Caution: Wolves

3 Capítulo 3 - Rastros


Notas iniciais
No capítulo anterior:
Hana correu para casa com o cachorro, entrou e trancou as portas e janelas, foi para sua cama com o cão e ficou sob a coberta até que eu chegasse da escola. Algo me dizia naquele momento, que nunca mais ela iria querer ir sozinha para a escola.

RASTROS


Eu estava voltando para casa com a intenção de dar uma bela bronca em Hana para que ela nunca esquecesse o que fez. Mesmo com muita insegurança, eu confiei nela e ela traiu minha confiança. Fiquei aflito durante toda a aula, pensando no que poderia ter ocorrido para que faltasse à escola. Já começava a pensar sobre minha irresponsabilidade de deixá-la só para ir à escola tendo apenas 11 anos, mas, logo pensei melhor, ela provavelmente deveria ter ficado jogando videogame durante toda a manhã, como era de costume quando estava sozinha em casa.


Assim que cheguei em casa, me deparei com algo que me assustou bastante, a Hana estava sob a coberta e tremia a ponto de movimentar a cama, notei que junto dela havia um cão, não entendi muito bem o que havia acontecido e porque tinha um cachorro na minha cama... A princípio tentei conversar com ela para entender melhor o que estava acontecendo e o porquê de estar tremendo desse modo. E claro, o porquê de ter um cachorro na minha cama...


– H-hana...? — Eu estava muito preocupado, mas, tinha um pouco de receio sobre o que haveria sob a coberta, todos os fatores unidos me levaram a crer que era a Hana, mas e se não fosse?


– Yadomi! — Gritou Hana enquanto jogava o cobertor longe e levantava da cama. Hana imediatamente correu até minha direção e me abraçou como se estivesse aliviada por eu ter chegado.


– Ei... Se acalme Hana. Primeiro limpe esse rosto e depois me conte o que está havendo, tudo bem? — Falei enquanto pegava um lenço que eu guardava em minha mochila.


Não! Não temos tempo pra isso! Precisamos fazer alguma coisa! Há um poço na floresta dos lobos e dentro dela há uma fera, e não é um lobo! — Eu não conseguia entender a maior parte do que ela falava, ela estava falando enquanto soluçava por conta do choro. Eu apenas consegui entender claramente quando ela disse 'Floresta Dos Lobos' e isso foi o suficiente para me deixar alarmado.


– Floresta dos lobos?! Do que está falando?! Não me diga que foi até aquele lugar sozinha?! — Eu não acreditava em toda essa história sobre lobos atacando humanos na floresta, afinal não fazia sentido algum. Por conta disso não me preocupei muito, mas sabia que mesmo sem lobos aquela floresta escura é muito perigosa para uma garota de 11 anos.


– Yadomi, por favor, acredite em mim! Se não quiser acreditar apenas me leve até lá e eu lhe mostrarei! — Eu queria de qualquer jeito acabar com toda essa preocupação da Hana, mesmo que isso fosse contra todas as minhas normas. Não fazia o menor sentido, todos os fatores levavam a crer que ela só se assustou com algum barulho ou algo do tipo, isso seria o suficiente para me fazer não ir. Entretanto, a Hana é diferente, eu faria qualquer coisa só para poder vê-la sorrindo novamente.


– Tudo bem. Eu irei. Mas tente se acalmar, está tudo bem agora... — Eu realmente deveria ter ido até lá? Não sei, não ir poderia ter mudado em algo a situação que estou agora? Provavelmente não. Então não tinha escolha, eu tinha que ir.


Sinceramente, eu não tinha nenhuma preocupação em entrar nessa floresta, ela é um lugar escuro, barulhos estranhos são normalmente escutados próximos a uma floresta, isso não me amedrontava nem um pouco. O fato de haver lobos lá me amedrontava ainda menos, eu tinha absoluta certeza que não havia lobo algum naquele lugar, eu achava que algo pior aconteceu aos homens mortos lá, mas achava que quem ou o que fez isso já não estaria por perto.


– Bom, Hana, me guie até onde você viu o tal poço. — Falei com um tom de ironia por não acreditar que teria um poço no meio de uma floresta desabitada. Hana aparentemente não gostou muito disso.


– Tá! Só me siga e verá com seus próprios olhos!


Após algum tempo caminhando pela floresta, cada vez mais no meio dela, Hana começou a desacelerar o passo, eu começava a achar que ela realmente tinha visto algo estranho perto desse lugar. Foi quando ela apontou para uma direção, ao olhar percebi que realmente havia um poço lá.


A princípio fiquei um pouco confuso, era como se todas as minhas teorias se destruíssem ao ver aquele poço, não fazia sentido algum um poço nesse lugar, mas, mesmo assim mantive a compostura, não podia demonstrar pânico ou qualquer emoção fraca perto de Hana, não queria deixá-la ainda mais assustada.


Bom, realmente era confuso um poço naquele lugar, mas isso não prova nada, provavelmente pessoas habitaram essa floresta antes da construção dessa cidade, pela precariedade da construção do poço isso fazia todo sentido, já estava velho e aparentemente seco. Nós fomos nos aproximando do poço, foi quando Hana parou de andar.


– Hana? — Disse eu sem entender o porquê de ela ter parado.


– Vá você... Digo, eu parei aqui da última vez e eu realmente não quero ter a imagem do que seja lá que tenha aí me atormentando mentalmente.


Eu balancei a cabeça em sinal de confirmação e continuei a andar. De certo modo eu a entendia, se ali realmente tivesse a tal "fera" que ela mencionou não seria uma boa ideia uma garota da sua idade ter essa imagem em sua cabeça, poderia resultar em um trauma, principalmente para alguém sensível como Hana.


Eu estava cada vez mais próximo do poço, ao perceber que só precisava me esticar um pouco e já poderia ver o que havia em seu interior senti um enorme frio na barriga, algo que vinha do fundo do estômago até minha garganta e parecia me deixar sem ar, eu não entedia o porquê de estar sentindo aquilo, eu não tinha medo, tinha certeza que não havia nada ali. Balancei a cabeça para recuperar minha atenção e lentamente inclinei a cabeça para observar o que havia no interior do poço.


Ao olhar em seu interior, eu percebi que algo ali estava muito errado, muito errado mesmo. Não, não havia uma fera ali dentro, havia um enorme rastro de sangue que vinha do fundo do poço até a sua entrada, o rastro se parecia muito com o rastro de alguém que tentava escapar do poço, seja lá quem tenha caído ali já deveria ter escapado.


Sem mais o que fazer na floresta, expliquei a Hana sobre o que eu pensava dos rastros após mostrá-los a ela. Ela rapidamente entendeu o que eu queria dizer, mas logo voltou a gritar dizendo que tinha certeza que o que ela ouviu não era um barulho feito por humanos com dor ou qualquer coisa do tipo. Após muita insistência consegui acalmá-la, embora ainda acreditasse que ela não tinha desistido de achar que o que estava ali não era humano.


Como não fazia lógica alguma, apenas ignorei e saímos da floresta. Ao chegarmos à estrada algo me deixou muito assustado, na beira da estrada havia um cervo, ele estava com seu interior exposto, parecia ter sido recentemente devorado, a sua cabeça havia sido arrancada e estava a alguns metros de distância de seu tronco, jogada ao chão. Tapei os olhos de Hana e segui para nossa casa, dizendo a ela que algum animal provavelmente deveria tê-lo atacado, que não era nada para se preocupar.


O problema é que até mesmo eu comecei a duvidar da minha teoria sobre um humano ter caído no poço ao ver certa cena. Rastros de sangue assim como os do poço pareciam ir do cervo diretamente para a cidade...


Algo realmente o devorou, e os fatos começavam a mudar de lado, começavam a me fazer acreditar que esse "algo" não era um lobo e nem mesmo um humano, era algo ainda pior.


CONTINUA...

Notas finais
No próximo capítulo:
Infelizmente não havia mais chance, eu iria morrer ali, morrer após ter gritado com a Hana, após tê-la deixado com medo de mim, após tê-la magoado e não ter me desculpado, teria falhado na minha promessa de protegê-la, eu não poderia morrer ali, não podia deixar a Hana sozinha, mas não tinha mais saída, minha perna doía muito e eu estava congelando de frio, mesmo com toda aquela adrenalina que corria meu corpo.