Catholic System

27 Capítulo 27 - A Ovelha Perdida


A noite havia chegado à Crist.

Tech Tokyo permanecia iluminada através das enormes janelas da sede.

As ruas continuavam movimentadas.

Veículos atravessavam as avenidas.

As luzes dos prédios refletiam no vidro.

Tudo continuava funcionando normalmente.

Mas, para Lilith...

Aquela noite parecia diferente.

Ela caminhava sozinha pelos corredores.

Seus passos ecoavam pelo chão metálico.

Passou por uma janela.

Parou.

Observou a cidade.

Por alguns segundos...

Não pensou em nada.

Então levou a mão aos próprios cabelos.

Seus dedos tocaram uma pequena mecha que caía próxima ao rosto.

Ela a ajeitou.

Depois voltou a mexer nela.

Sem perceber.


— ...


Lilith ficou alguns segundos em silêncio.

Então soltou a mecha.

Mas, pouco depois...

Tornou a tocá-la.

Ela não sabia por quê.

Só sabia que aquilo fazia sua mente voltar para Shin.

Ele estava longe.

Muito longe.

No Egito.

Junto de Aiko, Yoru e Akane.

A missão ainda estava apenas começando.

Eles ainda visitariam outras organizações.

Outros pilotos.

Outros mechas.

Outras regiões do mundo.

E só retornariam à Crist depois de chegarem à Rússia.

Lilith sabia disso.

Sabia que não deveria esperar Shin de volta tão cedo.

Mesmo assim...

Sentia falta dele.

Ela abaixou lentamente a mão.


— Idiota...


Murmurou.

Não havia raiva em sua voz.

Apenas uma pequena tristeza.

Lilith continuou caminhando.

Passou pelo refeitório.

Vazio.

Passou pelo corredor dos pilotos.

Também vazio.

Parou diante da sala onde todos costumavam se reunir.

Abriu a porta.

Entrou.

As cadeiras permaneciam organizadas.

As mesas estavam vazias.

Nenhuma discussão.

Nenhuma risada.

Nenhuma reclamação de Aiko.

Nenhuma conversa técnica de Renji e Haruko.

Nenhum silêncio desconfortavelmente longo de Yoru.

E...

Nenhum Shin.

Lilith ficou parada.

Olhou para a cadeira onde ele costumava sentar.

Depois caminhou até ela.

Sentou-se.

Apoiou os braços sobre a mesa.

E ficou olhando para frente.

Ela lembrou de pequenas coisas.

A torrada.

O almoço dividido.

O sorvete.

As conversas.

Os momentos em que Shin simplesmente permanecia ao seu lado.

Nada grandioso.

Nada extraordinário.

Mas...

Eram essas pequenas coisas que faziam tanta falta.

Lilith tocou novamente os cabelos.

Mexeu na mesma mecha.

Um pequeno sorriso apareceu.

Ela percebeu.

Parou.

Seu rosto ficou levemente vermelho.


— Por que eu estou fazendo isso...?


Não havia ninguém para responder.

Mais tarde...

Lilith estava no setor de sincronização.

O Azazel permanecia diante dela.

Gigantesco.

Imóvel.

Ela entrou no cockpit.

Sentou-se.

Os sistemas foram ativados.


BEEP.

BEEP.

BEEP.


— Preparando sincronização.


Lilith respirou fundo.

Fechou os olhos.

A conexão começou.


20%.

35%.

50%.


Sua mente deveria estar concentrada no Azazel.

Mas não estava.

Shin apareceu novamente em seus pensamentos.

Ela o imaginou rindo.

Falando.

Fazendo perguntas.

Tentando entender tudo ao seu redor.

Então lembrou de quando ele simplesmente mexeu em seus cabelos.

Sem pedir.

Sem medo.

Sem esperar qualquer coisa em troca.

A lembrança não veio como uma cena completa.

Apenas a sensação.

A mão afastando aquela pequena mecha.

E a voz dele.

Lilith abriu os olhos.

Levou a própria mão aos cabelos.

E ajeitou a mecha novamente.


— ...


Ela sorriu.

Na sala de controle...

Naomi observava os números.


— Cinquenta e oito por cento.


Akane não estava ali.

Estava no Egito.

Então Naomi apenas continuou acompanhando os dados.


— Sessenta e quatro.


A sincronização continuava.

Dentro do cockpit...

Lilith abriu os olhos.

A conexão com o Azazel estava estável.

Mas uma sensação diferente permanecia.

Ela não sabia exatamente o que era.

Só sabia que, quando Shin estava perto...

Tudo parecia um pouco mais fácil.

E quando ele estava longe...

A Crist parecia maior.

Mais vazia.

Mais silenciosa.

Lilith baixou os olhos.


— Volte logo...


Sussurrou.

Então percebeu o que havia acabado de dizer.

Seu rosto ficou vermelho.


— Mesmo...


Ela respirou fundo.


— Mesmo sabendo que ainda falta muito tempo...


Os números continuaram subindo.


70%.

75%.

78%.


O Azazel abriu lentamente os olhos.

Lilith permaneceu concentrada.

Mas seus pensamentos ainda voltavam para o mesmo lugar.

Ela pensou no Egito.

Pensou em Shin, Aiko, Yoru e Akane.

Pensou nas outras organizações que eles ainda conheceriam.

Pensou em quanto tempo poderia passar antes de vê-los novamente.

Talvez semanas.

Talvez meses.

Lilith fechou os olhos.


— Espero que ele esteja bem.


A sincronização chegou ao limite.


SINCRONIZAÇÃO ESTÁVEL.


Os sistemas do Azazel permaneceram ativos.

Lilith abriu os olhos.

O silêncio voltou.

Ela ficou alguns segundos observando o painel.

Então levou novamente a mão aos cabelos.

Mexeu naquela mesma pequena mecha.

Agora...

Sem tentar entender por quê.

Só fez.

E sorriu.

Muito longe dali...

No Egito...

As luzes de Neon Caiko 5 brilhavam sob o céu noturno.

Shin ainda estava longe da Crist.

A missão continuava.

Depois do Egito...

Ainda haveria outros lugares.

Outras organizações.

Outros pilotos.

E outras batalhas.

Lilith sabia disso.

Por isso não esperava que ele voltasse tão cedo.

Mas ainda assim...

Antes de deixar o cockpit, olhou para o pequeno comunicador.

Nenhuma mensagem.

Ela sorriu discretamente.


— Tudo bem.


Guardou o aparelho.


— Eu espero.


Lilith saiu do Azazel.

Os corredores da Crist continuavam silenciosos.

Ela caminhou sozinha.

Mas, dessa vez...

A solidão parecia um pouco menor.

Porque, mesmo distante...

Havia alguém que fazia parte dos seus pensamentos.

E talvez...

Isso fosse suficiente por enquanto.


Continua...