I

“O que diabos é isso?” Gary perguntou arqueando a sobrancelha para o anão que estava agarrado à perna de seu avô e definitivamente não era um Pokémon.


“Esse é o filho de uma amiga e ele vai passar alguns dias conosco”.


“Conosco uma ova, com você”. Gary chutou a porta do quarto para fechar na cara do avô, no entanto, já esperando por esse tipo de comportamento, ele colocou o pé na frente fazendo com que a porta voltasse.


“Você sabia que o sonho dele é se tornar um mestre Pokémon?” O professor disse como se isso fosse um incentivo.


“E o que esse anão sabe sobre pokemons?” Gary perguntou de braços cruzados e cara amarrada.


“Vamos lá Ash, você pode dizer a ele”. O professor Oak encorajou o menino lhe dando alguns tapinhas nos ombros.


O garoto puxou a aba do boné para trás.


“Eu vou ser um grande mestre e vou fazer de Pallet uma cidade famosa!” O garoto disse com os olhos pegando fogo.


“Viu? Ele tem espírito”. O professor comentou rindo. “Agora Gary, ele tem quase a sua idade, então tome conta dele até que a mãe dele venha o buscar, eu vou voltar para o laboratório, não saiam de casa, ouviu?”


“Quase a minha idade!? Ele é um anão!” Gary gritou, mas o professor já estava acenando ao longe. “Droga...”


“Eu não sou um anão e eu tenho 7 anos”. O garoto murmurou sem olhar para o mais velho.


“Ninguém te perguntou nada”. Gary retrucou cerrando os dentes e voltou para dentro do quarto ignorando o pequeno que ficou parado entre o corredor a entrada do quarto. “Você vai ficar aí por quanto tempo? Feche essa porta”. Gary resmungou enquanto se sentava no chão e ligava o video-game.


“Onii-chan, você tem bastantes jogos”. Ash comentou levantando ligeiramente a aba do boné e olhando para a prateleira com pilhas e pilhas de bonitos jogos originais.


“Pois é, eu ganhei todos eles”. Gary disse dando um largo sorriso, todo exibido.


“Eu gosto desse de cartas”. Ash apontou para o jogo na pilha. “Terminei faz pouco tempo, mas gosto das missões especiais, ainda estou tentando juntar as cartas raras, e você?”


“Um pivete como você não deveria jogar tanto vídeo-game”. Gary zombou mantendo o sorriso no rosto. “Seus pais não reclamam?” Ele perguntou embora não estivesse interessado no assunto.


Não é como se morresse de amor por crianças, muito menos uma de 7 anos que dizia querer ser um mestre Pokémon quando tudo que fazia era jogar vídeo-game. Pelo menos ele tinha 13 anos e tinha bastante experiência, até mesmo em campeonatos.


“Não tenho pais”. O garoto disse desconfortavelmente enquanto ajeitava o boné.


“E não é a sua mãe que vai vir te buscar aqui?” Gary perguntou lembrando-se das palavras do avô.


“Sim, mas ela nunca está em casa, por isso eu fico jogando vídeo-game sem que ninguém reclame”.


“E porque diabos você veio ficar aqui em casa se está acostumado a ficar sozinho?”


“Minha mãe disse que eu preciso ser mais sociável”. O garoto murmurou mexendo os dedos dos pés.


“Você parece bem sociável pra mim, ao menos o máximo de uma criança de 7 anos consegue fazer sem realmente começar a encher o saco”. Gary disse só pra não perder a compostura.


Ash ficou quieto e sentou-se no chão, distante de Gary, apenas o observava jogar. Gary começou a se sentir incomodado pelo silêncio do garoto, então salvou e deixou o jogo parado no menu.


“Eu vou pra cozinha”. Disse enquanto se levantava e saia do quarto.


“Ok”. Ash murmurou sem tirar os olhos da TV que agora exibia o menu do jogo, ele olhou para o aparelho sem dono largado no chão, mas continuou no mesmo lugar.


Gary demorou mais do que devia e na verdade ele esperava dar de cara com o garoto de 7 anos com o controle nas mãos e jogando, no entanto, parecia que nada tinha saído do lugar nem por um centímetro.


“Toma”. Gary empurrou um copo d’água na direção do garoto e pela primeira vez ele viu o rosto do menino. Ele era bonitinho e tinha intensos olhos castanhos.


“O-obrigado”. Ele agradeceu desviando do olhar de Gary e concentrando-se em beber a água.


“Por que você esconde o seu rosto com esse boné?” Gary perguntou enquanto apoiava o rosto na mão e olhava para o pequeno.


“O-o que?”


“Nada”. Gary se levantou e pegou um casaco no armário. “Jogue alguma coisa eu vou dar uma volta”.


Ash apenas concordou maneando a cabeça positivamente e ele esperou que o mais velho deixasse o cômodo para se levantar e colocar o jogo de cartas no aparelho no qual ele jogava sem realmente prestar atenção.


Continua.