Cavaleiros Iluminados: Luz E Sombras
3 Capítulo 2 - Despertar de uma nova força
Notas iniciais
O bosque a qual Luke fora encarregado de proteger mal podia ser assim chamado, pois não transmitia nenhum tipo de vida, não se via animais, era apenas um amontoado de árvores secas com galhos retorcidos e alguns pequenos pontos de vegetação rasteira, qualquer pessoa diria que aquele local estava morto há muito tempo. O vento que encobria o local era cortante e gélido, podendo acabar com o entusiasmo de viver de qualquer tipo de ser vivo, este causava um movimento nos galhos das árvores, causando inúmeros barulhos.
Perto do local indicado no mapa havia um antigo templo, que pelo estado em que se encontrava não era frequentado a décadas, isso se não há séculos, as paredes foram tomadas por plantas que subiam por toda a estrutura, rachaduras percorriam o templo de ponta a ponta, o estado do local era deplorável. E pensar que ali já fora um local de adoração aos Deuses.
Analisando a posição que ele e seus homens teriam que defender pelas próximas horas, Luke se mostrava cada vez mais preocupado.
—O que houve Luke? — Perguntava o sargento de seu pelotão.
—Não estou nada feliz com a situação. —Disse secamente enquanto descia de seu cavalo. —Existem muitas árvores aqui e o inimigo pode usá-las para ocultar a sua chegada. —Luke tentava mentalizar algum plano para contornar a situação adversa quando foi interrompido com a chegada de um mensageiro.
—Sir Luke! Sir Luke! —Exclamava o jovem mensageiro. —a Princesa Marjorie me mandou avisar o senhor que um número além do esperado de soldados do reino de Darkness cercou o castelo, eles são entorno de 1000 homens. —dizia ofegantemente o jovem. —Eu quase não consegui chegar até o senhor.
Ao ouvir tais noticias Luke já estava pronto para ordenar a volta de sua tropa ao castelo para proteger as muralhas do mesmo, mas antes que pudesse tomar tal atitude o mensageiro tornou a falar.
—Existem ainda mais noticias alarmantes, senhor! —exclamava com grande temor.
Nesse momento o mensageiro não sabia se estava com mais medo das ameaças do inimigo ou de estar dando péssimas noticias a Luke Adaliah, um dos melhores cavaleiros do reino e também de atitudes frias durante as batalhas.
—Os batedores que estavam encarregados de vigiar essa região enviaram o sinal para a princesa. —dizia pausadamente devido o cansaço. —Foi avistado uma tropa de 50 homens, 150 orcs e 3 gigantes vindo nessa direção.
Ao ouvir tal noticia Luke começou a distribuir ordens.
—Homens, preparem-se! Arqueiros para retaguarda! Infantaria tomem suas posições! —o jovem comandante estava tenso, pois sabia que seria uma feroz batalha.
Suas tropas eram compostas por 30 arqueiros e 70 espadachins, numero que dificilmente suportaria o ataque de 150 orcs, ainda mais contando com mais 50 soldados humanos e 3 gigantes.
—Eu preciso saber a que distância eles estão daqui!! —Luke fala rispidamente com o mensageiro.
Mas não houve tempo para responder, uma flecha passou zunindo centímetros da cabeça do frio cavaleiro e acertou em cheio a garganta do mensageiro que caiu agonizando no chão enquanto se afogava em seu próprio sangue.
Então Luke montou em seu cavalo, desembainhando sua espada de médio alcance com cruzeta de couro muito rígido e o brasão da família real esculpido nele. Gritou para todos os seus soldados ouvirem:
—Por nossas famílias, por nossas terras e por Backlit! —então ele junto com sua infantaria partiu em direção as bestialidades de Darkness.
A batalha era intensa, o tilintar dos encontros das espadas era atordoantes. Sangue e membros eram jogados ao chão, gritos e mais gritos de dor ecoavam pelo campo de batalha. O jovem cavaleiro ordenou:
—Arqueiros! Atirem nos gigantes!!
Luke demonstrava o porquê de ser considerado o melhor cavaleiro do reino.3 orcs tentavam matá-lo, mas não seriam meros orcs que o matariam. Ele balançava a espada com grande maestria, conseguia lidar com vários inimigos ao mesmo tempo. Bloqueou um golpe lateral, forçando o encontro de sua lâmina contra a do inimigo instantes antes desta lhe golpear, evitando o ataque. Imediatamente percebeu outro vindo por trás de suas costas, e desviou fazendo o golpe acertar o primeiro orc com quem lutara momentos atrás, fazendo este cair morto com a lâmina enterrada em seu crânio. Luke contra-atacou e em um golpe na vertical, rasgando o abdômen do segundo orc, fazendo com que as vísceras fossem ao chão.
O terceiro orc veio correndo em sua direção, e golpeou pela direita, por cima do ombro, de baixo para cima, mas nada conseguia quebrar a sólida defesa do jovem cavaleiro. Então em um movimento giratório com a espada, fez com que a lâmina de seu inimigo ficasse presa entre seu tronco e braço, sabendo que não tinha muito tempo para aproveitar a chance de ataque, Luke sacou com a mão livre a sua adaga e perfurou o coração do orc, que caiu morto.
Um grupo de soldados darknessianos humanos vieram em sua direção, mas como eram mal treinados e não possuíam nenhuma força descomunal como os orcs foram facilmente aniquilados pelo cavaleiro.
A batalha estava indo mal, grande maioria dos soldados de Backlit estavam mortos ou feridos. Luke subira novamente em seu cavalo e estava indo em direção a um dos gigantes, mas devido ao alto barulho da batalha não viu a presença de um gigante alguns metros de distância.
O monstro percebendo a falta de atenção do mais forte soldado de Backlit, lançou seu enorme porrete em direção do bravo cavaleiro. Devido às inúmeras flechas que o gigante tinha cravado em seu corpo este perdeu o equilíbrio no último instante. Portanto sua arma caiu alguns metros longe de Luke, porém, o ataque fora tão forte que o chão ao redor da zona de impacto se transformou em uma enorme fenda e causou a queda do cavaleiro.
Luke estava caído no meio de inúmeras pedras que desabaram por causa do poderoso ataque do gigante. Seu rosto estava sangrando devido à queda.
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-Malditos gigantes...A única coisa para que servem é abrir buracos. — Esbravejava o cavaleiro. Luke procurava um caminho para sair dali, mas a fenda que se formara era muito profunda. “Este lugar está parecendo um santuário” -pensava consigo mesmo. —Pelo visto não há como eu voltar para superfície por ali.
Então Luke percebeu que alguns metros atrás havia uma espécie de caminho. O cavaleiro pegou uma tocha que parecia que há muito tempo não era usada. Após alguns momentos tentando acender o fogo, ele finalmente conseguiu fazer a tocha começar a queimar para então começar a explorar a espécie de santuário.
Era um lugar escuro e úmido, uma aura negra parecia envolver o lugar. As paredes tinham sido infestadas por musgo, mas em alguns lugares dava para se enxergar escritos que estavam meio que apagados devido ao tempo. Era uma linguagem diferente, que tinha sido proibida há muitos séculos atrás, este era o idioma dos magos. Estava escrito na parede: ”Periculum! Abite! Hic iacet armatura tenebrarum”.
Luke não sabia o que aquilo significava, pois nunca havia estudado os idiomas dos magos. Mas algo parecia chamar Luke, ele se sentia atraído por algo que deveria estar no fundo do templo, como se o chamasse.
Chegando ao fim da trilha antiga, Luke olhou para cima e vê uma armadura negra como a noite. O mais estranho era que em volta desta existiam 3 tochas que estavam acesas por chamas negras que iluminavam ao redor. A armadura estava montada e com as mãos em cima de uma espada fincada no chão.
O cavaleiro quando a viu se sentiu mais atraído ainda, parecia que a armadura clamava pela sua vinda. Vozes voltaram a surgir na cabeça de Luke.
- “Libertinos libertinos.” — ecoava na cabeça do jovem.
Luke estava praticamente hipnotizado, ele segurou na espada de lamina negra e brilhante. No instante em que colocou a mão na espada, as 3 chamas negras saíram das tochas e envolveram o cavaleiro.
Estava tudo escuro, Luke não conseguia enxergar nem a 2 metros a sua frente. Mas de repente 3 vultos começavam a se formar em meio a total escuridão.
-Olá jovem cavaleiro, suponho que você deve ser Luke Adaliah? —um dos vultos indagava com voz calma. — Eu sou Tjark, e esses são Waldheri e Wolfgang. — dizia enquanto apontava para os outros 2. -Nós somos as almas mágicas da armadura.
—Então garoto, nós estamos presos aqui há muito tempo. O que acha de nos libertar? —dizia Wolfgang um pouco ríspido.
Luke tentava manter o controle, ele já ouvira lendas sobre almas mágicas que foram aprisionadas por serem muito perigosas.
—Wolfgang! Tenha paciência! —falava Waldheri. -Temos que explicar a situação ao jovem guerreiro. Luke, certo? Nós somos 3 almas mágicas que foram aprisionadas nesta armadura que a principio fora construída para lutar contra o reino de Darkness. Mas devido ao nosso enorme poder fomos aprisionados aqui. – explicava.
—Nós não queremos criar nenhum mal, apenas queremos ser livres e se você concordar em nos libertar então daremos a você todo o nosso poder. —dizia Tjark. —O que você me diz, nós só queremos ajudar.
Luke pensava, sabia que a guerra contra Darkness estava sendo difícil e que enorme baixas ao exército ocorria enquanto eles conversavam. Enfim o cavaleiro tomou sua decisão.
—O que eu preciso fazer para libertá-los de seu cativeiro?
As 3 almas estavam extremamente satisfeitas.
—É simples. Permita-nos fundir nossas almas com a sua. —dizia Waldheri.
—Igual ao que ocorre para consagrar um cavaleiro com a armadura iluminada? -perguntava Luke.— Isso, mas nós somos muito melhores do que aquelas armaduras de crianças.—dizia zangado Wolfgang.
—Esta é sua ultima chance de escolher, você aceita então fundir sua alma conosco? O nosso poder será seu, sua força e agilidade serão aumentadas, você terá o controle de nossa magia e seu olho direito ficará com a cor vermelha para simbolizar a nossa presença. —afirmava Tjark.
—Aceito, com o poder de vocês o poder de Darkness será derrotado. —respondia Luke com convicção.
—Então que assim seja feito e que nossas almas se fundam e sejam uma só. —as 3 almas falaram juntas.
Assim as 3 almas negras envolveram o corpo de Luke, fazendo-o parecer estar num nevoeiro sombrio. Após dissipado tal nevoeiro, Luke estava vestido com a armadura negra só que esta agora ganhara adornos de cor vermelho sangue e empunhava a espada negra que também passou a ter detalhes na mesma cor.
Assim como as Almas Mágicas disseram, o olho direito de Luke, antes castanho claro, agora era vermelho.
—Vai começar. —rosnava Luke que partira em direção a saída indicada pelas almas que agora faziam parte de sua existência.
Continua no próximo capitulo
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