Cause I love you
16 Era Você
Notas iniciais
Stella estava encostada no parapeito da varanda da sala em seu apartamento observando a cidade à sua frente agarrada ao seu agasalho naquela noite fria. Apesar da manhã mais que prazerosa ao lado de Mac, a tarde tumultuada no laboratório foi suficiente para arrancar-lhe toda a energia. O fato de ela e Mac não terem ido trabalhar no turno da manhã gerou um grande atraso nas investigações e em seu sentimento de culpa, Stella tentou ao máximo compensar sua ausência ficando no laboratório até mais tarde e resolvendo o máximo de pendências possíveis. Durante o dia Mac lhe telefonou várias vezes e em todas Stella evitou falar ou revelar quem era na frente de seus colegas de trabalho afim de manter o relacionamento em segredo.
Ao chegar em casa Stella pretendia simplesmente tomar um banho e se jogar na cama mergulhando em um sono intenso, mas seus pensamentos soavam mais fortes que seu desgaste físico sendo essa a razão de ela estar a observar a cidade naquele momento. Ficava repassando cada momento com Mac, cada beijo, cada carícia...cada gemido. Stella tentava conter um sorriso que insistia em brotar em seu rosto mas era inevitável: ele estava lá. Um vento frio beijou seu rosto fazendo-a estremecer e ela desejou que fosse o seu amado que a tocara naquele momento. Apesar das muitas insistências dele de que ela dormisse novamente em sua casa, ela teve de recusar mas com a promessa de que ele passaria em seu apartamento caso a saudade apertasse e foi o que aconteceu. Não muito depois das dez da noite a campainha soou tirado Stella de seus pensamentos. Um calafrio percorreu sua espinha, um frio subiu-lhe pela barriga resultando em um sorriso discreto em seu rosto que mais tarde ela não conseguiu disfarçar denunciando quem estava a porta.
SB – Mac. – Suas palavras eram acompanhadas de um sorriso tímido. – Entra.
MT – Espero não ter chegado muito tarde ou estar te atrapalhando em algo.
SB – Claro que não. – Stella fechou a porta e se encostou na mesma encarando Mac sem saber o que dizer. Nem pareciam o mesmo casal de amantes desinibidos de mais cedo. – Está tudo bem? – Questionou depois de um tempo em silêncio em que ficaram se encarando.
MT – Sim. Eu só não sei como dizer que você está linda. – Stella sorriu sem graça e Mac se aproximou dela levando a mão até sua nuca a puxando para um beijo. – Estava com saudade do gosto da tua boca. – Sua voz grave soava ao pé do ouvido dela fazendo-a se arrepiar toda.
SB – Mac... Desculpa, mas eu estou muito cansada pra isso.
MT – Eu sei que sim. Liguei no laboratório e me falaram que você trabalhou bastante hoje, então imaginei que estaria cansada. Não vim com segundas intenções. – Sorriu docemente. – Só quero ficar do teu lado, nada além disso. – Ela lhe devolveu o sorriso agradecida pelo homem que estava a sua frente. – Trouxe um vinho pra gente tomar. – Ergueu a garrafa que tinha em mãos.
SB – Obrigada por compreender. – Dito isso deu mais um beijo nele. – Vou pegar um abridor e as taças pra gente.
MT – Não, deixa que eu pego, é só me dizer onde encontrar. Quero que descanse.
Mac foi até a cozinha pegar os utensílios de que precisava. Stella disse que tinha um queijo que poderia acompanhar o vinho e Mac o trouxe também. Após servir, Mac se aconchegou no sofá com Stella em seus braços e puseram-se a conversar e degustar o vinho entre um beijo e outro.
SB – Está pretendendo dormir aqui? – Ela foi bem objetiva.
MT – Só se você me convidar.
SB – Você sabe que não é preciso. Só não sei o que vamos fazer com relação à sua roupa.
MT – Quanto a isso não se preocupe, posso dormir sem. – Ele sorriu com a expressão de espanto que ela fez. – Ou posso simplesmente pegar a mala que deixei no carro lá em baixo.
SB – E ainda diz que não veio com segundas intenções!
MT – Apenas sou um homem prevenido meu amor. – Ele beijou levemente os lábios dela.
SB – Sabe que fazendo isso eu estou quebrando a regra que diz “nada de homens em casa” não é? Mas como toda regra tem sua exceção...
MT – Deixa eu adivinhar...Eu sou sua exceção.
SB – Sempre foi. – Ela partiu para um beijo intenso cheio de desejo. – Mas vai logo pegar suas coisas porque está ficando tarde.
Mac desceu até o carro, pegou suas coisas e subiu novamente. No elevador, encontrou com uma senhora que subia para o mesmo andar que ele. Estranhando a presença de Mac àquela hora da noite com uma mala nas mãos o questionou sobre a razão de estar ali.
MG – Vem sempre aqui meu jovem? – Perguntou olhando-o de cima a baixo enquanto o elevador subia.
MT – Não, eu só.... – Ele não sabia exatamente o que dizer. Presumia que aquela senhora era alguma vizinha de Stella já que seguia para o mesmo andar. – Eu só vou passar uma noite na casa de uma amiga.
MG – É a Stella?
MT – Sim, como sabe que é ela?
MG – Além de mim, a única mulher que mora nesse andar é ela. – Ela sorria. — Mas com uma mala desse tamanho você não quer que eu acredite que vai passar só uma noite, não é? – Mac sorriu sem graça. – Não se preocupe, não estou julgando você, já entendi como funcionam esses casais modernos. Só toma cuidado com o Benjamim, o moço do apartamento 1003, ele já andou cortejando a sua amada. – Ela falava em segredo pra ele. – Mas ela não o quis, na época estava passando por momentos difíceis, um amigo querido dela tinha morrido e coisas do tipo, você deve saber a história. – Mac fez que sim. – Fico feliz por ela finalmente ter saído de sua prisão. Aquela menina só vivia para o trabalho, isso vai fazer bem a ela. Ela deve gostar muito de você para se deixar viver isso.
MT – Espero que sim. – Ele sorria discretamente desviando o olhar dela.
MG – Vocês se conhecem de onde meu jovem? – O elevador parou no andar deles.
MT – Trabalhamos juntos no laboratório. – Disse saindo do elevador seguindo-a – Tecnicamente, sou o chefe dela.
MG – Ah, então você é o moço que ela disse que quase morreu! – Mac corou o rosto – É... Ela te ama muito viu, deveria ter visto como ela ficou quando você estava naquele hospital. Durante esse tempo só vi Stella duas vezes por aqui, e em todas as vezes estava muito abatida...
MT – Eu não queria que as coisas fossem assim. – Ele a interrompeu parando no meio do corredor.
MG – É o que acontece quando se ama alguém, meu jovem. Sinceramente não esperava menos da minha menina, quando ela gosta de alguém, ela vai até o fim por essa pessoa.
MT – Vejo que a conhece muito bem.
MG – Quando Stella chegou aqui ela estava muito abalada. Tinha acabado de perder o apartamento, a vida tumultuada. Ela não tinha nada então as vezes comia aqui na minha casa sempre que eu conseguia convencê-la a comer algo. Ela se parece muito com uma filha minha que mora longe, acabamos por nos aproximar bastante. Podemos dizer que adotamos uma à outra. – Ela deu um leve sorriso. – Não conta pra ela que eu te disse isso, mas ela sempre fala de você. – Ele abaixou a cabeça tentando disfarçar o sorriso e o rosto corado. – Acho que maior que o amor que ela sente por você só a admiração que ela tem por ti. Não perca isso, meu jovem. Eu sou uma mulher experiente e posso te afirmar que uma mulher como ela não se encontra em qualquer lugar, ainda mais no Estado de Nova York. – Ela sorriu.
MT – Não se preocupe. Vou fazer de tudo para que ela seja feliz. Já lhe causei muita dor. Quero que daqui pra frente seja só felicidade!
MG – Acredito que sim. O que conheço de você sei que é um bom homem. Te encontrar aqui só confirmou o que Stella já tinha me falado a seu respeito.
MT – Desculpa, não me apresentei formalmente. – Ele estendeu a mão na direção dela. – Muita grosseria da minha parte.
MG – Você só pode ser o Mac Taylor. – Ela sorriu. – Sei mais de você do que imagina. Eu é quem deveria me apresentar. Margor Grammont. Prazer.
MT – Obrigado por cuidar da Stella. Fico tranquilo sabendo que tem alguém por perto em que posso confiar.
MG – Imagina, meu filho. A Stella é uma filha pra mim. Faço isso com prazer. Vocês poderiam almoçar na minha casa esse fim de semana. Meu filho está vindo com meus netos. Ficaria feliz se vocês estivessem com a gente, gosto de família reunida. – Mac sorriu.
MT – Por mim está tudo bem, só preciso falar com a Stella, mas acredito que não terá problema.
MG – Então espero vocês no domingo.
MT – Claro. Mas eu peço pra Stella confirmar com a senhora.
MG – Ta certo então. Boa noite meu filho.
Ela sorria já abrindo a porta de seu apartamento enquanto Mac se dirigia para o apartamento de Stella quando o som de uma porta logo ao lado lhe chamou a atenção fazendo-o parar. Um homem de cabelos negros levemente ondulados e de porte atlético saiu de lá exalando um perfume masculino que logo invadiu todo o corredor. Mac o encarou com frieza e percebeu que se tratava do homem a quem Margor tinha se referido. Ele logo tocou a campainha de Stella. O homem não tirava os olhos de Mac que logo percebeu que estava sendo obervado. Ao abrir a porta Mac puxou Stella pela cintura beijando-a intensamente, deixando bem claro para o vizinho seu envolvimento com ela.
SB – Está tudo bem? – Perguntou após cessar o beijo. – Achei que demorou.
MT – Me distrai conversando com a D.Margor. – Respondeu olhando de rabo de olho para o vizinho mas este já tinha entrado no elevador.
SB – Suponho que ela tenha te falado do meu vizinho gostoso. – Ela o provocou puxando-o para dentro do apartamento. – E suponho também que era ele quem acabou de entrar no elevador.
MT – Você esta cheia de suposições dona Bonasera.
SB – Nem tente disfarçar Mac, sei que está com ciúmes. Eu vi o Ben no corredor e também vi você olhando pra ele depois de me beijar.
MT – Ben? Gostoso...? Quanta intimidade. Vejo que motivos eu tenho de sobra pra ficar com ciúmes. – Ele ainda tinha as mãos na cintura dela.
SB – É, mas não precisa seu bobo. Eu nunca o quis. Não tem com o quê se preocupar. Vem, vou te mostrar seus aposentos. – Mac a seguiu colado em seu corpo, enquanto uma mão puxava sua mala pelo corredor, a outra segurava Stella pela cintura, mantendo seus corpos grudados.
MT – Imagino que esse não é o quarto de hóspedes... – Disse dando uma olhada no ambiente.
SB – Não, esse é meu quarto.
MT – Achei que eu ia dormir no quarto de hóspedes.
SB – Está brincando, né? Que graça teria você dormir aqui se não for comigo? – Disse em um tom provocante.
MT – Tem razão, eu estava brincando. Só queria ver sua cara. – Mac a puxou novamente pela cintura e passou a beijar-lhe o pescoço. Stella não resistiu às carícias do bom moço e devolveu na mesma moeda, sentindo seu corpo responder aos instintos, Mac ergueu Stella pelo quadril colocando-a contra a parede sem cessar seus beijos. Sua boca passeava pelo corpo dela que jogava a cabeça para traz dando mais espaço para que ele continuasse com seu trabalho. Logo ele estava tentando tirar a roupa dela quando foi interrompido.
SB – Mac... é melhor não. – Ela tentava se afastar dele. – Você concordou que hoje não teria nada de sexo, lembra-se?
MT – Ah...- Ele suspirou frustrado. – Tudo bem, mas se por acaso você mudar de ideia...
SB – Eu não vou mudar de ideia. Anda, traz suas coisas. Arrumei um lugar pra você guardar só não sei se vai caber tudo. – Disse olhando para a mala que Mac puxava. – Você disse que eram quantas noites mesmo? – Ela não disfarçou o sarcasmo. – Vai querer uma cópia da chave e mandar suas correspondências pra cá também?
MT – Muito engraçado, dona Stella. Mas trouxe o necessário para alguns dias, ou você pensa que se verá livre de mim assim Tão fácil?
SB – Não vá se acostumando detetive!
Stella deu um selinho em Mac e em seguida o ajudou a organizar suas coisas no espaço que tinha reservado em seu armário para ele. Ela gostava da presença dele, mas sentia que fazendo isso estava se antecipando com as coisas, que estava indo rápido demais com o relacionamento mas não queria falar nada com Mac pois tinha medo dele interpretar mal as coisas e assim preferiu seguir em frente e ver no que ia dar.
Minutos depois os dois já estavam na cama deitados conversando, esperando o sono chegar, coisa que para Stella aconteceu mais rápido.
MT – Achei que você não gostava de dormir com roupa.
SB – É que você está aqui e achei que não deveria dormir sem nada. – Disse meio embriagada de sono.
MT – Você sabe que não precisa disso, se quiser pode tirar, juro que não me importo. – Sua voz soou um tanto maliciosa.
SB – Não, eu consigo dormir de camisola. – Ela se virou para o lado oposto ao dele. – Agora dorme vai.
MT – Stella... – A chamou depois de um tempo em silêncio. – Quem era a mulher da foto?
SB – Que foto Mac? – Perguntou sem muito interesse no assunto.
MT – Aquelas que vi na sua sala naquele dia. Que você estava na cama com ela e...você sabe.
SB – Hum...o quê que tem?
MT – Quem é aquela mulher? É alguma amiga sua? – Perguntou sem graça.
SB – Hrum... – Ela nem sabia o que falava direito de tamanho o sono que tomava conta de si.
MT – Vocês já tiveram algum envolvimento mais profundo?
SB – Hrum...
MT – Vocês ainda estão juntas? – Ele começou a desconfiar de que ela realmente não sabia o que estava falando.
SB – Hrum...
MT – Stella. – Ela apenas deu um grunhido sinalizando que estava ouvindo. – Seu cabelo é ruivo? – Ele a testou para saber se ela realmente estava atenta à conversa.
SB – Hrum...
Mac deu um leve sorriso aliviado por saber que as afirmações de Stella eram duvidosas devido ao seu avançado estado de embriaguez. Acariciando seus cachos, ele se aproximou um pouco mais dela, sussurrou um “boa noite” ao pé de seu ouvido seguido de um beijo em sua testa. Esta ação nem foi percebida pela moça que já dormia profundamente. À medida que a noite foi avançando foi ficando mais fria, o vento soprava forte do lado de fora, lançando contra os vidros da varanda os flocos de neve que chegavam junto com um inverno rigoroso. Sentindo os efeitos do clima, Mac se aproximou de Stella, abraçando-a por trás afim de se manterem mais aquecidos. Não muito depois disso ele dormiu.
Durante a noite uma inquietação tomou conta de Stella agitando seu sono. Ela se mexia muito na cama, puxava os lençóis, rolava de um lado para o outro até que começou a emitir leves gemidos característicos de dor quando enfim sua voz eclodiu no silêncio da noite tomando conta de todo o quarto.
SB – Nãaaao! Para! Não, eu não quero! Para! – sua voz rouca rasgava sua garganta. – Sai, sai de cima de mim!
MT – Stella! – Ele acordou assustado com os gritos dela. – Stella, minha querida, acorde. – A sacudindo tentando acordá-la. – Stella! – “Sai de cima de mim! Me solta!” Dizia ela empurrando-o tentando se desvencilhar das mãos dele ainda presa em seu pesadelo. – Stella, vamos acorde! – Insistiu quando por fim ela despertou assustada. – Stella, meu amor, o que houve? – O olhar que Stella lançou sobre ele o fez temer. Ela tinha o olhar fixo em Mac, ofegante, o encarava apavorada, reconhecendo aquele rosto, assustando-se mais ainda.
SB – Não me toca! – Sua voz era trêmula, ela suava frio e seu rosto estava encharcado de lágrimas que escorriam pelo seu queixo caindo em seu colo. – Se afasta de mim...
MT – Stella, calma, foi só um pesadelo, está tudo bem agora. – Mac tentava decifrar aquele olhar e aproximando-se dela, buscava acalmá-la. – Já passou.
SB – Não chega perto. – Apavorada, se recolheu ainda mais, se colocando ao canto da cama.
MT – Foi um pesadelo com o Frankie, não foi? Não precisa se preocupar, ele não pode te fazer mal Stella, eu estou aqui. – Ele tentou se aproximar dela novamente mas ela recuou como das outras vezes. – Stella, não precisa ter medo, o Frankie não pode te machucar...
SB – Não era o Frankie, era você!
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