Cavalos Selvagens

18 18 "Em cada detalhe"


Notas iniciais
Quem chegou mais cedo??? Olha o presente de Natal antes do Natal, porque vocês sabem como eu sou enrolada, mas consegui chegar mais cedo! Agradeço a todos os favoritos, acompanhamentos, visualizações e comentários: Snow Queen, JuhLucena, Maga Estelar, Fujoshi n alma, LadyYuro, ShalaNala, Ariane Munhoz, Babissf, Ghost, Deby Costa, larryfantasia, LaryChanラリサ, Nilla, Sairenjii, Alexandro, Cintia Yuli e a Emi Leona ♥ 'Cêis são lindooos! E a fic ganhou a quinta recomendação! Muito obrigada, Niila, querida! Eu amei ♥ E também a Luna Valdez, parceira de escrita e amiga, que me ajudou com as inseguranças da vida ♥ Obrigada também ao apoio no grupo do facebook, fico lá atiçando vocês e sendo má XD Espero que gostem desse capítulo e que eu tenha conseguido suprir as expectativas de vocês com essa interação entre o casal principal... Boa leitura!

Capítulo 18 — Em cada detalhe

Nestor observou as luzes acesas na casa de Sebastian e suspirou. Parecia estar acontecendo alguma coisa por lá, e ele ficou sem coragem de descer do carro e chamá-lo para… Para conversar? Por que mesmo?

Viu uma movimentação pela janela e ouviu alguém dizer alguma coisa antes de bater a porta.

Os dedos apertaram o volante e ele ia pisar no acelerador quando viu uma figura pelo retrovisor. Muito parecida com aquele que o fizera ir até ali.

— Chegou em má hora, cowboy. — Martin se aproximou do veículo e se debruçou na janela, espiando cheio de curiosidade o que tinha ali dentro. Por o que raios poderia haver dentro de um carro, não é?

— É, eu percebi. — Nestor deu de ombros e encostou no banco.

— É um assunto sério e eu não quero ficar pra ouvir. — Não era o maior fã de complicações familiares, então… — Você podia me levar pra cidade. Tem uma bebida que eu quero experimentar e—

— Você não tem idade pra beber. 'Tá querendo me complicar? — Porque tinha que ser sensato por ali ou acabaria atrás das grades.

— Deixa de ser careta. — Martin torceu os lábios. — Eu logo faço dezessete e nem tive o meu primeiro porre. — Era vergonhoso, apenas. — Preciso de umas férias mais movimentadas. — Suspirou de maneira dramática e escapuliu para o lado do motorista, fechando a porta com força.

— Não tem geladeira em casa, não? — Nestor reclamou e o olhou feio. — E vai saindo. Vou voltar pra casa e procurar alguma coisa pra assistir.

— Que noite divertida, ein? — O adolescente implicou, mas colocou o cinto de segurança. — Tem um bar que eu quero conhecer. Não tem problema nenhum me levar lá.

— Pra quê? Pra eu me encrencar com um adolescente bêbado? — Não estava na fossa para considerar algo assim. Não mesmo.

— Cara — Martin levou a mão ao peito de maneira dramática. — , eu ouvi os seus uivos quando o meu primo te chutou, eu fui bacana e te apoiei, mas eu 'tô vendo que sou o único empenhado nessa amizade. — Suspirou. — E sempre acabo me ferrando. — Destravou a porta, mas ela logo foi fechada pelo cowboy.

— Amizade? — Nestor perguntou, desconfiado.

— Amizade, sim. — E por que não?

Era um fato que Nestor não tinha muitos amigos, tanto por sua personalidade mais retraída quanto por se empenhar no relacionamento que não deu em nada, mas uma amizade com aquele garoto de olhos puxados e sorriso travesso? Podia mesmo considerar aquela opção? Não era tão mais velho que Martin, mas os anos dourados da adolescência tinham passado e ele pouco os aproveitou, já que desde cedo precisou largar os estudos para trabalhar. Não era a pessoa mais divertida ou a mais falante, mas ter companhia, não seria nada mau.

— Avisou a sua avó? — Os olhos ainda estreitos, afinal, o garoto era primo de Sebastian, não precisava de muito mais para que desconfiasse dele.

— Disse que ia na cidade com um amigo. — Martin balançou os ombros. — Não são nem oito horas ainda. E foi ela mesma quem me expulsou. Disse que eu não posso ouvir tantos palavrões em uma única conversa.

— A dona Ema é uma figura. — Nestor virou o rosto para a janela, a tempo de ver as silhuetas de Sebastian e de uma mulher. — Tudo bem deixá-lo aí?

— Tudo bem focar na estrada e começar a dirigir? — O que era muito melhor. Estavam saindo para descontrair, mas o mais velho preferia pensar em quem não ficaria com ele. Martin estava ali para ajudá-lo com as dores do coração. Seus dezesseis anos trouxeram mágoas e muita experiência em relacionamentos.

— Essa amizade não vai dar certo se você for um filho da mãe mandão. — Nestor resmungou, mas colocou o carro em movimento.

— Vai dar certo se você obedecer. — Martin cantarolou, e em seguida buscou por alguma estação de música, iniciando uma briga com o cowboy por preferir música eletrônica em vez de country.

* * *

“Você ainda não fez nada.”

A frase pairou pelo ar e ondulou ao ritmo da respiração. Jackie não soube dizer se não fazer nada era algo muito ruim para uma primeira vez. Porque apesar de ser experiente no sexo, nunca havia cogitado fazê-lo com um homem. Podia se dizer que estava trêmulo, expectante com as descobertas, e não era como se estivesse livre de qualquer vergonha. Vergonha de fazer algo muito estúpido que poderia fazer o loiro perder o interesse a até cair na gargalhada.

Claro que sabia da própria beleza. Era um homem atraente e nunca faltou companhia ou mesmo uma namorada mais séria, mas era sempre ele quem chegava e conquistava, quem comandava na cama, embora as vezes gostasse que a parceira fosse mais ativa, era sempre ele a presença mais marcante, algo que não aconteceria por ali. Ao menos naquela primeira vez.

Victor era a presença marcante e experiente entre eles, e quando percebeu a diferença entre o garoto tímido que corava a cada frase e o homem sexy e maduro que estava sobre ele, ficou ainda mais ansioso e excitado que antes.

Os olhos verdes escurecidos, os cabelos feito uma cascata dourada e a boca vermelha e atraente, vermelha pelos beijos e mordidas que trocaram antes. Tudo o atraía com um magnetismo sem igual.

E quando tentou puxá-lo pelo elástico das calças irritantemente largas e desnecessárias – afinal, já estavam se olhando por longos minutos – recebeu novamente aquele sorriso e os lábios macios colados em sua orelha. O timbre rouco desceu em forma de arrepios pela coluna e eriçou todos os pelinhos.

— Iremos com calma, cowboy. — A língua percorreu o lóbulo de maneira lenta, combinando com a mão que deslizou do peito largo e desceu, sentindo os músculos retesarem na palma.

Tentava parecer seguro, claro, afinal, não era como se fosse a primeira vez que trocaria intimidades com um homem, mas fazia certo tempo, e queria que o interesse de Jackie somente aumentasse depois daquela noite. Fazer da primeira experiência dele com um cara algo ruim, não era uma opção.

E Jackie se mostrou a pessoa certa para que perdesse os receios e se entregasse mais.

— Eu quero fazer uma coisa. — Murmurou ao erguer o rosto e encontrar os olhos castanhos e brilhantes, olhando-o com admiração e expectativa. A mão que havia parado no abdômen musculoso, desceu para tocá-lo sobre a bermuda de tecido leve. Os dedos longos acariciaram o volume endurecido em uma tortura lenta e calculada. Não era como se nunca tivesse reparado naquela parte em específico, inclusive o pegou nu no primeiro dia de volta à Flor de Ouro e teve que aguentar às implicâncias sobre tamanho e outras coisas.

Bem, não reclamaria.

Já, Jackie, talvez…

— Ir com calma significa que nem vamos tirar as roupas? — A voz mais grave e entrecortada preencheu o quarto e fez Victor rir do semblante quase decepcionado. Estava gostoso, o clima, o toque, os olhares, mas... — Eu disse algo idiota? Disse né? — Ele próprio riu da fala.

— Vamos mudar isso. — Victor deslizou os lábios pela pele morena, beijando e mordendo o pescoço, passando para a clavícula, contornando o formato com a língua, enquanto o ouvia suspirar e apertar os dedos em sua cintura. O cheiro da loção de barba e sabonete, atiçando-o ainda mais. Era perfeito saber que não era o único ansioso para um contato a mais.

As mãos fingiram escorregar a bermuda no momento em que desceu os lábios para as elevações dos músculos no abdômen. Estava com as bochechas coradas, mas os olhos se focaram no rosto de Jackie quando ele se ergueu nos cotovelos. Uma bela visão com os cabelos caindo sobre o rosto. O cowboy soprou o ar em ansiedade ao vê-lo deslizar por suas coxas e puxar lentamente a bermuda para baixo, revelando a boxer cinza, marcada pelo volume excitado que quase escapava pelo tecido.

Novamente a ansiedade e o nervosismo fizeram o estômago borbulhar, mas os deixou de lado ao aproximar o rosto, ainda com os olhos pregados na ereção latente, mas desviando-os para encarar os castanhos escurecidos, deixando a língua tocar o contorno sobre o pano. Com o suspiro pesado que deixou os lábios do cowboy, um sorriso se desenhou nos seus.

Certo… Talvez estivesse admirado. Só um pouquinho. E louco para mais daquelas reações.

Desceu a cueca até a metade das coxas torneadas e deixou a boca próxima ao volume rijo, acariciando a pele sensível com a respiração pesada. Talvez estivesse mais que admirado, mas dizer algo a respeito, deixaria aquele homem ainda mais convencido e isso também não estava em seus planos. Experimentou o calor na palma da mão e, ainda de sobrancelhas arqueadas, encontrou o olhar divertido de Jackie a fitá-lo com certa presunção.

Não. Não havia nada demais ali.

E quando o cowboy pensou que sairia por cima com uma provocação que o loiro sabia muito bem sobre o que era, o fez perder o riso debochado ao envolvê-lo com os lábios quentes e úmidos, arrancando um grunhido e um movimentar de quadris ansioso que o fez voltar a sorrir.

A língua macia deslizou pelo comprimento e parou na glande, onde apertou os lábios e roubou mais gemidos de Jackie, que não pensou duas vezes antes de levar a mão até seus cabelos a apertá-los na raiz, enquanto a outra se embolava nos lençóis já amassados. Victor sabia exatamente como deixá-lo sem ar e com os batimentos cardíacos à níveis elevados. Mas logo afrouxou a mão no punhado de fios dourados e deixou que ele fizesse em seu próprio ritmo, permitindo-se apenas abrir os olhos e gravar aquela cena malditamente erótica, daqueles lábios cheios e vermelhos, afundando em si enquanto as íris verdes não deixavam as suas.

— Caramba! — Foi a única palavra coesa que conseguiu formar, mas caramba, era de longe o mais apropriado para o que sentia. Porque jamais pensou que seria tão bom e excitante ter intimidade com outro homem, mas bem, aquele ali era Victor, nem era para estar tão surpreso assim, já que o loiro era bom em tudo o que fazia.

E ele sabia. Victor tinha que saber as coisas que causava em si. E foi com uma exclamação agoniada, que o observou se afastar, perdendo o calor da boca molhada por alguns instantes. A respiração quente embatendo contra a região sensível quando o loiro o beijou na parte interna da coxa direita, arrastando o toque suave até os testículos, onde deixou a língua deslizar de maneira torturante, até ter novamente a ereção contra ela, arrastando-a preguiçosa por todo o comprimento, somente para abocanhá-lo uma segunda vez, levando o cowboy ao delírio em um gemido rouco que o fez endurecer ainda mais.

Os cabelos loiros caíram para frente, tocando as coxas morenas ao aumentar o ritmo, indo e vindo, deleitando-se com a voz grave que perdia-se em murmúrios e desmanchava-se feito vidro se partindo. Aquela voz que o arrepiava e fazia o coração dançar no peito, retumbando em uma serenata que chegava até os ouvidos. Estava encantado com as expressões de prazer que surgiam naquele rosto atraente e chegou a considerar a parte sobre irem com calma, mas logo descartou a ideia. Descobrir as coisas aos poucos, soava mais atraente.

Em um movimento rápido e felino, subiu novamente sobre as coxas torneadas e deslizou a blusa do pijama para fora do corpo.

O silêncio foi compartilhado nas respirações ofegantes e na falta de confiança que ainda existia.

— Decepcionado? — Embora um sorriso acompanhasse a pergunta, o receio era palpável. E se a resposta fosse positiva? Entraria em conflito ou fingiria que estava tudo bem? E a demora da resposta, o fez quase acreditar em um sim.

As mãos rudes do cowboy subiram pelas costas delineadas quando ele se sentou, afogueado com a onda de excitação. Os dedos se espalharam em toques quentes pelo corpo recém-descoberto. A pele suave e mais pálida do que a do povo do interior, o peito magro e os ombros mais estreitos. A falta de seios não o incomodou. Nem um pouco.

— Decepcionado com essas suas calças horríveis? — jackie perguntou em tom humorado. Havia até mesmo se esquecido de responder rápido. — Sim. E muito. — A boca tocou a garganta e subiu para o queixo, deixando um rastro vermelho e úmido. — Você é lindo. — O beijou de maneira provocante na orelha ao sussurrar a frase. — É perfeito. Em cada detalhe. — Os dedos percorreram os fios loiros, mas logo desceram para o cós das calças de flanela. Victor era tão singular, que até as roupas eram diferentes e não combinavam em nada com o clima de Santa Luz. — E não vou perder a oportunidade de falar da sua boca gostosa… — O tom malicioso e a frase, conseguiram deixar o rosto do loiro ainda mais corado. Uma graça.

— Você é tão abusado e desnecessário. — Victor espalmou as mãos no peito largo do cowboy e mordeu o lábio inferior ao ficar completamente nu. As maçãs ardendo por ficar tão exposto e pelos elogios recebidos.

O olhar castanho escurecido, queimou na nudez daquele corpo magro e que era capaz de fazê-lo gemer somente com o vislumbre dos contornos tocados à meia luz, e da pele branca e marcada por seus dedos que apertavam as coxas e cintura. Não havia dúvidas quanto ao desejo que aquele loiro despertava em si. Poderia compará-lo a um tornado, que chegava furioso e impunha suas vontades, deixando-o sem escolhas e perdido em sensações. E mal percebeu que sorria, o famoso sorrisinho de lado que sempre exibia ao implicar com ele.

E para Victor, como era preferível arrancar aquele sorriso sacana dos lábios de Jackie, uma de suas mãos desceu para envolvê-los e abraçá-los com os dedos, subindo e descendo em movimentos cadenciados que fizeram com que trocassem ofegos e gemidos baixinhos. O contato entre as ereções, enviando ondas de calor e excitação pelo corpo de ambos.

Jackie o beijou nos lábios, de uma maneira erótica que o deixou ainda mais entregue, naquela troca de carícias que já era suficiente para tirá-los de órbita. Os dedos se apertaram nos cabelos compridos enquanto a outra mão escorregou para a nádega direita e a deixou marcada com o toque forte, juntando mais os corpos, embalados pelo som molhado do beijo que quebrava o silêncio do quarto.

Victor deu espaço para que a língua quente o tocasse no pescoço suado e gemeu no ouvido do cowboy, fazendo-o mordê-lo a ponto de deixar uma marca vermelha em sua pele, o que não importava no momento. Sentia o corpo palpitar de excitação, o coração acelerado e a respiração difícil. Sentia tudo e muito mais, e teve a certeza de que Jackie se sentia de igual maneira.

As sobrancelhas franzidas e os olhos semicerrados e as tentativas de conter a voz nos lábios entreabertos. A respiração cálida contra a sua pele arrepiada e a entrega que partilhavam. Ele se apoiava em si assim como se apoiava nele.

A cabeça pendeu para trás e os cabelos dançaram às costas arqueadas quando o mundo pareceu explodir em cores e jorrar. Não saberiam dizer quem havia alcançado o orgasmo primeiro, mas Victor afundou a língua na boca de Jackie, ainda trêmulo e incendiado, deixando as unhas curtas marcaram a pele dos ombros, agarrando-se a ele como se fosse cair.

As sensações escorrendo feito água ao passo que as respirações se normalizavam.

— Isso… Isso foi bem intenso. — Jackie teria assobiado, mas faria muito barulho e lembrou-se somente naquele momento que estavam no casarão. E por que estava preocupado com os barulhos, agora?

— Foi… — A voz baixa e sorridente foi o que veio de Victor quando ele deitou a cabeça no ombro do cowboy, deslizando os dedos pelo peito suado e marcado por suas unhas. Que grande passo aquele.

— E depois vem o quê? O “ir com calma” ainda 'tá valendo?

O rosto do loiro se ergueu e foi impossível não rir, mas o riso veio acompanhado de um tapa no ombro.

— Está valendo, sim, cowboy. — O beijou rápido nos lábios e o empurrou de volta para o colchão.

Jackie o observou por uns momentos; os olhos fechados, um sorriso leve e os fios loiros espalhados pelo travesseiro. Tão lindo e perfeito, que sentiu o peito aquecer por saber que era o motivo daquele sorriso. Não, não era somente por isso.

Não resistiu em somente ficar olhando, o abraçou na cintura e o ouviu resmungar algo sobre ele ter que voltar para o quarto, mas o ignorou e procurou os lábios para roubar mais um beijo. E outro. E outro.

Ficaria só o tempo de descer das nuvens e ter vontade de se levantar. Ou vontade de repetir.

* * *

O barzinho chamava-se O Coyote, e era frequentado por uma galera em busca de se distrair com música e o famoso hambúrguer de três carnes. Sem falar na bebida atraente e cheia de cores que todos sempre pediam de entrada.

Martin parecia uma criança quando via doces em alguma doceria cheia de fru-frus. Estava sorridente e tagarelando um bando de palavras atropeladas que Nestor mal conseguia entender. E se fosse considerar, ele ainda era uma criança.

— Se for tão gostoso quanto é bonito, nossa!

A atenção do cowboy foi chamada por aquela frase, no mínimo estranha, mas sentiu alívio e até mesmo graça ao ver ao que ele se referia.

— Isso não é pra crianças. — Afastou a taça de líquido colorido e com um guarda-chuva enfeitando.

— Nem vem! — Os braços se cruzaram feito um garoto birrento e a expressão se fechou. — Não vem atacar de moralista comigo, não! Isso aí quase não tem álcool! — Escandalizou e fez gestos com as mãos.

— Vamos dividir. Não vou carregar um filhote bêbado e correr o risco de entrar pra lista negra da sua avó. — Seria um terror caso acontecesse.

— Dividir? Tipo um casal? — Martin desconfiou e estreitou os olhos puxados, mas pulou para a cadeira ao lado do mais velho.

— Tipo gente normal que divide as coisas. — O cowboy deu de ombros. Casal? Ele estava fora de qualquer relacionamento, só consideraria se fosse um relacionamento com o primo do garoto. — Deixa de ser chamativo e pega logo um canudo.

— Isso parece um pouco com A Dama e o Vagabundo, mas sem o beijo e o macarrão. — Os comentários do adolescente, eram sempre um pior que o outro.

— Sossega, garoto. — Já começava a ter noção da burrada que havia feito ao tê-lo trazido até a cidade. Não servia pra ser babá.

Martin torceu os lábios e pegou um canudo no suporte sobre a mesa. Tentou entortá-lo e deixá-lo charmoso como o outro, mas falhou, contentando-se apenas em sugar o líquido doce e com um leve sabor de álcool e frutas. Era delicioso e ele tomaria uma garrafa cheia!

Nestor balançou a cabeça para os modos exagerados do adolescente. Logo roubou a taça e riu da expressão dramática e desolada que recebeu. Já havia experimentado o drink algumas vezes, mas sempre com as conquistas da noite.

— Vê se não vai beber tudo. Ainda não 'tô vendo dois de você e não tem nada girando. — Para que beber se tudo continuaria como sempre?

— Você é hilário. — Nestor deixou um pouco para que ele terminasse a bebida e não ouvisse mais nenhuma reclamação.

— E você é um cara chato e mal humorado. — Martin rolou os olhos. — Mas então? Posso te fazer uma pergunta? Meio íntima. — Tamborilou os dedos na taça. Não conseguia ficar quieto.

Nestor se ajeitou na cadeira e fez a melhor cara de quem espera pacificamente uma bomba cair. Estava demorando…

— Tenho a opção de não responder? — A única opção...

— Se não quiser. — Martin balançou os ombros ao sugar a última gota do drink, fazendo barulho com o canudo.

— Então vai. Pergunta. — E não precisou pensar para tomar o canudo que parecia mais com um instrumento irritante de tortura aos bons modos.

— Você só pega homens? Ou pega mulher também? — E foi assim, na lata, porque rodeio não era com ele.

— E por que isso agora? — Nestor não estava desconfortável, mas que perguntinha mais certeira aquela.

— Sabemos tudo sobre os amigos, e só me bateu a curiosidade mesmo.

Nestor considerou aquela parte. Era tudo sobre a idealização da amizade. Certo, novamente, por que não? Deu espaço para que a moça que servia as mesas ajeitasse os pratos com os pedidos de ambos e suspirou.

— Gosto de pessoas. — Respondeu por fim, vendo o garoto atacar as batatas fritas. — Geralmente me interesso pelo humor e conteúdo, não fico pensando se é homem ou mulher. Só basta me atrair.

— Interessante. — Martin comentou de boca cheia. — Eu só gostei de uma garota, mas não foi recíproco e ela me trocou pelo carinha atlético do colégio. Vida que segue e eu vim parar aqui. — Enfiou mais um bocado de batatas na boca, lotando o prato com molho. — Eu não sou tão popular assim com as mulheres. — Rodou os olhos. E nem entendia o porquê, já que era bonito, inteligente e tinha um charme de fazer qualquer uma se derreter.

— Já tentou falar menos? — Nestor implicou. — Pode ser isso.

— Imagina se eu não falasse? A gente ia ficar um olhando pra cara do outro feito dois idiotas. — O que era bem óbvio, visto que o mais velho soltava uma implicância a cada cem anos. — Eu posso repetir? — Soltou o disparate ao dar a primeira mordida no hambúrguer.

— Se tiver estômago pra isso… — Porque parecia quase impossível um garoto comer aquilo tudo e ainda repetir. Ele havia ficado somente com a porção de queijo e salame. Estava leve naquela noite.

— Vamos apostar? — Martin estendeu a mão. Só faltava ter molho no cabelo, porque de resto…

Parecia que Nestor deixava de agir feito o adulto que era e entrava nas jogadas do adolescente, claramente sem perceber. Passaram boa parte do tempo conversando em uma espécie de interação maluca.

No fim, talvez pudessem realmente ser amigos, mesmo depois de Martin vomitar no tapete do carro.

Notas finais
Link do grupo: https://www.facebook.com/groups/290101211509775/?fref=ts Eu dei uma betada meio por cima, caso encontrem muitos erros, podem me dar um toque que eu logo corrijo XD E ENTÃO? Como ficou isso aí? Espero que tenha ficado bom, sou uma negação pra fazer o casal se pegar, sério... Bom, tivemos esses lindeusos e o Martin e o Nestor, fofos né não? Tô bem atrasada com os comentários, mas prometo logo chegar em todos vocês pra responder *3* Bjuss e até os próximos!