Catholic System

31 Capítulo 31 - O Filho Prodígio


A aeronave da Crist atravessava o céu de Israel.

Depois de horas de viagem...

Finalmente chegaram.

Shin observava pela janela.

A paisagem havia mudado completamente.

As construções modernas se misturavam às antigas.

Cúpulas.

Muralhas.

Edifícios militares.

E, ao longe...

Jerusalém.

A cidade histórica permanecia imponente diante deles.

Aiko observava em silêncio.


— Então essa é Jerusalém...


Akane assentiu.


— O território designado à Judas.


Yoru continuava sentado.


— Chegamos.


A aeronave começou a descer.

Logo abaixo...

Uma enorme instalação militar ocupava uma área afastada da cidade.

O símbolo da Judas estava estampado no portão principal.

Diferente da Crist e da Exxod...

A base parecia muito mais austera.

Menos movimentada.

Mais silenciosa.

Shin observou atentamente.


— Eles parecem bem reservados.


Akane respondeu:


— A Judas possui métodos próprios.


— Assim como a Exxod.


— E a Class.


A aeronave pousou.

A porta se abriu.

Um vento frio entrou imediatamente.

Shin fechou um pouco o casaco.


— Caramba.


Aiko olhou para ele.


— Acostume-se.


Então...

Uma voz surgiu do lado de fora.


— Vocês demoraram.


Shin olhou.

Um jovem estava parado alguns metros à frente.

Cabelos loiros.

Olhar aparentemente cansado.

Uma blusa azul e branca cobria o corpo.

As mãos estavam nos bolsos.

Ele parecia estar esperando havia bastante tempo.

O jovem olhou para os três.

Depois para Akane.


— Crist?


Akane assentiu.


— Sim.


Ele suspirou.


— Que ótimo.


Shin franziu a testa.


— Você parece muito feliz em nos receber.


O jovem olhou diretamente para ele.


— Eu estou.


Pausa.


— Só não demonstro.


Aiko soltou uma pequena risada.


— Pelo menos é sincero.


O jovem caminhou até eles.


— Kenny Match.


Ele apontou para si mesmo.


— Piloto do Judas.


Shin ficou alguns segundos em silêncio.


— Judas é o nome do mecha?


Kenny assentiu.


— Exatamente.


— O principal da agência.


Ele abriu um pequeno sorriso.


— E, infelizmente, sou eu quem tem que pilotá-lo.


Akane estendeu a mão.


— Prazer em conhecê-lo, Kenny.


Ele apertou.


— Igualmente.


Então olhou para Aiko.


— Você é a Aiko Morgen.


— Sim.


— Miguel.


— Sim.


Kenny assentiu.

Depois olhou para Yoru.


— Yoru Kanzaki.


Yoru fez um pequeno aceno.

Kenny então voltou os olhos para Shin.

Ficou alguns segundos observando.

Shin começou a ficar desconfortável.


— O quê?


Kenny estreitou os olhos.


— Então você é o famoso escritor.


Shin suspirou.


— Mais um...


Kenny deu uma volta ao redor dele.


— Esperava alguém mais...


Fez uma pausa.


— Nerd.


Silêncio.

Aiko levou a mão à boca.

Akane fechou os olhos.

Yoru simplesmente olhou para Kenny.

Shin apontou para si mesmo.


— Eu?


Kenny assentiu.


— Você.


— O que você esperava?


— Óculos.


— Eu não uso óculos.


— Exatamente.


Shin ficou encarando-o.

Kenny sorriu.


— Decepcionante.


Aiko finalmente começou a rir.


— Gostei dele.


Shin olhou para ela.


— Você está do lado dele?!


— Um pouco.


Kenny virou-se e começou a caminhar.


— Venham.


Shin acompanhou.


— Você sempre recebe as pessoas assim?


— Não.


— Ah.


— Às vezes sou pior.


Shin ficou em silêncio.

Aiko riu novamente.

Eles atravessaram os enormes portões da Judas.

O interior era completamente diferente da Exxod.

Os corredores eram claros.

Havia cruzes e símbolos religiosos espalhados pela estrutura.

Soldados passavam silenciosamente.

Pesquisadores carregavam documentos.

E, ao fundo...

Um enorme elevador levava às áreas subterrâneas.

Kenny continuava andando.


— A comandante de vocês já falou com a nossa administração.


Akane perguntou:


— E você ficou responsável por nos receber?


— Infelizmente.


— Você parece muito animado.


— Estou tentando controlar minha felicidade.


Akane sorriu discretamente.

Shin cochichou para Aiko:


— Ele é sempre assim?


Aiko respondeu:


— Acho que sim.


Kenny ouviu.


— Eu ouvi.


Shin congelou.


— Foi mal.


— Não foi.


O grupo chegou diante de uma enorme janela.

Do outro lado...

Um gigantesco hangar subterrâneo.

No centro...

Uma silhueta permanecia imóvel.

Shin parou.

Aiko também.

Yoru levantou levemente o olhar.

Kenny colocou as mãos nos bolsos.


— Esse é o Judas.


A máquina era gigantesca.

Sua armadura possuía detalhes claros e escuros.

Uma enorme cruz estava presente no peito.

O rosto parecia quase humano.

Mas havia algo diferente.

Algo...

Pesado.

Shin observou atentamente.


— É um Juiz?


Kenny assentiu.


— Deixa de bancar o sabichão.


- É um Profeta.


— E é principal da Judas.


Shin continuou olhando.


— Ele parece diferente dos outros.


Kenny deu um pequeno sorriso.


— É porque é.


Kenny ficou alguns segundos em silêncio.

Então acrescentou:


— Vocês chegaram em uma boa hora.


Akane perguntou:


— Por quê?


Kenny olhou novamente para o mecha.


— Porque amanhã vocês vão descobrir o que a Judas faz diferente das outras agências.


Shin cruzou os braços.


— E você vai nos ensinar?


Kenny olhou para ele.


— Eu?


— Sim.


Kenny deu de ombros.


— Talvez.


Shin suspirou.


— Você é difícil.


Kenny abriu um sorriso irônico.


— E você ainda nem me conhece direito.


Aiko riu.

Yoru permaneceu em silêncio.

Akane observou os dois.

Era evidente.

A missão em Judas seria...

Diferente.

Kenny começou a caminhar novamente.


— Ah.


Shin olhou para ele.


— O quê?


Kenny apontou para o corredor.


— Tem uma coisa que vocês precisam saber.


— O quê?


Kenny sorriu.


— Aqui ninguém gosta de visitantes.


Pausa.


— Então tentem não quebrar nada.


Shin respondeu:


— Não prometo.


Kenny olhou para ele.


— Finalmente.


— O quê?


— Uma resposta que combina com você.


E continuou andando.

Shin ficou parado por um instante.

Depois sorriu.


— Acho que vou gostar desse lugar.


Aiko respondeu:


— Eu não tenho tanta certeza.


Yoru apenas continuou caminhando.

E, atrás deles...

O enorme Judas permanecia imóvel.

Como se estivesse esperando.

A missão mundial da Crist havia chegado a uma nova etapa.

E, dessa vez...

O escritor herege teria que lidar com o piloto mais irônico que já havia conhecido.


Continua...