Cavaleiros Do Zodíaco - Reality
2 Capítulo 2 - Relíquias do Passado
Notas iniciais
Semanas se passaram, as aulas recomeçaram e meu treinamento ficava cada vez mais pesado na medida do possível, claro. Antes o treinamento era básico: Tentar flutuar em posição de lótus o máximo de tempo possível, quebrar pedras com o poder da mente, ficar equilibrado na ponta do dedo indicador em cima da antena – esse era feito de noite para ninguém perceber.
E por incrível que pareça meu pai me dava apoio tanto nos estudos, quanto no treinamento e eu não entendia o por que.
Para quem não sabe o nome do meu pai é George, ele é historiador, sabe muito sobre a história mundial e o tema preferido dele são as guerras. Ele fala cinco línguas: Inglês, Francês, Português, Grego e Japonês, – entende Mandarim, mas ele fala que não considera ser fluente – já viajou muito. Desde Suíça à Nova Zelândia. Teve várias aventuras, muitas delas verídicas, outras... Nem tanto. A maior delas, segundo ele, foi conhecer a minha mãe, por incrível que pareça.
A história é mais ou menos assim: Em uma noite lá estava eu saindo do American Museum of Natural History e andando tranquilamente me dirigi ao restaurante mais próximo. Era 19:00 horas, estava com fome. Não tinha muito dinheiro apenas suficiente para um bom jantar. Mas eis que uma moça me chama atenção. Ela vestia um vestido azul claro com branco e meia-calça branca, tinha cabelos loiros pouco abaixo do ombro e balançava as pernas num ritmo que me fascinava. Eu, um historiador de 20 e poucos anos o que poderia fazer? Meus assuntos eram chatos, minha aparência mesmo sendo simpática, era tímida. Mas eu decidi ir até lá, sentei ao lado dela e falei: “A senhora já foi à Grécia?” Ela me olhou de uma forma um tanto gozada, abaixou a cabeça e riu. Eu me senti um bobo, constrangido... Aliás, quem seria o infame que perguntaria tal estupidez? Tentei me concertar, virei e falei: “Me desculpe por incomodar, boa noite” E quando eu ia me levantando ela segurou meu braço e falo: “Não, nunca fui à Grécia, poderia me contar como é lá?” E então, tudo correu normalmente. Conversamos até o restaurante fechar, mesmo chato as minhas conversas ela não se cansava e não dizia nada de ruim. Ficamos nos encontrando por vários dias, e semanas se passaram, meses até noivar e nos casarmos. Ela sempre riu de todas as minhas piadas e eu nunca pude levar ela à Grécia.
E foi assim que meu pai me contou. Ao término da história ele ria e chorava, era triste, mas, era uma bela história...
Então numa noite, estávamos deitados no quintal, vendo as constelações: Ursa maior, Ursa menor, Pégaso, Andrômeda, Serpentário... E claro os zodiacais: Virgem, Câncer, Capricórnio, Escorpião... E perguntei:
- Pai por que me ajudas tanto?
- Por que a pergunta, Luí? – falou ele olhando a estrela Aldebaran, da constelação de Touro.
- Por que o senhor foi muito passivo, aceitou tudo de maneira boa, como se não houvesse surpresas.
- Ah Luí – ele suspirou – eu vou lhe contar uma história que aconteceu, pouco antes de você nascer.
- Hun. – concordei
- Sua mãe já tinha seis meses de gestação e tinha várias complicações, ela sempre acreditou que era um bom sinal, pois pensava que você queria nascer mais rápido. A verdade é que ela não ia aguentar até o término da gestação e quando deu oito meses a bolsa estourou. Ela falou: “Amor, vamos para o hospital” Eu guiei o carro até lá o mais rápido possível. Colocamos ela na maca e ela segurou minha mão, ela já sabia que não ia aguentar, mas falou: “O nome dele vai ser Luí, cuide bem dele, ele tem uma grande tarefa. Torne dele um verdadeiro homem” Eu sinceramente não entendi que grande tarefa era, mas não levei muito em consideração, o momento era para salva-la, mas ela não conseguiu resistir.
- Então, ela sabia que eu iria me tornar um cavaleiro?
- Sim
- E te avisou?
- Sim
- Hun... Agora tudo faz mais sentido. E esse era o desejo dela?
- Era. Ela sabia e queria isso para você.
- Hun, obrigado pai.
Então me levantei e fui para o banho, decidi naquela hora realizar o último desejo de minha mãe. Decidi me tonar o mais forte cavaleiro já visto, sem se importar com os obstáculos. Proteger toda a cidade e um dia enfrentar Hades, algumas coisas tenho a acertar com ele. Mas até lá, há muito tempo.
Fui para a minha cama, adormeci, amanhã tinha prova de matemática, era bom estar relaxado.
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