Causos De Livingston

1 Capítulo 1: Os intrusos em Livingston


Notas iniciais
Bem gente, eu sou um pouquinho ocupada, então posso demorar para postar o próximo capítulo :/ seria muito legal se entendessem :3

-Vamos Eileen!! Corre!

Eileen quase não conseguia ouvir Rebecca a chamando. O barulho dos corredores do colégio Livingston era um misto de conversas, risos, portas de armários batendo e sapatos apressados indo para as salas.

-Já vou!! -respondeu enquanto cortava a multidão.

Quando finalmente consegiu chegar na sala, todos já haviam sentado. Procurou um lugar perto da janela, mas todos estavam ocupados.

-Eileen!! Senta aqui! -gritou Rebecca enquanto tirava sua bolsa de cima da carteira ao seu lado. — Guardei seu lugar. Viu como sou linda? -disse sorrindo.

-Você tem mesmo que gritar meu nome toda vez que me vê? -perguntou em um tom seco

-Gosto do seu nome, se eu pudesse, trocaria com você. -sorriu entusiasmada. -Adoro as aulas de geometria. É tão... Geométrico!

Eileen revirou os olhos enquanto se sentava. Ela gostava muito de Rebecca, mas era tímida de mais para demonstrar.

Enquanto a aula passava, Rebecca tagarelava com todos. Ela falava com todo mundo da sala, deixando Eileen de lado para fofocar.

-Ei, senhorita! Por favor, fique quieta!

-Desculpe professor... – Rebeca pausou sua fala por alguns instantes, mas não o bastante para deixar a aula prosseguir. Seus olhos estavam pousados na amiga com o pensamento distante.

“Detesto geometria.” Pensava. “Nunca vou usar isso na minha vida, Posso trabalhar na loja de doces da mamãe... Será que preciso estudar muito para isso?” pensou enquanto o sinal tocava.

Eileen levantou rapidamente e correu para a saída, ignorando os gritos de sua colega para que a esperasse. Precisava passar na loja dos seus pais antes de ir para casa. Depois de vinte minutos de caminhada, já podia ver a pequena lojinha toda colorida. Adorava o aroma que a abraçava quando entrava: um misto de chocolate e balas. Sua parte favorita era a de sorvetes, gostava de admirar as cores de cada um e criar novas combinações. Empurrou a porta e deu de cara com uma mãe e seu filho carregando uma sacola.

-Desculpe... — Disse sem jeito de cabeça baixa.

-Tudo bem. – Respondeu a moça, sem prestar atenção na garota.

-Querida, que bom que chegou. – Sua mãe caminhava rapidamente em sua direção. – Toma aqui, trinta reais. Compre algo para comer, não tive tempo de preparar nada. – Apesar de apressada, Chris falava amavelmente com sua filha.

-Vocês não vão comer comigo? -Olhava confusa para sua mãe e a pressa toda dela.

-Não vai dar. — Respondeu voltando para o balcão- Seu pai vai fazer o balanceamento da loja e eu tenho que dobrar meu trabalho por isso. Vou ficar no caixa e no estoque! -suspirou rapidamente- Estou cansada só de imaginar.

-Hm... Boa sorte... -disse olhando o dinheiro em sua mão- Tô indo. Até a noite... -disse virando as costas para a mãe.

Eileen andava devagar para casa ainda segurando o dinheiro. Andava de cabeça baixa e arrastando os pés. Ela se perguntava o que pensavam quando ela passava. Quase podia se ver em terceira pessoa e sentia pena de si mesma pela forma que caminhava, se vestia, falava... Fazia de tudo para não chamar a atenção de ninguém e passar despercebida.

Poucos minutos depois, já estava na esquina de sua casa. Era apenas uma quadra de distância da loja de seus pais. Entrou pela porta da frente deixando os sapatos na entrada e foi direto para seu quarto. Subiu as escadas correndo, deixando sua mochila no corredor. Entrou no quarto se preparando para o salto em direção a cama, mas se conteve ao passar em frente ao espelho. Ela fitava seu reflexo, apontando cada detalhe que julgava ser um defeito.

-E se... -disse a si mesma pensativa. Correu para o guarda roupas e jogou tudo na cama. Pegou uma regata preta que havia comprado em uma viagem, mas nunca usara- talvez um estilo gótico? -colocou a blusa em sua frente olhando novamente o reflexo- Não, não consigo ouvir Lacrimosa... -jogou a regata longe e pegou uma blusinha curta que ganhou no natal passado, outra que nunca havia usado- Patricinha? Nah... Não suporto brilho e mini cachorros de bolso... -jogou a blusa em direção a regata. E se eu cortar o cabelo..? -examinava até onde seu cabelo parava. Estava na cintura, levemente encaracolado. "isso não vai dar certo..." — Aaahhh!!! -gritou se jogando na cama em cima das roupas. "Tenho que conviver sendo a 'Ratinha' pra sempre??" -pensava. "Ratinha" era o apelido que a acompanhava a muitos anos. Ganhou esse apelido por ser magrela; silenciosa e quase não ser notada na sala de aula.

Na manhã seguinte, depois de uma noite mal dormida, a garota tentava se manter acordada em sua carteira. Ouvia a conversa da amiga ao seu lado quase gritando para contar da matéria em sua revista favorita.

-Atenção alunos... Atenção por favor! –“quando foi que o professor entrou..?” se perguntou confusa levantando a cabeça para olha-lo. Ele estava acompanhado de dois meninos exatamente idênticos, fazendo com que todos parassem de falar e os encarassem.

Eram exatamente iguais em todos os aspectos: tinham a mesma altura; a mesma expressão tímida; ambos com as mãos nos bolsos da calça larga e caída; usando blusa xadrez sobre uma camiseta preta. Até seus traços orientais eram espelhados, seus olhos pequenos pareciam ainda menores quando abaixavam a cabeça diante da sala.

-Turma –continuou o professor – esses são Ichiro -gesticulou para o primeiro irmão, o mais próximo dele – e sua irmã gêmea, Saya Yanamoto.

“Epa... Irmã? Esse cara? Onde??” pensou. De fato, Saya era o reflexo de seu irmão.

-Por favor, se sentem. Tem uma carteira vaga ali e outra ali... –apontou.

Saya se sentou ao lado de Eileen e seu irmão, na sua frente. Os olhos dos colegas estavam fixos nos gêmeos. Havia um clima pesado no ar, como se todos estivessem com o mesmo pensamento sobre os novos alunos. “É mesmo uma menina? Ela é a cara do garoto...”.

Notas finais
Logo mais postarei o resto. Se quiserem falar comigo, fiquem a vontade :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.