Cavaleiro Da Lua Cheia
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Enfim, obrigada comentaristas, leitores e minha amigaaa Yuyumi!! Esse cap é pra você!
Esse cap é especial por ter o primeiro momento naruhina da história e eu adorei escrever.Espero que gostem^^.
O vento provocava uma inquietação na água e trazia a sutil brisa pura da vegetação que revigorava os pulmões de Naruto. Ele ainda não conseguia dormir, mas tinha seus olhos fechados, sentindo seu cabelo bagunçar ainda mais. A tarde chegava tranquila e trocava o céu cinza e azul por um tom mais simplório. Começava a relaxar e ter a respiração longa e serena.
Isso até ouvir a agitação do corcel ao seu lado.
Abriu os olhos e viu o animal relinchar baixo e agitado, batendo os cascos e arrancando a pouca grama que tinha no solo, ele olhava atento para uma figura do outro da clareira. Pequena e de costas para Naruto.
Não conseguia ver direito se era uma moça ou uma menina realmente de tão miúda que parecia no meio de árvores imensas e grossas. Tudo o que via era a extensão do cabelo cor de noite sem estrelas que facilmente ultrapassa da cintura, um vestido fino que não chegava a ser transparente, mas era permitido ver a sombra das pernas torneadas.
Anjo. Naruto pensou. Só então reparando em seu próprio estado:
Prendia a respiração para não ser notado, não se mexia bruscamente, não tirava os olhos dela para não perder a chance de gravar na memória essa visão encantadora. Sentia que não era a primeira vez que ficava assim, mas agora não era momento de lembrar.
– Por que não estão por perto? – uma voz melodiosa foi ouvida. Ela falava com a floresta, o que é estranho, e ainda se notava que estava descalça — apenas crianças falavam sozinhas e se aventuram a sujar os pés. Isso mostrou a inocência da moça, segundo o loiro.
Naruto não conseguia desviar o olhar, não perdia nenhum movimento e inconscientemente se aproximava. Cada vez mais perto, conseguia ouvir melhor, ela continuava a fazer pergunta para as árvores. Finalmente atingiu uma distancia arriscada e nem assim ela reparava no guerreiro.
Hinata ainda queria uma resposta.
Por que as ninfas pararam de cantar? Os animais não estavam nas proximidades? E o vento se aquietou depois de tanto alvoroço pra trazê-la até a clareira?
Olhava, preocupada, cada pedaço das árvores. O provável problema é nessa clareira, mas, onde? Ia se virando quando viu algo loiro e um par de azul intenso.
Engoliu em seco e paralisou. Um homem, bem diante de si. Por mais que a clareira fosse pequena não conseguiu ouvir ruídos ou passos, e ainda, não reparou no corcel negro do outro lado do lago, só via duas safiras a encarando divertidas.
Hinata não o tinha percebido, o que significa que ele é humano, mas o susto que levou ao ver um homem era maior do que quando um animal feroz e possuído de ódio. Também não pudera negar a enigmática atração que sentia. Por mais estranho que fosse.
Naturalmente ficou envergonhada e tão vermelha que o próprio homem teve duvidas se aquela fosse uma coloração momentânea ou natural. O ar faltava e a espinha sentia um gélido choque, perdera a fala e tremia. Parecia que suas cordas vocais tinham fugido e deixado um nó entalado na garganta.
– Oi. – a voz saiu rouca por ser a primeira vez que falava ao dia. Simpático, ele mostrou um sorriso branco e descontraído, ela mal ouviu e corou mais ao ver tal sorriso simples. Ele esta perto e parecia tão à vontade e nem desviava os olhos dela.
Depois do choque inicial, Hinata formulava os possíveis seguintes acontecimentos:
Ele poderia prendê-la e fazer algo ruim; Poderia mata-la por diversão; Poderia descobrir quem era; Poderia deixa-la ir; Poderia ser um viajante a procura de ajuda.
Apesar de tudo, nenhuma opção a agradou. Pois um formigamento desconhecido percorria seu corpo inteiro. Não era uma sensação ruim, e ela sabia a causa – e isso a assusta -, foi o sorriso desse cavaleiro, mas por ser uma criatura tão desconhecida por Hinata ela não deixou esconder o encanto e a hesitação que sentia.
Ver um humano tão alto, imponente, que parecia brilhar em contraste com a sombra das árvores, seus cabelos realmente lembrava o sol, reluziam sutilmente, mas o que mais a atraia eram os olhos. Um azul mais vivido que o próprio céu, mais intenso que o oceano, mais convidativo que um rio cristalino. Os via claramente graças ao bronze natural da pele musculosa e percebia esses fortes músculos ocultos pelo fino tecido de linho da camisa de gola desamarrada e as grossas cochas contra a calça de tom marrom.
O rapaz ainda exalava um ar de fulgor de valentia. Em cada traço rígido do rosto, podia-se encontrar uma face infantil, que permanecia ali sem enfrentar os castigos do tempo. Hinata não negou a admiração e o encanto que sentiu ao ver esse humano, pela primeira vez de perto e sem a impedição de Kiba, das Estrelas ou de seu pai.
Naruto também a analisava de cima abaixo e o quanto conseguisse captar com seus orbes.
Jamais vira tanta beleza angelical. Era como se nunca tivesse visto uma mulher verdadeiramente bonita e a que estava na sua frente fora a primeira que lhe despertasse tamanho interesse, por mais carnal que fosse também tinha um sentimento oculto e desconhecido que o fazia querê-la próxima.
Podia viajar em cada curva sutil de seu corpo. A pele parecia tão macia, os lábios convidativos e os olhos hipnotizantes. Não só as feições leves que combinavam com os olhos grandes e de tom exótico como o arroxeado mais puro que já viu. A estatura pequena parecia se encaixar nele, como se pertencesse a ele. A franja cobria as sobrancelhas, mas realçava o pequeno rosto e as mechas negras o enquadravam ainda mais.
Estava bobo.
Hinata finalmente recuperou o ar e isso fez seu cérebro começar a racionar.
Precisava correr. Iria tentar se acalmar e depois furtivamente adentraria a floresta e não pararia até que não o enxergasse.
Ergueu as mãos em forma de criar uma barreira entre si e esse humano. Abaixava a cabeça e espiava com os cantos dos olhos qual o melhor lugar para correr e recuava um passo de cada vez. Parecendo uma presa acuada pelo seu predador.
– O que... Faz aqui? – ele se pronunciou de novo e ainda com feições infantis que poderia julgar como abobalhadas.
Desceu os braços lentamente, fazendo-o entender que ia dar uma resposta e arriscar confiar no próprio.
Engano dele, pensar assim.
Hinata prensou um de seus pés, rodopiou no mesmo e ficou de frente para a relva. Correu como e sua vida dependesse disso e de certo modo, realmente era assim. Passadas largas esvoaçavam o vestido, chegava a pular pedras grandes e pousava levemente como se tivesse asas.
Naruto, mesmo surpreso, não perdeu tempo. Foi atrás e mostrou a ela suas habilidades. Quase a ultrapassava, mas ela conhecia a área e isso dificulta a cada vez que encontrava um obstáculo. Pode ver que ela quase se desesperava, mas em nenhum momento olhou para trás, Naruto reconheceu o encalço que a jovem tinha em querer fugir dele, mas sua teimosia ultrapassará esse esforço.
Nenhum se mostrava ofegante, mas o suor escorria aos poucos, passando das têmporas para o pescoço e se mesclar com a pele.
Hinata conhecia muitos atalhos e muitos obstáculos, por mais que ele fosse resistente, uma hora diminuiria o ritmo. Mas, se pensar bem, ele é muito imprudente. Entrou no meio de uma floresta misteriosa só para segui-la e não se preocupa com a volta. A morena divagava sem tirar os olhos do chão.
Enquanto virava mais uma vez para a direita, ela sente uma pulsação estranha.
Seu coração agora não estava acelerado só por causa da corrida, mas por um pressentimento ruim, ou melhor, uma certeza ruim de que algo aconteceu na floresta. Mesmo não sendo de sua regência, Kiba a tinha ensinado a pressentir perigos reais à floresta leste. E não se enganava quanto essa peculiaridade que aprendeu.
Desviou seu caminho e tentou ser ainda mais rápida. A pequena confusão que causou em Naruto até ajudou a ganhar distancia, mas ele era insistente. As feições de Hinata começavam a se mostrar preocupadas, pois, cada vez que se aproximava do perigo, a sensação ruim aumentava.
Umas poucas árvores se mostravam diferentes. O natural era o verde vivo e simples da floresta, mas essas tais árvores estavam mais secas. A floresta parecia perder seu brilho, ficar mais escura, ela parecia perder vida aos poucos. Não era nem próximo do outono para ter queda de folhas. As outras árvores, saudáveis, pareciam lamentar. E nenhum animal estava nas proximidades.
Onde Kiba estava?
Um amigo tão querido por Hinata. O conhecia bem e ele nuca permitiria que sua floresta ficasse desse jeito. Sua preocupação a desesperava de uma forma quase indescritível. O loiro não era mais visto e calafrios se espalhavam pelo corpo inquieto de Hinata.
Finalmente chegou à causa de seus arrepios.
Ao redor as árvores secas predominavam, a grama parecia palha e o sol não conseguia penetrar. No meio de um circulo de árvores, ainda mais negras e levemente retorcidas, um estranho casulo negro se encontrava. De alguma forma se mantinha de pé e era enorme.
Hinata se aproximou e tocou temerosa.
O casulo emanava negatividade e as pobres árvores absorviam, por isso ficavam ainda mais sombrias. O tamanho passa da altura do próprio Kiba, a grossura o fazia parecer tão sólido que nem uma espada o cortaria, mas ainda dava para perceber a movimentação agitada dentro dele. Nesse momento Hinata soube quem estava ali.
– Kiba! – ela se aproxima mais. – Kiba! – gritou mais alto e a movimentação se aquietou por um breve momento.
– Hinata! – a voz saiu abafada e com claros sinais de cansaço, provavelmente estivera tentando se libertar a um tempo.
– O que aconteceu? Como ficou nisso? O que é isso? – a preocupação logo causou a queda de lagrimas pelo rosto de porcelana de Hinata.
– Shh. Calma. Escute, isso é coisa daquele Sombra. – Hinata se surpreende e prende o ar. – Hinata, você tem que sair agora dessa floresta! Não é mais seguro.
– Não Kiba! Tenho que te ajudar! – ela tentava empurrar, arranhar, de tudo para abrir esse casulo. Mesmo depois de ter corrido bastante, buscava forças para ajuda-lo.
– Não dá. Eu quero que vá! Agora! – Kiba dá um murro no casulo e faz Hinata estremecer. – Não é momento para isso. Você ainda é muito próxima à forma humana, por isso consegue se esconder num vilarejo. Vá logo!
– Ma-mas... – a voz fraca de Hinata quase sumia, seus olhos estavam nublados e ocultos por lágrimas quentes, os soluços não eram presos e ela arfava em busca de ar.
Como poderia deixar seu amigo, seu irmão, para trás. Não sabia o que aconteceu, nem como, mas sempre que Sombra era envolvido, não acabava bem. A situação não facilitava e algo assim acontece justamente horas antes da Lua Branca. Hinata se sentia inútil por não conseguir fazer nada.
– Por favor, Hinata. Eu não quero que ele a leve de mim. – suplicou relutante.
Hinata perde a fala e tenta ao máximo se manter em pé, apoiando-se no negro e oval casulo. Seu coração se partia a cada pensamento de sair correndo e abandonar Kiba. Não conseguiria, nem para seu próprio bem. Por todas as vezes que ele lhe ofereceu um ombro amigo, todas as vezes em que sorria, todos os momentos sendo gentil e se importando com ela.
Iria ficar quieta e esperar Sombra voltar, negociaria para libertar Kiba. Seria fiel como ele. Por mais medo que tivesse, por mais raiva que ele sinta dela no final, iria ficar e engolir tudo. Porque ele é o único que não a rejeitou depois do incidente com Sol, o único verdadeiro amigo.
Naruto finalmente perde o rastro dela. Realmente perdeu a prática das corridas, se acostumou com cavalos o levando de um lado para o outro, e esse terreno irregular e várias pedras dificultavam olhar pra frente e não para o chão. Não estava cansado, mas já estava impaciente por quase cair diversas vezes. E nem conseguia ver o rastro da jovem.
Tudo o que via eram árvores, árvores e mais árvores. Mas, umas diferentes das outras, pareciam ter perdido a vida.
Seguiu essas árvores com o olhar desconfiado do que poderia ter causado tal coisa e sentia que no fim levaria a quem procura.
Ouviu passadas rápidas e uma respiração acelerada, lembrou-se do homem que a perseguia e se ele a apanhasse seria ruim.
Num pensamento rápido, Hinata correu até uma distancia segura para esperar ele ir embora ou se assustar ao ver a nova parte tenebrosa da floresta. Estava longe de mais para até mesmo vê-lo, árvores pareciam entrar no caminho para escondê-la do homem.
Ela se cala e aguarda.
Mais uns passos rápidos e a floresta nem parecia a mesma. Naruto sempre ouviu o quanto esta floresta é prestigiada por ser tão viva, mas parece que era mentira. As luzes pareciam baixar e ele se depara com algo estranho, oval e totalmente preto.
Curiosidade não faltava em Naruto, nem coragem para esclarecer suas duvidas, mas a protuberância preta urrava e se agitava. Claramente era algo tentando sair, mas com tanto afinco que deformava a casca grossa.
Olhou ao redor e nada da garota.
Provavelmente seja aldeã das terras de Sasuke, deve ter voltado para casa.
Concentrou-se um pouco mais no agora, com o casulo escuro de Kiba. Afinal, como se prende alguém assim? Estreitou os olhos e, a passos lentos, encarava o puro negro. Ergueu uma mão e, cauteloso, tentava tocar naquilo.
No instante que seu dedo tocou o casulo, uma luz forte se propagou e não parou de aumentar até, praticamente, cegar Naruto. Nem protegendo com os braços ele conseguiu evitar a forte pressão dessa claridade, chegava a esquentar e arrebatar toda aquela obscuridade que se concentrava nessa parte da floresta.
Diminuindo lentamente claridade, seus olhos abriram um pouco e finalmente o clarão se dissipou. O casulo sumiu, a floresta pareceu reviver e, bem diante de Naruto estava um enorme cachorro branco.
***
Na caverna subterrânea sob o castelo dos Uchihas, Sakura passava o tempo revendo cada passo que teria que fazer. Mas existia um grande furo em seu plano que nem ela sabia, até agora:
– Nossa! Eles te pegaram mesmo. – uma voz melodiosa soou por entre as estalactites e Sakura se virou para a direção de onde veio o som.
No ‘aparente’ lago interno da caverna que dava passagem para o mar, estava uma figura feminina que apoiava os cotovelos no chão pedregoso. A expressão era de divertimento, e os olhos azuis opacos revelava isso devidamente, o longo cabelo loiro desbotado estava preso por corais em um rabo-de-cavalo e, por ser grande, mechas pendiam em seu ombro nu, chegavam a cobrir os seios, e o resto boiava na água. Tinha ligeiras guelras em seu pescoço e escamas prateadas espalhadas nos braços, combinavam com a cauda de boto que ela tinha, se iniciando pouco abaixo do umbigo e substituindo pés. Uma das sereias encarava Sakura.
– O que faz aqui? Pensei que depois da informação nunca mais veria você. – praguejou meio indelicada a rosada.
– É... Bem, eu vim primeiro me desculpar. – a última palavra pareceu sair com sarcasmo.
– Fale logo!
– Ai meu rei! Acalme-se. – a loira apoiou as palmas no chão e com brusco se ergueu até que desse para dobrar sua cauda e sentar. – Eu só vim me retratar por ter mentido.
– C-como assim?
– Pregar peças e mentir é algo instintivo, natural, para nós sereias. E, por você ser uma amiga, sei que acreditaria em qualquer coisa que eu dissesse. O que me animou para mentir, mas... Decidi fazer uma coisa. Você me diz por que queria saber detalhes da noite da Lua Branca, dependendo do motivo eu conto a verdade e até te ajudo.
– Que tipo de ajuda é essa? Ino, você mentiu para mim, sendo que eu pedi uma única informação! Eu estava desesperada e você mente?! – Sakura se agitava e as correntes se chocavam fortemente, provocando arranhões e um som agudo e irritante.
– Escute, eu estou me oferecendo para contar a verdade e te ajudar, dependendo do caso, então ande logo! Se não vou embora e você não consegue fazer o que tanto deseja. – Ino se mostrava firme, pois queria ajudar Sakura. Para uma sereia contar a verdade, tem que ter um motivo forte e a pessoa para quem mentiu tem que ter coragem de dizer diretamente o porquê quer uma informação, só assim as sereias ouvem o que seu coração grita e só assim dizem a verdade.
Sereia são os seres mais escorregadios que já existiram. Habitam o oceano e rios e raramente se separavam de seu grupo, todas eram unidas e todas eram filhas de um único tritão, pai e rei, comandante das marés e provocador da agitação do mar. Todo esse povo tem uma única peculiaridade que é a mentira, só uma sereia sabia a verdade de outra sereia, se não, uma sereia teria que contar a verdade e isso quase é um tabu que Ino estava disposta a quebrar por Sakura. Mesmo antes da rosada dizer qualquer coisa, sabia que tinha um motivo forte e a ajudaria.
Sakura encarava Ino, misturando fúria com desgosto. Então foi enganada. E ela tinha acreditado em cada palavra dela que estava a sua frente. Então tudo o que planejou durante esses dois últimos dias teria que ser adiantado ou adiado. Tinha planejado todos os detalhes, tudo em seu devido lugar e apenas essa fuga atrapalharia um pouco, mas conseguiria. Agora, se o dia mudar tudo estará perdido. Mas tem que saber a verdade, o mais rápido possível, deixaria para depois as brigas com essa suposta amiga.
– Está bem, Ino. Vou contar porque preciso saber sobre a noite da Lua Branca.
Notas finais
Até!
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