'Cause The World Is At Our Feet
1 Eu cuido de você
Notas iniciais
Pov. Ally
Acabei de chegar na casa da minha vó, demorei quarenta minutos, ela mora longe da cidade, no campo. Eu mesma já pedi a ela para vender esse terreno que dará uma boa grana (pois é muito grande) para ela comprar uma casa na cidade, o que seria melhor até pra mim, quem disse que ela aceita?
- Ally! Quem bom ver você, parece com fome. — Ela disse me abraçando assim que pisei na varanda.
- Não tem o que comer lá em casa, andei beliscando uns biscoitos... não fui ao supermercado ainda e...
- Andrew! — Ela disse me interrompendo, me virei para trás e Andrew, filho do vizinho de minha avó e meu amigo de infância, tinha acabado de pisar na varanda também.
- Oi Anny, como vai? — Ele disse e a abraçou. — Olha quem temos aqui. — Ele disse e o abracei. — Quanto tempo que não nos vemos... uns seis anos?
- Por aí, onde você esteve todo esse tempo?
- No exterior, estudando. — Ele disse e fomos para a cozinha com minha avó, que iria fazer algo para eu comer.
- Ãn... Só estudando? — Disse olhando pra seus braços enquanto me sentava na mesa. Ele riu.
- Quase isso. — Nesse momento minha vó colocou um copo com chocolate quente na minha frente e um misto quente.
- Vou deixar vocês matarem as saudades. — Anny disse e saiu da cozinha, ela acha que nós namoramos embora eu já tenha dito que não.
- Você emagreceu. — Ele disse quebrando o silêncio, mordi meu misto e o olhei.
- Ah então quer dizer que eu era gorda?!
- Não. — Risos. — Tá mais magra que o normal.
- Não acho. — E bebi um pouco de chocolate.
Ele revirou os olhos e quando larguei meu copo para voltar a morder o pão, ele bebeu um pouco também.
- O que vai fazer hoje? — Ele perguntou.
- Talvez fique aqui com minha vó. — Disse. — Por quê?
- Só pra saber, vai de ônibus?
- Sim, não tenho carro.
- Não vai querer carona?
- Não, não precisa, eu... ãn.... me viro, obrigada. — Disse e olhei para o relógio, 19h.
Terminei de comer e lavei o prato junto com o copo, Andrew me ajudou e depois fomos no sentar na varanda onde minha vó se retirava.
- O que foi vó? Já vai dormir?
- Sim, sim, pode ficar mais se quiser junto com o Andrew, amanhã você vem me ajudar a limpar o terreno?
- Ah, claro, venho sim. — E dei um beijo nela, a mesma entrou batendo a tela com a pouca força que lhe restava, me sentei numa das cadeiras de balanço e Andrew na do lado.
- Como tá a escola? — Ele perguntou pegando minha mão.
- É... Chato. — Rimos. — Você podia ainda estar lá.
- Já tenho 19 anos e já terminei, no exterior lembra?
- Lembro mais é que não é a mesma sem você.
- Eu sei que você me ama e tals mais... — O cortei.
- Convencido. — E larguei sua mão, antes que pudesse me levantar ele colocou a mão na minha coxa, ri. — É sério Andrew, tenho que ir.
- Tem certeza que não quer carona? Já tá praticamente de noite, é longe daqui pra sua casa e...
- Não precisa, eu sei me cuidar. — Sorri e me levantei.
Andei um pouco até chegar à cerca, abri a mesma, ele vinha atrás de mim, ia pra sua casa.
- Tchau. — Disse sorrindo e voltei a andar, mais ou menos quarenta minutos depois, jurava ter me perdido, estava tudo escuro, e tinha um só poste em cada quarteirão, nesse momento estava embaixo de um e um carro vinha se aproximando, tentei fingir estar entrando na casa que tinha certeza que havia ali, quando me virei, era apenas capim.
- Ei, psiu, ei. — Era um homem mais parecia ser um moleque pela voz meio fina, respirei fundo e me virei. — Tá perdida?
- Com certeza ela tá. — Um segundo no qual eu não consegui ver o rosto, falou.
- Entra aqui, a gente te leva pra casa. — O moreno que dirigia, disse.
- Não, ãn, minha casa é logo ali. — Iria voltar para casa da minha vó, era a única casa que sabia que existia por ali, embora estivesse um pouco longe.
- Que isso, entra aí. — E abriram a porta.
- Ah, finalmente te achei garota! — Alguém falou segurando em minha mão, me virei assustada, era Andrew.
Suspirei aliviada.
Ele apertou minha mão, fiz o mesmo e ele me puxou, saímos pela a rua, demos a volta no quarteirão e entramos no carro dele, aquele carro nos seguia.
- O quê você pensa que tava fazendo Ally?!
- Eu... eu não fiz nada, e-eles... — Eu me tremia. — O-obrigada Andrew.
- Não vou mais deixar você sair por aí sozinha de noite. — E deu partida no carro que cantou pneus no asfalto de cascalho. — Vou levar você pra casa.
- Mais e... eles? — Disse olhando no retrovisor.
- Se eles não pararem eu fico com você lá.
- Não precisa, é sério, só lhe mostrei porque achava que você não tinha visto e... sei me virar.
- Não acredito mais nisso. — E chegamos em rua asfaltada, estávamos à 60km/hr. — É naquele lugar que você me disse por mensagem quando vir passar as férias?
- A gente nem se viu, como sabe?
- É ou não é? — Ele tá puto comigo.
- É. — Disse e afundei mais no banco do carro, olhei pelo retrovisor mais uma vez e eles pareciam ter desistido.
- Ally, acorda, chegamos. — Ele disse me sacudindo devagar.
- Ah, sim, ãn, obrigada. — E o abracei, quando ia entrando na portaria percebi que ele me seguia. — Acho que já tô segura aqui.
- Não, não está, entra. — E me empurrou pra dentro, subimos dois lances de escada e abri a porta do meu apto.
- Tchau. — E bati a porta, tirei minha sapatilha e a porta se abriu, ele entrou e trancou ela.
- O que foi agora?! — Disse quando vi ele olhando pela janela a rua.
- Eles estão lá embaixo. Um loiro e um moreno, embora acho que já deixaram você pra lá.
- Quer dizer que você vai dormir aqui?! — Disse tentando parecer irônica.
- Durmo no sofá mesmo, eu não vou deixar você sozinha!
- Olha me desculpa se eu fui irresponsável ou algo do tipo, mais não precisa dessa grosseria toda. — Disse enquanto pegava um cobertor para ele.
- Desculpa Ally. — Ele disse pegando o cobertor e jogando no sofá. — Eu só não quero você em perigo, se lembra quando brincávamos quando criança? E daquele dia que disse à você que cuidaria de você? — Assenti com a cabeça. – Então!
- Tá bom, eu tenho um colchão reserva lá no quarto... vou pegar. — Disse e fui no meu quarto, peguei o colchão e quando voltei larguei o mesmo no meio da sala. — Não é essas coisas, mais você pode puxar os assentos do sofá e por ele em cima. — Disse.
- Não precisa se preocupar, eu me dou meus pulos.
- Então, boa noite. — Disse olhei pra porta da cozinha. — Tem whisky de fogo lá dentro.
- O quê? Você anda bebendo?! — Ri.
- Não besta, minha amiga quando ela vem aqui.
- Ah bom. — Ele disse. — Boa noite.
Acordei no dia seguinte às sete horas com minha amiga me ligando.
- O que foi dessa vez Trish?! Quero dormir!
- Hoje você vai em uma festa comigo.
- Eu?! Não.
- Vai, por favor Ally, na de ontem você não foi nem na da semana passada. Por favor!
- Tá bom, tá bom, vou agora de manhã pra minha vó ajudar ela e de tarde eu posso ir.
-É de noite. — Ela disse como quem diz ''isso-é-a-coisa-mais-óbvia-do-mundo" — Passo aí as 17h pra gente se arrumar.
E desligou o telefone. É cada uma, ela sabe que odeio festas! Que raiva! Joguei meu celular em cima da cama e me levantei, tomei um banho e coloquei uma roupa simples de ficar em casa, quando fui para a sala Andrew ainda dormia, fiz um pão com manteiga pra mim e comi, assim que terminei de comer ele acordou.
-Ãn... não fiz nada para você comer porque não sabia se você comia só pão com manteiga, é, realmente preciso ir no supermercado. — Falei fechando a geladeira que apenas tinha manteiga e iorgut, não sirvo pra morar sozinha.
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