Notas iniciais
Disclaimer: Os personagens - infelismente - não me pertencem, e eu não ganho nada com isso.


“Merda!” – falei enquanto colocava minhas malas no chão, parando em frente a porta daquela bosta de seminário.

Pois é, quem imaginou que Bert McCracken, o fodão, o que acaba com todo mundo, iria passar um ano de sua vida em um seminário, por livre e espontânea pressão de seus pais? Francamente... Eu? Padre? Eles fumaram o que? Malditos homofóbicos... O mais rápido possível eu daria um jeito de fugir daqui.

Olhei para porta fechada a minha frente e logo depois para os meus “companheiros” de “escola”. Muitos deles tinham um olhar de alegria, como se aquilo fosse a melhor coisa do mundo, outros tinham um olhar de desespero, e o meu? Era de puro ódio.

Esse vai ser o ano mais chato da minha vida!

A porta se abriu de repente e um homem, com ar egocêntrico, atravessou o portal da porta principal.

“Bem-vindos caros seminaristas, é uma honra tê-los por aqui” – falou ele abrindo os braços amigavelmente. Poupe-me, por mim eu o deixava infértil agora mesmo, daria um bom dum chute nesse... Meus pensamentos foram interrompidos quando o olhar dele caiu sobre mim, com uma cara de extrema repulsa e ele falou: “Mocinho, que roupas são essas?”.

Baixei meu olhar para minha jeans rasgada e para minha camiseta justa.

Qual o problema?

Lancei-lhe um olhar frio após erguer uma de minhas sobrancelhas e então ele continuou: “Ninguém te avisou que você teria que usar o uniforme?”.

“Não?” – respondi com um tom irônico.

“É, pelo visto ninguém te avisou... De qualquer modo, você vai ter que usar a batina enquanto estiver aqui, não que você não vá ter que usar isso a vida inteira, mas é para ir se acostumando. Depois eu peço para alguém te entregar uma” – falou ele, acolhedor.

“Esse vestidinho?” – perguntei apontando para um menino ao meu lado, que me olhou com uma cara nada agradável. — “Ah sim, claro, já estou usando, não está vendo?” – comentei o mais sarcástico que consegui.

“Ótimo” – falou o homem, simpático demais, para mim. – “Agora façam a gentileza de me seguirem, irei mostrar para vocês o seu guia, ele vai ajudar vocês com tudo esse ano, irá mostrar o colégio, dar boas vindas, tirar dúvidas e explicar as regras, enfim... Vamos?” – falou ele fazendo um gesto escroto para o seguirem.

Cara... Falo nada.

O seguimos até um grande salão que estava abarrotado de alunos. Muitos deles me olharam estranho, afinal, eles já eram quase padres e eu era praticamente um atentado ao pudor. Lancei-lhes um olhar desprezível e continuei a andar com o grupo de mocinhas com saia.

Nós paramos em um canto do salão e quando me dei conta o cara que tinha nos recebido antes ainda falava.

Oh céus, como fala!

Rolei meus olhos e me encostei à parede mais próxima. O meu primeiro intuito foi enfiar as mãos no bolso da calça a procura do meu maço de cigarros e então eu lembrei onde eu estava e que logicamente já haviam me limpado. Droga.

Eu senti que iria morrer, aquele lugar estava me matando, sem cigarros, sem amigos, sem sexo, ou seja, praticamente sem vida.

Levei minha mão a boca, mas essa parou no meio do trajeto quando meu olhar pousou em um cara que vinha em direção ao grupo. Ele estava com aquele vestido ridículo, mas por incrível que pareça estava incrivelmente sexy, mordia a boca de uma forma apreensiva e o seu olhar era semelhante ao de um anjo.

Ele parou ao lado do fanfarrão que estava nos instruindo antes.

“Er... bom... bom dia” – começou ele, totalmente sem jeito. – “eu vou ser o instrutor de vocês até o final do ano, meu nome é Jared e qualquer dúvida vocês poderão vir falar comigo, eu estarei a disposição” – terminou com um lindo sorriso e eu quase tive um orgasmo.

Vai ser gostoso assim na minha cama, santinho!

“Você não vem?” – ele perguntou pra mim. Eu olhei em volta e todos já estavam andando, só restava eu e ele ali naquele canto. – “E então? Vamos? Eu vou ti mostrar teu quarto” – ele falou me olhando docemente.

“Claro” – falei com o sorriso mais malicioso que consegui e comecei a seguir o grupo novamente, balançando ao máximo a minha bunda.

Espero que ele observe a minha bunda gostosa, dá trabalho demais ficar rebolando assim para ele nem notar.

O instrutor gostosinho tomou a frente do grupo e eu sem perder tempo dei um jeito de ir parar eu seu lado.

Enquanto ia andando, ele falava e apontava os lugares, explicando detalhadamente as coisas para os novatos, tão prestativo; sua voz era doce e eu já devia estar babando em cima do cara, sem contar que eu estava o comendo com o olho, se ele do nada tivesse um orgasmo, eu saberia de quem era a culpa.

De vez em quando ele me lançava uns olhares acompanhados de uns sorrisos lindos, que dava vontade de agarrar ele ali mesmo.

Repreendi meus pensamentos, eu estava em um lar de Deus, não podia ficar fazendo tais pensamentos, mas era quase impossível não pensar no cara, só me contentei porque senão em breve eu ganharia um certo volume no meio das pernas e não seria agradável.

Em certo momento do trajeto eu fiz um comentário infeliz sobre a bunda dele e ele me olhou com uma cara desagradável. Eu não posso fazer nada se a bunda dele era boa e eu pensei alto demais. Mas eu me conformei em calar a boca até o final da apresentação.

Quando me dei conta só restava eu e ele na frente da porta de um quarto, no fim de um corredor qualquer. Olhei para ele de canto e esse começou a falar.

“Bom, esse é o seu quarto e bem... é o meu também” – falou ele meio envergonhado. Logicamente um sorriso malicioso tomou conta do meu rosto, um ano, com ele? Interessante. – “Venha, eu vou ti mostrar o quarto” – terminou de falar já com a porta aberta.

Entrei no quarto, não era muito grande, tinha duas camas localizadas em paredes opostas, entre elas havia uma pequena mesa de cabeceira com um abajur, em um outro canto do quarto se encontrava um armário simples e para completar o conjunto de coisas miseráveis, havia um minúsculo banheiro, com um espelho que era mais pobre que o resto das coisas ali.

Rolei meus olhos e fui em direção a minha linda cama. Abri minha mochila e tirei alguns pôsteres de lá, depois eu os colocaria na parede do quarto, só para dar um pouco de vida.

“Espero que você não esteja pretendendo colocar essas coisas na parede” – falou o instrutor gatinho as minhas costas, perto demais.

“Na verdade, eu estou” – me virei para ele com os braços cruzados, wow, ele é sexy.

“Só pretende, porque não vai” – falou ele me olhando com cara de deboche. Quem ele ACHA que é? Bonitinho, mas é chato.

“E quem vai me impedir?” – perguntei chegando perigosamente perto.

“E... eu, porque...” – ele falou nervoso com a proximidade, sorri e cheguei tão perto que nossos corpos quase se colaram – “Porque eu sou o seu monitor e quem manda aqui sou eu, agora, por favor, será que você podia parar de respirar no meu rosto? Eu estou começando a ficar incomodado” – terminou ele, em um fôlego só. Afastei-me sorrindo.

“Depois nós resolvemos isso” – disse enquanto passava por ele, lhe dando uma piscadela.

Ele corou um pouco e o meu ego se elevou ao máximo.

Entrei no banheiro sorrindo e me olhei no espelho. Arrumei a minha maquiagem e imediatamente uma luz se acendeu na minha cabeça, ou melhor, um holofote, de tão brilhante que era minha idéia.

Tirei a minha camiseta rapidamente e joguei um pouco de água no meu peito, pra ficar com um ‘efeito suado’, desarrumei um pouco o meu cabelo e me olhei novamente no espelho. Sorri ao notar que eu estava como desejava, totalmente gostoso e sexy.

Em seguida soltei um gritinho rouco e logo escutei passos vindo em direção ao banheiro.

Tão previsível...

“Que foi?” — perguntou ele assustado, passando as mãos no cabelo enquanto olhava nervosamente para os lados.

“Não sei, acho que eu vi uma aranhazinha...” — falei no meu tom mais doce. As mãos dele caíram de vagar ao lado do corpo e ele me olhou incrédulo.

“Eu não acredito que você me fez correr até aqui por causa de uma aranha, será que você não tem capacidade de matar ela sozi...?” — nesse momento seu olhar caiu sobre o meu corpo suado e ele perdeu a fala imediatamente. Por alguns minutos seus olhos esquadrinhavam milimetricamente o meu corpo e seu queixo foi caindo a altura que ele subia seu olhar dos pés a minha cabeça. Sorri convencido e me aproximei dele.

Jared deu um passo para trás quando percebeu que eu me aproximava.

“Que foi...?” — ele disse com a voz falha.

Sem perder tempo me aproximei dele, segurei-o pelas coxas e passei as mesmas em volta do meu corpo, me virei e o prensei na parede de forma que ele não conseguiria sair nem se quisesse, ele deu um gritinho de surpresa, mas eu segurei o seu cabelo com uma das mãos e aproximei seu rosto do meu, em seguida, com um sussurro rouco, disse: “Na verdade, eu tenho bem mais capacidade do que vossa santidade imagina”, rapidamente levei os meus lábios aos seus e mordi a sua boca. Jared soltou um gemido baixo que fez os pelos da minha nuca se arrepiarem e sem perder tempo envolvi sua boca num beijo selvagem e cheio de desejo.

Soltei ele após o beijo, Jared ficou parado onde estava com os olhos fechados, simplesmente lindo, não me contive e dei uma risada um tanto escandalosa, ele abriu os olhos imediatamente me fuzilando com o olhar. Inclinei meu corpo para frente e suguei rapidamente seu lábio inferior.

“Você é uma delicia” — falei piscando um dos olhos.

“E você é um retardado” — ele retrucou saindo do banheiro, logo após escutei a porta do quarto bater ruidosamente e eu de imediato soltei uma gargalhada rouca imaginando quantos \'pai nosso\' ele teria que rezar após aquilo.

Esse ano vai ser melhor do que eu imagino.

Fim


Notas finais
Obrigada quem leu, fico muito feliz com reviews ^_^ E obrigada phri que me ajudou a revisar e leu antes que todo mundo, nhu, te amo (L)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!