Castlecalibur ou Soulvania (reeditado)

10 PARTE 10: o confronto final! + epílogo


Rafael tentava dormir, mas pressentia que algo estranho estava acontecendo em Castlevania. Primeiro Siegfried voltara a agir como Nightmare depois de alguns anos sem ter nenhuma recaída. Depois aquele vampiro estranho que aparecera com a Soul Calibur. Depois Mathias estava agindo tão estranhamente... Ouviu um uivo profano e ficou com medo de dormir sozinho. Correu para o quarto de Amy.

— Amy!! Você já dormiu? – perguntou ele, entrando no quarto da menina.

— Já... – respondeu ela que, cansada da rave, dormia com a roupa de festa e tudo.

— Você ouviu esse uivo horripilante?

— Não...

— Papai vai ficar aqui para te proteger! Não precisa ficar com medinho... deve ter sido só um cachorro guaipeca faminto por aí...

— Anhé...

O uivo novamente ressoou pela noite, mais maligno que da primeira vez. Rafael entrou para debaixo das cobertas, escondeu a cabeça e começou a tremer.

— Ah, qualé, velho, você escolheu o quarto da Barbie porque quis, esse quarto maneiro é o meu quarto, tá ligado?

— É, mas papai veio aqui pra proteger a filhinha que não consegue dormir! – justificou Rafael, feliz. – Vou contar uma história pra você dormir.

— Ah, não! De novo?!

— Era uma vez um belo príncipe chamado Rafael! – Amy tapou a cabeça com o travesseiro no intuito de dormir. Rafael seguiu contando sua história de ninar favorita sobre o príncipe Rafael. – Ele vivia em um lindo palacete na França e era o melhor espadachim que o mundo já ouvira falar!

Depois de meia hora de lenga-lenga, Amy colocou alguns travesseiros para fazer volume na cama e saiu de fininho, deixando Rafael contando sua linda história para as paredes. Saiu caminhando pelos corredores, insone. Caminhando pelos corredores e observando os quadros nas paredes, a menina não percebeu por onde ia e bateu-se com uma pessoa que ela já conhecia de outros jogos.

— Ah, me desculpe Amy, eu estava distraído. – justificou Siegfried.

— Não consegue dormir? – perguntou a menina.

— Não. Tive um sonho ruim com o Azure Knight.

— Não diga...

— E você? Também teve um pesadelo?

— Não, mas se continuasse no meu quarto ia ter um pesadelo com o príncipe Rafael...

— Ah, não é aquele príncipe francês que morava num palacete e era o melhor espadachim que o mundo já conheceu? – perguntou Siegfried, empolgado.

— Esse mesmo... – respondeu Amy, sem emoção.

— O Rafa me contou essa história quando eu era criança! Desde então meu sonho era conhecer o príncipe Rafael e me tornar tão bom espadachim quanto ele!!!

Pausa dramática.

— O meu pai inventou essa história, Siegfried. – dedurou Amy.

— Ah!! Quer dizer que o príncipe Rafael não existe?!! – surpreendeu-se Siegfried, que havia crescido inspirado por essa fantástica lenda que só ele e Amy conheciam. – Droga. Agora você vai dizer que Papai Noel também não existe...

— Não. Era o meu pai disfarçado...

— Por isso que eu nunca ganhava o que pedia sob o pretexto de não ter sido um bom menino... – deduziu Siegfried, sabiamente.

— Bom... mas já que estamos acordados, vamos dar uma volta pelo castelo.

— Tá bom. Eu tô com medo de voltar a dormir, mesmo... tem um lobo uivando enlouquecido nas proximidades do castelo.

Amy e Siegfried se puseram a caminhar pelos sombrios corredores de Castlevania, quando sem querer pararam em frente ao laboratório de Mathias, que estava com a porta aberta porque Walter nunca a fechava depois de entrar. Os dois discutiam. Ambos decidiram ficar ouvindo a conversa, porque adoravam fofoca e assuntos alheios.

— Onde você estava com a cabeça quando escreveu essa merda para o Leon? – gritou Walter. – Você sabe o que ele vai fazer quando descobrir que você é o Drácula?!

— Mas ele não entendeu, ele achou que estava escrito Dr. Ácula, e agora acha que eu sou médico! – tentou explicar Mathias.

— Mesmo assim! Ele viu sua mordida no pescoço, ele viu você com a taça de sangue na mão, ele já percebeu que você não sai mais de dia e passa a noite acordado, e já deve ter percebido que seus caninos estão mais afiados! Logo ele vai deduzir que Dr. Ácula é, na verdade, Drácula!

Amy e Siegfried espantaram-se com tal revelação. Então seu anfitrião era, na verdade, o famoso Lorde Drácula, que assombrava o povoado de Valáquia?

— Pelo olho solitário de Odin! – exclamou Siegfried. – Temos que contar isso ao Leon! – disse ele a Amy.

— Que metido que você é, Sieg! Deixe que os dois se acertem... – comentou Amy.

— Mas se ele vai atrás do Drácula, nada mais justo que ele saiba sua verdadeira identidade, ainda mais sendo ele seu melhor amigo! – justificou o alemão.

— Tem razão... me convenceu. Vamos contar ao Leon.

Nesse momento Walter se virou e viu os dois intrusos na porta.

— Vocês dois!! O que estão fazendo aí?! – perguntou.

— Nada... só tomando um ar... – mentiu Siegfried mentirosamente.

— O que vocês ouviram da conversa? – quis saber Walter.

— Nada de mais! Só algo sobre o Mathias ser o Lorde Drácula... – respondeu Siegfried.

— É, mas a gente não ia contar para o Leon! – mentiu Amy.

— E não vão poder mesmo, estando mortos! – e Walter avançou em direção aos dois.

— Walter, não! – e Mathias tentou impedir o colega, mas Walter já havia se transformado em um enorme morcego.

— AAHH! Siegfried!! Cadê a sua Soul Calibur?

— Não sei!! Pegaram ela essa noite!

— Ela está comigo, germânico mortal! – respondeu Walter, mostrando a espada sagrada.

— Devolva! Eu custei mais de quadro edições do jogo pra conseguir pegar essa espada, você não pode tomá-la de mim assim!

— Posso e vou matar os dois com ela!

Walter perseguiu o casal até o saguão, onde derrubou Amy.

— Vai morrer, pirralha! – disse, levantando a espada em direção à Amy.

A menina deu um grito estridente agudo e fechou os olhos, pressentindo que esses seriam seus últimos instantes. Contudo, ouviu um barulho de chicote estalando no ar e a lâmina não encostou em sua alva pele. Abriu os olhos e viu que Leon estava em pé entre ela e o vampiro que voava.

— Para trás, besta do apocalipse! Eu sabia, Wiltom, que você era um vampiro! Na verdade eu suspeitava isso desde o momento em que o vi sugando o sangue de um transeunte no centro de Valáquia e depois se metamorfoseando em um grande morcego e voltando para o castelo! E agora isso só comprova minha suspeita! Você é o cúmplice do Drácula, Wilmar Bernhuppert!

— É uma pena que você não vai viver para contar isso pra ninguém! Eu vou matar os três!!! – e Walter deu um golpe no chão com a Soul Calibur fazendo com que Amy e Leon voassem contra a parede e caíssem inconsciente. – Venci.

— Não cante vitória ante da hora, enquanto ainda tiver um homem em pé! – bradou Siegfried, juntando chicote mágico de Leon. – Eu não vou falhar, nem que tenha que sacrificar a minha vida! Chega de pesadelos! Nunca mais eu vou me curvar para as vontades dos outros! Minha vida não é para você tirá-la! – gritou ele, na mesma entonação que usava no vídeo-game [essas são as falas do personagem no jogo].

— Quanta frase decorada! Nem para mudar de uma edição para a outra... – comentou Walter, empunhando a Soul Calibur novamente. – Adeus, Herr Kartoffeln! – e ele desceu a espada com força. [Kartoffeln = batatas].

— É Schtauffen!!! – corrigiu o alemão, atacando Walter com o chicote de Leon de forma heróica e épica, em slow motion. Mas errou e acabou acertando a própria testa e caindo desmaiado.

— Que gente mais burra...

— Agora somos só nós dois... Walter! – falou uma voz firme, vindo do andar superior.

— Mathias? Você vai ter a capacidade de me enfrentar?

— Sim. Você arruinou com a minha vida, Walter!!! – e Mathias se colocou em frente ao vampiro que flutuava. – Matou meu melhor amigo, matou dois dos meus hóspedes...

— E agora que eu tenho a Soul Calibur e a Pedra Filosofal... também posso matar você, Mathias Cronqvist!

— Pois tente! – Mathias elevou-se no ar e empunhou a Soul Edge que ele conseguiu sabe-se lá onde.

— IÁÁÁÁ!! – gritou Walter, indo de encontro com Mathias.

— IÁÁÁÁ!! – gritou Mathias, indo de encontro com Walter.

Mas o lustre do teto caiu em cima de Walter e ele morreu.

— O quê? Mas como o lustre foi cair, a cordinha tava emperrada... – comentou Mathias para si mesmo.

— Ops... foi sem querer... – comentou Jean-Eugène. – Me desculpe, monsieur Cronqvist... eu estava com insônia e resolvi limpar o teto e, para isso, tive que me segurar no lustre. Mas ele ficou pesado demais e acabou desabando... sorte que consegui me segurar na escada a tempo. – e o velho apontou para a escada próxima ao local onde o lustre estava pendurado.

— Mas... o que você usou para limpar o luste?

— Uma aguinha da boa que o meu amigo Rinaldo Gandolfi me emprestou. Eu fui até a lojinha de conveniências dele comprar lustra-móveis e lembrei que fomos colegas na aula de capoeira há muitos e muitos anos atrás, em nossa juventude esquecida.

— Então você e o velho Gandolfi já se conheciam...? – intrigou-se Mathias, pegando a garrafinha das mãos do velho Jean-Eugène. – Argh, que nojo, isso é água-benta!!! – e ele devolveu a garrafinha.

— Lustra que é uma beleza! – justificou Jean-Eugène, mostrando o lustre brilhando novinho em folha.

— Por isso que o Walter morreu... não agüentou o cheiro de água benta.

— O quê? Que tragédia aconteceu nesse saguão enquanto eu limpava o lustre?! – surpreendeu-se o velho. – Ó, não! A pequena mademoiselle Amy!! Ela morreu? Essa não! Se ela morrer, o monsieur Rafael tem um siricutico nervoso, um ataque, um peripaque, um chilique, um treco, um troço, um...

— Já entendi! Peraí que eu resolvo...

Mathias se aproximou de Amy, Siegfried e Leon, que jaziam meio mortos num canto do saguão, e encostou a mão em suas frontes. Os três recobraram a consciência.

— Nossa! Então você é médico mesmo, como o monsieur Belmont havia dito antes.

— Não é bem isso... – comentou Mathias, levantando Leon que recobrava a consciência. – Eu... não sou médico. Eu sou o... Conde Drácula.

— O quê?! – falou Leon em um fio de voz.

Jean-Eugène saiu do saguão de fininho, seguido por Siegfried, que pegou a Soul Calibur e se mandou, e Amy, que pegou a Soul Edge e se mandou também. “Vou vender no E-Bay”, pensou ela, levando a espada para o seu quarto.

— Você... é o...

— Sim. Desculpe-me não ter contado antes, querido amigo... eu tentei, eu juro que tentei, mas tive medo de perder sua amizade.

— Então... você...

— Pode me odiar... pode até me matar com o seu chicote mágico. Sem a sua amizade eu não tenho mais interesse nenhum em viver, ainda mais uma vida imortal longa e sofrida.

— Você é o... Drácula...

— Acabe logo com isso, Leon! Não agüento mais essa agonia...

— Então você... é o conde...

— Pare de repetir isso!!! – e Mathias alcançou o chicote para Leon.

— VOCÊ É O CONDE DRÁCULA!!!

— Eu sei...

— CARA, ME DÁ UM AUTÓGRAFO?!!

— O quê?!

— AAHH!! Eu sou amigo do Conde Drácula!!! O verdadeiro Conde Drácula!!! Vou ganhar milhões de seguidores no Twitter!

— Pelo vitruviano de da Vinci, o homem enlouqueceu!

— Mathias, por isso você escondeu o seu segredo!! Tinha medo dos paparazzi e de enfrentar a fama!! Mas não se preocupe, se você quiser, eu viro o seu empresário!

— Não fale besteiras, Leon! Isso é um assunto sério!

— Você será o Conde Drácula e eu posso usar o pseudônimo de... Van Helsing, o que você acha?

— Péssimo.

— Podemos até fingir que somos inimigos mortais, e que eu sou um caça-vampiros, vai dar muita publicidade! Vamos ficar ricos e famosos! E vão fazer jogos temáticos com a gente!

— Já tem jogos temáticos com a gente...

— Posso virar imortal também?

— Pode... o Walter morreu e não vai mais poder usar a Pedra Filosofal, mesmo.

— Cara,você é um gênio! Tenho muito orgulho de ser seu amigo!! – comentou Leon, subindo as escadas com seu amigo imortal Mathias.

E todos viveram felizes para sempre! Fim!

EPÍLOGO:

Amy voltou para o seu quarto, abriu a porta devagar para não acordar seu pai que provavelmente estava dormindo. Mas ela se enganara. Ele ainda estava contando a história do príncipe Rafael para as paredes sem se dar conta de que ela estivera fora do quarto todo esse tempo.

A menina voltou de fininho para a cama e entrou debaixo das cobertas no lugar onde antes estiveram os travesseiros.

— ...e o belo príncipe foi nomeado rei e virou o melhor rei que o mundo já conheceu! Fim! – terminou Rafael, com lágrimas nos olhos.

— Lindo, pai, agora volte para o quarto da Barbie e me deixe dormir e ter lindos sonhos com o príncipe Rafael...

— Já passou o medinho? Vai dormir mais tranqüila agora? – perguntou ele, cobrindo-a com o edredom.

— Muito.

— Então boa noite, florzinha!

E Rafael apagou a luz e foi para o seu quarto do outro lado do corredor.

— Fiz bem em escolher o quarto perto do dela... assim posso protegê-la de todo mal! – pensou consigo, entrando no quarto.

Foi quando notou que Siegfried estava deitado em sua cama, com um pijama do Ben10 e um ursinho de pelúcia com uma touquinha de dormir.

— Sieg? O que tá fazendo aqui?

— Na verdade eu fiquei com medo de dormir sozinho... começou a trovejar e tinha um lobo uivando...

— Tá, você pode dormir comigo essa noite. – permitiu Rafael, ajeitando-se nas cobertas.

— Rafa?

— Quê?

— Posso pedir mais uma coisinha?

— Pode.

— Conta a história do príncipe Rafael?

— Claro! Eu adoro essa história! Era uma vez um belo e nobre príncipe chamado Rafael! Ele vivia em um palacete na França...

E a história acalentou o coração do nosso herói até que ambos caíssem no sono e todos os atuais moradores de Castlevania vivessem felizes para sempre com a espada mágica Soul Calibur. Ah, a Soul Edge foi vendida no Ebay pela Amy e um tal de Algol a comprou.

FIM

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!