Catholic System

40 Capítulo 40 - O Chamado dos Escolhidos


A base de Tolarian estava mais movimentada naquela manhã.

Depois de conhecer Getúlio, Shin, Aiko, Yoru e Akane finalmente tiveram a oportunidade de conhecer os outros três pilotos.

Getúlio caminhava pelos corredores com os quatro atrás dele.


— Bom... acho que tá na hora de vocês conhecerem o resto da equipe.


Aiko cruzou os braços.


— Finalmente.


Getúlio parou diante de uma porta.


— Primeiro... Erick.


Ele abriu.

Silêncio.

Um homem estava sentado sozinho em uma cadeira.

Cabelos bagunçados.

Roupa simples.

E um olhar...

Completamente insano.

Erick Di Dêz levantou lentamente os olhos.

Seu rosto não demonstrava praticamente nenhuma emoção.

Mas seus olhos pareciam os de alguém que poderia começar a rir a qualquer momento.

Aiko ficou parada.


— ...


Shin olhou para Getúlio.


— Você disse que ele era gente fina.


— E é.


Erick levantou.


— Vocês são os pilotos da Crist?


— Somos — respondeu Shin.


Erick abriu um sorriso.


— Prazer.


A expressão dele continuava parecendo a de um maníaco.

Mas sua voz era surpreendentemente tranquila.

Ele estendeu a mão.

Shin apeNrtou.


— Shin Kagami.


— Erick.


Erick olhou para Aiko.


— E você?


— Aiko Morgen.


— Prazer, Aiko.


— Prazer.


Erick então olhou para Yoru.

Yoru apenas o encarou.

Erick esperou.

Yoru continuou encarando.


— ...


— ...


Erick deu de ombros.


— Beleza.


Yoru virou o rosto.

Getúlio começou a rir.


— Viu? Gente fina.


Aiko apontou para Erick.


— Ele tem cara de quem esconde corpos no porão.


Erick sorriu.


— Não tenho porão.


Aiko ficou em silêncio por alguns segundos.


— Isso não ajudou.


Erick começou a rir.


— Você é engraçada.


— E você é estranho.


— Justo.


Shin observava a cena.

Getúlio realmente não estava exagerando.

Erick tinha um olhar assustador.

Mas, por trás daquele olhar, havia alguém bastante tranquilo.

Pouco depois, Getúlio os levou até outra sala.

A porta estava entreaberta.

Antes mesmo de entrarem, sentiram o cheiro de fumaça.

Aiko franziu a testa.


— Sério?


Getúlio abriu a porta.

Bruno Bastian estava sentado perto da janela.

Um cigarro entre os dedos.

Um livro aberto sobre a mesa.

Ele não parecia interessado na presença de ninguém.

Seu olhar estava perdido.

Não triste.

Não irritado.

Apenas... vazio.

Getúlio entrou.


— Bruno.


Bruno levantou os olhos.


— Hm?


— Temos visitantes.


Ele olhou para Shin, Aiko, Yoru e Akane.


— Ah.


Voltou a olhar para o livro.

Aiko olhou para Getúlio.


— Ele é sempre assim?


— Basicamente.


Shin se aproximou.


— Bruno Bastian?


Bruno fechou o livro.


— Sim.


— Shin Kagami.


— Eu sei.


Shin arqueou a sobrancelha.


— Sabe?


— Você é o escritor.


Aiko soltou um pequeno sorriso.


— Pelo menos alguém aqui conhece ele.


Bruno ignorou o comentário.

Apagou o cigarro no cinzeiro.

Por alguns segundos, ficou olhando pela janela.


— Vocês já tiveram a sensação de que conseguiram tudo o que alguém poderia querer...


Ele respirou fundo.


— ...e mesmo assim não encontraram motivo nenhum para continuar procurando?


Ninguém respondeu imediatamente.

Bruno voltou a olhar para eles.


— É assim que eu me sinto.


Getúlio permaneceu em silêncio.

Bruno pegou o livro novamente.


— Nasci em uma família que me deu tudo.


Dinheiro.

Educação.

Conforto.

Status.

Nada disso significou alguma coisa.

Ele abriu novamente o livro.


— Então eu piloto Merlin.


Aiko franziu a testa.


— Só isso?


Bruno olhou para ela.


— Por enquanto.


E voltou à leitura.

Shin ficou observando.

Havia alguma coisa estranha nele.

Não parecia que Bruno queria morrer.

Também não parecia que queria viver.

Ele simplesmente parecia estar procurando alguma coisa que ainda não sabia nomear.


— Certo! — disse Getúlio. — Agora falta o Scott.


— Esse eu quero conhecer — disse Aiko.


Eles atravessaram mais alguns corredores.

Até encontrarem Scott.

Ele estava sentado em um banco.

Um livro de romance aberto nas mãos.

Completamente concentrado.

Getúlio parou diante dele.


— Scott.


Nenhuma resposta.


— Scott.


Nada.

Getúlio suspirou.


— SCOTT.


Scott levantou a cabeça imediatamente.


— O quê?


— Visitantes.


Scott olhou para os quatro.

Seu rosto mudou imediatamente.

Ele fechou o livro.

Levantou-se e ajeitou a roupa.


— Prazer em conhecê-los.


Ele primeiro cumprimentou Shin.


— Scott Flowers.


— Shin Kagami.


Depois cumprimentou Yoru.


— Prazer.


Yoru respondeu apenas:


— Hm.


Scott então viu Aiko.

Seu olhar mudou.

Ele sorriu.


— Você é linda.


Aiko piscou.


— ...Obrigado?


Scott colocou a mão no peito.


— Quer casar comigo?


Silêncio.

Aiko ficou olhando para ele.


— O QUÊ?!


Scott pareceu genuinamente surpreso.


— Foi rápido demais?


— VOCÊ ACABOU DE ME CONHECER!


— Sim.


— ENTÃO POR QUE CARALHOS VOCÊ TÁ PEDINDO PRA CASAR?!


Scott ficou pensativo.


— Porque achei você interessante.


— ISSO NÃO É MOTIVO!


Getúlio já estava quase morrendo de rir.

Shin desviou o olhar.

Akane cobriu a boca para esconder um sorriso.

Aiko apontou para Scott.


— Nunca mais fala isso pra uma mulher que você acabou de conhecer!


Scott levantou as mãos.


— Entendido.


Ele pegou novamente o livro.

Sentou-se.

Abriu na página onde havia parado.

E voltou a ler.

Como se nada tivesse acontecido.

Aiko ficou encarando.


— ...


Shin olhou para Getúlio.


— Ele faz isso sempre?


— Às vezes.


Scott virou uma página.


— Eu só procuro o amor da minha vida.


Aiko bufou.


— Então começa aprendendo a conversar com as pessoas.


— Certo.


Outra página.

Silêncio.

Scott voltou completamente à leitura.

Aiko cruzou os braços.


— Ele é estranho.


Getúlio sorriu.


— Bem-vinda a Tolarian.


Shin olhou para os três.

Erick, com aquele olhar assustador e um sorriso amigável.

Bruno, vazio por dentro, procurando algum significado para sua existência.

Scott, um cavalheiro romântico que parecia viver dentro de um livro.

Três pessoas completamente diferentes.

Três histórias que ainda não conhecia.

E, de alguma forma, todos eles haviam escolhido lutar.

Shin permaneceu em silêncio.

Talvez fosse justamente isso que tornava aquela viagem tão importante.

Não era apenas conhecer novas máquinas.

Era conhecer as pessoas que estavam dentro delas.

Getúlio colocou as mãos nos bolsos.


— Bom...


Ele sorriu.


— Agora vocês conhecem a equipe inteira.


Aiko olhou para os três.


— Essa equipe é muito estranha.


Erick riu.

Bruno continuou lendo.

Scott virou outra página.

Yoru simplesmente foi embora pelo corredor.


— Yoru! — chamou Aiko.


Ele parou.


— O quê?


— Você nem falou nada!


Yoru olhou para os três pilotos.

Depois para Aiko.


— Já vi o suficiente.


E continuou andando.

Aiko ficou indignada.


— ESSE CARA É IMPOSSÍVEL!


Getúlio começou a rir.

E, pela primeira vez desde que chegaram à Inglaterra, Shin sentiu que talvez aquela viagem fosse render muito mais do que apenas informações sobre outras organizações.

Talvez ele finalmente estivesse conhecendo o mundo que existia além de Crist.


Continua...