Cat's Need Attention
1 Livro Maldito X Livro Mágico X Livro Idiota
Notas iniciais
Foi totalmente baseada numa imagem, que eu usaria como capa.Só que... Eu gostei mais dessa *u*
Aproveitem o/
“Olhe bem fundo nos meus olhos, sussurre elogios amáveis, sinta o cheiro da minha paixão e faça carinhos infinitos só para mim. Eu imploro.”
Ver um certo loiro usuário de correntes com um livro em mãos, não parecia nada demais. Cena clássica, praxe. Mas não naquela ocasião. Nem naquele dia e naquele horário. Pelo menos não para Killua. Nunca vira Kurapika se hipnotizar tanto com uma história. Os olhos grafites estavam pregados em cada linha, cada frase, cada palavra. O corpo jogado de qualquer jeito no sofá, com as pernas amassando o braço da mobília.
Parecia ter sido abduzido, foi parar em outro planeta.
— Tá lendo o quê? — O albino perguntou curiosidade fluindo por seu cérebro. Uma feição feliz contornava seu rosto felino. Nada o faria admitir, mas hoje queria o carinho de certa pessoa.
O loiro não respondeu, absorvido demais para prestar atenção aos arredores.
— Kurapika? Tá lendo o quê? — Repetiu chamando o nome do dito cujo.
Nada de resposta. Precisou de um toque no braço para os olhos despregarem da história.
— Hum? O que foi, Killua? — Kurapika exigiu com o olhar, informações do planeta Terra. Sabia que ouvira um som ao fundo, mas não parecia urgente, então ignorou.
No rosto do albino formou-se uma expressão de seriedade.
— O que você tá lendo aí, que não ouviu nem um furacão passando? — Brincou Kill esbanjando da ironia.
— Se fosse um furacão, claramente eu iria ouvir, uma vez que ia me arrancar da leitura, literalmente. — Kurapika rebateu, se tinha alguém mais mestre do que Killua em irritar os outros com ironias, é o Kuruta.
Kill revirou os olhos e procurou não resmungar.
— Respondendo a sua pergunta, são crônicas de todas as mitologias. — Respondeu, retraindo a vontade de ler as próximas linhas. E claro, marcando onde parou com a ponta do dedão.
— Sério? Legal! Na verdade, legal demais. Não combina com você. — O albino se pôs surpreso e pensativo.
— Como assim?
— Eu esperava tipo livros de matemática, medicina, física, essas coisas chatas. — Killua brincou, caçou um ponto morto para disfarçar a cara marota.
— Vou voltar a ler. — E como uma hipnose, o Kuruta colou-se nas histórias e viajou.
Mas Killua não queria ficar se entretendo sozinho. Queria se divertir com o loiro.
— Posso sentar aqui, pelo menos?
— Claro. — Kurapika desconfiou dessa atitude e se espremeu de uma maneira que deixasse um espaço para o albino.
Killua esperou até o bumbum ficar quadrado. O que tinha de tão interessante em histórias gregas? São legais, mas não é pra tanto. Será que Kurapika pretendia ler todas as quinhentas páginas num dia? E será que ele não percebeu que o albino fazia manha para roubar tempo para ele?
Se levantou e fuçou a geladeira, atrás de chocolate. Trouxe alguns chocorobots e ofereceu para o loiro. Esse por sua vez, apenas recusou em transe.
Passando uma parcela de tempo, apoderado pelo tédio, pegou de forma ousada as duas pernas do loiro e as colocou em cima de seu colo. Kurapika nada disse ou fez, apenas confirmou olhando de esguelha. Como não era nada, voltou as palavras. Killua ligou a TV pelo controle e tentou se distrair com as programações. Nada de interessante. Kurapika pediu para abaixar o volume.
Só que bem baixinho. Como Killua se sentiu um idoso sem escutar nada. Teve uma ideia ousada.
Começou a brincar as pernas esguias do mais velho. Primeiro mexendo no tecido de suas roupas, tocando seus sapatos de leve. O loiro mostrou irritação ao se remexer um pouco. Killua fez bico.
Parou um pouco, se levantou de novo movendo as pernas compridas do Kuruta e as colocou de lado, trazendo uma manta em seguida. Sentou-se novamente ficando do mesmo jeito que antes. Tirou o calçado do loiro.
— Killua, me fale o que você pretende. — Perguntou sem abaixar o livro grosso do rosto.
— Suas pernas estão frias. E leia sem os sapatos. — Alegou o albino. Estava começando a ficar tristonho.
Mais tarde, o Zoldyck inquieto decidiu jogar umas partidas no Joystation. Podia chamar Gon ou Leorio se fosse só o caso de companhia, mas não era isso.
Ele queria a atenção de Kurapika e só dele.
— Será que ele fica bravo se eu picotar esse livro com minhas garras? — Falou mais para si, deduzindo que o Kuruta não ia ouvir.
— Você não se atreveria. — A resposta veio aos ouvidos de Killua, que olhou para suas costas, pois estava no chão em frente ao televisor.
Os olhos cinza-grafite genuínos, fitaram os azuis cristal confusos.
— Killua, você quer minha atenção e eu quero continuar minha leitura, o que fazemos?
Um rubor tímido adornou as bochechas excessivamente brancas de Killua. Ele não pôde impedir. O mínimo de cor, já se espalhava por sua face o deixando como uma pimenta.
— Você... Notou? — O próprio Killua quis se estapear por essa questão obvia.
— Eu não sou um Gon da vida. — Enfatizou, o presenteando com um sorriso amável.
E pegando o albino pelo braço, o obrigou a levantar. Puxando mais um pouquinho, o fez se esparramar em seu peito. Killua não reclamou, apesar da vergonha. Era o que queria afinal.
— Podemos ler. — Sugeriu Kurapika.
— Eu não conheço a história, não vou entender nada. — O albino retrucou por impulso, mas se arrependeu, não queria reclamar.
— São crônicas.
Ambos se calaram. Killua se distraiu ouvindo a melodia do coração de Kurapika. Quando estava ao pé do sono, sentiu um doce afagar em suas madeixas. E dormiu aninhado ao calor do Kuruta.
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