Catholic System

15 Capítulo 15 - O Vale da Sombra da Morte


O silêncio dominava a enfermaria da Crist.

Nenhum alarme.

Nenhuma explosão.

Apenas o som constante dos equipamentos médicos.

No centro da sala...

Shin Kagami permanecia inconsciente.

Seu ombro esquerdo estava completamente enfaixado.

Parte do peito também permanecia coberta por curativos.

Os médicos haviam conseguido estabilizá-lo.

Mas o ferimento causado pelo feixe de luz era muito mais grave do que imaginavam.

Naomi observava os exames.


— Os sinais vitais estão estáveis.


Akane respirou aliviada.


— Ele vai acordar?


— Sim.


Mas não hoje.

Arthur permaneceu em silêncio.

Olhando através do vidro da enfermaria.

Do lado de fora.

Uma figura permanecia imóvel.

Lilith.

Ela observava Shin através da janela.

Sem dizer uma única palavra.

Sem conseguir desviar os olhos.

A imagem do combate voltava à sua mente repetidamente.

A Eva-00 entrando na frente do ataque.

O grito de dor.

O sangue.

E, por fim...

O sorriso que ele ainda conseguiu dar para tranquilizá-la.

Ela apertou levemente a barra da própria roupa.


— ...


Sentia algo estranho.

Uma dor que nunca havia experimentado.

Queria entrar.

Mas...

Não sabia se podia.

Arthur aproximou-se.


— Pode vê-lo.


Lilith levantou lentamente o olhar.

Arthur apenas fez um pequeno gesto em direção à porta.

Ela entrou.

A enfermaria estava silenciosa.

Lilith caminhou devagar até a cama.

Shin permanecia imóvel.

Respirando com ajuda de aparelhos de monitoramento.

Seu braço esquerdo permanecia completamente imobilizado.

Os curativos escondiam quase todo o ferimento.

Mesmo assim...

Era impossível imaginar quanta dor ele havia sentido.

Lilith sentou-se ao lado da cama.

Permaneceu em silêncio durante alguns minutos.

Então...

Segurou delicadamente a mão dele.


— Você é estranho...


Sua voz era quase um sussurro.


— Ninguém faria aquilo...


Os olhos começaram a ficar marejados.


— Por que...


Por que me protegeu?

Shin não respondeu.

Continuava inconsciente.

Lilith abaixou lentamente a cabeça.


— Eu...


Não queria que você se machucasse...

Uma lágrima caiu sobre o lençol.

Ela rapidamente enxugou o rosto.

Levantou-se.

E saiu da enfermaria.

Alguns minutos depois.

Lilith chegou ao gabinete do Diretor Supremo.

Bateu duas vezes.


— Entre.


Ela entrou.

Elias permanecia diante da enorme janela.

Como sempre.


— Como está ele?


Perguntou Lilith.

Elias permaneceu alguns segundos em silêncio.


— Vivo.


Lilith respirou aliviada.


— Fico feliz.


Silêncio.

Ela hesitou.

Depois perguntou novamente.


— O senhor...


Está preocupado com o Shin?

Elias virou-se lentamente.

Seu olhar permanecia firme.

Quase frio.


— O herege?


Lilith permaneceu imóvel.


— Eu não me importo se ele morrer.


Silêncio.


— Ele está apenas pagando pelos próprios pecados.


As palavras atingiram Lilith como um golpe.

Ela arregalou os olhos.


— Mas...


Ele salvou minha vida.

Elias não mudou de expressão.


— Foi uma decisão dele.


— Ele...


Poderia ter morrido...


— Então assumiu as consequências.


Silêncio.

Pesado.

Incômodo.

Lilith abaixou lentamente a cabeça.

Pela primeira vez...

Sentia que aquelas palavras machucavam mais do que qualquer batalha.

Sem dizer mais nada...

Fez uma pequena reverência.

Virou-se.

E caminhou até a porta.

Antes de sair...

Uma lágrima escorreu discretamente por seu rosto.

Ela fechou a porta atrás de si.

E continuou caminhando pelos corredores.

Sozinha.

Chorando em silêncio.

Dentro do gabinete.

Elias voltou a olhar pela janela.

Permaneceu imóvel por alguns instantes.

Então murmurou, quase para si mesmo:


— Emoções...


Só tornam as pessoas mais fracas.

Ao longe...

As luzes de Tech Tokyo brilhavam como sempre.

Sem perceber...

Uma pequena rachadura começava a surgir na relação entre Lilith e o homem que ela sempre enxergou como sua única referência.


Continua...