Cat-dog Love
1 My cat-dog love
Notas iniciais
Eu espero sinceramente que ela goste porque apesar de não ter ficado a melhor coisa do mundo eu fiz com o coração.
[AoixUruha] :D
PLAFT!
Acordei desesperado com o som de várias coisas caindo no corredor, batendo com a cabeça na porcaria de prateleira que tinha em cima da cama. Maldito apartamento! Que tipo de idiota coloca uma prateleira bem acima da cama? E que porra de barulheira é essa!? Não podia ser amanhã? Por que tinha que ser justo na porcaria do meu dia de folga?! Eu já trabalho feito um condenado naquela empresa e quando quero dormir me acontece isso?!
Levantei, meu bom humor se espalhando por todo meu corpo, e parei na frente de um espelho, notando que eu parecia uma vassoura, penteando de leve os fios escuros, numa tentativa falha de colocar todos eles para baixo. Acabei desistindo de pentear o cabelo, passando um café que ao mesmo tempo me acordava e espantava o frio que eu estava sentido. Sentei-me na sala, olhando o nada até que mais um barulho de mundo caindo me fez despertar.
Daqui a pouco o andar inteiro cai!
Já irritado com toda aquela barulheira cedo da manhã me levantei –É, eu acabei esquecendo que estava com um pijama- e abri a porta com toda banca, só pra dar de cara com um loiro vermelho de tanta raiva.
-Será que vocês vão mesmo deixar tudo isso cair?! Esses materiais custam mais que todo o salário de vocês do mês! –Ele esbravejava com os homens que carregavam caixas, xingando e gritando absurdos para todos os lados. Parecia bem irritado, mas eu não queria saber disso, a única coisa que eu tinha em mente era que aquilo tudo tinha acabado com minha linda noite de sono.
-Com licença. –Ele finalmente me olhou, os olhos quase soltando lasers – Posso perguntar que barulheira toda é essa?
-Oh, é claro! –Seu tom ácido não me enganou. Eu sabia que vinha chumbo grosso. –Nós estamos fazendo um concerto baseado no som que as coisas têm quando caem! Está interessado em assistir senhor intrometido? –E então saiu andando para gritar mais um pouco do lado de lá. Quem ele acha que é para me deixar para trás assim?
-Ei! Volta aqui seu mal-educado! –Agora sim eu tinha ficado puto. Encostei a porta de casa e saí atrás dele. Não sou cachorro dele para ser tratado assim. –Você mesmo seu loiro estúpido! –Ele me ignorou e eu o puxei pelo braço, vendo ele se soltar bruscamente.
-Me larga porra! Tenho mais coisa pra fazer do que perder tempo com um joão-ninguém! –João ninguém é a sua mãe. Ahh, agora ele vai ouvir!
-Escuta aqui! Você chega do nada, fazendo barulho, acordando todo mundo e...! –Ele saiu andando, sem nem sequer me dignar o olhar! Isso é...! Eu... O que eu deveria fazer? Eu não vou implorar por atenção! Não mesmo!
Bati a porta, fulo da vida. Mas que sujeitinho mais mal educado! Tomara que aquilo tudo caia no chão só para ele ter que ficar horas catando! Não se foi a praga, mas assim que pensei nisso, ouvi mais um barulho de coisas caindo.
E não pude evitar as risadas.
(...)
Quase um mês depois eu fui descobrir o nome dele. Takashima Kouyou, estudante de arte e enchedor de saco nas horas vagas. Basicamente um insuportável grosso e irritante que não sabia fazer nada a não ser distribuir coices e, infelizmente, ser meu vizinho de porta. E depois quando eu digo que Kami tem alguma coisa contra mim vem uma penca de gente me dizer que é só uma fase.
Só uma fase porque não são vocês que escutam X Japan o dia todo.
É, além de todos os problemas comportamentais dele, o mimadinho tem o péssimo costume de colocar X Japan para tocar num volume que faça a casa tremer, o que consequentemente atinge a minha e me irrita, mesmo que eu goste de X. Eu adoro X, mas ouvir o dia inteiro a voz do Toshi cantando “Dry your tears with love”¹ é um pouquinho demais não? Pra ele não.
Até nos domingos ele ouvia aquilo! E eu só queria dormir em paz! Sem me sentir num terremoto! É pedir demais Kami?
Nunca me esqueço do domingo em que, sem conseguir dormir por conta do meu vizinho adorável, me levantei mais cedo e resolvi fazer o meu bom café de todo dia enquanto tentava ignorar o som estridente que invadia meu apartamento até que meus olhos caíram sobre meu violão preto, encostado em um canto da parede, fazendo meu peito se aquecer em uma vontade louca de tocar aquelas cordas e tirar um som que não fosse X.
Peguei o dito cujo, limpando-o com um pano seco –Tinha poeira DEMAIS ali!-, tomando todo o cuidado para não lhe dar mais nenhum arranhão –Quando eu o ganhei, eu não era a pessoa mais cuidadosa da face da terra então ele acabou ficando com alguns risquinhos- e o levando para a varanda. Batia um ventinho agradável que tornava aquele ambiente quase que perfeito para qualquer coisa e uma dessas certamente incluía tocar meu violão.
Sorri ao tocar as cordas pela primeira vez, notando que estavam completamente desafinadas, meus dedos ganhando vida própria e trazendo de volta a elas o som habitual, para só então dedilhar uma composição própria que eu jamais havia esquecido. Bons tempos... Eu ainda não sabia o que queria fazer da vida e então juntei mais alguns amigos para formar uma bandinha, dessas bem amadoras mesmo, que só ensaiam, mas nunca saem do setlist imaginário. Claro que a banda furou, mas o tempo em que tocamos juntos certamente alimentou muitos sonhos!
É aí que percebemos que o tempo passa... Quantos anos faz isso? Na época eu tinha os meus 16, 17 anos e agora estou com 30! Quatorze anos desde que a banda se desfez e cada um seguiu seu rumo, indo para cantos diferentes e fazendo coisas que nunca haviam imaginado. Eu mesmo não imaginava que ia trabalhar numa empresa grande responsável por organizar eventos. Na verdade, em Mie, minha cidade natal, eu gostava mesmo era de passar o dia surfando! Podem imaginar uma coisa dessas?! Eu era um tanto idiota não? Ainda bem que o mundo dá volta e os planos estão sempre mudando.
E foi só quando a minha nuvem de pensamentos se desfez que eu percebi uma coisa no mínimo curiosa. Cadê o som do X que vem sendo a trilha sonora de todos os meus –infelizes- dias?
Sem que eu pudesse evitar, minhas mãos pararam de se mexerem sozinhas e eu abri os olhos antes fechados –É, eu faço essas coisas sem nem perceber, desde os tempos de pirralho- olhando em volta e reparando em um rosto no mínimo interessado no apartamento ao lado.
Antes de descrever, permitam-me explicar. Como eu disse, nós somos vizinhos de apartamento e aqui as varandas são realmente muito próximas umas das outras; Então basicamente, dá pra ver quase tudo que se acontece na sala da outra pessoa se você está na varanda e vice e versa. Agora voltando... Quando ergui meus olhos eu me deparei com um Kouyou de óculos de armação escura – Que o deixavam ainda mais bonito diga-se de passagem-, com uma espécie de bloco branco em mãos, escrevendo compenetrado com o cenho franzido, a personificação da concentração.
Que não durou por muito tempo.
Assim que ergueu novamente os olhos sua expressão se modificou passando de uma completamente concentrada para outra completamente assustada como a de alguém que é pego em pleno flagra. Naquele momento, eu estava tão feliz com o meu violão que nem me lembrei de todos os disparates que ele havia me dito e nem de todas as músicas do X que de tanto ouvir já estavam gravadas em minha mente. Apenas fiz uma reverência curta com a cabeça e deixei um sorriso sincero transparecer em meu rosto. Sabe como ele respondeu?
Ele simplesmente me olhou feio e puxou a cortina. Ah.. Por que será que eu ainda tentei ser gente boa? Eu tenho que enfiar na minha cabeça que ele nunca vai saber ser educado com ninguém, muito menos comigo. Moleque mal educado!
-Bom dia pra você também! –E ignorando o som do X Japan que voltou a tocar, voltei a dedilhar o meu violão antes abandonado.
Ele não ia estragar a minha felicidade, não hoje!
(...)
Depois do episódio da varanda nós não trocamos mais palavras –Não que antes nós nos sentássemos para beber chá e discutir sobre música ou sobre bandas- mas até então ainda se via a presença dos cumprimentos educados — tipo Boa Noite, Boa Tarde e Bom dia — mas depois daquilo eu havia sido ignorado e então decidido que não ia mais falar nada, já que ele não ia responder – Sim, nem a um mísero cumprimento padrão ele responde-. Ainda nos cruzávamos algumas vezes porque afinal somos vizinhos de porta, mas não rolava nada além de semblantes fechados de duas pessoas que se odiavam sem nem ter conversado direito. Triste não? Mas não foi por falta de tentativa minha. O que mais eu posso fazer se ele é maluco?
E ainda que não nós falássemos, o destino preparava algumas surpresas.
Era uma quarta feira ensolarada, o sol brilhava forte no céu e castigava todas as pessoas, principalmente os infelizes que como eu usavam terno. Devo ter emagrecido um três quilos só de andar do trabalho até em casa, maldito calor! Afrouxei o nó da minha gravata –Uma das melhores sensações do mundo, acredite- e me dirigi a caixinha de correio, uma vez que é fim de mês e como todo cidadão eu tenho milhares de contas a pagar. Ah sim, eu realmente espero que a conta de luz de Kouyou extrapole todos os limites do céu. Seria extremamente divertido.
Juntei o bolinho de papel e me dirigi ao elevador aonde comecei a dar uma olhadinha nos presentes que haviam chegado pelo correio. Conta de luz, conta de gás, conta do cartão de crédito, carta para o Sr. Takashima... Nada que já não venha nos outros meses. ESPERE AÍ! CARTA PARA O SR. TAKASHIMA?! O QUE DIABOS ISSO FAZ NA MINHA CAIXINHA DE CORREIO? O que eu ia fazer com essa porcaria?
Bom, sempre tem a alternativa de entregar de volta ao porteiro e lhe dizer que foi colocado na caixa errada, além de passar todo um sermão sobre a falta de atenção do dito cujo e tudo mais e... O problema nisso tudo é que quando o cara ler que a carta trocada é do apartamento ao lado do meu, vai me olhar como se eu fosse uma daquelas criancinhas retardadas que chama mamãe para cortar a própria unha e eu já estou velho demais para receber esse olhar. Por outro lado se eu bater na porta da Takashima, corre o risco dele me receber com um raio laser desintegrador de partículas ou na melhor das hipóteses um cd do X-Japan que foi afiado e se transformou numa espécie de shurikenredonda.
Calma Yuu, respira fundo, Takashima só é um estressadinho mal-educado e isso não faz dele um psicopata. Muito pelo contrário, até porque segundo estudos os psicopatas tendem a ser meticulosos, atraentes e extremamente educados logo, ele não preenche nenhum dos requisitos primordiais, o que de certa forma me alivia. Não é muito legal tem um psicopata na sua cola.
Ah! Quer saber? Chega de pensar bobagens! Se ele vier me bater é simples, eu vou apenas revidar e quando estivermos na delegacia contar que fui inocentemente entregar uma carta que veio errada e ele veio literalmente com quatro pedras na mão. É, isso mesmo!
Me encaminhei para sua porta, já respirando fundo para o caso de ter que começar a gritar para me fazer ouvir e parei. Minha mão estava erguida, prestes a encostar-se à madeira clara da porta quando a porta se abriu rapidamente e um homem saiu correndo muito rápido. Ele com total certeza teria me levado junto se eu não tivesse desviado no último segundo. E quando eu resolvi olhar para dentro do apartamento para entender o que estava acontecendo o que acontece?
Um vaso vem voando na minha direção.
Tirei a cara rapidamente, ouvindo o vaso se estilhaçar em milhares de pedacinhos no corredor, seguido de passos rápidos e da voz grossa que eu já conhecia.
-E QUE VOCÊ NÃO OUSE VOLTAR AQUI, OU QUEBRO SUA CARA QUE NEM FIZ COM ESSES VASOS! OUVIU SEU DESGRAÇADO? –Sério, nunca vi uma pessoa tão vermelha na minha vida. Suas bochechas estavam vermelho tomate e sua respiração ofegante; Ele nem sequer notando que eu estava no recinto. Foi só quando passou a mão pelo cabelo loiro que reparou na minha presença. –Ah! Era só o que me faltava! Olha só...! –Antes que ele começasse e inventasse de me bater eu ergui as mãos em sinal de paz.
-Ei, fica calmo, eu não vou fazer nenhum comentário sobre isso nem agora, nem depois e também não vou sair por ai fofocando como uma tia velha, mas isso não quer dizer que você pode ser estúpido e grosso comigo. Eu não tenho nada a ver com essa confusão, só vim trazer uma carta sua que acabou parando na minha caixinha de correio. Passar bem! –Disse-lhe da forma mais serena que consegui, porque na verdade eu estava louco para começar a berrar também e me virei, começando a procurar minha chave que por algum motivo estava bem escondida na minha mochila.
Ah vida, porque me sacaneias tanto?
Rapidamente Kouyou desapareceu dentro de seu apartamento e voltou com uma vassoura que ele começou a passar no corredor para juntar os cacos do vidro que havia sido quebrado e bem... Eu tive que me segurar para não explodir em risadas porque o loirinho não levava o mínimo jeito para a coisa viu! Fitei-o novamente, brigando com a pá e a vassoura e como não estava mesmo achando a minha chave, resolvi ajudá-lo –Mesmo que houvesse prometido não mais fazê-lo -.
-Você quer ajuda? –Quase pude ver os lasers que saíram do seu olhar antes que ele respondesse.
-Não! Não preciso da sua ajuda! –Tá certo, se você não quer, então que morra juntando esses caquinhos idiotas! Me virei e voltei a procurar a maldita chave, o som dos caquinhos dançando no chão preenchendo o ambiente até que eu ouvi um suspiro. –Olha...Eu... –Ele hesitou um pouco, me olhando com o canto dos olhos, até se erguer e estender a mão na minha direção. –Eu vou aceitar a sua ajuda sim. –Disse por fim, vencido, arrancando um sorriso de mim.
-Vai dar trabalho, quem mandou quebrar tantos vasos? Só um cabeça oca feito você para acabar com as próprias coisas por causa de alguém! –Comentei ácido, quero ver até onde o loirinho agüenta. O que foi? Eu sou vingativo sabe?
-Olha só, eu sei que eu sou insuportável, irritante, muitas vezes mal-educado mas...
-Esqueceu de acrescentar o inconveniente, e sim, eu costumo ser sincero com as pessoas. –Ele me fitou e fez um bico falsamente emburrado, continuando de onde tinha parado.
-Ok, eu sou tudo isso mesmo ta? Mas eu devo dizer que com você comecei com o pé esquerdo... Totalmente... Será que agente não poderia começar de novo? Sem gritarias, sem xingamentos... É só que eu...
-Ah, você quer me pedir desculpas por ter sido insuportável esse tempo todo?! Isso é um bom começo! –Sorri de forma debochada e ele ficou ainda mais vermelho. Eu só não sabia se era de raiva ou de vergonha, ou talvez fosse os dois. De qualquer forma, ele bem que merecia!
-Sim, eu quero pedir desculpas por ter gritado e agido como um imbecil! É só que... Aqueles materiais eram preciosos para mim em mais de um sentido e vê-los caindo me tirou do sério. Eu só não tinha que ter descontado em alguém que nada tinha a ver. Então, será que podemos começar de novo? –Me olhou com expectativa, como uma criança quando fez bobagem e quer se redimir, e eu não pude deixar de notar o quanto ele havia ficado fofo daquele jeito.
-Shiroyama Yuu, muito prazer! –E o sorriso que ele abriu quase desmontou todo o meu esquema maligno de vingança. Como alguém pode ser tão diferente e igual ao mesmo tempo!? Ele era mesmo o meu vizinho irritante que havia gritado comigo no dia da mudança? Não pode, esse daí deve ser o irmão gêmeo do bem se fazendo passar por ele!
-Takashima Kouyou, o prazer é todo meu! –E com uma curta reverência nós selamos aquela guerra. Já estava na hora né?
E então ele entrou novamente, voltando com uma vassoura para mim também e um sorriso lindo no rosto. Foi aí que descobri que Kouyou era um desastre para quaisquer tarefas do lar porque ele nem conseguia pegar direito numa vassoura! Varria os caquinhos de qualquer forma e ficava duas horas para colocar menos que um terço deles pra dentro da pá quando, por estar irritado, bufava e controlava a vontade de jogar tudo aquilo no chão.
-Burguesinho. –Falei próximo de sua orelha e ele se virou com feições completamente indignadas, bufando novamente.
-Não nasci pra ficar varrendo caquinhos e me cortando! –Rebateu e eu simplesmente não consegui ficar quieto, o comentário ácido saindo sem que eu pudesse controlar.
-Ah não? Então porque resolveu jogar tiro ao alvo com vasos? Um soco de quebrar o nariz dói muito mais e faz bem menos sujeira que isso! Tem medinho de machucar a mão? –Ironizei e ele rebateu novamente
-Se eu machucar minhas mãos, perco meu trabalho, não acabo a faculdade e muitas outras coisas. Não vou ferrar a minha vida por causa de um infeliz que meu deu os vasos mais cafonas da minha vida! –É, eu admito, ele é bom nisso.
-Ah que seja! Vamos continuar! Ainda tem sujeira lá dentro não tem? –Ele assentiu e eu sem nem pedir licença invadi seu apartamento, começando a varrer o vidro que havia ficado pelo chão.
O destino é realmente engraçado. Há dias atrás eu nunca ia imaginar que um dia estaria ajudando este ser e agora nós estamos aqui, em sua sala –Agora devidamente limpa depois de toda a minha generosa ajuda- rindo e discutindo sobre música como se fossemos velhos amigos! Até ontem eu achava que ele era um completo idiota e em alguns minutos um lado totalmente novo dele se mostrou para mim, como algo que estava escondido faz muito tempo!
A imagem que eu demorei meses para construir ruiu em uma pequena troca de palavras e olhares e toda a raiva que eu sentia se esvaiu mais rápido do que veio. Que poder mais extraordinário esse moleque –Sim, descobri que ele é afinal alguns anos mais novo que eu- tem sobre as pessoas! Ou melhor, que capacidade louca de ser duas pessoas ao mesmo tempo que ele tem!
Outra coisa que descobri é que ele tem mania de mexer no cabelo –Muito bem cuidado por sinal- quando está nervoso com alguma coisa, o que o faz ficar ainda mais adorável e indefeso (?). Também descobri que assim como eu ele já quis ser guitarrista em sua vida, tinha até começado uma banda com dois amigos, mas as coisas não deram muito certo com os outros membros e a única coisa que restara fora a amizade mesmo –Saiu melhor que eu que não vejo meus antigos companheiros a tanto tempo que se um deles passar na minha frente não vou notar quem é- . Que gostava de LUNA SEA e Metallica e nós até discutimos sobre alguns álbuns históricos e coisas do tipo. Foi uma noite agradável e quando eu saí de sua casa eu pensei que talvez pudéssemos ser bons amigos.
Eu e a minha mania de ser otimista demais.
Uma semana depois de toda a confusão com os vasos e eu ainda sonhava com cacos. Sério, nunca paguei tanto na minha vida por ter ajudado uma pessoa! Mas voltando... Quando eu disse que talvez pudéssemos ser amigos eu acho que acabei me precipitando demais. Uma semana depois da nossa conversa mágica que selou a guerra, ele jogou uma bomba no meu território e a terceira guerra mundial começou...
Ta, lógico que não foi assim... Ele não jogou bomba nenhuma e nem começou terceira guerra nenhuma, só estava sendo dramático na hora de comparar. Acontece que, uma semana depois, eu estava na minha casa, soterrado pelos papeis da empresa lotados de números miúdos que eu não podia errar ou seria demitido, situação de tensão total que requer TODA a minha atenção. Era o fechamento do mês e de acordo com as minhas funções eu deveria preencher aqueles papéis. Até aí tudo bem, na minha casa, ouvindo um som fazendo isso... O problema era que... Ele resolveu ouvir justamente Slipknot no último volume, quase como se fizesse de sacanagem!
É lógico também que eu como bom vizinho, bati em sua porta com um sorriso encabulado e lhe pedi para abaixar. O problema maior foi que aquele Kouyou bonzinho e educado, quase o perfeito psicopata havia sumido e deixado o Kouyou capeta para me atazanar. Então eu acho que já se pode prever o que aconteceu em seguida né? Ele não abaixou o puto do volume e nós terminamos rolando pelo corredor e bem... Teríamos morrido por rolar a escada caso uma senhora moradora do mesmo andar não tivesse batido com a bolsa em mim até eu desmaiar. É... E então a nossa amizade e a nossa trégua foram por água abaixo. Tão ou mais rápido do que tinham começado.
Ele era mesmo um mal-educado!
E a minha cara ainda ficou roxa por um tempão por causa das bolsadas! Porque ela tinha que ter batido justo em mim se eu já estava apanhando!? Chamava a segurança, qualquer outra pessoa para separar, mas nããão! Ela tinha que usar aquela bolsa super pesada em um dos dois e infelizmente acho que ela não foi com a minha cara. Logo, sobrou para mim.
Óbvio também que depois de nós termos rolado amigavelmente no chão a situação virou uma pseudo-guerra fria né? Ninguém se falava, mas também ninguém tentava matar ninguém. Nós não nos cumprimentávamos e às vezes nem nos olhávamos tamanho o impacto daquilo tudo. O que eu podia fazer se ele parecia mais um daqueles personagens de anime que tem um espírito malvado dentro de si e sucumbem pro dito cujo? Tô velho demais para aturar esses jovenzinhos pentelhos ! Embora eu tivesse certeza de que se nós tivéssemos conseguido nos falar por mais de uma semana sem um tentar esganar o outro teria nascido uma boa amizade...
Ah vida... Bola pra frente, se não foi era porque não era para ser.
(...)
Sabe aqueles dias em que você acha melhor voltar para cama de tão ruim que está a situação? Pois é, para esses dias as pessoas dão o nome de “dia de cão”. Logo eu posso dizer a plenos pulmões que eu estou tendo um dia do canil INTEIRO. Sabe qual é a probabilidade de num dia de evento pessoas faltarem e as empresas contratadas darem para trás? QUASE ZERO, e o que acontece, só porque eu sou responsável? Lógico que tudo ia dar errado! Dois funcionários de suma importância pegaram uma gripe do inferno e a empresa responsável por tirar as fotos teve um problema com seu fotografo principal.
Aí então é que eu olho para o céu e pergunto: O QUE DIABOS EU POSSO FAZER? Eu já estou com falta de pessoal e agora mais essa?! Porque vida, porque eu tenho que ser tão sacaneado dessa forma? O que eu fiz de errado Kami? Que criancinha que eu torturei na minha vida passada que a penitência se estendeu até essa vida? Juro que deve ter algo muito errado comigo!
-Como assim?! Vocês estão loucos?! Eu preciso de um fotógrafo! Estou sendo pago para garantir isso aos organizadores da exposição! Vocês não podem simplesmente me ligar e dizer que o fotografo que vocês tinham não pode comparecer! Me arranjem outro JÁ! –Sim, eu estava gritando com a mocinha do telefone, sem nem me preocupar se ela merecia ou não. Eu queria era que eles tomassem providências já!
-Yuu, fique calmo pelo amor de Kami! –Minha assistente atravessou a sala nervosa, praticamente empurrando um copo de água na minha cara. Agradeci e tomei o copo entre mãos, virando o todo de uma vez só, a água gelada descendo pela minha garganta e esfriando meus ânimos. –Você parece até que vai explodir de tão vermelho!
-E acredite Maki, isso não é uma coisa que está muito longe de acontecer... –Murmurei passando a mão pelo cabelo –Mas uma coisa é certa... Eu posso explodir, mas primeiro vou até aquela porcaria de agência de fotógrafos e quebro TUDO! Maldita hora que eu assinei a bosta do contrato! –Bati com força na mesa, fazendo ela se assustar. Eu não podia culpá-la, mas também não conseguia me controlar.
Eu tinha que pensar numa solução!
-Calma Yuu... Nós vamos encontrar um meio e... Eu sei que vai ficar tudo bem...! –Coitadinha... Tão nervosa quanto eu e tentando me acalmar.
-Arigatou Maki. Se não fosse por você eu já tinha quebrado tudo aqui... Ai Kami, o que se pode fazer numa situação dessas? A exposição vai começar e eu preciso de uma droga de fotógrafo para tirar as fotos que foram pedidas!
-Será que não há um meio de se contratar outro fotógrafo?
-Em cima da hora se torna algo extremamente complicado. Se eu ao menos conhecesse alguém que soubesse tirar fotos! –Foi ai que uma luz se acendeu na minha mente.
Uma das coisas que eu também cogitei fazer na minha vida foi ser fotógrafo. Sim, por incrível que possa parecer apesar de ser rabugento eu sempre tive verdadeira fascinação por fotos bem tiradas e quase decidi seguir isso para minha vida, o que acabou me levando a fazer um curso de fotografia. Foi algo bem básico, só para aprender alguns macetes de principiante que já melhoravam a foto de uma forma consideravelmente boa, mas que havia mudado totalmente minha forma de tirar fotos.
Em condições normais eu jamais ia me expor dessa forma uma vez que eu também estaria no comando de outras coisas além de desempenhar o papel daquele que tira fotos, mas o que mais eu podia fazer? Contar com um santo fotógrafo caído do céu? Não podia arriscar e jogar o meu emprego e o nome da empresa na lama assim tão facilmente não é? Respirei fundo e me virei para Maki falando com a voz firme.
-Maki, tome as chaves do carro, vá para a exposição e faça com que nada mais saía do lugar. No dia de hoje você será a comandante junto comigo, acha que pode arcar com isso? –A menina primeiramente me olhou assustada para logo depois assentir de forma determinada.
-Sim senhor! Eu o acompanhei por todos esses meses, sei exatamente o que fazer! Mas e o fotógrafo? –Sorri de forma marota e pisquei-lhe
-Está indo pegar sua câmera em casa e te encontrará lá. –E ela finalmente entendeu, assentindo e me desejando uma boa sorte sem produzir com algum.
Que eu certamente ia precisar né?
Nem preciso comentar que naquele momento eu havia me convertido em uma pilha de nervos não é? Não faço idéia de como não acertei nenhum poste no trajeto da empresa até a minha casa, aonde peguei a caixa a muito guardada no armário, fitando a câmera profissional –É, eu tinha comprado uma com o meu primeiro salário- enquanto rezava para ela ainda funcionar e eu ainda saber como utilizá-la.
Minhas mãos tremiam tanto que eu fiquei com medo de pegar na coitadinha e ela se espatifar, de modo que eu a liguei apoiada na cama, abrindo um leve sorriso ao me lembrar do Yuu adolescente que corria pra lá e pra cá com aquela coisa pendurada no pescoço, tirando fotos de meio mundo. Bons tempos! Mas que agora eu não tinha tempo para lembrar. Guardei tudo e voei para o local da exposição, desamassando de leve a minha roupa e colocando a câmera a postos. Era agora ou nunca. Ou eu vou ser demitido ou serei promovido, não é possível!
Eu não estava confiante, mas também não estava morrendo de medo pois pensava em fazer o meu melhor. E foi com esse pensamento que eu adentrei o salão onde a exposição estava sendo organizada. O lugar já estava consideravelmente cheio e as pessoas caminhavam de um lado ao outro, apreciando as obras de arte que estavam em todo o lugar. Imediatamente eu já tomei a posição e comecei a tirar algumas fotos e foi aí que algumas pessoas me notaram. E uma coisa realmente estranha começou a acontecer.
Quando as pessoas olhavam para mim, seus olhos arregalavam e logo em seguida elas começavam a cochichar com quem quer que estivesse do seu lado ainda olhando para a minha figura o que me fazia crer que elas estavam MESMO comentando sobre mim. E o pior era que elas me olhavam e começavam a rir! O que é? Tem um nariz de palhaço na minha cara?! Estava tão imerso tentando entender o porquê daquilo que nem notei quando Maki se aproximou com a respiração ofegante.
-Yuu-san! Eu acho que...!
-Você sabe por que eu de repente virei um palhaço que acaba de entrar no picadeiro? –Perguntei-a sem rodeios e ela assentiu um pouco reticente – Me diga então porque esses olhares já estão me irritando! –E ela em um movimento rápido pegou em minha mão e saiu me puxando, desviando de leve das pessoas que passeavam lentamente pelo salão.
Quando finalmente chegamos, ela pediu licença educadamente às pessoas que estavam na frente do que parecia ser um desenho e foi ai que tudo fez sentido.
Mas que porra é essa?
Era simplesmente inacreditável...! Como, como diabos isso veio parar aqui? Olhei para os lados, as pessoas me fitando com ainda mais curiosidade olhando para meu rosto e em seguida para o desenho exposto em posição de destaque. Era eu quem estava ali! Eu tocando o meu velho violão preto em um dia qualquer! Mas como isso? Foi ai que tive a brilhante idéia de procurar pela assinatura no desenho, sentindo o sangue ferver. Takashima Kouyou. Meu maldito vizinho! Aquele molequezinho irritante...!
E então as coisas estalaram, tudo finalmente se encaixando. Naquele dia ele não estava assustado porque estava concentrado demais e sim porque fora pego no flagra! E eu idiota achei que ele estivesse escrevendo! Escrevendo uma ova! Enquanto eu tocava o meu violão aquele cretino aproveitou para fazer um desenho! E ainda tem a ousadia de colocar no meio de uma exposição! Quem ele pensa que é para fazer essas coisas? Me virei para Maki, os punhos cerrados, com vontade de matar alguém e murmurei entre dentes.
-Cadê esse maldito artista? Eu vou matar esse infeliz! Vou decepar a mão dele para que ele não possa nunca mais desenhar!
-Calma Yuu-san, pelo amor de Kami!
-Calma Maki?! Calma? Como pode me pedir calma! Estão todos me olhando como se eu fosse um espécime raro! –Falei a última parte mais baixo para não ofender ninguém – E ele não tinha esse direito! Ele tinha que ter me pedido autorização! Isso é ilegal! –Minha irritação chegando a níveis estratosféricos enquanto eu controlava a vontade de simplesmente arrancar tudo.
Foi ai que o artista deu o ar da graça.
Se eu não estivesse tão irritado eu provavelmente teceria comentários acerca da forma elegante com a qual ele estava se vestindo, mas no momento eu só queria matar aquele sujeito! Ele entrou sorridente cumprimentando várias pessoas e as levando para conhecer sua obra prima. Qual não foi sua surpresa ao chegar lá e me encontrar com cara de pouquíssimos amigos diante de seu desenho. Ele ficou branco de susto, os olhos arregalaram e a boca abriu. Eu, já explodindo praticamente, não titubeei alcançando-o em menos de três segundos, agarrando seu braço e o arrastando para um lugar aonde eu pudesse gritar. O loiro bem que protestou tentando se soltar, mas eu apenas firmei minha mão em seu pulso e não dei-lhe chances de lutar.
-Ai! Tá me machucando! O que você pensa que está fazendo seu louco?
-Você é quem vai me dizer isso! Me agradeça por eu ter o mínimo de discrição e te arrastar até um lugar mais reservado ao invés de fazer um escândalo bem aqui! Eu se fosse você ficava quietinho para não me deixar mais puto! –Dito e feito, assim que ele notou o quanto eu estava disposto a quebrar o seu nariz e ficou quieto, apenas me acompanhando em silêncio.
Não demorou muito para que eu localizasse uma salinha mais escondida e foi nela mesmo que eu entrei, sorrindo vitorioso ao notar que não havia nada além de vassouras lá dentro. Só então soltei seu pulso, notando o vermelho que ficara. O loiro apenas me fitou com um bico enquanto massageava a área magoada. Eu não sentia culpa nenhuma, muito pelo contrário.
-Ótimo, um lugar quieto aonde eu posso falar com você e perguntar o que diabos aquele desenho ESTÁ FAZENDO NO MEIO DE UMA EXPOSIÇÃO? –Aumentei meu tom, vendo-o se encolher por alguns segundos para então voltar a sua postura usual.
-O que todos os desenhos fazem oras: Sendo exposto. –Ah, ele quer apanhar sério e se continuar assim vai conseguir exatamente o que quer!
-Muito engraçado Takashima. –Comentei com um tom ácido, avançando um passo em sua direção. –É melhor você parar com suas piadinhas, porque eu já estou quase enlouquecendo de vontade de bater em você. Não incentive ainda mais o meu ódio. –E sua expressão finalmente se tornou assustada ao notar a ausência da minha costumeira gentileza em minha voz.
-O que é que você quer?
-Quero saber por que AQUILO está lá! Aquele é um desenho que tem a minha imagem! Como você pode trazê-lo para uma exposição?
-Foi um desenho que eu fiz oras! O que se espera disso? Os professores falaram sobre a exposição e eu resolvi trazê-lo, que mal há nisso afinal? –Reclamou rabugento e eu bufei. Ô sujeitinho difícil.
-Será que você não vê que é errado? –Não é possível que ele seja tão idiota assim! –Você tinha que ter me pedido autorização para colocar aquela porcaria lá! Como acha que me senti quando as pessoas começaram e me olhar como se eu fosse um PALHAÇO? Eu fui exposto isso sim!
-Deixe de ser dramático! Eu nem sabia que você viria! Se soubesse eu...!
-Não é essa a questão! Não vê? Isso é uma coisa ilegal Kouyou! Você está violando meus direitos! Isso é errado! Eu fui exposto de uma forma que nunca quis! Você tem que tirar esse desenho de lá! –Gritei praticamente e foi ai que ele me olhou como se tivesse visto um fantasma.
-De jeito nenhum! –Respondeu sem pestanejar. –Não posso simplesmente fazer isso! Ia arruinar a minha exposição! –Sua voz rapidamente assumiu um tom desesperado e ele me olhou pedinte, mas eu ainda estava com raiva.
-De jeito nenhum quem diz sou eu. Eu não quero aquele troço lá! A imagem é minha, se eu não te concedo os direitos então você não pode usar! Terá de tirar e dar seu jeito. Coloque outro desenho sei lá, faça o que quiser, mas não quero mais aquele desenho lá! –Disse friamente enquanto via-o negar com a cabeça.
-Eu não tenho outro desenho tão bom quanto esse! Não posso colocar qualquer porcaria ali! Por kami! Eu não posso tirar seu desenho de lá! –Ele falou novamente, a voz ainda mais agoniada.
-Se você não tirar, falarei com algum supervisor para que o faça. –Disse apenas e me virei sem nem encarar-lhe –E agora se me dá licença, eu preciso voltar ao trabalho. –Estava quase saindo da sala quando senti algo agarrar em meu pulso e me virei, meus olhos se arregalando ao notar algo brilhante em seu olhar.
Lágrimas.
-Pelo amor de Kami eu... Eu lhe imploro Yuu! Não me faça tirar aquele desenho dali porque senão... Não sabe o que isso vai fazer! É uma grande oportunidade e eu... –Sua fala saía cortada por conta do choro que engolia suas palavras e naquele momento toda a minha raiva desmoronou como um grande castelo de cartas. –Por favor! –Ele pediu novamente e eu me virei, secando suas lágrimas.
-Droga! Você é...! –Estava terminando minha frase quando Maki abriu a porta esbaforida arregalando os olhos com a cena –Maki?
-Yuu-san, as pessoas estão perguntando pelo fotógrafo! O senhor precisa voltar ou os organizadores não vão ficar nada contentes! –Ela disse e eu apenas assenti, fazendo-lhe um sinal para que voltasse lá para fora.
-Você me deve uma, loiro irritante. Pode ficar com aquele desenho lá, mas nunca mais faça isso de novo, ouviu? –Sequei suas lágrimas e sorri com seu sorriso para logo então me virar, prestes a sair correndo de volta a minha exposição — literalmente-.
Qual não foi minha surpresa ao sentir sua mão quente no meu pulso. Me virei já bufando, o que mais esse moleque quer? Que coisa! Dá-se a mão e ele quer o braço inteiro! Foi ai que o mais inesperado de tudo aconteceu. Sem que eu nem me desse conta, senti seus lábios contra os meus, num selo inocente que durou apenas alguns segundos pois, no instante seguinte, já não havia mais Kouyou ali comigo. Haviam restado apenas suas poeirinhas² e é claro o gosto dos seus lábios macios. O que ele quer? Me enlouquecer? Porque se fosse, eu digo que ele estava conseguindo.
Sacudi a cabeça, me livrando da lembrança sedutora(?) dos lábios do loiro e tentando buscar a minha concentração que havia se perdido junto com o meu queixo. Ahh! Olha ele ali! Correndo atrás dela de tanto que caiu! Respirei fundo, peguei a câmera e a liguei. Não podia perder muito tempo né?
Eu ainda tinha muita coisa a fazer afinal.
E assim o meu dia se foi, em meio a fotos, comentários e risadinhas. Modéstia a parte as fotos ficaram muito boas, na medida do possível é claro. A única coisa que eu sei é que quando finalmente a última pessoa deixou aquele lugar e os organizadores da exposição vieram falar comigo com sorrisos amenos no rosto eu quase vi o céu atrás de mim. Sério! Naquele momento toda a ardência dos meus pés e das minhas orelhas –Que já estavam mais do que vermelhas-, valeram a pena. Suspirei quando finalmente me joguei em uma cadeira e senti uma mão no meu ombro. Eu sabia que era Maki.
-Você deveria ir para casa Yuu-san. –Quem visse de fora poderia até dizer que nós tínhamos alguma coisa, mas nem de longe isso acontecia. Ela era uma espécie de irmã menor com quem eu me preocupava e vice e versa
-Eu já vou, só vou pegar as chaves e...
-Pode deixar que eu e os meninos terminamos tudo aqui! –Ela sorriu e eu assenti completamente exausto e sem condições de negar.
E o pior é que eu ainda tinha um problema para resolver em casa.
É, eu ainda tinha um loiro maluco para encostar na parede. Ou ele achava que ia me beijar, sair correndo e que ia ficar por isso mesmo? Eu não tenho nariz vermelho de palhaço para ser tratado como tal! E é lógico que vou cobrar explicações! Por mais que... Os lábios dele sejam macios e... Redondinhos... Isso não muda o fato de que ele tem que me explicar!
Fui para casa o mais rápido que os meus sentidos me permitiram, já me preparando para a sessão “Gritos e Xingamentos” que viria a seguir porque infelizmente nós éramos piores que cão e gato. Esses dois, ainda tinham uma remota chance de olharem um na cara do outro e se tornarem amiguinhos, mas nós... Nem conseguíamos nos olhar na cara porque antes disso já estávamos rolando no chão entre socos e golpes diversos.
Pensando bem, eu até poderia compará-lo com um gato sim. Gatos são criaturas esnobes, misteriosas, curiosas e eu posso até dizer trolladoras. Sim, que gato que não gosta de destruir o sofá do dono? Apesar de eles gostarem muito de suas casas... Em suma, gatos são criaturas do mal que acabam te conquistando de tanto te procurar e... Tirando a última parte, aquele loiro estúpido era exatamente assim! E é claro que eu seria o cachorro bonzinho da história que late late late mas nunca morde. Um perfeito babaca! Aquele tipo que quando uma pessoa está triste faz de tudo para ela se alegrar... Ah, vou te dizer que não é fácil ser assim viu? Ainda mais convivendo com um gato –Perdoem o trocadilho- daqueles.
Fugindo dos meus devaneios, estacionei o carro e juntei as minhas coisas, subindo rapidamente e largando tudo em cima do sofá para depois ajeitar e sem mais alongar toquei a campainha de sua casa. O mesmo cd de sempre tocando numa música mais calma. Depois de alguns segundos, ele finalmente abriu a porta, o rosto ficando branco ao me ver. Ele achava mesmo que eu ia deixar por aquilo mesmo?
-Boa Noite Kouyou. –Sorri debochado e ele, ainda assustado, recuou alguns passos, pronto para fechar a porta. Lógico que eu não deixei. Antes que ele pudesse fechar a porta eu me adiantei e entrei em seu apartamento, sentindo seus olhos grudados em mim –Muita gentileza sua me convidar para entrar!
-Eu... Eu não... Eu estou desenhan...
-Ah! Sério? Será que eu posso ver? Quem você vai expor dessa vez? –Disse ríspido, enquanto ele fechava a porta, provavelmente prevendo uma briga.
-Eu não queria te expor! Eu só...!
-Ah não? Então o que aquele desenho estava fazendo lá hein? –Kouyou ainda estava parado no mesmo lugar ao lado da porta, me olhando desesperado, pensando no que dizer. –Sabe, quando você faz um desenho de uma pessoa e quer expor em algum lugar, você precisa de uma autorização!
-Mas eu...! –Sem novamente deixá-lo terminar continuei
-Você teve sorte. Eu sou um babaca bonzinho demais para te prejudicar. – Me aproximei e ele se encolheu contra a porta –Mas se fosse uma outra pessoa ia mandar você tirar aquele desenho e mais! Ainda ia tirar um bom dinheiro de você! Como você pode ser tão idiota? Hein? –Ele se encolheu ainda mais. Eu sabia que ele tinha algo a falar, mas precisava explodir para isso. –Era só falar comigo que eu te dava essa autorização e...!
-E O QUE DIABOS VOCÊ ESPERAVA QUE EU DISSESSE A VOCÊ!? Ah, me desculpe, eu sei que nós brigamos e que nos odiamos, mas é que eu te espionei para varanda e achei puta bonito tocando violão então decidi te desenhar!! E ainda tem mais! Eu gostaria de colocá-lo numa exposição porque esse é o melhor desenho de toda a minha vida! –Agora foi a minha vez de recuar, completamente confuso com suas palavras. –E é lógico que você me amando ia assinar qualquer bosta de papel que eu fosse te mostrar né? Conta outra Shiroyama!
-Kouyou eu...
-O que foi? Você não imaginava? OH MEU DEUS! ELE NÃO IMAGINAVA! –Agora era eu quem estava sendo encurralado. O loiro falava aumentando o tom e me fechando cada vez mais contra a parede
-Espere, de verdade eu não pensava que...
-Ah faça-me o favor! Vai dizer que você não percebeu que eu fiz de TUDO para chamar sua atenção? Que eu fazia questão de brigar com você porque só assim era que você não me ignorava? A culpa disso tudo é SUA! SUA! Ouviu bem? Se não fosse por você ter atravessado meu caminho eu não seria atormentado todo dia com as minhas vontades loucas! E nem ia ter que fazer isso que eu estou fazendo agora!
-Kouyou, espera aí, é muita informação! –Do que ele está falando meu Kami? Que coisa mais confusa, que moleque mais louco!
-A merda da culpa é sua! E você ainda é cego? Vou ter que explicar de novo? Ou quem sabe desenhar? –A essas alturas eu já estava quase fazendo parte da parede, mas ele não parecia muito disposto a se afastar.
-Eu não entendo...!
-Então vou fazer uma coisa melhor que desenhar! –E antes que eu pudesse protestar, seus lábios se colaram novamente aos meus.
O problema foi que dessa vez eu não resisti.
Sabe aquela coisa que todo mundo fala de que quando duas pessoas brigam muito é que na verdade elas se amam? Bem, não posso dizer amor exatamente, mas o que eu tenho certeza é que quando duas pessoas brigam como nós brigamos, as coisas ficam tão quentes que podem até explodir. Culminando em chutes e pontapés ou em beijos e abraços.
E naquele momento explodiu.
Naquele momento, quando eu agarrei seus fios loiros com toda força, puxando-o ainda mais para mim, toda a tensão que havia entre nós se libertou no formato de um desejo incontrolável. Seus lábios macios, seu cabelo cheiroso, o cheiro de sua pele, tudo, tudo nele passou a me atrair como um imã gigante e eu não pude evitar o gemido que escapou dos meus lábios quando nossas línguas finalmente se tocaram. Quando nossos lábios finalmente se largaram, ele abriu aquele sorrisinho insuportável.
-Demorou hein? –E mesmo ali pegando fogo eu tive vontade de bater nele.
-Cala a boca loiro insuportável. –Praticamente rosnei, puxando seu cabelo mais um pouco.
-Vem calar então oji-san. –Ah, agora ele pediu para morrer muito sério! Como alguém pode ser tão envolvente e tão irritante ao mesmo tempo?! E quantas vezes eu já me perguntei isso?
E digamos que eu atendi seu pedido.
Sem mais hesitar, mandando pro inferno todas as verdades que eu tinha para lhe dizer sobre ele ser idiota e tal, eu busquei seus lábios com fome. Como eles eram gostosos meu Kami! Que tentação! Puxei-o com força, invertendo nossas posições, prensando-o contra a parede, ouvindo um gemido baixo. Sem muita delicadeza desci minha boca por seu pescoço, mordendo e lambendo a pele branquinha, sorrindo largo ao ver que ele apenas me dava mais espaço.
-Ahh Yuu... –Gemeu meu nome me deixando mais excitado que eu já estava. Minhas mãos, já com vida própria, passearam por todo seu corpo até alcançarem as coxas roliças, apertando a carne macia por cima do tecido, suas pernas se enroscando no meu corpo de forma deliciosa. –Me leva pro quarto. –A voz pedinte e ainda sim autoritária fazendo minhas pernas se mexerem sozinhas.
E assim fomos até o quarto, nos agarrando pelo corredor, derrubando quadros –Nem sei quantos foram, mas pelo barulho derrubamos uns quatro- tropeçando nas coisas que estivessem no chão, a distância entre os corpos nunca aumentando mais que milímetros. Kouyou se agarrava como podia a mim, suas pernas agora rodeando meu corpo e o calor apenas aumentando.
Praticamente chutei a porta de seu quarto, jogando-o na cama macia o sorriso no rosto corado apenas aumentando enquanto por um instante eu prestava atenção na música que preenchia o ambiente.
I can’t hold back the emotion welling up in my heart.
E não podia mesmo. Parei, acima de seu corpo, meus dedos afoitos correndo para a barra de sua camiseta, arrancando-a sem delicadeza nenhuma, expondo mais da sua pele leitosa aos meus olhos. Aproveitei para arrancar o short e a boxer que ele estava usando, lambendo os lábios de tanta satisfação. Voltei a beijar-lhe o pescoço, descendo levemente, mordiscando a pele que se avermelhava com meu toque.
Me afastei levemente, apenas para apreciar a cena linda que era aquela. Kouyou vermelho e ofegante com os lábios fartos entreabertos, aquela pose de irritante favorito muito longe naquele momento. Como eu amei vê-lo daquela forma! Desci a boca, mordendo até alcançar finalmente seus mamilos rosadinhos mordiscando e rodeando-os com a minha língua, ouvindo seus gemidos aumentarem.
Quando seus mamilos já se encontravam vermelhos o suficiente desviei minha atenção dos mesmos, voltando a sua boca, iniciando mais um beijo daqueles, sentindo suas mãos em meu cabelo, me puxando cada vez mais e foi aí que meu lado vingativo despertou. Me ergui subitamente, recebendo um olhar surpreso, devolvendo com um sorriso ameno. Afrouxei a gravata que –Por incrível que pareça- eu ainda estava usando e habilmente a retirei de meu pescoço sorrindo provocante para ele em seguida.
-O que vai...
-Shh... Você vai ver e vai gostar. –Beijei sua bochecha mais uma vez erguendo seus braços até que seus pulsos estivessem juntos. Sorri de forma sádica ao vê-lo se remexer incomodado enquanto eu dava um nó na gravata, prendendo seus pulsos acima da cabeça. Ele me olhou indignado e eu apenas pude rir.
-Mas o que?! Solta esse troço! –Apenas me aproximei de sua orelha, sussurrando em seu ouvido.
-Se você não se comportar paro tudo que estou fazendo e te largo do jeito que for nessa cama. –E logo em seguida mordisquei de leve o local, fazendo-o se arrepiar. Sorri sádico, aquela sensação de poder se espalhando por todo meu corpo.
Vou te dizer que ele ficava lindo nessa posição.
-Yuu, solta o meu pulso! –Ele pediu e eu apenas sorri enquanto me levantava. –Aonde você vai? –Seu olhar desesperado me fez rir mais um pouco.
-A lugar nenhum, só resolvi fazer um showzinho para você. Assista! –E ao som da música que tocava eu comecei a rebolar, enquanto me livrava dos panos que cobriam minha pele pouco a pouco, apreciando cada pequena careta de prazer que ele fazia.
-Isso é tortura moreno! Não vale! –Ele gemeu agoniado, sacudindo as mãos em uma vã tentativa de desfazer o nó forte que eu tinha feito ali. –Me deixa tocar você!
-Você não está bonzinho... Quer que eu pare tudo e...
-NÃO! Não ouse fazer isso! –Eu não ia fazer porque não estava me agüentando de tanto desejo, mas que estava me divertindo torturando-o daquela forma, ah! Isso estava!
-Não gostei desse tom. –Fiz um bico e ele se remexeu ainda mais. –Está rude demais... Não tem como ser mais carinhoso? Esse seu jeito não é muito comportado...
-Onegai Yuu.. Não me deixe aqui assim... Olha pra mim! –E com um sorriso maroto, me livrei da minha boxer, roubando suas palavras. Pisquei levemente e me dirigi novamente para cama, me colocando por cima dele de forma que nossos corpos não se tocassem. –Oh moreno, como você está sendo mau!
-Estou me vingando de você loiro. –Disse simplesmente e roubei mais um beijo, ainda sem permitir que nossos corpos se tocassem. Larguei seus lábios já inchados corri minhas mãos mais uma vez por seu corpo, recebendo um gemido satisfeito de pura satisfação.
-Ohh Yuu! Assim! –Ele pediu e eu mordi os lábios cheinhos, segurando suas mãos amarradas acima de sua cabeça, levando minha mão direita a seu membro quente e pulsante, começando a movimentá-la lentamente sobre o pedaço de carne rijo. Kouyou gritou levemente, começando a ondular os quadris como se pedisse mais. As mãos acima da cabeça se mexendo freneticamente. –YUU! Pelo amor de Kami me deixa te tocar!
-Pede com jeitinho e quem sabe eu não atendo? –Sussurrei em seu ouvido enquanto aumentava a velocidade da minha mão. Seus gemidos se tornando cada vez mais altos e o quarto cada vez mais quente.
-Por favor Yuu... Por favor! Eu estou implorando! Me deixa...Ah! Te tocar...! –Ele falou entre gemidos, fechando os olhos por alguns segundos para depois abri-los de novo e eu decidi que ele merecia um pouquinho de diversão.
Abruptamente parei todos os movimentos e larguei o meu corpo por cima do dele, sendo respondido com um gemido de pura satisfação. Seu corpo suado grudando ao meu, aumentando ainda mais a minha vontade de tê-lo para mim. Com a delicadeza que me era permitida, subi minhas mãos até o nó e desatei-o, notando como a pele de seu pulso se avermelhara. Até me sentiria culpado se tivesse tido tempo, pois no instante em que o nó se desfez, eu pude sentir apenas as unhas curtas de Takashima arranhando minhas costas, enquanto sua boca procurava a minha.
Gemi entre o beijo com o contato de nossos corpos, a mão grande de Kouyou se embrenhando entre meu cabelo e me puxando cada vez mais, roubando cada pedacinho da minha sanidade que ainda lutava bravamente para se manter viva. Pelos deuses! Desgrudamo-nos por alguns segundos apenas para apreciar um o rosto corado do outro para logo em seguida nos beijarmos novamente e voltarmos às mordidas e beijos de sempre.
Levei meus dedos a sua boca, mostrando minhas intenções e sendo prontamente atendido. Kouyou sugou cada um deles de forma extremamente erótica e sensual, rodeando-os com sua língua até que estivessem mais do que molhados. Delicadamente, penetrei o mesmo em sua entrada, vendo o rosto bonito se contorcer de dor, esperando até que ele se acostumasse para então começar a movimentar o mesmo, notando que à medida que eu os retirava e colocava de novo Kouyou gemia mais alto. Adicionei o segundo, a expressão de incômodo retornando ao rosto do loiro não demorando muito para sumir e dar lugar ao prazer conforme os dedos entravam e saíam. Foi na hora de dar o passo final em que hesitei...
Eu não queria machucá-lo no final.
Ele provavelmente percebeu minha hesitação pois me fitou com um olhar interrogativo e eu apenas desviei o olhar e respondi a sua pergunta muda.
-Tem certeza que quer continuar? –Ele me olhou como se eu estivesse perguntando a coisa mais óbvia do mundo, mas eu não iria adiante sem ter seu consentimento.
-Você é idiota ou o que? Olhe pra mim quando falo com você Yuu... –Virou meu rosto para sua direção e sorriu levemente – Olhe a minha situação! Acha que numa altura dessas eu quero parar? –Seu tom era até indignado, mas eu o ignorei.
-Não quero te machucar... –E toda aquela pose tão característica dele sumiu, dando lugar a um sorriso realmente sincero. O loiro sorriu para mim de forma verdadeira, me puxando para mais um beijo quente e de certa forma apaixonado.
-Não vai. Agora vai fundo Yuu! –E aquelas palavras com duplo sentido apenas serviram para transformar minha hesitação em pó. Sem mais esperar, posicionei meu membro em sua entrada e me empurrei para dentro dele, seu rosto se contorcendo numa máscara de dor.
E aí veio a pior parte. O interior de Kouyou era quente e aconchegante, o que deixava minha sanidade a um ponto de ir para o espaço. Droga, ele era delicioso! E isso só tornava tudo mais difícil de controlar! Mas eu não podia simplesmente sair me mexendo! Não enquanto ele ainda estivesse com aquela careta de dor. Vi pequenas lágrimas saltando de seus olhos e por um instante cogitei sair de dentro dele, sentindo suas pernas segurarem meu corpo com força.
-N-Não se m-m-mexa! –Ele me disse da forma mais autoritária que conseguiu e eu busquei seu membro com minha mão, começando a fazer movimentos de vai e vem para que ele ficasse mais relaxado.
Bingo!
Em poucos segundos sua voz soou novamente, dessa vez mais firme.
-Mexa-se! –E eu apenas atendi a sua “ordem” e comecei a me mexer.
Em pouco tempo nós havíamos alcançado um ritmo frenético e delicioso. Minha mão continuava em seu membro enquanto as suas haviam se agarrado em minhas costas –com total certeza iam ficar as marcas de seus arranhões- e nossos corpos completamente suados estavam em total sintonia, envoltos num movimento apaixonante, quente e vibrante. Beijei-o mais uma vez, tentando arrancar-lhe o fôlego enquanto uma onde de sensações me invadia.
-Ahh Yuu! Eu vou...! –Kouyou gritou ao alcançar seu ápice, melecando a minha mão e nossas barrigas enquanto eu mesmo me sentia explodir em seu interior. Deixei meu corpo cair sobre o seu, completamente exausto, ouvindo as batidas aceleradas de seu coração, respirando ofegante por conta do delicioso ato.
Fechei meus olhos, decidido a dormir quando senti algo me cutucar.
-Ei! Nós estamos sujos! Não podemos ficar aqui! –Ouvi sua voz cansada como a minha e sorri, me agarrando a ele como alguém que se agarra a um bicho de pelúcia. –Vamos! Temos que nos limpar!
-Ah, mas ta tão bom aqui!
-Deixa de ser preguiçoso! Levanta logo! –E entre risadas eu acabei sendo jogado no chão.
E naquele clima ameno que eu nem sabia que poderia existir entre nós, caminhamos até o banheiro e nos limpamos, trocando alguns pequenos beijos. Assim que saímos do banheiro, apenas recolhemos o lençol todo sujo –Junto com as minhas roupas que haviam ficado jogadas no chão- e deixamos o dito cujo em um canto qualquer –Minhas roupas ficaram dobradinhas sobre a mesa, não se enganem- para só então nos jogarmos na cama sem nem querer saber de mais nada a não ser dormir.
E dormi assim que fechei meus olhos, inebriado pelo perfume de sua pele.
(...)
Acordei sentindo um cheiro leve de lavanda me invadir as narinas e suspirei me virando na cama. Foi aí que eu esbarrei em um corpo. Epa! Um corpo? Como assim! Se eu moro sozi... Oh não! Oh não! Não me diga que aquilo tudo aconteceu mesmo!? Ai meu Kami!
Me ergui na cama rapidamente temendo por um instante acordá-lo, mas Kouyou apenas se mexeu preguiçosamente. Eu não acredito que nós tínhamos mesmo feito aquilo! Olhei para seu corpo, notando as marcas vermelhas e as roxas que se espalhavam pelo mesmo, lembrando de como eu havia feito cada uma. Peguei delicadamente seus pulsos vendo aquela vermelhidão e não pude evitar mais um gemido agoniado ao me lembrar de minhas palavras, as coisas que eu tinha dito...! Céus! Sacudi a cama mais um pouco e ele pareceu finalmente acordar.
-Ei, o que foi? Volte pra cá! Está cedo ainda! –Falou mal-humorado e eu apenas o fitei com espanto. Como ele podia ficar tranqüilo diante daquilo tudo?!
-Você é maluco ou o que? Como eu posso voltar? Você... Eu... N-Nós! Nós fizemos realmente! Ai meu Kami! –Falei alto e ele se ergueu, as feições sonolentas se tornando lentamente irritadiças
-O que você está dizendo seu moreno idiota? –Seus olhos se estreitaram e eu recuei instintivamente. –Responda! Vamos!
-Olhe o que nós fizemos! Nós... Nós...!
-Transamos e daí? –Sua simplicidade me assustava, sério.
-Como assim “e daí”? Não fizemos qualquer coisa! Nós dormimos juntos! Isso é... Isso é!
-O que foi? Agora via ficar com remorso? –Debochou e depois continuou. –Que eu me lembre você estava gostando bastante ontem! –Seu tom aumentou um pouco mais.
-Droga, você me seduziu! Você e esse seu jeito aí! É tudo culpa sua! –Me levantei catando as minhas roupas já roxo de vergonha –Eu vou para minha casa!
-Ah! Eu te seduzi? Ó como você é novinho e inocente! Caiu nas garras do incubus loiro que mora do seu lado! Coitadinho! –Viu o que eu disse sobre nós não conseguirmos manter uma conversa? –Você não me parecia nem um pouco seduzido ontem! Não enquanto entrava e saía de mim!
-Cale essa boca! Quer que os outros escutem? A culpa é sua sim! Se você não tivesse feito tudo aquilo eu... Eu...
-Falando assim até parece que eu te amarrei e te obriguei a fazer tudo que fez! –A essa altura ele já estava completamente alterado e gritando alto. –Sendo que na verdade quem foi praticamente arrombado fui eu! –Ele tentou se levantar, mas parou por um segundo por conta da dor, corando no processo. –Sai daqui Shiroyama! Sai daqui e não volta nunca mais! –E com uma força que eu não sabia que ele tinha agarrou meu pulso e praticamente me jogou para fora de sua casa, apenas de cuecas –E faça bom proveito de sua casa!
E dito isso bateu a porta na minha cara.
É, eu de cuecas em pleno corredor... Fiquei batendo em sua porta por alguns minutos gritando por minhas roupas até ouvir um gemido assustado que vinha de trás de mim. Por favor Kami que não seja a velhinha! Sabe qual era o problema? Era exatamente ela que me olhava assustada com os olhos já do tamanho de pires. Todos sabem o que acontece agora não é? Fui enfiado dentro de casa a bolsadas.
E doeu pra caramba diga-se de passagem.
Para uma velhinha ela até que tem muita força viu! Me joguei no sofá ainda de cuecas fitando o teto e repassando todos os acontecimentos da últimas horas. Foi aí que a ficha caiu. Como eu havia sido idiota! Eu simplesmente havia surtado e por quê? Não tinha um maldito motivo! Droga Yuu, seu grande idiota! Eu mereci sim todas as bolsadas que levei! Porque eu não podia ter tido uma atitude normal de acordar e sorrir para ele? Que droga! Agora mesmo que ele não ia querer olhar na minha cara!
(...)
Dito e feito, hoje completavam três semanas onde ele nem sequer olhava na minha cara. Falo sério, Takashima ignorava totalmente a minha presença fosse aonde fosse! Não me cumprimentava, não me esbarrava e nem me olhava e sabe qual o efeito que isso estava provocando em mim? Eu estava enlouquecendo! Sim porque, depois daquele noite não teve um dia que eu não sonhasse com aquele maldito corpo esguio e com aquela pele sedosa! Não houve uma noite em que eu não acordasse precisando de um banho frio! Era o efeito Kouyou Takashima me levando ao inferno!
Não me esqueço da vez que lhe interfonei e ele me respondeu completamente azedo:
-Não, não posso falar com você. Eu sou um ninfomaníaco que seqüestra homens mais velhos que eu para torturá-los até que eles transem comigo. Fique longe, é melhor para você! –E depois desligou na minha cara me deixando sem saber o que fazer.
Estava difícil viu! Eu sei que tinha feito a maior cagada, mas eu realmente merecia ser castigado assim? Eu já havia tentado tudo que conseguia me lembrar! Não conseguia simplesmente pensar em mais nada! Maldito loiro com jeito de gato! Gato... Gatos! É isso!
Sem mais esperar passei a mãos nas chaves do carro e corri para o petshop mais próximo que havia dali. Entrando no lugar fui direto à sessão de gatos e quase de imediato me apaixonei por um pequenino que me olhou com seus olhos dourados, sabendo que era aquele. Falei com a mocinha do caixa e ela me perguntou uma série de coisas que eu respondi com prazer, já com o gatinho miando entre meus braços. Amarrei um lindo laço azul em seu pescoço e sorri fazendo um carinho delicado em sua cabeça.
Kouyou não poderia resistir à tamanha fofura.
Tão rápido quanto havia ido voltei e deixei apenas um pequeno cartão com a criatura de pelo cinza que me olhava com extrema curiosidade. Toquei a campainha de seu apartamento e deixei o gatinho em sua porta, correndo para dentro do meu próprio como uma criança travessa faria. Vamos loirinho, derreta! Das duas uma, ou ele gostava do gato e ficava com ele –Me perdoando por ter sido idiota no processo- ou ele odiava a criaturinha e eu cuidava do pequeno.
Não demorou muito eu ouvi a campainha da minha própria casa tocando. Respirei fundo me preparando para um sorriso ameno ou para mais gritos. Abri a porta lentamente, quase me esquecendo de como respirar ao vê-lo. Ele estava simplesmente lindo! Com seus óculos de armação negra e uma roupa social não muito arrumada. Dei espaço e ele apenas entrou em meu apartamento com o bichano nos braços, se dirigindo para o sofá e deixando o gatinho ali, delicadamente. Fechei os olhos quando ele voltou a andar em minha direção.
É, não tinha dado certo. Agora ele ia gritar e...
-Eu te perdôo Yuu Shiroyama. –E dito isso me puxou para um beijo de tirar o fôlego. Quando os lábios finalmente se largaram eu abri meus olhos me deparando com seu sorriso feliz e leve e acabei sorrindo também, o peso antes no meu peito sumindo milagrosamente. –Seu moreno idiota!
-Como eu senti falta disso! Como eu senti falta das suas patadas, loiro insuportável! –E ambos rimos dos nossos “xingamentos” para logo depois nos enroscarmos um no outro.
Nem preciso dizer aonde terminou não é?
(...)
Lembra o que eu tinha dito sobre Kouyou ser um gato? Eu cheguei a conclusão de que aquilo estava 100% certo, inclusive a parte de “Te conquistam de tanto te procurar” e eu continuava sendo o cachorro bobão da história. Talvez fosse por isso que nós dois brigássemos tanto, porque apesar de nos “darmos bem” no final em nossas essências éramos cão e gato e está na ordem natural desses dois animais brigarem. Apesar de que depois de todos os incidentes, as coisas tinham mudado um pouco de figura, a começar pelo gatinho a quem ele havia dado do nome de Uruha.
Uruha era uma gracinha e uma peste ao mesmo tempo. Era um gato lindo, mas como todo gato era abusado — Bota abusado nisso! Ele chegava a se meter entre mim e Takashima apenas pelo prazer de perturbar alguém!- , esnobe, curioso e bipolar. É, isso aí! Tinha dias em que ele me amava e vinha se enroscar nas minhas pernas e outros em que minhas simples presença já fazia com que ele mostrasse suas garras. Exatamente igual ao dono huh? Olha o vespeiro em que eu resolvi me meter!
As coisas entre eu e Kouyou estavam um pouco melhores... Quer dizer, nós ainda tínhamos as nossas brigas, mas ao invés de terminarmos rolando entre socos e golpes, elas sempre acabavam conosco rolando entre beijos e gemidos. Ele ainda continuava irritante e eu ainda continuava vingativo da mesma forma que era, mas havia agora um algo a mais que nos unia e que impedia um de matar o outro. Sentimentos são loucos não? Como ter um laço tão forte com alguém que se odeia? Ainda conseguia me lembrar de como o meu coração bateu quando ele disse aquelas palavrinhas que todos querem ouvir.
-Yuu... –Me chamou manhoso, os olhos já fechados, nós dois sendo tragados pelo cansaço do ato.
-Diga loiro.
-Acho que te amo. –E aquilo fez o meu coração pular dentro do peito, enquanto uma resposta nascia em minha boca.
-Sabe de uma coisa Kou? –Ele me fitou com os olhos parcamente abertos. –Eu também. Apesar de te odiar. –E nós rimos como duas crianças idiotas fazem, adormecendo pouco tempo depois, um grudado no outro.
E sim, eu o odeio com todas as minhas forças! Odeio sua pele perfeita que sempre deixava meus dedos formigando de vontade de tocá-la, odeio seu olhar carinhoso que me faz derreter, odeio seus carinhos que me botam para dormir, odeio sua boca que me tenta o tempo todo e o odeio por completo só pelo fato dele ser como um grande pote de ouro no final do arco-íris. O odeio porque ele faz com que eu o ame sem nem fazer esforço. E o odeio porque ele tem um poder quase sobrenatural sobre mim... É, eu sou mesmo um cachorro bobão.
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E talvez fosse isso que tornasse tudo mais especial. Talvez fosse toda essa antítese na qual nosso amor era baseado que o tornava mais e mais intenso, tão forte ao ponto de doer.
-Droga loiro, como eu posso te amar tanto assim? –Falei baixinho apreciando seus olhinhos fechados.
-O que você disse? –Ah então esse safado não estava dormindo no final das contas? Droga!
-Nada loiro, só disse o de sempre... Eu te odeio loiro. –Beijei-lhe a testa e ele se ajeitou sobre o meu corpo
-Também te odeio moreno. Tanto tanto que chega a doer. –Sorri diante de sua afirmação, fechando meus olhos e sendo tragado para a terra dos sonhos.
E qualquer um que nos olhasse de longe ia nos achar malucos por vivermos trocando “Te odeio”s ou ia achar que nós realmente nos odiávamos, mas isso era só um pequeno detalhe. O mundo era um pequeno detalhe perto do nosso amor –Ódio, eu falei ódio viu?-. Tudo ficava muito distante quando entravamos nas nossas briguinhas de cão e gato que acabavam na cama –E em outros lugares também- em meio a sentimentos que nós dois não conseguíamos segurar de tão grandes. E pensar que tudo isso nasceu do som de coisas caindo... E agora a maior do que tudo que eu já senti antes.
Ah loiro! Como eu detesto o tamanho disso!E como ao mesmo tempo eu amo tudo isso!Droga Kouyou! Percebe o que fez comigo? A forma como conseguiu me colocar em suas mãos? E o que eu posso fazer? O que eu posso fazer além de odiar o tanto que preciso de você? Nada, e é isso é o pior! Estou atado, preso na coleira como um cachorrinho. Preso ironicamente por um gato.
Preso por um elo inquebrável que por mais que eu tente jamais vai se quebrar.
Tendo como única coisa a fazer apenas dizer o quanto odeio te amar!
Notas finais
Sei que o lemon não ficou lá essas coisas, mas eu tentei ;-;
Espero também que vocês tenham gostado. :D
De qualquer forma, feliz natal pra todo mundo ! :3
Beijos ;*
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