Notas iniciais
Primeiro quero me desculpar e agradecer a todos os leitores que leram até o capítulo anterior, seus comentários me deixaram muito feliz. Saibam que a fic ficou paralisada por eu estar com uns problemas e ainda tive um bloqueio da forma de como continuar. Espero que leiam e gostem^^.

*

*

A lua cheia atingia seu estado mais alto, brilhando cada vez mais, escondendo cada cratera. Era fácil imaginar que nem existisse um lado sombrio por trás dessa luz.

Hinata estava bem no centro do reflexo da lua. Suas pernas estavam cobertas pela água salgada e pesada do mar, seu vestido flutuava na superfície liquida e seu cabelo seguia o movimento do vento animado, mas o véu não saia do lugar.

Mais uma vez estava diante dos regentes, mais uma vez estava escolhendo o que é certo. Nunca mais cometeria o mesmo erro duas vezes não iria de novo desapontar a todos em nome do seu maior desejo, ser o que todos esperam é seu dever e iria cumpri-lo.

A brisa fina de sal fazia cócegas em suas narinas e agora, como todos os presentes, estava a espera dela. De Lua Branca.

A mesma não tardou.

Parecia sair da própria lua. Seu corpo esbelto era coberto por um quimono de princesa, perfeitamente arrumado e carregado de tecidos extravagantes; com um véu fino lhe cobrindo os ombros e as mangas da roupa flutuando ao vento; seus cabelos eram da cor da própria lua – um amarelado pálido – e seu rosto pequeno era sério. Seus olhos, igualmente perolados aos de Hinata e totalmente frios encarando a mesma. Toda ela parecia reluzir, parecia totalmente branca no contraste com o céu negro e sem estrelas.

– Foi feita a escolha. – disse pausadamente com a voz melodiosa. – Sem erros desta vez, bastarda. – semicerrou seus olhos, ainda vidrados em Hinata, estudando cada mínima ação e reação da morena. Não sentia nenhum remorso pelo insulto, pois era verdade.

Na mente de Lua Branca, a filha de um erro só cometerá erros. E isso foi comprovado anos antes.

– Não irei! – Hinata disse no tom mais alto que conseguiu. – Não repetirei o que houve 27 anos atrás! – todos sentiram a convicção de suas palavras, eliminando todas as dúvidas.

– Comece! – foi uma ordem. E o pequeno diálogo foi encerrado.

*

***

*

– Ora, ora, ora... – A voz masculina e convencia soou baixa, mas, uma rosada e uma loira, ouviram perfeitamente.

– Pela Deusa! – praguejou Sakura.

– Humano! Humano! – Ino via uma das maiores ameaças da sua espécie.

Os olhos ônix de Sasuke pareciam rir com a cena: Via a bruxa captura contorcida com leves arranhões recentes pelo atrito com as rochas e uma sereia ressecando, tentava, inutilmente, com uma pequena adaga cerrar as correntes. Via a ingenuidade boba por pensarem que seria fácil arrebentar o puro ferro vindo da própria aldeia mineradora no sul do país do Vento.

– minha sorte só aumenta. – um sorriso, talvez sombrio, se formou. – não só uma bruxa, não, não, uma seria também. – Sasuke se aproximou lentamente.

Ino, ao invés de se arrastar para as águas e fugir, deu um jeito de se por na frente da bruxa, não deu para evitar de ter suas escamas arrancadas pelas irregularidades pontudas do chão. Um ato quase emocionante, mas só aumentava o humor do moreno, despertando seu lado sádico.

– Que heroico. – ironizou se aproximando mais.

Deu mais um passo e se agachou. Encarava os olhos opacos da sereia, como a descrição de marinheiros, elas são beldades da metade de cima e monstros da debaixo.

Já Ino pensava numa solução e se surpreendeu por ter demorado minutos para alcança-la.

Abriu a boca minimamente e fez suas cordas vocais ressoarem. O som era agudo e ensurdecedor, mas apenas homens humanos o escutavam. Isso os deixava desnorteados e, como estavam tão perto deste em si, nocauteou seus sentidos em questão de segundos, fazendo o corpo grande cair sobre ela – quase a esmagava.

Mas usar a sua voz tinha um preço, teria que mata-lo afogado, diante dos domínios de seu pai, ou entregar seu coração a ele. E não tinha tempo para afogar alguém, Sakura é sua prioridade no momento.

– Certo. Não temos tempo. – disse se virando, com a adaga na mão, para a rosada que a mirava inquieta com essa devoção. Com um orgulho bobo, não a agradeceu em voz alta, mas sim mentalmente. – Vire mais o seu pulso, vou tentar destrancar a fechadura.

Sakura o fez.

~Clic

A rosada nunca pensou que esse som metálico a trouxesse tanto alívio, estava livre. Não perdeu tempo, ajudou Ino a ir para a água e a seguiu, saindo da caverna.

*

***

*

Nos confins da Floresta Negra, um servo de sombra dormia despreocupado encostado numa árvore apodrecida. Mas sua tranquilidade se foi ao ser acordado bruscamente pelo seu mestre.

– inútil! – berrou grave o Sombra que ainda ocultava sua aparência.

O servo, infelizmente, caiu no chão duro e ficou com folhas secas grudadas no rosto e na sua túnica negra. Limpou-se rápido, ajeitou seu cabelo arrepiado num rabo-de-cavalo e ficou com a postura rígida na presença obscura que o avaliava.

Seu olhar era indiferente quanto às coisas que seu mestre fazia o que importa são os fins e não os meios, esse era o principio para estar ao lado de Sombra e ele não era o único a pensar assim, por isso o seguia como discípulo.

– Está quase na hora. A pequena lua cheia já começou. Huhu. – Sombra deixou escapar uma risada cínica. – Shikamaru, quero que você faça o Sol ver o meu pequeno show. Mas de certa distância, nada de interferências.

– Certo. – Shikamaru disse sonolento e dando um bocejo.

Apesar desse péssimo temperamento e a preguiça, Shikamaru era um dos mais inteligentes sobre o comando de Sombra e suas estratégias tinha sempre o resultado esperado, confia plenamente em sua capacidade de realizar qualquer tarefa com o menor esforço.

Ambos assentiram com a cabeça e sumiram no ar.

*

***

*

Hinata girava sem sair do lugar, com o braço esticado, fazia uma circunferência perfeitamente encaixada no reflexo da lua. A cada volta o véu começava a se iluminar e desaparecer, transformando os cabelos morenos em pálidos.

Quando finalmente esbranquiçados ela parou de costas para todos os regentes e Lua Branca. Juntou as mãos, com uma sobre a outra, ergueu a cabeça, fechou os olhos e abriu ligeiramente a boca.

Em uma língua única, começou a cantar baixo, como uma prece.

O silêncio era unanime, nem mesmo o mar ousava se agitar nesse momento. Todos ouviam atentos uma das mais perfeitas vozes que já ouviram. E a melodia aumentava, alcançando a alma de todos. Todos menos Lua Branca.

Ela ainda não se envolvia pela atuação de Hinata e se ela não se ligar a morena, o ritual nunca seria completado.

Mas antes de Hinata realmente terminar sua melodia para enfim dançar para Lua Branca, um vento hostil e forte a interrompeu, abafou sua voz e, como um raio seguido por um trovão, uma escuridão fria se seguia e cercava a pequena.

Ela já se via sufocada por ambos os fenômenos, mas sua respiração só parou realmente quando uma figura, pouco conhecida, mas nunca confundida, apareceu diante de si.

– Olá Hinata.

*

*

*

Notas finais
Obrigada por lerem e espero que me perdoem.