Catch me | Bella Ramsey

1 Welcome to New York


It's a new soundtrack, I could dance to this beat, beat forevermore

The lights are so bright, but they never blind me, me

Welcome to New York, it's been waitin' for you


Sinto a tremedeira característica do pouso do avião. Me olho no reflexo do celular, respiro fundo — finalmente em Nova York. Eu não sabia que ansiava tanto sair das terras britânicas até este momento. Amo Londres; morar lá desde os meus oito anos me trouxe um sentimento de pertencimento. Meu problema é o que fizeram daquela cidade.


A mídia londrina é capaz de levar a vida de uma pessoa do céu ao inferno — no momento, eu só conhecia o inferno mesmo. Ainda não consigo acreditar que, em um momento, eu estava afastada de tudo, vivendo minha vida, achando que tinha encontrado a pessoa perfeita pra mim… As informações vazam e tudo muda. Século XXI, quem ainda faz escândalo em cima desse tipo de coisa?


Acordo do turbilhão de pensamentos quando a aeromoça me cutuca, sinalizando que só restava eu dentro do avião e avisando que precisava desembarcar naquele momento. Só então percebo que havia me perdido completamente no tempo. Pego minha bolsa e retiro minha mala de bordo do compartimento — com as únicas coisas que trouxe de Londres comigo.


Assim que recebi a notícia de que tinha passado para a segunda fase dos testes, joguei todas as roupas dentro da mala, peguei meu Kindle (a coisa mais importante pra mim), os documentos e o fone de ouvido. Comprei a passagem duas horas depois e, em menos de doze horas após a notícia, já estava embarcando rumo a Nova York.


Caminho por aquele aeroporto imenso, procurando a saída. Quando estou quase desistindo e pensando em pedir ajuda a algum funcionário, avisto um pequeno grupo de pessoas — e ela. Minha mãe. Até tentei convencê-la a não vir me buscar, mas não deu certo. Eu estava há um ano sem vir para os Estados Unidos, e como ela estava cheia de compromissos, conseguiu me visitar pouquíssimas vezes nesse período. Então, segundo ela, estava morrendo de saudades de mim e precisava vir me buscar.


Não chego perto o suficiente para ouvir o que dizem, mas conheço bem aquele tipo de aglomeração: estão ali para tirar uma foto, pedir um autógrafo ou conseguir qualquer casquinha da grande estrela Demi Lovato. Minha mãe pode já não estar no auge da carreira, não lançar mais tantos trabalhos e não causar a mesma histeria de antes, mas ainda assim é impossível passar despercebida com ela por perto.


Me movimento de um lado para o outro, de forma meio desajeitada, tentando chamar a a sua atenção. Eu realmente não estou disposta a me aproximar — minha bateria social se esgotou completamente desde que tudo começou a desandar em Londres. Ela finalmente me nota e me manda uma mensagem explicando onde deixou o carro. Sem pensar duas vezes, caminho na direção contrária do aglomero e vou direto até o carro.


Chegando ao local indicado, vejo James. Eu já imaginava que ele estaria lá, já que minha mãe tem alguns problemas de visão que a impedem de dirigir, consequência da juventude. Aceno para ele, e ele vem em minha direção.


- Oi Boo, como está a minha britânica favorita? se perdeu da sua mãe? — ao escutar esse apelido meu coração se aperta, que saudades que eu estava dele. James trabalha com a minha mãe a 25 anos e costumava me levar para baixo e para cima quando eu era mais nova e vinha para casa nos feriados.


Me aproximo dele em silêncio, lhe dou um abraço apertado e só então abro a boca.


— Oi, James, senti sua falta. Ela está no meio do saguão do aeroporto atendendo alguns fãs, então preferi vir direto pra cá. Estou morta, afinal, foram oito horas infinitas de voo em que não consegui pregar o olho. Vamos mesmo precisar esperar por ela? — finalizo minha reclamação.


— Você sabe que sim, mocinha. Agora me conta: o que você veio fazer em Nova York que fez sua mãe despencar de Los Angeles em plena quarta-feira? Sua mãe quase não me conta nada, e você sabe que eu não sou muito de redes sociais.


— Estou fazendo teste para um trabalho muito legal — não conseguia conter a empolgação ao falar pela primeira vez sobre isso —, mas não posso contar detalhes. Prometo que, assim que puder, você vai ser o primeiro da lista a saber — completei, ao ver a cara de fofoqueiro que recebeu a fofoca pela metade que James fez. — Quanto à minha mãe, eu não pedi para “despencar” — fiz aspas com a mão — ela se deu ao trabalho porque está morrendo de culpa por não ter me visitado nos últimos meses.


James faz um cara de reprovação e quando vai falar escutamos um barulho de salto se aproximando de nós.


— Maddie, meu amor — minha mãe fala bem alto — que saudade que eu estava de você, minha filha! Como foi a viagem? Como você tá? Você tá tão pálida... e magrinha? — Ela praticamente vomita todas as perguntas de uma vez, muito rápido, com um sotaque característico da Califórnia e me abraça.


Nesse momento, esqueço todas as nossas diferenças. Retribuo o abraço, me permitindo afundar nos braços dela. Eu estava precisando disso mais do que queria admitir. Por alguns segundos, o mundo lá fora deixa de importar. Ali, eu não sou a garota que falhou em manter tudo sob controle em Londres. Não sou a filha da celebridade. Não sou a jovem que tenta provar algo o tempo todo. Ali, sou só o bebê da minha mãe.


E apesar das ausências, dos silêncios incômodos, das vezes em que ela não esteve — ou não soube como estar — eu sei que ela tentou. Tenta. E talvez isso nunca tenha sido suficiente para curar tudo, mas agora, nesse abraço, parece ser o bastante para hoje.


Minha mãe me encara um pouco surpresa, já que não sou de retribuir afeto dessa maneira ainda mais de forma pública e espera a resposta aos seus dois milhões de questionamentos.


— A viagem foi ótima. Estou bem. A gente conversa melhor em casa, no hotel… ou seja lá onde a gente estiver. Vamos embora, por favor — falo pausadamente.


— Meu Deus, minha filha, como pode uma americana soar tão inglesa assim? — ela brinca, fazendo uma voz dramática.


Nesse momento, James dá a partida no carro e seguimos pelas ruas, rumo às rodovias de Nova York… e à minha nova vida, eu espero.



Notas finais
Oi pessoal! Essa é a primeira vez que me proponho a escrever uma fanfic, então estou bem animada e um pouco nervosa. Espero que gostem e que tudo dê certo! Estou super aberta a sugestões e feedbacks. Esse foi o primeiro capítulo… espero que tenham gostado! Esses primeiros momentos são muito importantes para ambientar a Madison e para que vocês comecem a entender quem ela é, o que aconteceu com ela e qual a carga emocional que traz consigo. Espero, de verdade, que vocês gostem dela como personagem. Prometo que em breve teremos a Bella por aqui — sejam só um tiquinho pacientes! Gosto muito de aprofundar os personagens, acho que isso traz outro sentimento para a história. Observação importante: Vou utilizar os pronomes ela/dela para Bella. Em uma entrevista recente, Bella comentou que, por enquanto, sente-se à vontade com esse tratamento, apesar de sua identidade não-binária. Vou ficar atenta a qualquer atualização sobre isso, para respeitar sempre a forma como deseja ser referida.