Catioríneos

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Woof woof woof woof woof woof woof. '-' Woof, woof woof woof woof aaauuuuuuuuuuu!!!!
Woof woof woof woof, woof woof.
Woof woof :3

(eu tive essa ideia brincando com a minha cachorrinha. '-' Eu achei muito legal. Espero que gostem!!!
Tem um pouco de romance, pq sim.
Vamos lá? :3)

Naruto — Spitz Finlandês

Sasuke — Cão-Lobo (Pastor Alemão Preta com Lobo Cinzento-Negro)

Sakura — Cocker Spaniel Inglês (puro)

Kakashi — Dono

Essa é história dos cães de Kakashi, que ficaram mundialmente conhecidos, cada um há sua maneira. Na sociedade humana, eles foram vistos como heróis, mas na sociedade canina, eles eram lendas vivas. No mundo mágico Homem-Cão, os animais podem ter aparência humanóide na visão dos outros animais e daqueles que acreditam que tais criaturas podem ter emoções próprias. Por causa dessa crença, um animal bem amado pode viver tanto quanto um ser humano com saúde de ferro.

Tudo começou quando, aos 27 anos, Kakashi e sua equipe de resgate, composta por Rin — a socorrista — e Obito — o policial, tal como Kakashi -, entre outras pessoas como Maito Gai, Asuma e Kurenai acabaram por receber uma chamada emergencial num prédio, sobre uma família feita de refém por uma gangue. Nada que eles já não tivessem enfrentado antes. Mas por causa de um descuido, a casa onde a família estava incendiou e as únicas baixas foram por parte da equipe.

Rin e Obito, os amigos mais próximos de Kakashi, morreram vítimas do incêndio, depois de ficarem presos na estrutura da casa ao salvarem os moradores. Homenagens foram feitas, uma placa de agradecimento e memória ao casal foi posta na corporação, os bandidos foram todos presos por uma série de crimes, mas nada pode ser feito em relação ao coração destruído de Kakashi. Sentia-se sozinho e sem uma razão para continuar servindo ao resgate. Para que arriscar sua vida quando seus amigos já não mais existiam, quando ele nem família de sangue tinha?

Pensando que talvez algo terrível pudesse acontecer, Gai, Kurenai e Asuma decidiram encontrar uma nova motivação para Kakashi, então conversaram com o chefe da corporação, o chefe Hiruzen.

—Ele tem ficado muito tempo sozinho, sir, não quer participar de nenhuma outra atividade que antes era da incumbência dele. Kakashi foi muito abalado pela morte de Rin e de Obito. Não queremos que ele cometa alguma loucura. — disse Kurenai.

O velho Hiruzen ouviu aquelas palavras e pensou por alguns dias, buscando uma nova razão para um de seus melhores subordinados, até que viu a solução de seus problemas chegarem do hospital. Ou seriam as soluções? Convocou Kakashi na mesma tarde e o esperou no canil.

—Sim, chefe. — realmente o semblante dele era de um homem devastado pela dor e pela solidão.

—Tenho algo para você. — os dois começaram a andar pelo canil, que basicamente era dividido em três grupos: os adestrados, os em treinamento e os inadestráveis. — Um presente. - Kakashi franziu o cenho, vendo ouvindo a maioria daqueles animais chamar sua atenção. — Você sabe que Rin e Obito cuidavam voluntariamente de alguns animais aqui e que a maioria dos que estavam sob seus tratamentos foi adotada.

—Sim, isso eu sei. Mas o que isso tem haver comigo?

—Você gosta de cachorros?

—Bastante, chefe. Meu pai era criador e adestrador profissional em vida. Cresci rodeado de caninos e tomei muito gosto pela espécie. — explicou.

Hiruzen parou perto duma porta de metal e a abriu. Havia uma série de gaiolas com cães machucados, sejam por missões ou por qualquer outro motivo, separados com coleiras coloridas: verdes para os treinados, amarelas para os em treinamentos, vermelhas para os inadestráveis. O mais velho deixou que Kakashi passasse um tempo observando os animais. Muitos deles o policial conseguia ver em sua forma humanóide, sorrindo-lhe algumas vezes ou lhe perguntando alguma coisa.

—Aqui dentro existem três filhotes que precisam de um lar e de alguém que lhe dê amor e atenção, cada um a sua maneira.

Hiruzen foi até um grupo de gaiolas mais ao fundo da sala e Kakashi o seguiu. De dentro de uma mesa, onde um filhote dormia tranquilo em cima, ele retirou uma pasta com três fichas cadastrais, entregando-a ao seu subordinado. Kakashi abriu-a e viu ali as três fichas correspondente aos três filhotes que estavam naquele lugar mais ao fundo.

—Eles precisam de você, Kakashi, como uma matilha precisa de um alfa e os filhos precisam de um pai. — falou calmo, acariciando a cabeleira lisa da fêmea dormindo sobre a mesa. Ela estava com a pata dianteira enfaixada. — Vai aceitá-los?

—O que acontece se eu negar? — realmente Kakashi não sabia se tinha condições de cuidar de cães, no seu atual estado emocional.

—Cada um terá um destino diferente. Um mais tristes do que outros. — Kakashi encarou os filhotes. — Ninguém quer adotar a pequena Sakura por ela ser muito medrosa, não serve para a corporação, apesar de ser bem adestrada. Vai ficar aqui, trancada, Deus sabe por quanto tempo. — Hiruzen apontou para o filhote que não parava de encarar Kakashi. - Naruto ainda está em fase de treinamento, mas é um baderneiro e late demais. Não conhece limites. Provavelmente vá ter o mesmo destino de Sakura ou talvez seja comprado por um laboratório para experimentos. — Kakashi arregalou os olhos, preocupado. - E Sasuke vai ser sacrificado por ser agressivo demais. Ninguém pode confiar nele, apesar de que tinha grandes chances de ser um cão policial. Mas não decida agora. Só são animais.

Kakashi não via meros animais. Aos seus olhos, eram três crianças abandonadas. Três crianças em três realidades distintas, mas pareciam pedir por ajuda, às suas maneiras.

Sakura, usando um vestido cor de caramelo e leggie creme, coleira verde no pescoço, exibia macios cabelos cor de rosa e uma postura de moça delicada, mas os arranhões em suas mãos — patas dianteiras — era a prova de que facilmente se machucava por ser frágil.

Naruto, usando uma camiseta branca com capuz laranja e uma bermuda laranja, tinha o cabelo — o pelo — dum amarelo quase ruivo muito não cortado, várias pequenas escoriações pelas pernas e no rosto com bandaids — que não existiam no focinho peludo — mostrava que era um cãozinho que não se deixava intimidar e parecia magoado com algo.

Sasuke, usando um macacão preto estilo calça um pouco desgastado, camiseta sem mangas azul, mostrava seu cabelo mal tratado — em alguns pontos de seu corpo sua pelagem faltava — que caia, comprido, sobre o rosto com uma cicatriz perto do olho e postura intimidadora, parecia não se importar com Kakashi, apesar de Kakashi saber por que ele era assim.

Hiruzen deixou-o sozinho e foi embora, observando de longe, com um sorriso nos lábios, o subordinado fitar os três cães. Sentia que tinha achado um caminho para ajudá-lo, agora só precisava deixar que os filhotes fizessem o resto. Quem sabe o que viria dali?

Naquela noite, Kakashi não conseguiu tirar os semblantes daqueles filhotes de sua mente e, tomado por aquela ideia intensa, decidiu que iria adotar aqueles cães com posturas tão opostas e singulares. Adotou os três filhotes de dois anos, mas que tinham a aparência de crianças de 12.

Claro que o começo foi difícil, principalmente acomodar Naruto e Sasuke num mesmo espaço, pois a personalidade rebelde de um batia violentamente de frente com a personalidade agressiva do outro. Os dois brigavam muito, Sasuke mordia quase sempre para machucar sem piedade e Naruto nunca sabia quando deixar o outro em paz. Houve um tempo, quando Kakashi dedicou-se a dar à insegurança de Sakura — raíz de seus medos caninos -, que os dois cães vivam de focinheira e trancados em cômodos diferentes, durante certos horários do dia.

Em determinados momentos Kakashi pensou em desistir, em devolver os filhotes e dizia a eles em voz alta, que não suportava viver com crianças que só lhe causavam problemas. Foi quando Sasuke fugiu de casa, depois de um ano em sua nova família, e tudo mudou, novamente. Kakashi havia levado Sakura para a tosa e ao chegar, encontrou Naruto choramingando ao pé do muro que circundava a casa. O menino loiro contou que Sasuke conseguira pular o muro e fora embora depois e muito brigar consigo.

Foram quase vinte dias de busca. Kakashi descobrira que Sakura era uma habilidosa farejadora, como é típico dos Spaniels, ela seguia o rastro de Sasuke com muita segurança e cuidado, enquanto Naruto se firmara como o queridinho das crianças da vizinhança, por gostar de brincar e ser muito amigável. Ao fim, encontraram o filhote sozinho, dormindo embaixo de uma árvore, tranquilo e aparentemente bem.

Naquela manhã, Sasuke não voltou para casa, mas todos os dias seguintes Kakashi e Naruto iam averiguar seu estado. Bem, tranquilo e intimidante, Sasuke parecia estar em seu próprio universo, mas em seu corpo apareciam marcas de briga de quando em quando. Numa manhã chuvosa, porém, Kakashi e Naruto foram seguidos por assaltantes e, ao chegarem onde Sasuke sempre estava, foi abordado.

O cão não estava mais embaixo da árvore costumeira, a chuva estava forte e Naruto rosnava para os homens atrás de si. Kakashi estava desarmado, ao contrário dos bandidos, temia que eles atacassem o cachorro ao seu lado, pois ele rosnava muito e logo começaria a latir. Um homem deu um passo exigindo dinheiro e ameaçando com a arma, mas mal ele fechou a boca, teve os dedos de sua mãos arrancados pela mordida de Sasuke. Ele berrou foi ao chão, os outros ficaram atônitos e logo desesperados ao verem o suposto líder ir ao chão com uma violenta mordida na jugular.

Naruto não esperou mais, começou a latir e atacar as pernas dos homens, desviando dos disparos, derrubando dois, enquanto Sasuke saltava sobre as costas dos outros para derrubá-los e morder-lhes as nucas. Kakashi arregalou os olhos, sem acreditar no tipo de treinamento que os dois haviam recebido: cães de guerra! Assombroso! Em poucos minutos, Naruto e Sasuke estavam diante de Kakashi, o primeiro mais próximo do dono latindo alto e forte, completamente arrepiado, enquanto Sasuke se mantivera mais a frente, rosnando, terrivelmente ameaçar com os pelos na nuca eriçados e a boca sangrando.

Os sobreviventes foram embora e os dois cães haviam matado três homens para proteger Kakashi. Não precisaram de coleiras ou ordens, o homem foi à frente, seguido pelo menor que, ao latir, trouxe o maior consigo. Desde aquela tarde chuvosa, Kakashi mudou o treinamento daquele trio, retomou o seu espírito de policial e resolveu reconstruir sua equipe de resgate, intensificando e melhorando cada característica deles e amenizando os defeitos. Seus filhotes eram perfeitos.

Ao longo dos anos, depois de tantas desavenças, tantos treinamentos e atividades, o trio canino havia chegado a idade adulta e já haviam recebido funções importantes na equipe de Kakashi. A morte de seus amigos queridos não fora superada, mas seus cães faziam jus aos seu antecessores. Obedeciam única e exclusivamente ao dono, aprenderam a se portar — principalmente Naruto — e a se controlar — principalmente Sasuke, eram ótimos cães para a corporação, os melhores.

E como fala-se do mundo mágico Homem-Cão, quando alguns animais, aqueles que recebem afetos dos homens, chegam à idade adulta eles vivem o tempo que for preciso que eles estejam na terra e assumem o tamanho e o poder que for necessário para desempenharem seus papéis. Aos dez anos de idade, quando Kakashi completara 35 e tinha uma filha de três anos com uma moça que conhecera num desfile para cães, Sakura, Sasuke e Naruto já estavam na idade adulta e não envelheceriam, não enquanto fossem necessários e amados por alguém, eram bem maiores que os cães do mundo comum, pois eram do Homem-Cão.

Sakura era a cadela modelo da corporação, tornara-se a melhor amiga da esposa de seu dono, participando de vários concursos de beleza, pois a mulher achara-a uma educadíssima Cocker Spaniel Inglesa com pedigree, bem adestrada e parceira perfeita. Naruto era o queridinho da família, brincando e cuidando de Keiko — que o chamava de Kitsune, por ele se parecer muito com uma raposa, afinal era um Spitz Finlandês de sangue puro — considerando-a sua irmãzinha querida, e sempre acompanhando Kakashi nas missões. Sasuke dedicava-se a vigiar a casa, obedecer as ordens de seu mestre e ser um dos melhores soldados da corporação, evitando envolver-se com Keiko, apesar de tolerá-la e vê-la como parte de sua matilha, afinal era um legítimo Cão-Lobo — cuja mãe era uma Pastora Alemã Negra e o pai era um Lobo Cinzento.

Era sábado e os humanos da casa haviam saído com cães para passear com as crianças no parque que permite animais domésticos. Naruto ficara boa parte do tempo na companhia de Keiko, mas vira que Sasuke se isolara sob a sombra de um carvalho, vigiando sua família de longe. Agora, com a aparência humanoide de homens feitos e com Sakura semelhante a uma deslumbrante mulher, Naruto sentia que algo estava mudando.

—E aí, Sasuke? Fazendo o que aqui, sozinho, no escuro… — ele se sentou ao lado do outro cão e segurou sua cauda com a ponta escurecida, muito semelhante a de uma raposa.

Sasuke suspirou, encostando-se melhor no carvalho para fitar o outro. Com o passar dos dias e das missões, ele criara um profundo respeito por ele, uma amizade sincera e um afeto intenso. Mesmo sendo um territorialista voraz, agressivo com qualquer um que não fosse de seu convívio ou de sua confiança, rejeitando principalmente machos e humanos, Naruto tinha um lugar especial em sua mente.

—O de sempre. — respondeu, calmo, observando o estilo adulto dele: camisa aberta de botões laranja de mangas dobradas até os cotovelos, camisa branca de estampa que imitavam chamas laranjas com o capuz caído, calça jeans marrom barro, descalço sempre. A pele morena, quase dourada, lhe deixava mais belo. — Sabe que não tenho saco para esses momentos em família, apesar de não desgostar.

Não podia negar que seu amigo era um macho e tanto, ele não sabia como Kakashi não iniciara um negócio de vender filhotes de Naruto, porque cruzar ele já havia feito e eram lindos e adoráveis, dignos de uma linda linhagem. Pelo dourado macio e bem tratado, com um corte rebelde — cortesia da “mãe” da família -, olhos azuis brilhantes e dentes bem limpos, a raça Spitz lhe caía como uma luva e não havia fêmea que não se encantasse por seus dotes caninos.

Naruto era o que Sasuke pensava ser o guardião modelo: lindo e perigoso, pois tinha instintos admiráveis para defesa, para caça e para convivência com seres humanos. Inegável que Naruto nascera para ser um cão protetor da boa vizinhança. E ainda havia havia seu toque selvagem no rosto. A tal da semelhança com uma raposa, cortesia de um acidente com Keiko em que Naruto machucara o rosto, criando os “bigodes” característicos. Isso o deixava mais simpático, principalmente para as crianças, tinha que admitir, ainda que fosse no silêncio da sua mente.

—Devia se entrosar mais com Kei-chan. Ela gosta de você. Não devia ser tão ranzinza. — o Spitz comentou, enquanto o outro parecia cochilar silenciosamente. — A coitada não ter culpa de você ser um cachorrão.

—É a minha natureza… Eu não sou ranzinza, sou sério. Você que é o idiota brincalhão da família. — comentou, sussurrando e fechando lentamente os olhos, aproveitando a brisa.

—Hei! Não sou idiota! Kakashi disse que sou muito inteligente! Bem acima da média! — resmungou, arqueando uma sobrancelha, sem conseguir desviar o olhar dele. Fazia mais ou menos um ano que ele criara essa mania de observá-lo, principalmente em ação ou ao dormir.

—Só por que você sabe pegar um disco no ar e fazer truques? — Sasuke sorriu. — Até eu posso fazer isso, se eu quisesse.

—Ah é? Quero ver. Aposto minha sobremesa que você não pega os discos. — Naruto esticou a mão.

Sasuke o fitou, encarou a mão e negou.

—Eu luto com homens, caço animais selvagens, aves, me meto na água e já salvei pessoas. Eu não vou apostar com você. — Naruto riu um pouco e assentiu. — Nem gosto de doces. Não vou pegar discos.

—Você pode e devia. — Naruto comentou e Sasuke sorriu, negando ainda de olhos fechados. Eram raros os momentos que o cão podia admirar o outro em paz, sem aquela postura constante firme de alerta. — Brincar com Kei-chan não é ruim. Pode até ser…

—Me esquece, cara. — ele rebateu, com um sorriso discreto nos lábios.

Naruto gargalhou e apoiou a cabeça no braço sobre a cama, deixando-se deitado de perfil. O outro olhou-o de soslaio, sutil, ao sentir o menor brincar com sua cauda com pouco interesse, como se quisesse disfarçar algo, um pensamento, talvez. Fechou os olhos e suspirou. Naruto continuava sorrindo, sutilmente, admirando com discrição o cachorro.

Sasuke deixara a aparência de garoto marrento, brigão malvado, e virara um adulto e tanto, principalmente porque sua descendência lupina fora ainda mais destacada com os anos. Por causa de sua genética bem selecionada pela corporação, Sasuke era visualmente mais lobo do que cão, com seu pelo negro muito grosso, pesado, macio e brilhante — que era um grande problema no calor -, pernas e patas fortes, mandíbula perigosa e instintos para caça superiores, justificando sua desconfiança e sua selvageria natural. Mas seu lado Pastor Alemão equilibrava a balança ao incitá-lo a ser muito protetor e alerta, capaz de ser adestrado e gostar da presença humana em certos níveis.

Vestia calça jeans negra agora, sem cinto, um casaco negro até a altura das coxas cujo capuz sempre cobria sua cabeleira comprida e também negra, mas destacava sua pele branca e seus olhos bem desenhados negros com um leve brilho avermelhado. Em suas mãos e em seus pés haviam aquecedores pretos — no lugar de luvas e calçados — e Sasuke não usava camisa, deixando as vistas seu peitoral liso e seu abdômen trincado — orgulho particular dele.

—Hei, Sasuke… Ouvi uns papos que Kakashi quer te cruzar com aquela pastora do setor de drogas. — Sasuke abriu lentamente os olhos e observou o amigo, que distraidamente balançava a cauda e penteava os pelos da sua. — Mas ele não sabe que você é uma ameba? — riu de nervoso. — Ideia maluca, não é?

—Qual o problema deu copular com uma fêmea de novo? — Naruto arregalou sutilmente os olhos e engoliu em seco, preocupado. — Você já foi pai de uma ninhada duas vezes, pelo o que sei. Eu também já fui uma vez. Qual o problema de ser novo? Num sou eu quem cria mesmo.

—Mas eu sou diferente. — desconversou. — Sou uma raça mais comercial, mais fácil de domesticar. Além de que não tenho problemas com fêmeas.

—Está dizendo que não sou atrativo?

Sasuke puxou Naruto pelo capuz da camisa e o ergueu, fazendo-o lhe encarar, visto que parecia fugir de si. O rosto dele estava levemente corado, como se estivesse constrangido com algo. Ele encurtou o olhar e apoiou o queixo fino com um dos dedos, tomando cuidado para não arranhá-lo com sua garras levemente compridas.

—Não é isso. Claro que você é um macho atrativo. Qualquer fêmea gostaria de copular com você, porque você com certeza é uma das melhores opções da raça, fisicamente falando, mas… — ele engoliu em seco, ajustando sua postura e coçou os cabelos da nuca. — Talvez…

—Talvez? — quanto mais Sasuke olhava, mais sentia-se atraído pela beleza incomparável de Naruto.

—Sua personalidade! — aquela proximidade estava preocupando o spitz. Ele pousou as mãos sobre o peito nu e tentou afastá-lo, mas seus instintos o queriam por perto e Naruto sempre soube que era melhor confiar em seus instintos. — Sua personalidade é muito difícil… E você pode machucar a fêmea, porque você é muito agressivo e…

Sasuke não ouvia mais. Seus olhos estavam fixos nos lábios bem desenhados de Naruto. Sentiu um arrepio conhecido percorrer sua espinha e lambeu os lábios, entendendo o que queria. Não era de ficar admirando outros animais pelo simples fato de admirar. Sempre havia algum interesse e, agora, entendera qual era o seu interesse em Naruto, desde a época em que fugira de casa.

Calou aquela boca nervosa com um beijo lento, experimentando o ato pela primeira vez, segurando firmemente Naruto ali com seus braços ao redor dele, mas parecia que o outro estava muito confortável ali. Beijaram-se sob sombra do carvalho, trocando carinhos nos cabelos e no corpo, sem malícia, seguindo as ordens de suas almas. Sasuke repetiu o beijo diversas vezes antes de se dar por satisfeito, sorrindo por fim.

Naruto não se contentou, aproveitando que o outro o liberara para respirar e iniciou uma série de lambidas e beijos pela nuca e nas orelhas de Sasuke, pois sabia que ali eram os únicos pontos que o cão se deixava ser acariciado. Não deixaria que Kakashi cumprisse com aquele plano, não deixaria que uma fêmea o tocasse de novo, não quando Sasuke o tinha, disponível, todos os dias, exclusivo para si. Os dois se fitaram e tornaram a trocar selinhos calmos.

—Se quer cruzar, faz comigo. — Naruto sussurrou, vendo Sasuke se erguer e se alongar, sacudindo o corpo. Ele se levantou também, sacudindo-se para arrumar o pelo e o fitou. — Você nem gosta e nem quer ser pai. Se é só para se aliviar, então faz comigo.

Sasuke o fitou intensamente.

—Você conhece o meu apetite. Acha que aguenta?

—Eu aguento uma briga sua, num vou conseguir aguentar você me cobrindo? — Naruto riu e abraçou o outro. — Principalmente se é algo que eu sei que vai ser bom e que eu quero? — ele beijou-o de novo. — Eu vou acabar com você, Sr. Lobo.

—Veremos. — Sasuke sorriu e lambeu os lábios, já imaginando como seriam seus dias. Aproveitou para beijá-lo mais enquanto recebia carinhos. Era inegável sua felicidade, haja vista sua cauda balançando, aliás de ambos os cachorros sob a sombra do carvalho.

Daquele em dia em diante, Sasuke aproveitava as tardes que ficava sozinho com Naruto para se satisfazer do cheiro, do calor e do corpo do outro. Entregavam-se com desejo, com saudade, amavam-se e decidiram que não pertenceriam a mais ninguém. Kakashi, ao perceber o quão íntimo eles estavam, respeitou a postura dos cães.

Foi numa dessas tardes íntimas que a lenda deles começou. Sakura dormia sob o sol, deitada na varanda, enquanto Sasuke saciava a vontade de seu parceiro. Naruto estava bem animado naquele dia.

—Você estava bem faminto hoje. — Sasuke tomava um pouco de água fresca enquanto via Naruto arrumar-se. — Quase eu deixava de ser cachorro para acalmar teu facho como lobo.

Naruto riu.

—Ia ser interessante. — lambeu os lábios e foi balançando o rabo se deitar ao lado do amante. Aninharam-se na sala, diante da televisão, em cima do sofá, para descansar. — Gosto tanto de dormir com você. — ele murmurou, enfiando-se mais debaixo da pelagem negra do outro. Suspirou, sorrindo, sentindo-se mais tranquilo ao ver os braços de Sasuke contornarem a sua cintura.

Sasuke ficou observando a televisão, lambendo de quando em quando as orelhas e o rosto de Naruto, vendo as imagens de jornais e programas aleatórios, passando de canal em canal até que parou no noticiário local e atentou-se ao que o humano falava.

Naquele momento Sakura chegara-se e se sentara ao lado de Naruto, encarando a televisão. O humano falava que estava acontecendo um incêndio num grande galpão, que se iniciara na floresta, e que algumas equipes de resgate foram para lá ajudar as pessoas. Sasuke ergueu as orelhas, preocupado, ao ouvir que a situação se agravara e que alguns policiais ficaram presos.

—Foi para onde os nossos pais foram! — Sakura falou e saltou do sofá para o piso. — Será que eles estão bem? — ela fitou Sasuke e viu em seus olhos negros desconfiados a resposta. Não pensou: abocanhou a cauda de Naruto para que ele acordasse.

—Kain! — ele gritou e saltou por cima do cachorro negro, com o rabo entre as pernas, sem saber o que estava acontecendo ou por que fora mordido. Sasuke revirou os olhos e lambeu a região machucada, acalmando o spitz. — Por que me mordeu? — indagou, choroso.

—Porque você não ia acordar se eu te chamasse de modo normal. — ela retrucou e correu para a porta, seu instinto falando mais alto. — Temos que ir para onde nossos pais foram! Agora mesmo! Sem demora alguma! — Sakura colocou-se de pé nas duas patas traseiras e começou a arranhar a porta. — Me ajudem aqui!

Naruto encarou Sasuke e recebeu uma lambida no rosto, uma das poucas formas de carinho que o Cão-Lobo tinha para consigo. Ele suspirou e observou a televisão, por indicativo do parceiro, finalmente entendendo o que Sakura queria dizer. Rapidamente desceu do sofá e foi até Sakura, puxou-a pelo couro peludo até a janela, obrigou-a a subir sobre si e a empurrou para fora de casa por ali. Sasuke veio logo atrás, com um salto tranquilo, por ser o maior dos três.

—Para onde vamos, Sakura? — Naruto indagou, olhando para a rua de orelhas ao vento.

A Cocker rapidamente baixou o rosto para o chão e começou a procurar pelo cheio de Kakashi. Era a melhor farejadora dos três, isto é, a que melhor se recordava dos odores, pois ninguém poderia negar que o nariz lupino de Sasuke era imbatível, mas sua capacidade de memorizar certos cheiros era horrível. Encontrou a direção em poucos segundos.

—Por aqui! — falou alto, quase num latido e disparou.

Por ter pernas mais curtas que os dois machos, ela tentava correr o máximo que conseguia e os outros a acompanhavam num trote leve, concentrado. Em meia hora, conseguiram chegar ao tal galpão. Sakura latiu repetidas vezes, como fora ensinada, sempre que encontrava o que era mandada, e este foi o sinal para que Naruto e Sasuke disparassem a todo vigor para o galpão em chamas.

Os outros soldados reconheceram os animais e começaram a bradar sobre a presença deles no ambiente. Naruto parou diante da enorme coluna de fogo e ficou observando Sasuke analisar o modo como eles iriam entrar ali para salvar Kakashi, pois ouviam seus gritos por ajuda. Os bombeiros tentavam apagar as chamas, mas os ventos não ajudavam, além de que ainda tinham que se preocupar com uma parte da floresta sendo carbonizada.

Sakura latiu mais alto e os dois encararam-na: ela indicava uma janela que não era atingida pelas chamas, mas estava no segundo andar. Havia uma árvore próxima, mas esta pegava fogo. Sasuke não pensou duas vezes. Acelerou as patas grossas, seguido por Naruto, apoiou-se numa árvore, escalando-a, e se lançou contra o vidro, quebrando-a de vez e caindo do outro lado. O Spitz chegou logo em seguida, caindo de maneira atordoada.

—Onde eles estão? — Naruto tossiu e se abaixou, tal como Sasuke fizera. — Não consigo sentir nada, só fumaça.

O outro tentou farejar, mas nada conseguia. A fumaça estava piorando sua concentração por causa de seu olfato superior. Tentou pela audição. Aos poucos distinguiu sons humanos dos sons da madeira e reconheceu a voz de seu mestre, indicou uma direção e os dois animais seguiram, abaixados, arrastando-se pela madeira quente, evitando as labaredas que lambiam as paredes e o teto.

Em dois minutos, chegaram a uma porta caída e viram uma escada. Os sons vinham de lá, Sasuke tinha certeza. Os dois desceram com cuidado, mas rapidamente, e Naruto começou a latir para alertar de suas presenças. Kakashi foi o primeiro a ouvir seus cães e quando os viu, mal conseguiu acreditar, dado o fato que estava prestes a desmaiar de tanto inalar a fumaça. Sasuke chegou bem perto, deitou-se ao lado do mestre e o ajudou a se erguer, enquanto Naruto tentava acordar as duas outras pessoas que estavam ali, caídas.

—Sasuke… Naruto…? — ele tossiu e o cão o empurrou para fora da sala, usando de seu porte e força descomunais para conseguir. Em seguida foi buscar as outras pessoas, que enfim foram despertadas por Naruto. — Bons garotos… Nos tirem daqui, rapazes! Rápido!

Naruto latiu e Sasuke foi a frente, abrindo caminho por entre as chamas, enquanto o primeiro mantinha-se ao lado do dono. Chegaram até a janela, onde Sakura estava de guarda, latindo incansavelmente para que os bombeiros e outras pessoas fossem para lá. Assim que seus olhos verdes perceberam a presença de Kakashi naquele lugar, uivou, ou fez algo parecido com isso, numa tentativa de chamar ainda mais atenção.

Os bombeiros perceberam a Cocker fazendo muito alarde e um pequeno grupo de três homens se aproximou. Ao verem as pessoas na janela, prepararam-se para realizar o resgate, pois a estrutura estava ruindo por causa do fogo. Precisavam ser rápidos.

Os dois cães assistiam o resgate acontecer, mas de quando em quando atentavam-se ao teto, que estalava querendo cair. Naruto foi o primeiro a ser pego pelo bombeiro, que constantemente lhe chamava de herói, apoiou-se nos ombros do humano e fitou Sasuke. A madeira estalou mais alto, assustando o spitz, e Sasuke recuou vários passos, pois o teto ruiu entre os dois cães. Naruto começou a latir, vendo madeira trás de madeira, metal trás metal caindo e empurrando o Cão-Lobo para mais fundo do galpão, para dentro do fogo.

—Sasuke! — gritou, querendo soltar-se do bombeiro, mas sem sucesso. — Sasuke! — não viu outra forma: abocanhou o braço que lhe segurava, assustando o humano, e saltou para dentro.

Os humanos ainda tentaram fazer alguma coisa, mas a parede que sustentava a escada estava prestes a desabar, não podiam ficar mais por ali, era perigoso demais. Kakashi não acreditou que seus cães ainda estavam nas chamas, sozinhos. Um incêndio de novo não! Ele tentou ir até lá, mas foi segurado pelos seus homens. Não podia perder sua equipe de novo.

—O que está fazendo?! — Sasuke bradou, irritado, ajudando o amante a ficar de pé. — Ficou louco? — ele mordeu a nuca alheia e afastou-o de uma viga em chamas que despencou do teto.

—Eu nunca vou deixar você, seu idiota. Estamos juntos, esqueceu? — Naruto ergueu-se nas pernas bambas, afastando a cauda do fogo, e sacudiu suas roupas. — Eu nunca vou te abandonar.

O outro meneou a cabeça, sorrindo de lado, e segurou na mão dele para sair dali. Tinham que encontrar uma saída antes que fosse tarde demais, antes que o galpão caísse sobre suas cabeças. Dentro daquele inferno de fogo, Sasuke e Naruto corriam pelo galpão, fugindo das labaredas e dos pedaços que caiam sobre si. No meio da loucura, os dois ouviram gritos. Gritos humanos.

Naruto farejou, em meio aquelas cinzas e fumaça negra, a direção daqueles gritos e chegou a uma espécie de sala trancada por uma porta de metal. Gritou por Sasuke e depois foi com toda força contra ela, mas a porta não se moveu. O outro chegou e verificou as trancas. Lentamente, conseguiu abri-la. Sasuke e Naruto entraram, abaixados, por causa da quantidade de fumaça que saiu dali. Ouviram novos gritos acompanhados dos rangidos do teto e das paredes do galpão, pois o fogo estava cada vez mais alto e eles sentiam o chão vibrar.

Os dois viram mais um grupo pequeno de pessoas, na verdade um trio. Uma daquelas pessoas estava usando o fardamento característico da equipe de resgate e estava caída, aparentemente desmaiada, as outras duas estavam ao redor, tentando proteger-se das chamas. Ficaram surpresos quando viram os dois cachorros gigante entrarem.

Sasuke se aproximou, pegou o desmaiado e o apoiou sobre o corpo, forçando as quatro patas para ficar de pé, enquanto Naruto dava um jeito de guiar as outras duas pessoas para fora da sala. Estava ficando difícil respirar, cada passo era uma batalha e o inimigo era o desespero, alimentado pelo fogo. A todo custo, o splitz procurava por correntes de ar por aquele caos, mas parecia que não existia, era apenas fogo e fuligem.

—Vamos morrer aqui… — Naruto encarou Sasuke, tentando parar de tossir e respirar. — Não consigo encontrar uma saída.

—Concentre-se Naruto! — Sasuke falou alto. — Vamos, você consegue, é o único que pode achar nesse inferno! — ele encarou os humanos, notando-os desesperados, e depois fitou Naruto. — Temos que tirá-los daqui antes que seja tarde. Somos ou não cães de resgate? Vamos, Naruto!

O outro assentiu e retomou as buscas. Sasuke lhe seguia quase sem fôlego, por causa do esforço de carregar uma pessoa desmaiada sobre o corpo sem ajuda de um apoio. A ponta de seu nariz esfriou de repente. Naruto arregalou os olhos e seguiu aquele rastro, até uma parede que não estava tomada pelo fogo. Uma janela.

—Uma janela! — Naruto começou a latir, tentando atrair a atenção de alguém que estivesse do lado de fora. Mas parecia que ninguém ouvia. — O que faremos, Sasuke?!

O outro deitou a pessoa no chão e começou a uivar alto. Uivou com força, tão alto que Naruto chegou a sentir seus ouvidos doerem, mas assim que ele silenciou, percebeu vozes humanas por ali. Eram as pessoas do resgate. Sasuke parecia já ter percebido, por isso ainda mantinha o uivo melodioso, alto, indicando suas posições. Em poucos segundos, viram um bombeiros se aproximar pela janela.

Os dois cães se afastaram dos humanos e deixaram que os bombeiros cumprissem com suas atividades, para salvar os acidentados. Assim que o trio estava em segurança, os bombeiros tentaram salvar os cães, mas o fogo consumira a estrutura e tudo estava desabando. Naruto e Sasuke não tiveram outra alternativa: correram novamente.

O galpão desabava atrás deles e os dois não sabiam bem para onde ir, tudo era fogo, brasa e ferro retorcido. Do lado de fora, Kakashi observava a estrutura afundar, como se fosse engolida pelas chamas, sem conseguir se mexer, apenas lágrimas caiam de seus olhos. Seus animais ainda estavam lá dentro, sentia novamente que estava prestes a perder sua equipe.

Quase uma hora depois, o incêndio foi apagado e todos os bombeiros observavam o lugar completamente queimado e uma pequena parte da floresta carbonizada. Por causa dos três animais, nenhuma pessoa morrera, apesar de alguns terem sofridos queimaduras. Kakashi sentia-se desolado, abraçando firmemente Sakura — a única que restara — porque perdera as suas companhias. Sua esposa tentava consolá-lo, mas ele estava irredutível.

Se não fosse aqueles cães, com toda certeza ele não teria superado uma fase sombria de sua vida. O que faria sem eles agora? Kakashi fitava intensamente os olhos verdes de Sakura em busca de respostas, mas a cadelinha apenas lambia delicadamente o seu queixo, numa tentativa de diminuir a dor, pois ela mesma sofria.

Começaram as buscas pelos cachorros, mas ninguém encontrou nada, depois de algumas hora,s no meio de todo aquele ferro retorcido e restos de madeira. Kakashi ainda se demorou alguns minutos, olhando para tudo aquilo e agradecendo silenciosamente por ter sua vida salva por seus cães, seus amigos queridos. Foi quando ouviu. Parecia um assobio ao longe, trazido pelos ventos fortes que fizeram o fogo se espalhar. Piscou várias vezes os olhos e se concentrou. Não era o vento, era um uivo.

Reconheceria aquele som em qualquer lugar. Seu coração bateu mais rápido. Era um uivo! E não um qualquer. Correu, e sem perceber, foi seguido por emissoras que cobriam toda o desastre e a atividade das equipes de resgate. Vinha de por trás do que restara do galpão e foi por ali que Kakashi seguiu.

Estava ficando mais alto. Kakashi pedia internamente para que continuasse uivando. Era Sasuke. Seu uivo de alerta era inconfundível. Estava vivo! E se Sasuke estava vivo, Naruto também estava. Kakashi subiu um morro descampado e olhou em volta. Cessara, o som se findara assim que ele chegou àquela altura.

—Não…— sussurrou para si mesmo. — Naruto!!! Sasuke!!! — chamou, desesperado. Piscou os olhos rapidamente, recordando-se de algo e assobiou. Sakura veio correndo, sacudindo seu pelo sujo de terra e fuligem, para perto de si. — Encontre-os, Sakura!

A cadela se pôs a farejar todo o ambiente, veloz e atenta. Orelhas erguidas e nariz ao vento, ela procurava com Kakashi em seu encalço, além de outros humanos. Eram muitos cheiros confundido a sua cabeça, muitos odores fortes causados pelo incêndio, além de muitos humanos emitindo fortes feromônios, mas Sakura se concentrou e se esforçou para encontrar os cheiros característicos de seus dois amigos. Embrenhou-se por um emaranhado de madeira queimada e caída, mal posicionado, e se viu sozinha.

Os humanos não podiam segui-la até ali. Respirou fundo e recomeçou. Sem tantas interferências, conseguiria achar, tinha certeza. Ela ainda ouvia a voz alta de Kakashi chamando os dois cães, mas se afastava cada vez mais dela. Sabia o que ele estava fazendo: tentando fazer com que eles latissem.

Esperou, calma, entre alguns troncos vazios, e repentinamente ouviu latidos fracos. Era Naruto. Sem sombras de dúvidas, aquele latido era de Naruto. Sakura disparou, sem se importar com os galhos que machucavam seu pelo e encontrou um tronco oco dentro do rio, quase submerso. Viu duas figuras dentro dele, apoiados para não afundarem. Aproximou-se e reconheceu os olhos azuis na escuridão.

—Naruto! — ela falou, animada.

—Sakura! — ele comemorou. — Estou com uma pata quebrada! E Sasuke desmaiou!

Ela entendeu o recado. Procurou por uma rota por onde os humanos pudessem se aproximar e salvar seus amigos. Seus olhos atentos encontram uma trilha entre duas árvores cruzadas. Sakura seguiu para ali e tentou encontrar os humanos.

Viu Kakashi. Não esperou um segundo se quer. Começou a latir bem alto, em alerta, como fora ensinada, saltando e se mexendo, sem parar. O dono percebeu o seu latido e veio correndo para ela, deslizando pelo barranco que se colocava entre os dois. Sakura guiou Kakashi até os cães presos no tronco.

Algumas horas depois, todos estavam comemorando no centro veterinário do Centro de Resgate. Todos estavam salvos e os três cães de Kakashi eram heróis. Acomodados e medicados, os três descansavam, quietos como se assim pudessem viver aquele sentimento de dever cumprido.

Naruto havia quebrado uma pata, estava com parte da cauda queimada e com uma das orelhas também. Sasuke tinha quase morrido asfixiado, mas se encontrava bem, seu pelo estava chamuscado e ele deslocara duas das patas, mas estava bem. Sakura tivera quase todo o seu pelo tosado porque fora queimado e estava com muitas escoriações.

Os dois machos estavam aninhados, um perto do outro, cochilando: Naruto com o rosto apoiado sobre o de Sasuke, que descansava a cabeça sobre as patas dianteiras do spitz. Sakura estava sobre os dois machos, por ser a menor, quietinha, pois o seu corpo sensível precisava de mais calor. Kakashi observava os três com lágrimas nos olhos. Era realmente sua equipe, seus melhores amigos, e, de alguma forma, sentia que eles nunca iriam deixá-lo.

—Obrigado, pessoal, por continuarem vivos.— sussurrou.

Os três abriram lentamente os olhos e fitaram o humano. Balançaram as caudas em sincronia. Seriam eternamente gratos a Kakashi por tê-los salvo de serem abandonados ou sacrificados pela sociedade. O mínimo que poderiam fazer era se manter vivos, como parceiros e amigos daquele bom mestre.

Atualmente, os três ainda estão na ativa e essa foi apenas uma das várias aventuras que lhe renderam as medalhas de heróis dos homens e dos animais.



Notas finais
Woof?
Woof?
Woof?
Auuuuuuu :3

(gostaram?
comentários?
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nos vemos :3)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!