Catch You Catch Me
4 Capítulo 4
Notas iniciais
“Como ele estava?” Oak perguntou assim que o neto entrou na casa.
“Vai ficar bem”. Gary respondeu secamente enquanto seguia para o próprio quarto.
Oak não fez menção de seguir o neto, continuou apoiado na parede da sala.
“Você sabe, pokémons não foram feitos para serem usados daquela forma”.
Gary parou no caminho e girou o corpo rapidamente para trás, os olhos estreitos, num olhar ferino. Isso não afetou Oak que já conhecia e estava acostumado com o gênio do garoto.
“Você não estava lá, não fale do que você não viu”. Grunhiu entre os dentes.
Oak se aproximou do neto, colocou a mão sobre o ombro dele.
“Eu basicamente criei você, acha que eu não saberia o que você estava pensando?”.
“Você não sabe!” Gritou batendo na mão do avô e rapidamente seguiu para o quarto onde bateu a porta com muito mais força que o necessário.
Oak suspirou novamente.
“Talvez eu saiba mais do que você...”
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Ash estava cansado, com o corpo dolorido, mas ele estava junto da pessoa que admirava, ou menos fora assim antes dele pegar no sono. Na manhã seguinte ele reconheceu rapidamente o próprio quarto.
O corpo pesado e o fato de não estar conseguindo ver tudo claramente, ainda era sinal das esfoliações e de mais qualquer outra coisa que tenha acontecido na tarde do dia anterior.
“Mãe?” Ash perguntou ao ouvir um ruído próximo a porta.
“Tente de novo”. Uma voz sarcástica soou próxima.
Ash se obrigou a se sentar na cama e rapidamente fora amparado por um gentil Gary que fazia com que ele ficasse confortável contra o travesseiro macio que vinha dormindo.
“Gary!” Ash abriu um largo sorriso, e aproveitou a proximidade para abraçar o garoto.
“Uau, eu achei que eles só tinham te jogado no chão e não que você tinha batido com a cabeça”. Provocou enquanto passava a mão sobre a cabeça do garoto.
Ash rapidamente se encolheu e tentou puxar a aba do boné para baixo, para esconder o rosto corado, no entanto, não foi surpresa ao perceber que não estava o usando.
Gary sorriu discretamente e colocou o boné sobre a cabeça dele.
Ash puxou a aba o máximo que pôde para baixo, Gary mordeu o lábio inferior para não rir.
Como ele conseguia ser tão agradável? E era somente uma criança.
“Ei Ash, se você ficar encolhido aí, nós não vamos poder aproveitar o dia”.
Ash timidamente empurrou a aba do boné e inclinou ligeiramente a cabeça para o lado para poder olhar para o garoto.
“O que quer dizer?”
“Bom, você não pode sair de casa, mas eu vim aqui para passar o dia com você e espero que você não decida passar o dia todo aí deitado”.
“Minhas costas doem...” Murmurou meio cabisbaixo.
Gary afofou um pouco mais o travesseiro para ele e o ajudou a se recostar melhor.
“Está melhor agora?”
“Um pouco... Obrigado”.
Gary apenas assentiu enquanto voltava o olhar para a janela do quarto. Ash ficou apenas observando a expressão dele.
Gary era confiante, ele emanava certa aura de autoridade, às vezes de uma forma desagradável, mas o pequeno Ash sabia que ele era um bom garoto, afinal eles tinham jogado vídeo-game juntos, eles riam e brincavam, mesmo com a diferença de idade.
Em momento algum, Ash sentiu que estava sendo tratado como uma criança, talvez Gary até esquecesse que Ash era realmente mais novo.
“Você...” Ash disse baixo, fazendo com que a atenção de Gary se voltasse para ele. “Você não pretende se tornar um treinador?”
Gary nunca conversava sobre isso com ninguém, talvez porque ele não tinha amigos em Pallet, é claro que ele falava com as pessoas, mas nenhum era realmente seu amigo. Era um tanto quanto hilário confiar no ‘futuro grande mestre pokémon’.
“Acho que eu estou esperando por você”. Respondeu a primeira coisa que lhe veio em mente.
Ash franziu o cenho, não muito certo de que tinha entendido aquelas palavras. Gary apenas balançou a cabeça negativamente.
“Você deveria descansar”.
“Achei que ia ficar aqui a tarde toda”. Ash murmurou torcendo os lábios numa pequena birra.
“Bom, se eu ficar aqui a tarde toda e você não descansar, amanhã não poderemos fazer nada e você não vai melhorar tão rápido quanto gostaríamos, então vamos combinar uma coisa, eu virei todos os dias e de acordo com o que você for sentindo, eu vou ficando mais tempo”.
Ash assentiu alegremente.
“Gary?”
“Hun?”
“Você espera até eu dormir?”
Gary arregalou os olhos, mas apenas concordou enquanto via o garoto tirar o boné e fechar os olhos.
“Obrigado, Gary”.
E ele se perguntou se ele fazia aquela pergunta todas as noites para a mãe, ou se era apenas algo que ele não tinha coragem de dizer na frente dela.
Gary ficou quieto, observou atentamente o garoto ir pegando no sono, até o ponto onde o pequeno Ash já mudava de posição, os lábios entre abertos, a respiração calma.
Não era certo continuar ali, era estranho prestar tanta atenção num garoto, mas Gary se aproximou assim mesmo, sentou bem ao lado da cama e com a mão livre, afastou a franja dele.
Um sorriso escapou dos lábios de Gary quando observou Ash se revirar na cama.
“Você deveria crescer logo...” Sussurrou no ouvido dele antes de se afastar e finalmente sair do quarto, como já deveria ter feito.
-/-
No colégio, Gary andava distraído, ele não costumava dar motivo para que chamassem sua atenção, ele era aquele clássico tipo de aluno com boas notas que não precisava se esforçar. Que podia dormir ou matar aula e isso não o afetaria.
Mas naquele dia em especial...
“Oak!” O professor o chamou pela terceira vez.
“O-o que?” Gary perguntou quando finalmente acordou.
“A leitura, eu gostaria que você continuasse”.
Gary o xingou mentalmente, claro que ele não sabia onde a maldita leitura havia parado. Em sua cabeça, ele imaginou se o pequeno Ash estudasse com ele, provavelmente o indicando de onde continuar de forma discreta e com as bochechas coradas.
Assim como num período de provas, Gary estaria em casa de pernas pro ar jogando vídeo-game e Ash estaria se matando de estudar, e no final, Gary ainda conseguiria maiores notas.
Ele sorriu sozinho com esses pensamentos.
“Oak, você quer compartilhar alguma coisa com a classe ou se importa de prosseguir com a leitura?” O professor perguntou irritadiço.
Alguns alunos riram ao fundo, mas era difícil saber realmente de quem eles riram. Pois na visão deles, Gary estava apenas sendo debochado e atrasando a aula.
Com exceção de uma garota que tinha um sorrisinho divertido no canto dos lábios.
“Eu posso continuar.” Ela disse estendendo a mão e fazendo com que a atenção da classe se voltasse para ela.
“Blue, por favor”.
Ela piscou para Gary e prosseguiu. Gary passou a encarar a janela.
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“Professor”. Delia sorriu ao ver o velho senhor, vestido com seu paletó e sorriso caloroso à sua porta. “Entre, por favor”. Pediu dando espaço a ele.
“Muito obrigado”. Ele adentrou. “Vim em má hora?”
“Não, claro que não”. Disse ajeitando o avental. “Estava terminando de preparar uma sopa para o Ash”. Disse com um sorriso terno, como o de uma mãe que fala do filho. “O Gary não veio com você?”
“Foi direto pro quarto quando chegou e disse que não queria sair”. Respondeu não parecendo preocupado.
“Oh, o Ash ficaria feliz em vê-lo”.
“E como ele está?”
“Se recuperando”. Disse suspirando. “Gary me disse o que aconteceu, eu realmente sou muito grata a ele”.
Oak assentiu levemente. “São apenas crianças Delia”. Disse como se tivesse lido seus pensamentos.
“Mas o meu Ash é tão pequeno e indefeso, eu não posso acreditar que algo assim poderia acontecer em Pallet”. Disse amargurada. “Isso não está certo... Ele é apenas tímido”.
“No entanto, você não acha que ele está melhorando?” Oak perguntou confiante. “Tanto o Gary quanto o Ash estão crescendo”.
“Mas... As vezes eu me pergunto, é tão natural assim? Que um mude o outro dessa forma...” Delia refletiu.
Oak não respondeu, não cabia a ele dar uma resposta.
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“Você desistiu?” Blue perguntou se aproximando de Gary que já caminhava para fora do colégio.
“Desisti do que?” Perguntou impaciente.
“De ser um Mestre Pokémon”.
“É claro que não”. Resmungou girando os olhos, por que as pessoas tinham que fazer tantas perguntas? E porque ela estava perguntando aquele tipo de coisa.
“Você pretende perder mais tempo em Pallet?” Ela questionou se aproximando vagarosamente.
“Não mais do que o necessário”. Respondeu a encarando nos olhos.
“Você me prometeu”. Ela disse claramente. “A nossa jornada Pokémon, afinal, eu sou a sua melhor parceira nessa cidade”.
Gary sorriu, um sorriso debochado. “Eu não teria tanta certeza disso”.
Ela franziu o cenho, ele parecia estar blefando. “Não tem ninguém nessa cidade além de você que é capaz de me derrotar”. Disse confiante, mas havia um “que” de preocupação em sua voz.
“Não esse momento, mas vai ter, é só uma questão de tempo”.
Sua preocupação desapareceu e ela voltou a sorrir mais amenamente depois das palavras dele.
“Gary”. Ela o chamou de volta a realidade.
“Hm?”
Ele não tinha nada contra ela, não tinha mesmo. É verdade que ele não gostava –muito- das pessoas da cidade, afinal era uma cidadezinha pequena, mas Blue era de fato alguém dedicada e com um verdadeiro amor pelos Pokémons.
“Você está diferente, de uma forma boa”.
Ele girou os olhos, mas não evitou de sorrir. “É claro que é de uma forma boa, quem você pensa que eu sou?” Disse orgulhoso, como a pessoa que ele mostrava, como a figura um tanto quanto arrogante que ele era reconhecido.
Ela fez uma careta.
“Está te fazendo bem”.
“Hm?” Ele piscou os olhos confuso.
“Essa pessoa”. Disse antes de se despedir.
Gary se revirou na cama.
“Você não entenderia...” Murmurou antes de enfiar o travesseiro sobre o rosto e tentar voltar a dormir.
E ignorar o que vinha pensando desde a aula, e aquela certeza no coração que as vezes chegava a assustar.
Ele não achava que estava errado. Como poderia?
Continua.
Notas finais
Feliz dia das crianças : )
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