Catholic System

13 Capítulo 13 - O Pão Nosso de Cada Dia


"O homem não vive só de batalhas."


O relógio marcava o início da noite.

Depois da reunião entre os pilotos, a rotina da Crist começava a desacelerar.

Pela primeira vez em semanas...

Não havia alertas.

Não havia ataques.

Não havia missões.

Akane observava o relatório em seu tablet quando Arthur aproximou-se.


— Todos os pilotos retornaram.


Ela assentiu.


— Faz tempo que não temos um dia tranquilo.


Arthur sorriu discretamente.


— Talvez devêssemos aproveitar.


Akane fechou o tablet.


— Eu estava pensando exatamente nisso.


Poucos minutos depois.

Uma mensagem foi enviada para todos os pilotos.


"Reunião no estacionamento principal em dez minutos."


Shin foi o primeiro a chegar.

Logo depois apareceram Renji, Haruko, Lilith, Naomi, Aiko e Yoru.

Todos olhavam para Akane.

Confusos.


— Alguma missão?


Perguntou Renji.

Akane balançou a cabeça.


— Pelo contrário.


Haruko arqueou uma sobrancelha.


— Então...

Folga?


Arthur respondeu.


— Quase isso.


Naomi sorriu.


— Vamos jantar fora.


Silêncio.

Haruko abriu um enorme sorriso.


— SÉRIO?!


Renji comemorou discretamente.

Aiko apenas cruzou os braços.


— Achei que seria outra reunião.


Yoru não demonstrou reação.

Como sempre.

Minutos depois...

Uma van branca da Crist deixava a base.

Akane dirigia.

Arthur ocupava o banco do passageiro.

Na fileira de trás...

Haruko e Renji conversavam animadamente.

Aiko sentou-se próxima à janela.

Yoru permaneceu no fundo.

Sozinho.

Restavam apenas dois lugares.

Shin olhou.

Depois olhou para Lilith.

Ela também havia percebido.

Os dois ficaram alguns segundos em silêncio.


— Pode sentar.


Disse Shin.

Lilith fez um pequeno aceno.


— Obrigada...


Ela sentou cuidadosamente ao lado dele.

Mantendo certa distância.

As mãos permaneciam unidas sobre o colo.

O rosto...

Discretamente avermelhado.

Haruko virou-se.


— Ei, Shin!


— Oi?


— Depois do jantar a gente pode passar naquela loja de jogos?


Renji levantou imediatamente a cabeça.


— E na loja de peças de mechas!


Haruko riu.


— Você só pensa nisso.


— Claro.


Shin riu junto.

Lilith apenas observava.

Silenciosamente.

Ouvindo as conversas.

Sem participar.

Mas...

Gostava de escutá-las.

Durante o trajeto.

Haruko contava histórias absurdas dos treinamentos.

Renji corrigia todos os detalhes técnicos.

Aiko revirava os olhos.


— Vocês exageram.


— Nem um pouco!


Respondeu Haruko.

Até Naomi acabou rindo.

Arthur observava tudo pelo espelho retrovisor.

Depois olhou discretamente para Lilith.

Ela permanecia quieta.

Mas...

Parecia muito mais relaxada do que normalmente.

A van parou diante de um restaurante tradicional.

Nada sofisticado.

Apenas um lugar tranquilo.

Todos entraram.

Durante o jantar.

As conversas continuaram.

Renji perguntou a Shin sobre seus livros.

Haruko queria saber como era ser escritor.

Naomi contou algumas histórias curiosas da base.

Até Akane participou da conversa.

Aiko fazia comentários ocasionais.

Yoru permanecia praticamente em silêncio.

Lilith apenas ouvia.

Às vezes olhava para Shin.

Quando ele percebia...

Ela desviava rapidamente o olhar.

O rosto voltava a ficar vermelho.

Em determinado momento...

O garçom trouxe a sobremesa.

Uma pequena taça de sorvete.

Lilith observou curiosamente.

Shin percebeu.


— Nunca comeu?


Ela balançou lentamente a cabeça.


— Não.


Shin sorriu.

Empurrou discretamente a própria taça para perto dela.


— Pode experimentar.


Lilith hesitou.


— Mas...


— Eu peço outro.


Ela ficou alguns segundos olhando para o sorvete.

Depois pegou cuidadosamente a colher.

Provou.

Silêncio.

Os olhos se abriram levemente.


— ...


Shin sorriu.


— Gostou?


Lilith fez um pequeno movimento afirmativo.

Muito discreto.

Mas suficiente.

Haruko sorriu.


— Ela gostou!


Lilith imediatamente abaixou a cabeça.

As bochechas ficaram ainda mais vermelhas.

Todos riram baixinho.

Sem maldade.

Algum tempo depois.

A van iniciou o caminho de volta para a Crist.

O cansaço finalmente começou a aparecer.

Haruko adormeceu primeiro.

Renji ainda tentava conversar com Naomi.

Mas acabou dormindo também.

Aiko observava a cidade pela janela.

Yoru permanecia imóvel.

Como uma estátua.

Shin olhava as luzes de Tech Tokyo passando do lado de fora.

Ao seu lado...

Lilith lutava contra o sono.

Piscava lentamente.

Tentava permanecer acordada.

Sem sucesso.

Sua cabeça começou a pender.

Pouco a pouco.

Até...

Encostar delicadamente no ombro de Shin.

Ela adormeceu.

Shin permaneceu imóvel.

Sorriu discretamente.

Não queria acordá-la.

Arthur observou a cena pelo retrovisor.

Depois voltou a olhar para frente.

Sem dizer uma palavra.

Akane também percebeu.

Apenas sorriu de leve.

Alguns minutos depois.

A van estacionou.

Akane desligou o motor.


— Chegamos.


Haruko despertou assustado.


— Hã?!


Renji ajeitou os óculos.

Aiko abriu a porta.

Yoru já havia descido.

Shin olhou para o lado.


— Lilith...


Ela abriu lentamente os olhos.

Ainda sonolenta.

Demorou alguns segundos para entender onde estava.

Então percebeu.

Sua cabeça ainda estava apoiada no ombro de Shin.

Silêncio.

As bochechas começaram a ganhar cor.

Mais cor.

Ainda mais cor.


— ...


Ela afastou-se imediatamente.

Baixando a cabeça.


— D-desculpa...


Shin sorriu.


— Não tem problema.


Lilith cobriu parcialmente o próprio rosto com as mãos.

Sem coragem de olhar para ele.

Haruko observava a cena de longe.

Sorriu discretamente.

Renji também percebeu.

Mas preferiu não comentar.

Arthur apenas caminhou em direção à entrada da Crist.

Enquanto Akane olhava para Lilith por alguns instantes.

Como se percebesse...

Que aquela garota silenciosa...

Estava começando a mudar.

E talvez...

Pela primeira vez em muitos anos...

Estivesse aprendendo o significado de ter pessoas ao seu lado.


Continua...