Notas iniciais
AQUI ESTOU NOVAMENTE. Preparados?

Ayla

— O que? — fixo os olhos em Bela, tentando compreender o que ela acabara de dizer

— Eu vi Legolas…morrer — Bela funga, passando as mãos no rosto

— Mas isso tá errado — franzo o cenho — Ainda estamos a 60 anos da guerra do anel, não existe, ou não devia existir, a possibilidade de Legolas morrer

— O espelho diz o contrário! — Bela fala, exaltada — Ayla, entenda, desde que chegamos nada aconteceu direito! Nada aconteceu como deveria, como narram os livros

—Está insinuando que isso pode ser nossa culpa? Que nossa presença alterou o espaço tempo? (?)

— Não estou dizendo que é nossa culpa — ela pega de volta sua vela e se afasta rapidamente do espelho — Estou dizendo podemos, talvez, ter interferido. Nossa presença aqui pode, e vai, causar coisas que não deveriam sequer chegar a acontecer

— Confesso que venho pensando nisso a um tempo, desde que pegamos aquelas gemas pro Thranduil — olho para o pequeno lago ao fundo do salão — Não era exatamente a gente que devia ter feito aquilo…

— Ayla eu vou ter um treco, um piripaque! Se Legolas bate as botas ele vai ser, sei la, apagado dos livros de O Senhor dos Anéis? Vai ser a Sociedade de 8 integrantes do anel? — Bela ergue os braços, exaltada e quase deixa a vela cair — Eryn Lasgalen vai ser Eryn Linduslen? Desculpa, não pude evitar a piadinha com os nomes mas AAAAAAAAH

— Tá ok, acalma o cu — ergo as mãos

— MEU CU TÁ CALMO DISGRAÇA

— Olha, eu vou dar uma olhadinha no espelho também, porque vai que eu descubro uma coisa diferente? Ou uma mensagem de "você foi tapeada" quem sabe. A zoeira já foi inventada, eu acho. Talvez tenha alguém rindo do outro lado e…

— TU TA MALUCA MOLIER? — Bela me balança pelos ombros com os olhos verdes arregalados

— Se vai acontecer alguma coisa não é melhor a gente saber? — indago, afastando Bela e indo em direção ao espelho. A água reluzia, como se me convidasse à dar uma olhadinha.

— É O BELZEBU SOCORRO — uma voz esganiçada e totalmente assustada vinda do fundo interrompe meu momento. Escuto passos derrapando e um Tay ofegante e totalmente descabelado surge. — EU NÃO CONSIGO PARAR ALGUÉM ME ACODE — o ruivo derrapa, derrapa, derrapa, ergue os braços e tromba com…

— VAI SE FODER — Bela berra, estatelada no chão com Tay por cima, e puxa os cabelos dele — E SAI DE CIMA SUA COISA BALOFA

— Primeiramente: balofa é você porque eu tô no melhor momento do meu corpo — o ruivo diz, gesticulando na direção de si mesmo — Segundamente: O BELZEBU VEM VINDO AÍ

— Seu círculo de sal não resolveu nada não é? — Bela pergunta irônicamente, erguendo uma sobrancelha

— Ô flor lá eu estava protegido de todos os males, mas como eu sou uma pessoa maravilhosa, quase um profeta pregador de bondades, sai de lá pra avisar vocês. A vez da aranha não conta e nem tentem insisitir no contrário — ele olha para trás na direção da entrada — Uma barata. Um rato. Um bararrato. Nem um nem outro, os dois! Fundidos. No maior estilo How I Met Your Mother!

— O queeeee?

Aproveito o momento e sigo furtivamente na direção do espelho. Apoio minhas mãos na beirada da bacia e encaro a água escura, esperando. A água fica transparente e imagens começam a surgir

Bela

— PORRA, AYLA! — falo exasperada — Eu falei pra não mexer nisso daí! — cutuco sua cintura

— Puta que pariu… — ela resmunga baixinho empurrando minha mão pra longe e abraçando o próprio corpo, tremendo levemente

— Só falta você me dizer que viu o Thranduil morrendo também e….

— Isso — ela confirma minha suposição com os olhos azuis arregalados de pavor

— O que?

— Foi o que eu vi, Bela! Ai, Valar. Querem extinguir a família real, só pode! Será que se olhar de novo é o Lindus que morre? Porra Ayla, não fala isso — a loira bate na própria boca repetidas vezes

— O gente…assim, só pra saber mesmo… O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO AQUI? — Tay grita, se aproximando de Ayla e a balançando pelos ombros. Ela o olha irritada e se afasta, indo na direção do riacho

Pego Tay pela mão e sigo na direção de Ayla. Me sento ao seu lado, a abraçando e fazendo-a deitar a cabeça em meu ombro, e Tay se acomoda do outro lado.

— Aquela bacia com água ali não serve pra lavar roupa e nem serve de banheira pra morcego já que aqui embaixo obviamente não vai ter passarinho — digo, acariciando os cabelos de Ayla — Na verdade é um espelho, e também não te diz se você é ou não o mais belo do reino… ele mostra o futuro

— É O QUE? Isso é possível? — Tay pergunta, surpreso, enquanto mexe num fio solto da própria túnica — Nossa, que pergunta idiota pra se fazer em plena Terra Média

— Também acho, mas fazer perguntas idiotas é com você mesmo — sorrio maligna. Tay passa um dos braços por trás de Ayla e me dá um beliscão

Estava pra começar a estapear o ruivo maldito quando Ayla começou a falar.

— É possível. Quando saímos daquele salão principal e entramos naquele corredor ali atrás, uma espécie de força estranha nos impeliu a entrar aqui. Encontramos aquele espelho ali e...

Ayla foi explicando a história, parando apenas quando chegou na minha visão para que eu mesma pudesse descreve-la, e depois continuou. Descreveu nosso diálogo e enfatizou que não tinhamos muita noção do que estava acontecendo, até que chegou na própria visão… Tay escutava a tudo atentamente e seriamente.

— O espelho me mostrou os fundos de um jardim, vento balançava as folhas mas o sol de final de tarde não batia tanto pois o lugar ficava de frente a um paredão de árvores, onde havia uma única porta ao centro, a entrada para a floresta mais profunda, o limite onde não se podia ultrapassar. Elfos e elfas estavam se divertindo bastante, uns sentados em mesas e outros próximos ao rio que corria ali, uma continuação da festa que ocorria no jardim. Thranduil era um dos elfos perto do rio, estava todo imponente com as roupas prateadas, a longa capa vermelha e coroa de folhas secas…ele estampava um sorriso sincero, nunca tinha visto um sorriso assim vindo dele. Ao seu lado havia uma mulher, mas não consegui ver quem era… A imagem mudou, parecendo solidificar e logo depois ondulou, a partir daí eu só consegui ver breu e muita névoa. A diversão desapareceu, os elfos pareciam sentir que algo ia dar muito errado e então…a porta, a porta que dava para a floresta foi arremessada para longe e os orcs começaram a entrar. Então desespero e dor…tudo foi pintando com sangue. Vi orcs correndo na direção de Thranduil. O espelho mudou novamente, vi elfos mortos por todos os lados e os orcs seguindo em direção ao jardim principal. E ao canto…ao canto vi Thranduil, caindo no rio com uma espada perfurando o abdômen — Ayla termina a narração, escondendo o rosto nas mãos

— Porra… — Tay coça a cabeça — Eu to meio sem o que falar sobre essas visões, parece coisa de filme…mais até que o bararrato lá no salão principal

— É melhor voltarmos — Ayla ergue a cabeça do meu ombro — Nos reunimos mais tarde no seu quarto Bela pra conversarmos sobre isso

Porém continuamos, os três, parados encarando um ao outro. Não sabíamos o que falar naquele momento então apenas nos abraçamos, esquecendo do mundo por um único momento.

**************

— Tudo bem, a primeira reunião da missão "Salve Greenleaf" está começando! — declaro, juntando as mãos — Ocupem seus lugares senhoras e senhores — Tay e Ayla olham de um para o outro e seguem na direção da pequena varanda com vista para os campos de treinamento, vazio a essa hora da madrugada, onde arrumei três cadeiras e uma pequena mesa

— Tinha mesmo que ser agora? — Tay boceja, se sentando — Não vai dar pra evitar morte nenhuma se a gente já tiver morrido de sono antes

— Deixa de ser frouxo — reviro os olhos — Nunca pensei que fosse dizer isso mas, no momento, temos coisas mais importantes pra fazer que dormir

— Estou com a Bela nessa — Ayla puxa uma cadeira para se sentar — E para de reclamar, senão vou te apresentar a essa varanda sem proteção de tela aqui (?)

— Blá blá blá — Tay abre e fecha a mão para Ayla — Fala com a minha mão

— Eu lembro vagamente de algumas coisas sobre o espelho, eu li O senhor dos Anéis antes de vir parar aqui — declaro, também ocupando meu lugar, e ignorando totalmente os dois — Eu li exatamente a cena de Galadriel com Frodo e Sam quando estava no aeroporto antes do embarque e acontecer aqueles trem e o portal me engolir

— E o que você lembra? — pergunta Ayla

— Galadriel ficava dizendo que o espelho é um guia poderoso para a ação e que algumas dessas coisas não chegam a acontecer, a não ser que aqueles que as vêem desviem de seu caminho para impedi-las mas…eu não sei

— O que fazer então? Não podemos simplesmente deixar por isso mesmo! Se interferimos podemos causar a ação, mas se não interferimos pode acontecer do mesmo jeito porque esse não é exatamente um espelho de Galadriel...Sério, a vida tá de sacanagem

— É dito que não devemos desviar de nosso caminho para tentar impedir porém…não sabemos qual o nosso caminho e nem se temos um, porque pra começo de conversa não deveríamos nem estar aqui! Então como poderíamos desviar dele? FICA AÍ O QUESTIONAMENTO

— Fico me perguntando se o tempo foi alterado porque viemos para cá ou se viemos para cá para alterar o tempo (?)

— Olha — Tay diz, tamborilando os dedos na pequena mesa de madeira — Eu não sei direito qual é a história desse lugar — ele gesticula para o entorno — Mas sei que foi mudada a partir do momento em que chegamos aqui. Então girls, as chances daquilo acontecer são mais altas do que deveriam ser

— Nós encontramos esse espelho por algum motivo, talvez por acaso ou talvez não. E, devendo ou não, podemos alterar a história para evitar danos. É o melhor que temos a fazer

— Qualquer coisa coloquem na cabeça que esse espelho não é igual ao dessa tal de Galinhadriel aí

— É um bom motivo — olha para Ayla, que olha o horizonte escuro estranhamente quieta — Ei, flor que foi?

— Eu não to conseguindo raciocinar direito — a loira declara, suspirando e se levantando — Não tô conseguindo crer no peso do que temos em nossas mãos, e pelo visto nem vocês dois. — inclino a cabeça para o lado — Nós três, justo nós três, temos que evitar mortes! Não só as de Legolas e Thranduil, como a dos outros elfos naquela comemoração! Temos que evitar um banho de sangue mas não sabemos cuidar nem de nós mesmos…porque, sei lá, Glorfindel não poderia ter encontrado o espelho?

— Bem, nós apenas estávamos no lugar errado…. mas na hora certa — digo, ficando ao seu lado

— Essa "missão" acabou sendo atribuída a três humanos inúteis que não sabem segurar uma faca direito sem se cortar — ela olha para cima, para as estrelas na imensidão azul do céu — não me refiro a faca de luta não, tô falando da de pão mesmo

— A Terra Média teve azar com a gente mesmo — dou de ombros, com um sorriso triste — Poderia ter sido o Chuck Norris

— É, facilitaria muito a vida desses elfos

— Mas Ayla — Tay se levanta e aperta o ombro da loira — Melhor a gente do que ninguém não acha? Podemos não ser os mais fortes, os mais competentes e nem os mais inteligentes, mas pelo menos nos importamos o bastante pra tentar — o ruivo sorri e pisca um olho — Eu estou disposto a colocar esse meu corpinho gostoso em risco

— Pensa em tudo que passamos até chegar aqui. Tudo que enfrentamos e vencemos — digo, erguendo as mãos para contar nos dedos — Fugimos dos calabouços do rei, enfrentamos aranhas gigantes, trolls e orcs, ficamos no meio de uma guerra, fizemos um show pra Thorin e companhia, roubamos as gemas brancas…Se conseguimos tudo isso e mais …temos alguma chance nessa nova "missão"

— Eu sinceramente não sei como ainda estamos vivas. E já que estamos vivas não sei como estamos inteiras, tinhamos que ter perdido no mínimo uns três órgãos (?)

— Acho que uns quatro viu — eu ri — Estamos nessa, mas estamos juntos e assim vamos continuar. Afinal, um por todos e todos por um não é?

Demos as mãos, olhando todos para o céu, na direção de uma mesma estrela que brilhava mais que as outras, e sorrimos para a escuridão.

**********

— Eu percebi uma coisa…caraca eu sou muito gênia — olho para o caderno em minhas mãos, onde eu finjo fazer anotações — Nossas histórias se interligam. SUA visão ocorreu nos fundos de um jardim e você disse que era a continuação de uma festa que ocorria no próprio jardim e …E no jardim foi onde ocorreu a MINHA visão, a festa! Pelo menos é mais facil considerar que seja assim

— Isso é ótimo — Ayla cruza as pernas, encarando o mapa meramente ilustrativo que coloquei na mesa pra dar um ar mais profissional a reunião — Porque significa que será apenas UM ataque, e obviamente no mesmo lugar

— Não sabemos onde será o ataque, porém sabemos que será um ataque surpresa. Então soldados, nosso objetivo é impedir que ele ocorra.

— Mas como? — Tay indaga — Primeiro: como se impede um ataque? Segundo: como se impede um ataque que nem sabemos quando vai acontecer? Terceiro: como se impede um ataque que não sabemos quando e nem onde vai acontecer? — ele ergue as sobrancelhas tão alto mas tão alto que eu tava vendo a hora delas pularem pra fora da testa

— Não faça perguntas que eu não sei como responder

— Assim fica difícil né Isabela

— O que sabemos é que vai acontecer em uma comemoração ou algo do tipo — Ayla diz — Se o maldito espelho marcasse data seria tão mais facil! Aí aproximando do dia era só atrapalhar a festa e tirar geral dos jardins, mas nãããããããão

— Bem, foi um ataque orc… — apoio a mão no queixo — …e com certeza premeditado, planejado, eles sabiam muito bem por onde entrar, sabiam muito bem como fazer. Se investigarmos direitinho, se conseguirmos ter contato direto com orcs talvez possamos ter alguma informação sobre

— É Bela pode até ser, mas não sabemos se esse ataque vai ser, sei lá, daqui a uma semana, cinco meses, dois anos! É bem capaz de não terem nem pensado nisso ainda — Ayla me observa atentamente

— Sua mãe nunca te disse que é melhor prevenir que remediar? (?) Temos que ficar atentas desde já!

— Mas assim…só pra saber mesmo, mera curiosidade — Tay estende as mãos observando deliberadamente as unhas — como é que vamos ter CONTATO DIRETO com ORCS sem MORRER, FALECER, IR A ÓBITO?! (??????)

— Podemos seguir uma patrulha de fininho e…

— Sabe o que eu acho? Acho que devíamos ir dormir. Bela já tá até delirando achando que vamos sair pra caçar orcs por aí quando nem andar em linha reta conseguimos direito sem tropeçar. Tá delirando tanto que fala isso com toda normalidade e calma, achando super fácil e sem danos a saúde — Ayla se levanta, me interrompendo — Pensamos em planos enquanto trabalhamos amanhã e no almoço conversamos sobre isso, OK ISABELA?

— Dormir, acho bem conceitual — Tay também se levanta — Vamos lá colocar em prática a arte de fechar as pálpebras e só abri-las daqui algumas horas (?)

— Foda-se vocês também — me levanto empurrando a cadeira para o lado e saio da varanda — Vou tomar um banho que ganho mais — sigo em direção ao banheiro do quarto, entro e fecho a porta do mesmo com força — PASSAR BEM

Notas finais
Vejo vocês nos comentários? ♡