Cause I Will Stay With You
2 Um passeio por ruas e por sentimentos
Notas iniciais
Leiam, leiam! Divirtam-se!
E se acham como eu, que está muito enrolado... Aguentem, por favor T-T
POV Yuri
É óbvio que as meninas não iriam gostar da notícia. E me senti muito mal em ter que ir de porta em porta acordando todo mundo. Passei no quarto da Taeyeon e da Sunny, expliquei rapidamente minha aventura deprimente no telefone, e sai do quarto, indo para o quarto que Hyoyeon dividia com a nossa maknae. Parei um pouco na porta e suspirei antes de entrar. Bati na porta para caso ela estivesse acordada e entrei. Estava dormindo. Acordei-a sem pressa e sem alarde para não assustá-la. Mesmo ela adorando acordar cedo, devia estar cansada. Me senti triste de novo e agora tenho que dar a notícia que não poderia descansar porque temos coisas marcadas na agenda no nosso ex-dia de folga. Ela abriu os olhos e já veio me perguntar se estava atrasada. Coitadinha. Mas é óbvio que não consegui evitar abrir um sorriso calmo e com um fundo de alegria. Minhas amigas de grupo eram meu maior tesouro, junto com a minha família. Expliquei o que aconteceu, e ela suspirou aliviada. “Pelo menos poderemos chegar no horário ainda”. Deus, como pode ser tão inocente??
Saí do quarto na hora que Hyo-unnie estava chegando no quarto.
- Obrigada por acordar as meninas. Tae já levantou e Sunny foi tomar banho. — Hyo-unnie parecia tão cansada quanto eu.
- Por nada. Que horas ficou marcado lá na sede?
- Chorei para nosso Oppa, e consegui fazer ele adiar para nove horas.
- Pelo menos não precisamos correr tanto! — Abri um sorriso demonstrando ser uma boa notícia, mas minha unnie continuou parecendo séria.
- Yuri-ah, não temos nada para comer. Você pode ir na padaria? Eu termino de acordar as meninas...
- Claro! Pode deixar. Ah, eu acordo a Yoona, já que vou lá pro quarto trocar de roupa! — Respondi me animando um pouco. Pelo menos poderia correr, mesmo que não desse tempo para fazer yoga, já seria alguma coisa.
- Certo. Obrigada, Yuri. Daí quando você voltar vai se aprontar que vou arrumando o café!
- Certo, unnie!
E agora, a parte mais difícil para mim. Parei na porta do nosso quarto. Nosso, porque divido quarto com a minha dongsaeng Yoona, a segunda maknae da casa. Seria difícil acordá-la. Não por ela ter sono pesado ou algo assim, mas eu tinha um carinho imenso por ela. Com Seohyun era uma sensação de amor e cuidado diferente. Com Yoona, eu tinha um sentimento de cumplicidade que eu não sentia tão forte pela maknae. Minha vontade era deixar minha companheira de quarto dormindo. Mas não podia. Mas poderia dar a ela mais uns minutinhos, não? Acho que não teria problema algum...
Andei até nosso guarda-roupas silenciosamente, procurando uma roupa leve para correr até a padaria. Peguei um shorts que tivesse bolsos grandes, já que precisaria correr, e correr com bolsa não dá muito certo, né? E também, precisaria levar o celular e a carteira, correr com eles na mão não seria legal. Escolhi uma camiseta simples pra não chamar muita atenção e fui em direção ao banheiro. Mas antes não pude evitar de olhar pra cama da Yoona. Ela estava deitada enrolada na coberta quase como se estivesse num casulo. Não evitei o sorriso que tentou aparecer no meu rosto. Ela é muito fofa.
Afastei todos os pensamentos da minha cabeça. “Yuri, Yuri, preciso te lembrar que você está com pressa?”. Entrei no banheiro, lavei o rosto, me troquei rapidamente, passei uma base simples e protetor solar. E saí do banheiro. Agora não pude evitar de fica com dó. Não dava mais pra evitar acordar a minha colega de quarto. Ainda dei mais alguns segundos enquanto pegava uma meia e a colocava sentada na minha cama. E não me surpreendi em perceber que estava olhando para ela ao invés de ir acordá-la. Aaah, se Hyo-unnie entrar aqui no quarto, ela vai brigar comigo e com razão... Além de acordar nossa segunda maknae no meu lugar. Levantei, fui lentamente até a cama dela, sentei na beirada, como fiz com Seohyun. E vi a expressão fofa e relaxada da garota. Aigoo... Eu devia ter deixado a Hyo-unnie acordá-la... Continuei olhando para ela sentindo um pesar de ter que tirá-la do mundo dos sonhos, onde ela poderia estar sonhando com um dia que não teríamos hoje...
Reparei que ela havia escondido o rosto embaixo do travesseiro, provavelmente quando o telefone estava tocando... E que o cabelo dela havia ficado bagunçado. Ri sozinha silenciosamente, levando minha mão instintivamente ao rosto dela, arrumando os fios bagunçados no rosto dela. Aigoo, eu realmente tenho que acordar ela, né?
- Yoona? Yoona, acorda... — Balencei ela pelo ombro calmamente. — Ya, acorda, maninha! Yoona, acorda!
- Ah, unniiiiie... — Parei de balançá-la. — Deixa eu dormir só mais um pouquinho...
- Não dá... Temos horário marcado hoje, nove horas. — Sorri para ela.
- Não temos não, hoje estamos livres! — Ela virou na cama para a parede se enrolando mais na coberta. — Volta a dormir, unnie...
- Yoona, temos horário marcado... Não podemos demorar muito! — Não resisti e abracei ela. Senti seu cheiro levemente doce, que tanto me agradava. Pude perceber que ela riu de leve, e aproveitei para fazer uma brincadeirinha com ela. Levantei ainda abraçando ela, fazendo ela rir e sentar. E comecei a rir com ela.
- Horário marcado pra quê, unnie? — Ela pergunta fazendo cara de cachorrinho com sono, e precisei levantar para não me derreter inteira. Só ela consegue fazer isso comigo...
- O empresário-oppa conseguiu fazer Hyo-unnie e eu acordarmos de tanto que ele ligou. Estava desesperado que temos horário marcado para não sei o que lá na sede hoje. Ele tinha esquecido disso quando deu um dia de folga pra gente... — Respondo tentando esconder meu cansaço, mas já estava a um tempo acordada e com pouco tempo de sono. Precisei segurar pra não começar a bocejar. Levantei da cama e fui até uma das minhas gavetas para pegar um boné. Coloquei-o, peguei meu celular e minha carteira, coloquei um em cada bolso, olhei para Yoona novamente com um sorriso no rosto.
- Vou comprar pão.
- Mas tá ceeeeeedo!!! — Ela deita novamente.
- Unnie, eu realmente não quero chamar a Hyo-unnie...
- Tá bom, to levantando... — Eu sabia que ela ia ficar com medo. Da última vez que a gente não queria levantar, a Hyo foi tão divertida... É, isso foi uma ironia. Ela entrou no quarto com o mp3 do celular dela ligado, escancarou a janela e arrancou nossos travesseiros. Quem dera ela tivesse essa energia pra acordar a Jessica...
- Yoong, eu to indo lá. Juízo, hein? — Me aproximei dela de novo, assim que ela sentou na cama por conta própria, e dei um beijo em sua testa. — Qualquer coisa, liga, to levando o celular. — E me virei para sair do quarto.
- Unnie, não demora... — Vi ela levantando da cama, sorri mais uma vez e fui saindo do quarto, com a sensação de que meu humor estava um pouco melhor, graças à ela.
Saí pela porta do apartamento e segui o corredor. Então... Elevador ou escada? Elevador ou escada? Escada, afinal é descida e não custa correr um pouco mais, né? Abri a porta do andar que dava para as escadas e comecei a correr com o maior cuidado para não cair. Quando saí do prédio dos dormitórios coloquei óculos escuros, dei a volta pelo estacionamento e saí pelo portão de trás. Assim evitaria que alguém me visse saindo do próprio prédio de dormitórios da SM, o que poderia me atrasar consideravelmente. Lógico que eu já estava correndo. Comecei devagar para entrar no ritmo, mas agora já corria a vontade. Passei por dois quarteirões e já podia ver a padaria mais próxima dos dormitórios. Mas convenhamos, mesmo a nossa líder e a aegyo queen gostavam muito daquele pão. Isso que elas mais a Fany eram as viciadas do grupo em pão. Corri por mais alguns bons minutos sentindo uma liberdade incrível. Eu adorava sentir isso. Nesses momentos onde eu corria, nadava, dançava... Nesses momentos eu podia sentir que o mundo era meu também, não somente das pessoas normais.
E o mundo era meu também quando estava com as minhas irmãs. Qualquer situação, por mais simples que fosse, se estivéssemos juntas se tornaria um momento prazeroso e divertido. Podia ser enquanto assistíamos um filme, enquanto nos derretíamos por um ator, ou conversamos sobre nossos sentimentos nas nossas conversas que chamamos carinhosamente de “conversa das velas”. E o mundo era meu também, e eu sentia que a felicidade me pertencia também quando eu tinha longas conversas com a Yoona no quarto. Falamos de tudo, sem excessões. Conversamos sobre o dia, como nos sentimos, música, hobbies, desejos, idéias... Ela sempre me incentiva a soltar a minha voz. Eu sempre incentivo ela a se tornar uma atriz melhor. Nós somos como irmãs de verdade. E não nego que as vezes isso não me agrada. Bom, talvez tenha uma única excessão nas nossas conversas, algo que fica na minha cabeça e eu não comento com ela. Mas bem... Acho que é melhor assim. Afinal, eu não quero correr nenhum risco, principalmente de afastar uma pessoa tão importante para mim por algo que... Que... Que talvez as pessoas não entendam.
Atravessei a rua novamente, e corri mais alguns minutos. Pronto, cheguei na padaria. Não era considerada perto da nossa casa, mas... É a melhor padaria das redondezas. Na porta, um homem sentado na calçada. Parecia um desabrigado. Senti algo se mexer dentro de mim e desviei o olhar. Eu odeio ver essas coisas. Me machuca. Fui atendida super bem na padaria. Tenho certeza que a balconista não me reconheceu e mesmo assim me tratou com toda atenção e foi extremamente gentil. Pedi os pães que as minhas meninas gostam, peguei alguns frios só para não comermos pão com manteiga e fui para o caixa. Coloquei minhas compras numa rede que a padaria dá para os clientes. Acho que é o único lugar que dá esse meio alternativo para as sacolinhas plásticas. Mas o pão está quente, e a rede é mais fácil para correr. Faz menos barulho. Essa rede é normal mesmo, imagine uma rede. É assim. Mas ela parece uma sacola, então ela tem o fundo mesmo para você colocar as coisas, e você segura pela “boca”, que é por onde coloca as coisas. Como uma alça mesmo. Paguei a moça no caixa e fui para uma máquina de café no canto da loja. Comprei uma latinha de café com leite adoçado bem quente, e saí da padaria caminhando calmamente. Parei na frente do homem na calçada, tirei meus óculos e estendi a latinha para ele sorrindo. Ele me olhou desconfiado, mas acho que como eu não fiz nada, somente esperei ele pegar o café, ele lentamente pegou a lata. Desejei bom dia para ele, recoloquei meus óculos e ajeitei o boné. Antes dele conseguir agradecer, eu já estava correndo de volta ao dormitório das SNSD. Nossa, posso parecer sem educação ou esnobe. Nem dei chance do moço agradecer... Mas não.
Pense comigo, vim para a padaria parecendo uma pessoa normal (que compra comida para um batalhão, mas tudo bem), vestida casualmente, torcendo para não ser reconhecida. Daí dou algo para o moço tomar. Eu não fiz isso para ele agradecer. Não fiz isso na esperança que alguém reconhecesse e isso fosse me dar algum tipo de fama. Eu só fiz isso porque ele estava sentado na porta de uma padaria, parecendo estar com fome, talvez frio, cansado, e muitas pessoas passavam por ele como se fosse invisível. Seria legal ele me agradecer. Mas... Ele precisa de atenção, não que alguém fizesse algo esperando uma retribuição, mesmo que fosse um agradecimento. Você consegue me entender? Ah... E não vou negar... Eu morreria de vergonha se ele agradecesse.
No mais, corri com todo meu fôlego para o apartamento. Chegando no prédio, comprimentei de forma humorada os seguranças que já estão acostumados com o nosso jeito alegre, e entrei na construção mesmo. Elevador ou escada? Elevador. Nessa minha brincadeira de correr para a padaria o tempo continuou passando e já são sete e meia, senão mais. E subir escada é chato. Entrei no elevador, apertei o botão do andar e esperei. Já subindo, na metade do caminho, o elevador parou. Depois continuou. Parou novamente. Isso entre andares. Não eram pessoas querendo subir. Não nego que fiquei um pouco apreensiva, mas quando cheguei no meu andar, saí do elevador como se nada tivesse acontecido, apagando da minha cabeça aquele problema do elevador. Deve ser somente um problema de instabilidade de energia.
Entrei no apartamento feliz, fui recepcionada pela minha melhor amiga na casa, a razão da minha alegria e felicidade Im Yoona, me abraçando. Soo pra variar me acusou de querer matá-la de fome. Ah, isso é tão engraçado... Procurei com o olhar pela Hyo-unnie com um pouco de medo dela brigar comigo pela demora, e Yoona sussurra no meu ouvido algo que não entendi direito. Ela sussurrou no meu ouvido. Eu... Fiquei com vergonha. Estremeci. Me senti um pouco gelada de nervosismo. Segurei a mão dela com a minha mão livre e olhei para o chão. A mão dela estava tão quentinha... Tive que me segurar para não segurar a mão dela com as minhas duas mãos. Mas eu ainda estava um pouco nervosa por seja lá o que ela tenha sussurrado no meu ouvido. Estremeci de novo e me afastei o mais delicadamente possível, ainda evitando olhar para ela, mas de forma natural. Minha menina especial pegou os pães da minha mão em silêncio e se afastou indo arrumar a mesa... E eu fui tomar meu banho. Desculpa, Yoona... Mas essa proximidade de agora realmente mexeu comigo.
Notas finais
Mas acho que até domingo tá aqui, senão... Até terça, eu acho...
Mas o que acharam? o/
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