesmente não sabia mais o que esperar dele.

E isso só se intensificava toda vez que ele continuava a chamar pelo nome dela em meio aos urros de dor.

Ela perdeu a noção de quanto tempo aquele processo todo durou, mas o céu começava a clarear quando Natsu, exausto, finalmente caiu desacordado no chão sujo e calou-se por horas. Ela queria certificar-se de que ele estava dormindo, então não ousou mexer um único dedo até que se sentisse segura para... Para que? O que deveria fazer?

Ajudá-lo? Fugir dali?

Seus sentimentos se contradiziam um milhão de vezes a cada segundo. Sabia que deveria aproveitar a deixa para ir embora dali o quanto antes. Voltar para casa, para sua família, e deixar isso tudo para trás, mas seria mesmo capaz disso? Seria capaz de abandoná-lo, ferido como na vez em que o encontrou na floresta? Lucy pegou-se imaginando se fora isso que o deixara tão ferido naquela vez, mas quando finalmente tomou coragem de levantar e dar uma boa olhada no corpo inconsciente de Natsu, viu que os padrões de ferimentos eram completamente diferentes. Alguma outra coisa havia acontecido com ele naquela ocasião.

Ela não sabia de nada sobre ele, e era isso o que a deixava mais apavorada. Não entendia o que havia acontecido na noite anterior, ou o porquê. Ou se aconteceria novamente.

Quem ele é? De onde ele veio? O que ele é?

Sucumbindo ao medo, ela correu em direção à entrada da caverna, querendo ir para longe de todas aquelas incertezas. Tinha medo, não confiava mais nele, e queria ir para casa. Queria tanto ir para casa que nem percebeu que seus passos cuidadosos rapidamente se transformaram em uma larga corrida. Queria tanto sair dali que quase perdeu a vida ao demorar para perceber que não tinha como sair dali, pois saindo da caverna, havia somente o precipício da montanha onde estavam. Não havia um caminho, não haviam árvores, não havia qualquer esperança de escapar.

Grossas lágrimas de pânico deslizaram ao longo das bochechas de Lucy enquanto o desespero a tomava completamente. Circulava a pequena beirada de terra que havia para fora da caverna, esperando que um caminho para casa magicamente aparecesse à sua frente, mas era inútil.

Caiu de joelhos no chão, desolada. Ela estava completamente encurralada naquela situação que não sabia em que terminaria. Não sabia se sua vida estava em risco, não sabia se poderia alguma vez ver sua família novamente, e a cada novo pensamento, o céu parecia cada vez mais atrativo. Tudo que ela deveria fazer era reunir coragem para dar mais um passo, e tudo aquilo acabaria, se ela apenas tivesse essa coragem. Mordeu a manga de sua vestimenta, procurando controlar seu choro para não fazer barulhos. A última coisa que queria que acontecesse seria...

— Lucy? – Proferiu uma voz atrás dela.

...Acordá-lo.

O corpo de Lucy congelou completamente, mas as lágrimas apenas se intensificaram, porém agora silenciosamente. Cada pelo de seu corpo estava completamente arrepiado, e ela se sentia tão enjoada que, se não fosse seu estado petrificado de medo, estava certa de que já teria vomitado.

— Lucy, saia da beirada, é perigoso. – Disse ele de maneira mansa, sua voz falhando depois de uma noite inteira de gritos de dor.

Lucy o ouviu dar alguns passos em direção a ela, e seu corpo finalmente agiu, apenas para jogar-se para o lado, afastando-se dele e aproximando-se perigosamente ainda mais da divisão entre a terra que a sustentava e o céu que a libertaria.

— Não se aproxime! – Gritou, e Natsu deteve-se imediatamente, arregalando os olhos.

— Lu...cy? – Sussurrou. Lucy estava na beirada de um precipício, e parecia preferir cair a aproximar-se dele, e esse pensamento o estava deixando aterrorizado. Observando-a bem, ele percebeu que seu corpo inteiro tremia de leve, e o rosto dela brilhava com a umidade das lágrimas. Tudo isso, somado ao cheiro de uma descarga gigantesca de adrenalina que ele conseguia sentir o cheiro vindo dela já confirmava o que ele temia, mas mesmo assim, precisava ouvi-la dizer. – Lucy, estás com medo de mim?

— É claro que estou! – Respondeu sem hesitar um único segundo, e isso fora como um soco na boca do estômago do outro. – Fique longe de mim!

E o mundo inteiro de Natsu desmoronou com aquelas poucas, porém sinceras, palavras. Aquela que ele mais amava, coisa que ele jamais sentira por nenhuma outra pessoa, aquela que ele queria proteger por todos os segundos que restavam de sua vida, aquela que ele entregara seu corpo e coração, o queria longe. Tremia com sua presença, o fitava com puro pânico no olhar. Nada, nem ninguém seria capaz de feri-lo mais profundamente do que aquilo. Um nó dolorido se formou na garganta de Natsu, ele não sabia o que era, mas o deixava angustiado.

— Lucy, por favor, eu não vou te fazer mal... – Disse baixinho, evitando aproximar-se dela, temendo que ela caísse. O corpo dela estava pendendo demais para a queda, e isso o deixava apavorado.

— Pois já fez! O que é que estou fazendo aqui, Natsu?! O que diabos tu te tornaste?! QUEM ÉS TU?! EU NÃO TE CONHEÇO, COMO VOU CONFIAR QUE NÃO ME FARÁS MAL DESSA MANEIRA?! – Exaltou-se, e o chão que tinha abaixo de seu corpo se esfarelou de leve, e Natsu percebera isto, deixando-o cada vez mais aflito.

— Sou eu, Lucy, nada mudou! – Disse, e por algum motivo, a voz dele saiu embargada. Ele não entendeu, mas sua garganta não deixava de doer e seus olhos agora também começavam a levemente arder.

— Exatamente Natsu, nada mudou. Eu nunca soube nada sobre ti, e continuo não sabendo. Eu apenas estou enxergando os fatos agora. – Rebateu, com uma carga considerável de dor em cada uma das palavras. O rosto de Natsu parecia ficar tenso e seus olhos tinham um brilho úmido incomum, e isso chamou a atenção de Lucy, deixando-a desconfiada, reduzindo um tanto seu medo.

O chão sob Lucy cedera mais um pouco, e Natsu começou instintivamente a mover-se para ir segurá-la, mas se deteve no último instante ao ver que Lucy inclinou-se ainda mais pra trás. Sabia que não iria conseguir chegar perto dela naquelas circunstâncias, mas precisava tirá-la dali a qualquer custo.

Deu um passo para trás, fechou os olhos e respirou profundamente. Sabia que esse momento chegaria eventualmente, mas isso não significava que estaria pronto para ele. Seus instintos lutavam para que ele apenas deixasse para lá, virasse as costas e esquecesse de tudo, mas seu coração jamais permitiria. Tentou mentalmente analisar o quanto se importava com aquela humana, o quanto ela significava para ele... E não conseguiu encontrar qualquer medida. Ela era seu tesouro, e por isso, faria aquilo por ela.

— Muito bem Lucy, eu vou te contar tudo o que queres saber sobre mim, mas apenas saia daí, por favor...

A loira fora pega de surpresa por aquelas palavras. Jamais esperaria que mesmo depois de ela ter dito para ele se afastar dela, ele iria querer fazer justamente o contrário. E foi aí que percebeu que ambos estavam errados ao dizer que nada ali havia mudado. Ele havia mudado, a relação deles estava diferente. Aquela criatura arisca que ela conhecera semanas atrás jamais faria isso por ela.

Ainda não estava certa se voltaria a ficar ao lado dele, mas tinha coisas que ela precisava saber, mesmo que fosse para ir embora logo em seguida. Seu corpo finalmente pareceu se acalmar, parando de tremer, e seu coração voltou a bater em um ritmo normalizado.

— Tudo que eu quiser saber? – Pediu por confirmação, levemente desconfiada.

— Sim, tudo. – Disse de maneira resignada, suspirando cansadamente logo em seguida. – Venha até aqui e converse comigo, é tudo o que peço.

Lucy não respondeu mais, ficou alguns poucos segundos em silêncio e em seguida acenou com a cabeça positivamente, e Natsu sentiu um peso gigante sair de suas costas. Ela esteve esperando por esse momento há semanas, e não o desperdiçaria. Impulsionou seu corpo para cima para poder levantar, mas para sua surpresa, o chão que já se esfarelava abaixo de seu corpo finalmente cedeu ao peso da loira, se desfazendo em pedras e areia sob seus pés, mas antes que ela pudesse pensar em sentir o medo da queda, ou sequer gritar pedindo por ajuda, os braços de Natsu já estavam ao redor dela, abraçando-a fortemente e puxando-a para longe da beirada do precipício.

O corpo dela não sabia o que assimilar naquele momento, se era o medo que estivera sentindo até então, se era a desconfiança e adrenalina proporcionadas pela conversa que acabara de ter com Natsu, ou se era os rastros remanescentes do amor que fizeram na noite anterior. Sua pele ainda não tinha esquecido o calor que emanava de Natsu, e por mais que a mente racional dela pedisse para que se mantivesse longe dele, todas as suas células se recusavam a afastar-se.

Ela encolheu-se dentro dos braços dele, afastando apenas sua cabeça para fita-lo nos olhos.

— Céus Lucy, por favor, nunca mais faça isso... – Sussurrou, com o rosto apertado em mágoa ao relembrar-se do medo que Lucy expressara a ele há pouco. Ela parecia em conflito naquele momento, mas não tentava desvencilhar-se dele. – Eu sempre vou estar aqui para te segurar, mesmo que peças para eu ficar longe.

— Natsu, me solte... – Pediu fracamente, mais por reflexo do que por vontade, mas sequer tentou se mover, entorpecida por aqueles olhos que a encaravam profundamente.

— Nunca. Nunca vou soltar. – Respondeu, em seguida trazendo-a ainda mais para perto e escondendo o rosto nas mechas loiras e bagunçadas do cabelo dela, provocando um arrepio em Lucy assim que arrastou a ponta de seu nariz no pescoço dela levemente. – Tu és o tesouro que eu amo, é absolutamente impossível eu te deixar, Lucy, por mais que me odeies, ou pior ainda, tenhas medo de mim... — Sequer conseguiu terminar a frase, tamanho era seu desgosto com aquela possibilidade.

Lucy pestanejou um par de vezes, perplexa. "O tesouro que eu amo"? Natsu, que chamava beijo de magia, sabia o que era amor? Um sentimento tão complexo que nem ela mesma saberia definir, ou sequer podia afirmar que sabia o que era? Isso a deixou completamente desnorteada, e o medo dissipou-se por completo, fazendo restar apenas a vontade de esquecer tudo e voltar a deleitar-se com o calor do corpo dele, com as carícias desajeitadas e brutas que ele fazia, o jeito único que ele tinha de demonstrar o amor dele.

Mas não podia ceder tão facilmente. Tinha que se manter firme e racional. Ela tinha que saber exatamente a quem estaria se entregando dali pra frente.

— E-Eu... Eu não te odeio... Mas agora eu não sei como devo me sentir em relação a ti, Natsu. Tu sabes tudo de mim, agora preciso saber quem tu és antes de decidir qualquer coisa, por isso precisamos conversar...

Ele inspirou profundamente o cheiro dos cabelos dela uma última vez antes de deixar de abraça-la, se afastando logo em seguida, deixando apenas uma mão a acariciar o rosto delicado de Lucy. Ele temia o rumo desta conversa, mas tinha que se apegar a esperança de que depois disso, ainda a teria para si.

— Está bem. Vamos conversar.

Notas finais
Enfim, vou ser breve aqui pq quero aproveitar a onda de inspiração aqui que se apossou de mim :'D JOFIASJF não é sempre, né?! No capítulo que vem toda a história do Natsu vai ser revelada gente! O que acharam desse capítulo? Acham que a Lucy é uma doida varrida por estar ali ainda com ele ou está certa de dar uma chance a ele?! Me contem nos comentários! Quero saber também as teorias de vcs sobre as verdades do passado do Natsu! Beijinhos gente até o próximo!