Cavaleiros Iluminados: Luz E Sombras
2 Capítulo 1 – Rumo ao Castelo Ackerley
Notas iniciais
Boa leitura
A luz adentrava na sala do trono, graças a um enorme vitral que formava a imagem de um leão majestoso em cor azul clara como o céu. O Rei Allister nela se encontrava, impaciente por sinal, andava de um lado para e várias vezes olhava para a porta de entrada, que era feita de carvalho e para sustentá-la existiam dobraduras que eram extremamente brilhantes.
—Onde eles estão?—gritava com seu escriba oficial.
O Escriba estava com os nervos à flor da pele, pois conhecia o gênio forte de seu Rei. —Acredito que eles já devem estar chegando Majestade.
O Rei odiava ter que esperar e não suportava o fato de quem estava fazendo isso eram seus próprios filhos.
As portas começaram a se abrir e de dentro delas apareceu um rapaz por volta de seus 22 anos, alto aproximadamente com 1,80m, com cabelos castanhos e compridos. Ele vestia uma armadura cinza brilhante, no peito o símbolo oficial do reino: um leão na cor azul. O rapaz se aproximou e se anunciou.
—O senhor mandou me chamar meu Rei?
O Rei Allister respondeu com certa irritação.
—Sim, eu mandei te chamar Luke, mas onde está seu irmão?—ao reparar a ausência de seu filho mais velho este se irrita ainda mais.
Luke odiava essa enorme dependência de seu pai de sempre necessitar da presença de seu irmão Matthew para fazer algum tipo de comunicado ou para ordenar algum tipo de missão para eles.
—Ora meu pai, o senhor sabe muito bem como é o Matthew, ele sempre sai pela manha para visitar uma das inúmeras moças que se encantam pela lábia dele. —informou Luke que demonstrava poucas emoções, ele odiava ter que fazer os relatórios sobre as peripécias de seu irmão.
—Tem horas que eu não sei em que tipo de mundo Matthew vive afinal ele é um dos Cavaleiros Iluminados. —Allister tentava compreender o que se passava na cabeça de seu filho mais velho.
A cada momento que se passava Luke demonstrava-se ainda mais desconfortável, pois por mais que ele fizesse as coisas certas e fosse rígido com todas as ordens, nunca parecia agradar a seu pai. O Rei que já estava farto de esperar decidiu falar sem a presença de seu querido filho mais velho.
—Bem, vamos direto ao ponto. Luke, eu quero que você e seu pelotão sigam para o castelo da família Schmitt. —continuou o monarca. —Parece que eles estão enfrentando problemas com alguns soldados darknessianos, por isso você deve ir para lá e controlar a situação. —Allister toma mais fôlego para terminar, já que seus ataques de tosse eram frequentes nessa época do ano. —Ao completar esta missão, você escoltará a princesa de lá até a nossa capital Briliant.
Ao receber tais ordens Luke achou um tanto quanto estranho.
—Mas pai, os Schmitt tem um exército suficiente para repulsar os soldados de Darkness.
O Rei se enfureceu ao pressentir certa ameaça de desobediência de seu filho.
—Pouco me importa sobre isso. Eu estou ordenando a você que vá até lá e acabe com todos os darknessianos que pisarem lá. Afinal não foi para isso que você fora treinado desde os 5 anos? —parecia que a cada palavra, Allister ficava mais zangado, ele não tolerava ser questionado, ainda mais se fosse aquele que falhou em ser escolhido como dono de uma das armaduras sagradas.
Luke controlou toda a sua raiva e ódio que sentia no momento, se não fosse pela memória de seu querido avô, John IX, ele sacaria a espada e decapitaria o Rei.
—Me perdoe Majestade, prepararei imediatamente meus soldados e partirei para as terras dos Schmitt.
Antes mesmo que o sol chegasse ao ponto mais íngreme do dia, Luke partiu com seu pelotão rumo ao Castelo Ackerley que pertencia a Familia Schmitt. A viagem era longa, o castelo ficava cerca de 4 dias a cavalo, para fazer o trajeto o mais rápido possível Luke ordenou:
—Sem descanso soldados, temos ordens a cumprir, o Reino de Backlit precisa de nós. Ao longo do caminho passavam por diversas vilas, e durante a estadia na última vila antes do castelo Luke teve um sonho tanto quanto estranho. “Libertinos, libertinos... porque você serve a este Rei? Apenas por seus laços de sangue? O passado já não mostrou que sangue não quer dizer nada”.
Ele acordou atordoado com aquilo que sonhou.
—O que foi isso que aconteceu? —Perguntava a si mesmo. —Quem eu devo libertar? A escravidão há muito tempo fora proibida. E o que significa “sangue não quer dizer nada”? —O cavaleiro bem que tentou voltar a dormir, mas foi em vão, aqueles pensamentos não saiam de sua cabeça. —Ahh, não adianta fica aqui parado. — resmungou Luke.
Estava quase amanhecendo, o sol começava a iluminar os campos que estavam cobertos pelo orvalho da noite que se passara, causando uma maravilhosa visão. Aquela poderia ser uma das últimas belas visões de alguns soldados, pois chegariam ao castelo antes do meio dia e em breve estariam lutando contra os soldados inimigos. Graças a isso muitos aproveitavam ao máximo já que não sabiam se teriam outra oportunidade.
Como Luke previu, eles chegaram antes do meio dia. Suas tropas se posicionaram no pátio do castelo e ele foi ao encontro do Lorde Meredith Schmitt. Ele subia as longas escadas do castelo até a sala do trono.
Era um castelo muito bem decorado, havia bandeiras com o brasão da família, cabeças de cervos nas paredes, e o que mais lhe chamou a atenção foi uma espada, esta que possuía uma lâmina curvada, o punho dourado e parecia ser feita de algum metal precioso, mas daquela distância não era possível saber.
Não era uma espada para perfurar o inimigo, claro que esta podia fazê-lo, mas quem quer que a empunhasse teria mais sucesso se golpeasse o inimigo rapidamente causando grandes estragos. Mas Luke não pode observar por muito mais tempo, pois era necessário a sua apresentação ao Lorde para que então recebesse suas ordens de guerra.
Subiu o resto das escadas e empurrou as portas de carvalho maciço. A sala do Lorde era sofisticada, afinal os Schmitt eram uma das famílias mais ricas de todo o reino. Bustos dos antepassados da família enfeitavam o caminho até o trono, cortinas da mais fina seda enfeitavam as janelas da sala, encima do trono havia um escudo e uma espada que continham o brasão da família, uma águia em pleno voo.
Adentrando na sala o príncipe de Backlit se surpreende.
—Onde está o Lorde Meredith? —indagava o sério cavaleiro.
Ao ouvir tal pergunta, uma pessoa que discutia planos com outros cavaleiros e vestia uma armadura com malhas de ferro no peito, mas não havia nenhum tipo de proteção para as pernas a não ser uma calça de couro claro virou-se e se pôs em direção ao mais habilidoso cavaleiro de todo reino. Ao perceber quem era Luke não consegue acreditar.
—Já estava na hora de aparecer, apenas porque você é da realeza não quer dizer que tem o direito de se atrasar! — falava com certa rispidez a jovem de entorno de 21 anos, com cabelos castanhos claros chegando quase ao loiro e de olhos de mesma cor.
Luke ainda um tanto perturbado com a cena nada respondeu o que causou ainda mais mau humor na jovem.
—O que houve? Algum Orc cortou sua língua em batalha?
Luke finalmente saiu do choque e respondeu ao mesmo nível, jamais deixaria alguém que não fosse o rei tratá-lo de tal forma.
—Com quem você acha que está falando?! Eu sou Luke Adaliah, filho do Rei Allister soberano de toda a terra de Backlit. Quem é você para falar assim comigo?
A jovem parecia nem ligar para o que o rapaz acabara de dizer.
—Eu Marjorie Schmitt, princesa dos reinos antigos e estou no comando da defesa do castelo. — Já antecipando a possível pergunta do cavaleiro, Marjorie logo emenda. —Meu pai por motivos de saúde teve que se retirar para nosso castelo de verão perto da Vila de Melville. —A jovem continuava sem dar chances ao filho mais novo do rei. — Você e seus homens devem ficar neste bosque perto das ruínas deste antigo templo. Não quero ouvir mais nada! Vá logo porque não temos tempo a perder.
Luke viu que a jovem princesa era teimosa demais e de nada adiantava tentar discutir. Ele então pega o mapa da jovem donzela, que não tem lá muitas características de donzela, e parte em direção aos seus soldados.
Apesar de novo, Luke controlava e muito bem suas tropas, todos sabiam de sua fama, afinal ele era considerado um dos mais impiedosos cavaleiros do reino, isso se não fosse o pior, seus homens provavelmente tinham medo de provocarem a ira de seu comandante e sofrerem castigos.
Chegaram ao local indicado pelo mapa que a princesa Marjorie tinha entregado.
Era um local de clima fúnebre, como se algo ruim estivesse dentre as árvores e ruínas daquele local que parecera ter sido esquecido por todos.
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