Cause I Will Stay With You

7 Sentimentos, confusões e um elevador parado


Notas iniciais
Não, eu não morri. Embora esteja quase lá.
Problemas de família, problemas de saúde, problemas para escrever... Bom, explicações lá embaixo, beleza?
Agradecimento especial pra Nacchan e pra @___sunkyuismine, se não fossem essas duas, provavelmente esse capítulo demoraria mais, bem mais.
Espero que gostem T-T

POV Hyoyeon


O mundo desabou e esqueceram de me avisar?

Só pode, porque pra Yuri se oferecer de ir buscar pizza pra gente sem ser dia dela, ficarem irritando a Yoona até ela ir atrás ajudar, e agora estarmos todas sentadas na sala uma olhando pra cara da outra em silêncio... Não, vocês não entendem! Nós nunca ficamos em silêncio. Mesmo se estivermos mortas de cansaço. Se estivermos juntas, o assunto surge mesmo se estivermos mortas!

– Alguém vai me dizer o que aconteceu? — Arrisquei perguntar, sendo apoiada pela maknae, falando que também queria saber.

– Não aconteceu nada, Hyo! — Tae até tentou disfarçar, mas reservei pra ela meu melhor sorriso de “não acredito em nenhuma palavra dita agora, conte-me a verdade”.

– Não é nada demais, Hyo... — Fany interveio com um eye-smile, apoiando a amiga.

– Tá... Nossa dupla YoonYul passou um dia se tratando de forma esquisita, Jessica conversando várias vezes com Yuri durante o ensaio, trocas de olhares, o incidente no meio da coreografia nova... Ah! Teve o almoço de Jessica com Yoona também, que Seohyun me contou... Ah, não posso esquecer que hoje de manhã vocês estavam cochichando na van... O que mais estou esquecendo? — Olhei para elas, deixando claro que realmente quero saber, principalmente porque se não querem contar... É porque não deveria acontecer. — Além de agora a noite, né? Todas insistindo pra Yoona ir... Daí Yuri se oferece de ir...

– Tá bom, Hyoyeon, pare de falar! — Jessica reclama num tom de voz desanimado, sentada de cabeça baixa, massageando as próprias têmporas. Provavelmente dor de cabeça...

– Só se você me contar, porque pelo menos elas com certeza não vão... E eu me importo tanto com elas quanto vocês.

– É verdade, unnie! Se elas estiverem com algum problema, nós queremos poder ajudar também! — Seohyun interveio, segurando meu braço com carinho. Ela é fofa. Demais.

– Hyo... Vamos supor que tenha mesmo alguma coisa... Supor! — Tae repetiu dando ênfase. É, aí tem coisa... — Acha certo te contarmos, se elas não contaram?

– Ah, não acredito que vai usar esse argumento... Taeyeon, eu conheço vocês a anos. Eu sei com certeza que vocês estão me escondendo algo. — Olhei diretamente pra ela, ignorando a cara de assustada de Tiffany e Sunny. Quer dizer, não ignorei, afinal elas acabaram de confessar que tem mesmo algo. Só vou continuar pressionando Taeyeon. — Sem contar... Que você está sugerindo que se tivesse algo, elas contariam pra vocês e para mim não? Você esqueceu que somos todas amigas?

– CHEGA! — Jessica ergueu o tom de voz ao mesmo tempo em que se levantou do sofá, olhando pro teto e respirando fundo várias vezes. — Resumindo: Yuri gosta de Yoona, estava sofrendo por achar que Yoona gostava da Seohyun, as meninas perceberam, almocei com Yoona para saber o que ela sentia pela Yul, descobri que Yoona também gosta da Yuri, as meninas planejaram deixar Yuri com ciúmes com o entregador de pizza, mas deu errado. Tá? — Ela abaixou a cabeça e senti meu coração pesar em vê-la assim. — Eu vou... Esperar no meu quarto. Quando elas chegarem, se puderem me chamar... — Ela saiu da sala, mas não antes de Sooyoung gritar para ela não dormir antes de comer, tentando aliviar o clima pesado que ficou na sala.

Olhei ao redor. Agora tudo faz sentido, é claro.

Então, as duas se gostam... Estão tentando juntá-las? Não... Jessica não deixaria isso. Ou deixaria? Mas seria a mesma coisa que pegar a Taeyeon e a Tiffany num quarto e só deixá-las sair depois de se declararem... Não é natural. Não, não acho que as duas queiram ficar juntas, só acho que são tão amigas, que se tivesse algo a mais eu não iria estranhar, foi só isso que eu quis dizer. Então... As meninas concordam em as duas ficarem juntas... Eu concordo... Então só falta...

– Seobaby.. Está assustada em ouvir isso? — Perguntei para ela num sussurro.

– Eu já sabia, unnie... — Ela confessou envergonhada, e minha reação não poderia ser outra... Fiquei pasma. — Eu sabia que Yoona-unnie ama Yuri-unnie. Eu não sabia que a unnie também amava Yoona. — Ela abaixou a cabeça. — Me desculpe por não te contar... Mas era o segredo dela... Eu só podia contar se ela deixasse... E ela nunca disse nada.

– Ei, eu estou feliz de você saber guardar segredo tão bem. — Sorri para ela, sabendo que as outras meninas nos olhavam atentamente. — Então, você não vê problema?

– Nenhum, unnie. Espero que elas se resolvam... — Ela parecia constrangida, e imagino eu que seja pelo que Jessica disse sobre a tonta da Yul achar que a Yoona gostava dela...

– Eu também. E fico feliz de saber que só falta as duas conversarem sobre isso. — Sorri para as outras meninas. Não consigo ficar brava com elas.

– Desculpe não te contar antes... — Sunny pediu desculpas por todas as outras, e respondi com um sorriso sincero.

– Meu Deus, elas querem me matar de fome! Elas foram fazer as pizzas? — Sooyoung levantou do sofá e correu até a porta, abrindo-a e olhando o corredor, saindo um pouco do apartamento.

– A Young só envergonha a gente, não? — Sunny colocou a mão no rosto cobrindo-o, fazendo um pouco de aegyo na voz.

– Mas elas tão demorando mesmo. — Taeyeon falou, indo até o corredor e trocando umas palavras com Young, antes de voltar para dentro um pouco pálida. — Meninas... Acho que aconteceu alguma coisa. — Ela até tentou falar de forma que não nos deixasse nervosas... Mas não funcionou, e logo em seguida estávamos perguntando freneticamente do que ela estava falando.

– O elevador tá sem energia. — Sooyoung entrou no apartamento, pegando o telefone logo em seguida. — Alô, aqui é Sooyoung do So Nyeo Shi Dae... Sim, está tudo bem, senhor. Estou ligando para perguntar se Yuri e Yoona estão aí ainda. Não? Não, elas não chegaram aqui ainda... — Ahjussi, faz tempo que elas voltaram para cá? Você viu se vieram pela escada ou... Elevador? Aish... Ahjussi, aqui no nosso andar o elevador está sem energia! Sim, veja por favor. Tem como falar com elas, se estão presas lá dentro? Por favor, conserte-o rápido então!

Ela desligou o telefone e um silêncio quase mortal caiu sobre nós. Ela nem precisou dizer nada. As duas estão presas no elevador. Taeyeon saiu correndo, procurando o próprio celular, discando um número logo em seguida... E ouvimos o celular de Yoona tocar no quarto delas. Ela desligou a ligação e discou de novo, e dessa vez ouvimos o celular de Yuri tocando também no quarto, com som abafado por estar dentro da bolsa. Ela desligou de novo a ligação e nos olhou aflita.

– Vamos ter... Que esperar? — Ela nos perguntou quase desesperada. Senti meu coração acelerar e desacelerar tão rápido que precisei sentar por alguns segundos, ainda processando as informações que acabei de ouvir. Foi quando ouvi um soluço, e olhei para Seohyun, que estava chorando em silêncio, com uma expressão horrível no rosto.

– Seobaby! — Levantei e abracei ela na hora, chamando atenção das outras meninas sem querer.

– Unnie... A Yoona-unnie... Tem medo desse elevador... Ela... Tem medo... — Ninguém entendeu exatamente o que ela quis dizer com isso. Taeyeon se aproximou dela, começando a abraçá-la também, e me afastei... Não tenho escapatória... Alguém precisa contar para Jessica.


Me aproximei da porta do quarto que ela divide com Sooyoung e bati na porta, avisando minha presença antes de entrar no quarto e fechar a porta. Ela estava deitada, abraçando o travesseiro, olhando para a porta do armário. Do armário, ela não tem nada melhor pra olhar não? Bom, assim que eu fechei a porta do quarto, ela olhou pra mim de forma cansada e desanimada. Ela sentou na cama, ainda abraçando o travesseiro e bateu com a mão de leve na beirada na cama, como se pedisse que eu sentasse. Foi exatamente isso que eu fiz.

– Você está bem, Princess? — Eu perguntei sabendo a resposta. Acho que a notícia pode esperar alguns minutinhos, não? Não adianta jogar uma bomba dessas para ela, se ela não puder segurá-la.

– Sim, só... Estou com remorso. Não gosto de tudo o que tive que fazer. — Ela se acomodou encostando na cabeceira da cama, mantendo o travesseiro bem agarrado.

– Arriscou a amizade das duas fazendo isso... — Falei baixinho, tendo a impressão de que eu olhava para uma criança desamparada ao invés da pessoa forte que chamamos de Ice Princess.

– Eu sei... Mas e se eu não tivesse feito? Pelo menos agora... Eu posso aconselhar Yul sem medo ou sem me sentir apreensiva com o resultado... — Ela abaixou o olhar e ficou encarando a coberta com o olhar perdido. — Yuri estava se machucando muito. Ela estava chorando na van. Ela é forte, sabe? Mas ela tá no limite dela...

– Eu sei como é. — Falei com voz firme. — E imagino como deve ser difícil para você.

– Imagine o quanto está difícil para as duas todo esse tempo...

– Foi por isso que aceitou ajudar no plano das meninas? — Perguntei carinhosamente, tentando demonstrar que não estava julgando-a, que só queria ajudá-la.

– Não... Eu não sei porque eu comecei a me meter... — Ela parecia agoniada. Alguém me ajude, eu não quero vê-la assim... — Talvez porque... Eu poderia tentar descobrir o que há comigo... E talvrz descobrindo o que há com elas...

– Como assim, Princess? — Me assustei com o comentário dela. Jessica Jung disse exatamente o que eu acho que ela disse? Ela acabou de deixar escapar que há alguém no... Oh...

– Não é nada importante. — Ela sorriu para mim.

– Jessica... Você acha que pode ajudar os outros, tendo dúvidas dentro de você? — Ela ficou constrangida. Visivelmente constrangida. Posso dizer isso pelo tom de rosa que o rosto dela assumiu. E eu me sentia um pouco desolada. Mas ela precisa de apoio. E eu preciso dar esse apoio para ela.

– Eu não tenho duvida alguma do sentimento das duas... — Ela tentou se defender com um tom um tanto frio na voz.

– Não é disso que eu estou falando, Princess... — Falei calmamente para ela, me aproximando lentamente, retirando o travesseiro das mãos dela e a envolvendo em um abraço, que foi retribuído pouco tempo depois de forma tímida.

– Eu sei... — Ela sussurrou próximo do meu ouvido, e não consegui evitar de arrepiar. Em pensamento, agradeci a todos os deuses que eu conheço o nome por ela não ter percebido, por ela estar comigo, e por eu ainda poder ajudá-la. — Hyo... Eu senti falta de você me chamando de Princess... De verdade... — Ela falava lentamente, com o rosto escondido. — Sua proximidade me fez falta... Você é mais importante para mim do que você pensa, sabia?

O mundo para mim parou neste instante. Era informação demais para a minha cabeça em tempo de menos. Em termos de vinte minutos descobri que duas das minhas irmãs se amam, que minhas outras irmãs tentaram uní-las, que só eu não sabia de nada... Que agora as duas estavam presas no elevador, que a minha menin.... Que Jessica Jung gosta de alguém... E agora que... Não... Isso não pode ser verdade... Ou pode?

Eu continuei mantendo o abraço com carinho e um pouco de hesitação. Eu podia escutar nos meus ouvidos o sangue que corria pelas minhas veias. Meu peito doía de tão forte que meu coração estava batendo, mas tentei não demonstrar nada disso, mantendo o abraço singelo e leve, com as mãos nas costas dela, querendo apenas passar segurança. Eu podia escutar também a respiração dela muito próxima do meu ouvido. Eu estremecia. Eu pensava e sentia. Eu não tinha coragem de romper o abraço... Eu me perdi sentindo todas aquelas sensações do abraço, o cheiro dela, essa proximidade, o toque dela, a respiração dela... Ela.

– Eu também senti falta de você, Princess. De você. — Eu não sei como, mas essa frase simplesmente pulou da minha boca num sussurro sem que eu sequer pensasse em pronunciar isso.

Se eu tiver que descrever o que aconteceu, eu não conseguiria. Nunca vou conseguir explicar o que foi aquilo. Não sei dizer quem tomou a iniciativa, ou mesmo como começou. Nem mesmo quanto tempo durou. Eu só tenho certeza que a primeira vez que nossos lábios se tocaram foi tão carinhosa e natural, que pensando bem, teria sido um pecado se não tivesse acontecido.

Eu não sei mesmo quanto tempo durou esse primeiro beijo, mas foi o suficiente para aquecer meu coração como eu nunca imaginei que pudesse ser aquecido. E eu percebi que para ela também foi assim. Nossos lábios se separaram por alguns segundos, e voltaram a se unir logo em seguida. Eu estava no paraíso, minha princesa estava comigo, e eu só percebi que realmente era real quando senti a mão dela no meu rosto, num toque delicado.

Mesmo assim, eu sabia que não deveria estar fazendo isso agora. Lembrei das duas meninas, ao mesmo tempo que lembrei que vim para o quarto contar para Jessica. Rompi o beijo de forma tão carinhosa como estava sendo os nossos primeiros beijos, olhando para os olhos dela e não pude evitar de sorrir. E sentir meu coração descompassar ao vê-la sorrir de volta. Não foi preciso palavras para expressar o que sentíamos quanto a essa aproximação.

Então agora, preciso estragar o momento contando para ela o que aconteceu... Só espero poder tranquilizá-la depois disso tudo.

E acima de tudo, eu espero que aquelas duas estejam bem...


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POV Yuri


Eu não acredito no que está acontecendo!

Me aproximei de Yoona tão rápido que mal tenho noção de quando coloquei as pizzas no chão e a ajudei a sentar. Eu estava nervosa. Sinceramente, já não estava bem pelo entregador de pizza. Daí Yoona começa a transparecer não estar nada bem, o elevador para... E agora somos só ela e eu numa caixa metálica parada entre dois andares, quase sem energia elétrica, e com uma de nós passando mal.

– Yoona! Yoona, você está bem? — Ela respirava pesadamente, ao mesmo tempo que eu passava a mão cuidadosamente na testa dela secando o suor frio que estava se formando ali. Ela me olhou desamparada, me deixando mais nervosa ainda. — Por favor, Yoona. Por favor.

Eu não fazia ideia do que dizer para ela. Sabia menos ainda o que fazer. Como num flashe de consciência, comecei a procurar meu celular nos bolsos do meu shorts, mantendo a calma de forma misteriosa até para mim ao perceber a ausência dele. Olhei para ela, pedi licença e apalpei um pouco os bolsos da roupa dela. Ela também estava sem celular. Como por instinto, olhei para o painel do elevador e levantei me aproximando. Era um modelo mais antigo, mas mesmo assim eu nunca imaginei que algo assim fosse acontecer.

Apertei algumas vezes o botão do nosso andar, comprovando que ele não iria mesmo sair do lugar. Lancei mais um olhar para Yoona. Ela estava acordada. Nessa situação, era uma boa notícia, levando em conta o estado que ela está. Voltei a olhar para o painel do elevador, encontrando o botão de emergência, que abriu um compartimento com um telefone sem números, com contato direto com a recepção. Nada. Olhei novamente para Yoona, deixando de lado o painel. Ajoelhei ao lado dela, segurei o rosto dela cuidadosamente com as duas mãos, fazendo-a olhar para mim.

– Nós vamos sair daqui. Eu vou te tirar daqui. Eu te prometo. — Falei para ela como se realmente tivesse certeza de que faria isso e me senti uma estúpida em prometer algo que não tenho condições de cumprir assim. Mas eu só podia fazer isso nesse momento. E se é a única coisa que posso fazer, então farei por ela. Porque eu preciso cuidar dessa garota. — Então por favor, aguente firme. — Supliquei com a voz, o olhar e a atitude. Imediatamente tive certeza que ela entendeu e concordou. Quanto a isso, fiquei mais tranquila.

Corri até o painel novamente, pegando o telefone e tentando falar com a recepção direto. A todo momento eu olhava para Yoona, conferindo se estava tudo bem com ela. Eu preciso protegê-la. Nunca me perdoarei se algo acontecer com ela. Fiquei chamando desesperadamente a recepção. Os minutos simplesmente não passavam, e a cada vez que a linha era cortada eu sentia um gosto amargo na boca e um peso no estômago. Cada vez que eu olhava para Yoona ela estava mais pálida, mais tremula, parecendo mais desamparada... Por favor, alguém atenda esse telefone!

Demorou coisa de mais quatro ligações até o final antes do porteiro atender minha chamada, já sabendo que estávamos presas. Tentou me tranquilizar dizendo que já estavam vendo o que aconteceu com o elevador, e logo estaríamos em nosso apartamento, junto com nossas companheiras de grupo, rindo do que aconteceu. Bom, ele realmente conhece a gente para falar isso. Mas é uma pena que não seja ele na minha situação, para dizer isso. Eu nunca vou ser capaz de rir disso.

Desliguei o telefone e corri para o lado de Yoona, ajoelhando e passando a mão no rosto dela. Estava inteiro molhado de suor. Os lábios dela tremiam, ela inteira tremia... Estava pálida, com um olhar vago focando a fresta por baixo da porta do elevador. Eu não aguentei vê-la nesse estado. Puxei a minha Yoong para um abraço, acomodando-a no meu colo, encostando a cabeça dela no meu peito, mantendo-a protegida nos meus braços. Comecei a sussurrar momentos felizes no ouvido dela, tentando mantê-la comigo, tentando distraí-la, tentando passar para ela que tudo ficaria bem. Sim, eu queria demonstrar que tudo ficaria bem, que ela deveria lutar por isso... Por mais que eu mesma tivesse dúvidas.

Eu continuava abraçando Yoona, percebendo que aos poucos ela ia se acalmando, se acomodando nos meus braços. Continuei sussurrando várias coisas no ouvido dela, sentindo-a me abraçar de volta, escondendo o rosto e respirando um pouco pesado. Me preocupei em continuar mantendo-a comigo, fazendo carinho no cabelo dela, tentando fazê-la se sentir segura, mesmo que meu coração estivesse batendo de forma dolorosa no meu peito, denunciando para mim mesma que eu não tinha tanta certeza de que ficaria tudo bem.

Conforme ela ia se acalmando, eu me permiti parar de falar com ela, apenas abraçando-a e confortando-a, enquanto pensava no porque da minha... Minha companheira de quarto estar assim. Ela parecia estar bem hoje mais cedo. Não fazia sentido passar mal tão de repente assim, fazia? Se bem que hoje de manhã aconteceu uma coisa estranha também. Quando estávamos descendo para a garagem, ela não saía do elevador, e quando eu segurei a mão dela para chamar a atenção dela, a mão dela estava muito fria. Pensando agora, isso é muito estranha. Aigoo...

Percebi ela passando o olhar pelo elevador, como se procurasse uma forma de escapar dele. Também olhei ao redor procurando alguma coisa, e não havia nada. As luzes continuaram oscilando de vez em quando. Quando voltei a minha atenção para ela, percebi que estava me olhando. Foi a primeira vez que vi o olhar dela tão perdido em todos os anos que convivi com ela. Não sei dizer se estava assim por causa da situação ou se tinha algo a mais, mas me perdi naquele olhar tentando decifrá-lo.

Não entendam mal. Não é como se eu nunca tivesse reparado no olhar dela. Mas naquele momento, eu me sentia tão hipnotizada pela forma como ela me olhava, que eu mesma senti uma confusão de sentimentos, como se estivessem vindo dela. E me perguntei internamente porque estava sentindo isso. Mas mesmo assim, eu não tinha forças para sequer pensar em romper o contato visual. Para mim... Eu queria tanto ter um momento com Yoona... Um momento nosso, sabe? Que estar assim, desse jeito me deu um remorso por desejar tanto isso, junto com uma sensação boa de estarmos nós duas tão próximas. Se ao menos eu fosse mais corajosa para me declarar... Eu só fui sair do meu transe quando senti a mão dela encostando suavemente no meu rosto, enquanto ela forçava um sorriso, e fui acometida por uma onda de desejo de chorar. Ela está aqui, passando mal nos meus braços e eu estou pensando na minha vontade de estar a sós com ela?

– Não se preocupe demais... — Ela falou para mim mantendo o sorriso forçado no rosto. — Daqui a pouco vamos estar comendo pizza fria.

– Assim espero, Yoong... — Respondi acomodando-a melhor no meu abraço, sentindo-a estremecer um pouco ao mesmo tempo que respirava fundo. — Você está bem?

– Sim... Finalmente estou me sentindo bem neste elevador... — Quando ela me disse isso, foi como se eu tivesse recebido um balde de água fria. Ela nunca se sentiu bem no elevador? Nunca? E... Porque eu não sabia disso?

– Eu... Não sabia disso. — Sussurrei mais para mim do que para ela, pensando no que Jessica me disse mais cedo, que Yoona provavelmente só considerava Seohyun como uma amiga, e devia ter um motivo para sempre estarem grudadas. Provavelmente a maknae sabia.

– É, eu imaginei que não soubesse... — Ela riu um pouco de mim. — Se soubesse, a toda protetora Yuri-unnie iria me deixar louca de tantos cuidados!

– Mas alguém precisa cuidar de você, não é? — Respondi com um sorriso, agradecendo por ela estar demonstrando estar melhorando aos poucos.

– Ah, mas não é como se eu precisasse de proteção o tempo inteiro, né Unnie?! — Ela me respondeu e eu fiquei em silêncio por alguns instantes. Não precisa da minha proteção, não é? Provavelmente Seohyun sabia que ela ficava mal no elevador sim... E eu nunca soube.

– Sou sua companheira de quarto! Preciso cuidar de você! — Comentei como se estivesse tudo bem e ela soltou uma risadinha baixa pela minha demora em responder.

– Eu posso me cuidar bem sozinha. Só preciso de apoio de vez em quando! — Ela respondeu como se estivesse ofendida, mas com um tom divertido na voz.

– Você vai ficar fingindo que está bem mesmo? — Perguntei um pouco preocupada, não aguentando mais essas reações dela. — Assim, eu te conheço a anos. Eu sei que você não está bem.

– Unnie... Eu estou bem. Eu te disse... — Eu conheço essa garota. Eu sei que ela ia dizer mais alguma coisa e parou pela metade... Yoona, porque você faz essas coisas? É tão difícil assim para você confiar em mim como confia na Seohyun? Será mesmo que a Jessica está certa quando diz que não deve ter nada entre essas duas?

– Você não consegue mentir para mim, sua menina má! — Puxei uma bochecha dela com cuidado.

– Isso me lembra uma música, sabia?

– Nem comece!!

Começamos a rir distraidamente, e pouco tempo depois as luzes do elevador acenderam como deveriam estar normalmente. Sorri para ela aliviada. Agora ela poderia se recuperar. Faltava pouco para saírmos daquele elevador abafado. Nesse meio tempo fiquei observando-a atentamente. É lógico que ela queria demonstrar que estava tudo bem, mesmo não estando. Eu não entendo o porque dela querer disfarçar para mim... Também não entendo o porque dela não ter me contado que tinha problemas com o elevador. Ficamos em silêncio esperando. Eu pelo menos estava com muito calor, pelo elevador estar tão abafado. Sentia o cheiro das pizzas impregnado no ar da caixa metálica fechada. Continuei abraçando-a até o chão do elevador tremer e entrar em movimento. Sorri para ela e ajudei-a a se levantar com cuidado, abraçando-a assim que ficou em pé, para não deixar ela sentar de novo.

Quando o elevador chegou no nosso andar e as portas abriram, vimos as outras meninas agoniadas do lado de fora do apartamento nos olhando. Seobaby veio correndo em nossa direção e abraços Yoong junto de mim, me fazendo soltá-la e me afastar.Fiquei chateada. Para disfarçar peguei as pizzas que tinham ficado no chão e saí do elevador, sendo seguida pelas nossas duas maknaes. Entrei no apartamento lançando um olhar para Sica, deixando claro que não queria conversar, deixei as pizzas na cozinha, fui para o quarto que eu dividia com a minha menina, peguei uma roupa nova, e fui para o banheiro do quarto de Sooyoung e Jessica para tomar mais um banho. Assim, a segunda maknae da casa poderia tomar um banho no nosso banheiro sem eu lá para atrapalhar. Sem contar que... Eu não quero ver Yoona agora. Não agora.
Notas finais
Bom? Ruim? Merece review?
O que eu comentei lá em cima... Eu estou a dias sem dormir. Eu não consigo dormir ou descansar, e com isso eu não consigo escrever.
Pra mim tem sido muito difícil escrever, as palavras simplesmente não saem.
Eu já cheguei até a desmaiar de exaustão duas vezes esse mês, e estou tomando remédio pra dormir, e mesmo assim não consigo...
Então peço compreensão, e peço que não desistam dessa fic, porque eu não pretendo desistir dela T-T É só um momento ruim. E momentos ruins sempre passam T-T
Obrigada a todos os leitores!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.