Catalepsia

4 Capítulo 3 Caio


-Mãe!- gritei quando cheguei da escola correndo — Mãe, cade ela mãe? — perguntei para ela.

Ela não me respondeu.

Seus olhos vagavam, ela apontou para a escada.

Subi correndo, no meu quarto ela não estava, nem no da minha mãe, devia estar no fim do corredor.

Abri a porta de vagar, fiquei parado observando Anabel arrastar-se para a janela, abri-la e deixar-se cair para a cama de novo.

Continuei parado ali, olhando, vi os primeiros raios lunares banharem a pele branca, e acender-se como que num brilho intenso, subindo, Anabel passou a respirar direito, com mais leveza, vi seus olhos correrem o comodô, analisarem o quadro sobre o báu e cairem sobre mim.

-Tudo bem Anabel ?- perguntei

- Tudo bem sim- respondeu tremendo

-oque foi aquilo?- indaguei

- Desculpe, eu não posso com Amianto- ela respondeu e pegou o copo d’agua tremendo

-não estavamos usando amianto garota!- a irritação me tomou

ela controlou a tremedeira e bebeu a água

- eu não posso, eu não sei, sério- engasgou

- está gravida?- disse sem pensar

Ela dobrou-se fora da cama e vomitou

vi seu corpo ocilar e começar a resbalar para fora da realidade

-socorro — ela sussurrou e começou a arrasstar-se para a janela, que menina suicida.

a segurei e a arrastei para a cama

-ANABEL- gritei mas parecia que nada adiantava, sacudir, apertar, beliscar, gritar, jogar água... mas seus olhos apenas piscavam embaçados.

Ela me olhou estranho com quem tenta dizer, ou fazer alguma coisa , sacudi a cabeça e ajeitei ali.

Resisti ao impulso aquele sabe? de sei-lá, beija-la e a princesa acorda, mas ela é estranha para mim, não só para mim... ela é, estranha.

abri a janela.

e foi uma coisa estranha, foi como se o vento que entrou a arrasta-se de volta, ela abriu os olhos focando rapidamente, ligeiramente confusa, mas se levantou rapidamente, e debruçou-se na janela, respirando e expirando forte.

Uma pluma caiu do cabelo dela.

-Desculpa Caio. — ela disse

-Tudo bem... mas... você ta grávida??- insisti

Ela riu, como um anjo.

- não, não viaja Caio — ela disse e se virou para mim, prendeu o cabelo e foi para a porta.

-onde vai?? — perguntei trancando o caminho dela. ela me olhou estranho de novo, e franziu a testa frustada.

-Embora — ela respondeu e sorriu enfim.

-você que sabe... quer que eu te leve???- perguntei descendo com ela até a porta

-não obrigada — ela respondeu.

-me dá seu endereço — pedi quando ela já estava na rua

-Amanhã — ela disse entrando num táxi que parou ali.

e o táxi arrancou.

Minha mãe continuava em transe, estava estranha, subi para o meu quarto, mas no caminho entrei no quarto ao lado, no fim do corredor, uma fina camada de plumas cobria o lençol.

entrei devagar, e toquei um punhado, a pena que encostou na minha mão diretamente, queimou e sumiu, e assim uma por uma, até não restar mais nada ali.

Notas finais
Desculpem estar demorando gatedo mas né...