Caution!
5 Capitulo 5
Notas iniciais
CAPÍTULO 5
Dessa vez Sinbad foi o primeiro a acordar, já que foi dormir cedo na noite anterior quando Yumi disse que chegaria tarde.
Demorou um pouco para realmente acordar e adaptar os olhos aos filetes de luz que vinham da janela, quando o fez, notou a alva ao seu lado.
Ela estava fortemente agarrada ao seu braço esquerdo, que estava ao lado dela. No começo estranhou, não era para eles estarem brigados? Não que ele fosse recusar carinho também...
Então finalmente percebeu a expressão de Yumi. As sobrancelhas estavam franzidas, a mandíbula cerrada e os dentes rangendo. Ela estava tendo um pesadelo.
Primeiro pensou em acorda-la mas lembrou que já que ela entra mais tarde no trabalho sábado, gosta de aproveitar esse tempo para dormir, então apenas a deixou. Se fosse algo tão ruim, ela mesma acordaria.
Tentou tirar o braço mas encontrou certa dificuldade, a alva não diminuía seu aperto. Quando finalmente conseguiu a viu procurando por ele, o que achou até fofo pela expressão chorosa que ela fazia agora, então pegou um travesseiro e colocou ao lado dela, na esperança de que ela o pegasse e foi exatamente o que aconteceu.
Levantou, pegou seu roupão do cabide e se dirigiu até a cozinha. Lá ele colocou a água para esquentar, Sinbad não estava acostumado a preparar o café mas mesmo assim o fez. — ' Talvez eu deva começar a dormir cedo, não é tão ruim assim... Naaaa.' — Pensou, balançando a cabeça com um pequeno sorriso nos lábios, depois foi ao banheiro para tomar banho.
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Quando terminou, nem teve tempo de se vestir ao escutar a chaleira apitando, então se enrolou em uma toalha e correu para desligar o fogo para o barulho não acordar Yumi.
Ele não sabia como ela preparava o café mas resolveu tentar. Colocou duas medidas e esperou que fosse o bastante.
Não foi.
Sinbad levou a xicara aos lábios e fez uma careta, estava ralo. – ‘Pelo menos ela nem gosta, de qualquer maneira.’ – Jogou o café na pia e foi em direção ao quarto se arrumar.
Quando finalmente terminou, aquele cabelo dá trabalho, voltou a observar Yumi. Ela parecia mais calma, deitada de barriga para cima com os braços abertos.
Deu um beijo na testa dela antes de ir em direção a porta, para logo depois descer até o estacionamento, pegar sua caminhonete e dirigir até a delegacia.
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Yumi acordou com um pulo, estava assustada. Correu os olhos um tanto desesperados ao seu redor e depois olhou para si mesma entes de suavizar — Foi só um pesadelo. — Ela suspirou.
Um pesadelo que parecia real de mais para o seu gosto. Nele, ela parecia estar em um enterro, com todos seus amigos presentes. Todos pareciam tristes, Pist soluçava alto e Yamuhaira chorava no ombro de Sharkan, que também deixava lágrimas silenciosas escorrerem. Hinahoho, Dracon, Ja'far, Spartos e Masrur estavam mais atrás com suas cabeças abaixadas e semblantes tristes.
Ela passou por todos eles, ficando cada vez mais angustiada e confusa. Até seus irmãos estavam presentes. — ' Quem morreu??'- Ela pensou.
Ela finalmente chegou ao centro e encontrou com Sinbad, ele também estava chorando e com a cabeça abaixada para que não vissem suas lágrimas. Ela puxou levemente sua mão, tentando chamar sua atenção. — Ei Sin, o que ouve? Quem morreu?- Mas foi ignorada.
Então finalmente fez o óbvio e olhou para lápide a sua frente e se espantou com o que viu.
Era uma pedra simples, com alguns adornos esculpidos e bem no meio em letras bonitas estava escrito "Yumi Taisho". Ela deu um passo atrás com o choque e se virou desesperada para Sinbad.
— Ei Sin!! O que significa isso?! — Ela foi ignorada novamente. — Olhe para mim, eu estou bem aqui!!
Ela correu entre as pessoas, tentando chamar atenção mas não obteve sucesso.
Foi quando sentiu algo escorrendo pela testa, olhou para cima esperando água mas não estava chovendo. Levou os dedos até a fronte e eles voltaram manchados de carmim.
Entrou em pânico e olhando para si mesma percebendo vários cortes pelo torço, o sangue escorrendo do peito, manchando suas roupas. Começou a ter falta de ar.
Ela estava morrendo.
Foi quando deu o último suspiro que finalmente acordou, desesperada como vimos agora.
Ela se levantou e caminhou meio tonta até a cozinha, olhou no relógio e se desesperou quando viu que eram 7:15, ela estava atrasada.
Abandonou o leite que estava no microondas e se correu até o quarto para começar a se arrumar.
Ela se arrumou rápido, terminando meio desleixada e agora se encontrava em frente a porta. No momento que pisou no lado de fora, sentiu um “mal estar” e congelou, mesmo sabendo que já estava atrasada o suficiente, ficou lá parada.
Já estava farta dessas sensações mas essa parecia diferente, era mais intensa, como o pressentimento de que algo muito ruim iria acontecer.
Algo estalou em seu cérebro, como um pequeno “click” a fazendo voltar a realidade. Uma ideia cruzou sua mente e dessa vez ela esqueceu completamente de sua pressa. Mordeu o lábio inferior e ficou ali mais alguns segundos, pensando o quanto era errado, mas mesmo assim resolveu fazer.
Voltou correndo para dentro, indo em direção do pequeno escritório de Sinbad, lá ele geralmente guardava fichas e objetos ligados a casos mas mesmo assim preferia trabalhar na delegacia, então este era meio inutilizado.
Abriu a gaveta da escrivaninha e encontrou papeis, clipes e algumas canetas mas bem lá no fundo, ela sabia que havia uma pistola 9mm semi automática e na gaveta ao lado, um cartucho carregado.
Ela segurou a arma em mãos, notando o quanto era mais pesada do que parecia e questionando se aquela realmente era uma boa ideia. –‘É obvio que não, Yumi’- Pensou.
Mesmo assim encaixou o cartucho e a colocou na bolsa. Ela sabia que se Sinbad sequer sonhasse com isso ficaria muito chateado, até porque ela nem deveria saber da existência dessa pistola e odeia mentir para ele, mas talvez no fim do dia isso que ela esteja sentindo seja apenas um sentimento bobo e ela colocaria a arma de volta em seu devido lugar e nunca tocaria no assunto.
Isso, ela não estaria mentindo, apenas omitindo... Mas mesmo assim ela não gosta disso.
Soltou um suspiro e voltou a se lembrar do horário. Se dirigiu até a porta e quando passou a trancou para, assim como Sinbad antes fez, descer até o estacionamento, pegar seu veiculo e ir para o trabalho.
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Sinbad chegou e cumprimentou alegremente Hinahoho na recepção, depois foi até o laboratório.
Lá ele encontrou Pist conversando com Sharkan e Spartos e foi parabeniza-la. — Hey Pist, parabéns!! Feliz aniversário!
A loira se virou no mesmo momento com um sorriso de orelha a orelha. — Olá Sin, muito obrigada!- Ela disse enquanto já caminhava em direção ao delegado para um abraço.
Assim que ela o soltou, ele acenou para o moreno e o ruivo atrás dela. — Bom dia.
— Bom dia. — Os dois disseram em uníssono.
Trocaram mais algumas palavras, a maioria sobre a festa que aconteceria na casa da pequena loira no fim do dia, depois o delegado se dirigiu até seu escritório e lá encontrou com Ja'far o esperando, encostado no canto da sala.
Acabou abandonando o semblante alegre ao ver a expressão do albino. — Bom dia, alguma notícia para você estar aqui assim tão sério?- Sinbad disse enquanto se sentava em sua cadeira.
Ja'far caminhou calmamente até a mesa e depositou alguns documentos em frente ao delegado. — Bom dia. E sim, mas infelizmente não nos ajudam muito, leia.- E apontou para os papéis.
Sinbad pegou as folhas em mãos e correu os olhos pelas palavras da capa, era um relatório. Antes que pudesse abrir e ler, Ja'far começou:
— Ao que parece, nossos espiões não encontraram muita coisa.- ele soltou um suspiro. — Não conseguiram confirmar se os lugares que suspeitamos são os certos, ou nos enganamos, o que eu sinceramente duvido já que analisei tudo com muita precisão, ou eles são cuidadosos de mais, então pelo visto sabem...
O delegado não demorou para somar dois mais dois e perceber sobre o que o amigo se referia, com certeza foi um deles que roubou os papéis que estavam no apartamento e previram o que a polícia esteva fazendo, droga eles poderiam ter mudado todo o esquema de lugar, os deixando no escuro. Fez uma nota mental de pegar todos os documentos e trazer para a delegacia, sem dúvida seria mais seguro.
Sinbad soltou um suspiro. — O que mais podemos fazer? Mande que continuem a observar, uma hora eles têm que vacilar.- Ele folheou mais um pouco os documentos até achar algo que lhe chamou atenção. — O que você acha? A antiga fábrica de ração parece o lugar perfeito para o que eles fazem.
Ja'far assentiu — Também acho, mas talvez seja isso que eles querem que pensássemos, também esse foi o lugar com menos resultados e não podemos simplesmente entrar lá sem uma autorização.
O delegado levantou a cabeça com um olhar decidido. — Pois é exatamente o que vou fazer, providenciar uma autorização para todos esses lugares o mais rápido possível e vamos investigar.
Ja’far assentiu – Entendi. Bem... Por enquanto vou me retirar, até.
Ele recebeu um aceno de cabeça entes de sair da sala, Sinbad voltou sua atenção aos documentos e começou a ler.
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— Tudo certo Sra. Tunner, você esta se recuperando muito bem. Se continuar assim posso te dar alta quarta-feira.
Yumi disse a mulher de meia idade a sua frente, a pouco tempo ela chegou aqui para uma cirurgia simples e agora está bem recuperada.
— Que bom, querida. — O homem ao lado da mulher, Sr. Tunner, disse enquanto afagava as costas da esposa.
— Muito bem, acabei por enquanto. — A alva disse se levantando. — No horário de sempre um enfermeiro virá trazer seus remédios e mais tarde venho conferir novamente, até logo.- Ela recebeu acenos do casal enquanto passava pela porta, os quais ela retribuiu com o mesmo gesto.
Matheus e Sara, outra interna, estavam com ela. O jovem abriu a boca para dizer algo, mas antes escutaram alguém chamando- Hey, Yumi.
Ela se virou e encontrou com Yamuhaira- Que bom que nos encontramos antes da festa. — A azulada soltou uma risadinha. — Eu só queria perguntar o que você ia levar. Pensei em pudim e queria saber se você não teve a mesma ideia, talvez.
Yumi fez uma expressão surpresa, com toda a correria de hoje de manhã ela se esqueceu completamente. Planejava montar uma lasanha hoje cedo e quando chegasse em casa colocaria no forno, mas esqueceu.
— A... sim, haha.- Ela deu uma risadinha nervosa e a azulada virou um pouco a cabeça, pelo visto percebeu. — Mas não, não pensei em pudim. Pensei em algo salgado mas acordei mais tarde do que o previsto. Quando chegar em casa dou um jeito.
— A, certo. — Yamu sorriu.- Muito bem então, era só para saber. Nos vemos no almoço?
— Claro. — A alva retribuiu o sorriso antes de vê-la andar para o elevador.
— Então... festa? Se me permite perguntar.- Matheus disse.
Yumi se virou para ele, se perguntando por que o tom dele saiu meio... incomodado? É, mais ou menos isso.
— A, sim. Aniversário de uma amiga.- Foi tudo que ela disse antes de continuar sua caminhada. Sara assentiu satisfeita, ela nem parecia estar curiosa antes e Matheus nada fez.
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~~Quebra de tempo~~
Todos os 9 oficiais combinaram com outros colegas para trocarem de horário e as 8, já estavam no apartamento de Pist.
Havia musica alta mas não o bastante para incomodar os vizinhos, comida e muita, muita bebida. Tanto que agora, passado das 8 e meia, todos já estavam beeem alegrinhos mas não necessariamente bêbados.
Pist, Sharkan, Spartos e Yamuhaira jogavam beer pong, sendo “meninos contra meninas”. Masrur, Mistras e Pipirika estavam assistindo o jogo, Ja’far estava com Rurumu e Mira na cozinha, conversando enquanto a alta mulher cozinhava algo. Sahel conseguiu convencer o marido de dançar uma dança que ninguém sabia ao certo o que era e Hinahoho estava ali assistindo, tentando não rir dos passos desengonçados do amigo.
Todos estavam se divertindo, menos um certo delegado.
Sinbad estava encostado num canto da sala, com o celular em uma mão e um copo de cerveja, até agora intacto, na outra.
Logo após chegar, ele lembrou que Yumi teria que vir de moto e que provavelmente ela gostaria de aproveitar a festa e beber, algo que não costuma fazer, então não poderia dirigir e mandou uma mensagem perguntando se ela gostaria que ele a buscasse.
Até agora não o respondeu, no começo pensou ser normal já que quando enviou a mensagem ele sabia que ela ainda estava em horário de trabalho mas agora passado desse horário, ele já estava meio preocupado.
Hinahoho não aguentou e acabou rindo de Dracon quando o mesmo tropeçou em seus próprios pés e foi ao chão. Em meio as risadas enquanto o ajudava a levantar ele percebeu Sinbad, ali afastado e com um semblante sério, estranhou que o delegado ainda parecia completamente sóbrio e foi até ele.
— Ei Sinbad! O que é isso? Acho que não vi você levar esse copo até a boca desde que Mira te entregou, a cerveja já deve estar quente.
Sinbad saiu de seu transe e levantou a cabeça para olhar o homem alto a sua frente, depois olhou para o copo e deu um meio sorriso. – A, pois é Hina.- ele deu uma risadinha. – É que Yu não me respondeu e talvez não seja uma boa ideia nós dois bêbados, entende?
— Entendo, entendo. – Ele disse balançando a cabeça para cima e para baixo.- Mas eu te conheço, está preocupado com alguma coisa ,posso ver em seus olhos. Só porque ela não te respondeu, não quer dizer que tenha algo errado, aposto que ela já está a caminho.
— É, pode ser... – Sinbad voltou a abaixar os olhos e pensar em seja lá o que, mas Hinahoho mais uma vez o interrompeu.
— Vamos cara, divirta-se! – Ele deu um “tapinha” nas costas do delegado, o que para o mesmo foi quase um coice, o desencostando da parede. – Tudo bem se resolver não beber por agora, quando Yu chegar vocês resolvem isso. – O homem alto disse antes de puxar o delegado para onde os outros estavam jogando e Yamuhaira estava virando um copo de cerveja.
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Yumi mal se despediu de seus colegas de trabalho e saiu em disparada.
Já estava atrasada que chega e agora tinha que pensar em outra coisa para levar, já que montar e assar uma lasanha estava fora de questão.
Quando chegou ao estacionamento já havia decidido passar em uma padaria e pegar uma torta ou algo assim. Começou a arrumar as coisas para sair e antes de colocar a bolsa no compartimento da moto, pegou o celular e viu a mensagem de Sinbad.
Sin♥
‘Oi amor’ 20:15.
‘Quer que eu te busque?’20:15.
‘Aí não precisa deixar a moto aqui’20:16
‘ Yumi?’20:40..
Você.
‘Oii’ 20:53.
‘Acho que é o melhor’ 20:53.
‘Não tive tempo de fazer nada hoje de manhã
então vou passar numa padaria e comprar
algo’ 20:53
‘Quando chegar em casa te aviso bjss’ 20:54.
Yumi respondeu sorrindo ao perceber que Sinbad havia lembrado dela. Ela colocou o celular de volta na bolsa e a arrumou em si.
Estendeu a mão para pegar o capacete mas antes que alcançasse alguém a segurou por traz, tapando sua boca e nariz com uma mão e a puxando para perto com o outro braço. Aconteceu tudo tão rápido, como ela não ouviu alguém chegando? Pela força e forma atrás dela, obviamente era um homem.
Antes que o pânico se estalasse, ela se lembrou das lições de defesa pessoal e pôs em prática.
Deu um pulo, acertando o nariz do agressor, isso fez com que ele recuasse e soltasse seu rosto mas mesmo assim não liberou o aperto em sua cintura, então se dobrou para frente e agarrou a perna direita do homem e com toda sua força, o puxou para frente, fazendo com que ele a soltasse e caísse atrás de si.
Rapidamente se virou e com seu agressor ainda no chão, “montou” em cima dele e prendeu suas mãos a cima da cabeça, Yumi tinha uma força muito boa para uma pessoa da estatura dela, e olha que não era muita coisa...
— Quem é você e o que quer comigo? – Ela agora conseguia ver claramente o rosto do homem, mesmo que estivesse de noite. Ele tinha cabelos castanhos claros, quase loiros, os dentes cerrados e a mostra e olhos róseos furiosos juntos da carranca que estava seu rosto.
Ele só fazia ranger os dentes e amaldiçoa-la com os olhos. Na verdade, Yumi nem ao menos sabia porque ainda estava ali, por que não se soltou e foi embora?
Ela abriu a boca para perguntar de novo, mas parou com uma expressão confusa. – ‘Por que ele está rindo?’- Pensou.
Antes que pudesse questionar qualquer coisa, sentiu uma dor aguda na parte de trás do pescoço e em poucos segundos, tudo ficou preto.
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