Castle
35 XXXV - Você não é real
Notas iniciais
Quem teme ser vencido tem a certeza da derrota. — Napoleão Bonaparte
Natasha
Não larguei a mão de Steve nenhum segundo dentro daquela caverna e fomos andando juntos naquele breu que me dava calafrios. Era um corredor sujo e irregular como de uma mina, parecia ter levado décadas para ser construído porque com toda certeza tinha quilômetros e mais quilômetros intermináveis.
— Quais flores você quer no nosso casamento? — perguntei, do nada e Steve sorriu.
— A rainha decide essas coisas.
— Eu não gosto de flores e não sei o nome de nenhuma, por mim podemos substituir as flores por espadas.
— Okay, não é uma boa ideia. Eu gosto de Orquídeas.
— Tudo bem, orquídeas.
Vi que Steve mordeu o lábio, suspirando nervosamente. Era o sinal de que ele estava tentando pensar em como dizer algo, eu conheço ele.
— Quer me falar alguma coisa, Rogers? — perguntei ironicamente.
— Na verdade, sim. — ele surpirou, sem parar de andar. — Estamos num lugar assustador e pode ser o ambiente perfeito para enfrentarmos nossos demônios internos. Vamos nos casar, eu pensei nisso por muito tempo. Acho que vai ser melhor para nós dois se nos conhecermos melhor.
— Nos conhecemos desde crianças.
— Não somos mais aquelas crianças que se conheciam. Eu não sei nada sobre você depois que saiu da minha vida.
Olhei para o chão, suspirando.
— O que você quer saber?
— O que você quiser me contar. Eu começo, então. — ele respirou fundo antes de começar. — Você deve saber que tive uma namorada anos atrás.
Assenti. Nunca soube o desfecho daquilo.
— Peggy Carter era maravilhosa e eu amei-a tanto. Meu pai adorava ela, todo mundo adorava ela. Mas ela morreu.
Olhei para ele, parando bruscamente. Ele parou também, desviando o olhar do meu.
— Varíola. — explicou.
— Eu não sabia. — disse, voltando com o ritmo rápido que estávamos antes.
— Os Carter abafaram o caso, nem todo mundo sabe. Quando ela morreu... eu achei que ia junto. Já tinha perdido minha mãe... E foi um baque. Mas foi a muito tempo.
Não disse nada, engolindo em seco.
— Eu me culpo pela morte do Pietro. Todo dia. — murmurei. — Eu devia ter chegado a tempo. Mas fui fraca.
— É um fardo grande demais para alguém carregar. — ele falou. — Desde que nasci eu me sinto arrebatadoramente sozinho e isso me assusta. Não tenho irmãos, nem pais. O topo é um lugar solitário.
Suspirei.
— O Bevvan ser desse jeito é culpa minha. — fiz uma pausa, respirando fundo. — Papai eu sempre fazia de tudo para ser melhor que ele, o papai o humilhava e eu deixava. Até que um dia... ele parou de ser meu irmão e se tornou ruim.
— Não pode se sentir culpada pelas ações de outra pessoa. — dei de ombros. — Eu matei minha mãe.
Mordi os lábios com força, sentindo meu coração apertar.
— Meu parto foi difícil, ela quase se foi. Mas conseguiu viver, mas sempre fraca e incapaz de ter outros filhos. Por minha causa. E quando ela pegou uma simples gripe, a febre a matou. Por que eu a deixei fraca.
— Tenho certeza que sua mãe se sentiu mais forte com você do que em qualquer outro momento da vida dela.
Ficamos em silêncio. Eu só tinha mais uma coisa para dizer, mas simplesmente não conseguia. Não saia. Meus olhos se encheram de lágrimas.
— Você consegue. — olhei para ele. Okay.
— Quando eu era uma criança, meu pai me levou até as Viuvas Negras. Fui torturada, estuprada, me ensinaram a matar, mentir e derrubar reinos inteiros. — parei, olhdo-o com os olhos cheios de lágrimas. — Depois eu voltei lá e matei todos eles.
Steve tentou ficar impassível mas eu vi seu olhar se destruir. Pena.
— Era o que queria ouvir? — sem eu me dar conta uma lágrima escorreu. Me virei, continuando meu caminho. Não ouvi ele me seguindo. Parei, olhando para atrás.
Ele não estava lá.
Eu estava sozinha.
— Steve? — murmurei, em choque. Meu Deus.— Steve?!
O quilométrico corredor escuro estava vazio, com a tocha que Steve segurava no chão. Todo o desespero do mundo se alojou em meu coração.
— Steve?! Cadê você?! — gritei, sentindo as lágrimas de terror escorrerem. Peguei a tocha e comecei a correr, gritando seu nome. Merda, merda, onde ele estava?!
Parei bruscamente quando ouvi passos.
Saltos altos batendo no chão. Engoli em seco, apertando a tocha mais forte e lentamente me virei para trás. Ela estava lá.
— Depois de tantos anos, ainda é uma chorona.

— O que você fez com ele?! — gritei para a mulher loira de olhos azuis sorrindo para mim.
— Eu? Nada. Foi você mesma. Acha que ele ainda vai te amar depois de saber o que você fez?
— Para. — pedi, balançando a cabeça. — Você não é real.
— E esse amor é? — ela sorriu. — Amor é coisa de criança. Viúvas Negras não amam, Natália.
— Para! — gritei.

Dei meia volta, segurando as lágrimas e ela estava lá, parada a milímetros de mim. Fechei os olhos, soluçando bem na cara dela, aquele sorriso irônico. Mesmo quando eu a matei ela sorria.
Gritei, tapando os olhos com a mão.
— Sai daqui!
— Não me viu chegando?
Abri os olhos e restava no pátio cheio de neve de Romanoff. Pietro vai morrer. Eu tenho que impedir. O grito de Wanda cortou os ares pelo que pareceram horas. E eu corria. Corria com toda força sem sair do lugar. Corria, mas a distância aumentava. Chorava como uma criança, e ele morreu. O chão embaixo de mim se estilhaçou como vidro, e cai com força no chão.

Levantei a cabeça, chorando e com dor, estava de volta a caverna.
— Chilique não resolve nada, garota. — abri os olhos, vendo ele.
— Você também não é real.
— Você é? — meu pai debochou, cruzando os braços. — Eu estou orgulhoso.
— Do que? — perguntei, me afastando dele lentamente, o que o fez se aproximar gradativamente.
— Você se tornou igual a mim.

— Não sou! — gritei.
— Você seduziu Steve Rogers, tirou o reino dele, matou Tthomas quando ele se rebelou contra você, levou a filha de Wanda para os braços das Viúvas Negras e queimou Roger e Stark. Você é igual a mim.
— Eu não fiz isso. — disse, fechando os olhos. — Sai daqui. Eu quero ele de volta.
— Ele não vai voltar.
— Vai sim!
— É questão de tempo até isso acontecer. — ele apontou para o chão atrás de si, lentamente saindo da frente e revelou Steve. Deitado no chão com uma faca na lateral do pescoço, engasgando com o sangue que formava ao seu redor.
— Steve! — gritei, desabando ao lado de seu corpo. Seus olhos azuis estavam assustados, cheios de lágrimas.
— Por... que? — murmurou.
— O que? — perguntei meio aos soluços.
— Por que... você... fez isso... comigo?
Fechei os olhos, chorando alto e desesperadamente.

Steve morreu em meus braços. Sua pele ficou pálida, boca roxa e os olhos olhavam para mim. Chorei agardada a sua mão.
— Eu não fiz isso.
— Fez. — ele repondeu, ainda me puxando.
— Não. — neguei.
Steve se sentou, mesmo morto. Sem dificuldade levantou, me oferecendo sua mão. Aceitei, sendo levantada por sua mão gelada. Quando olhei para o seu rosto, ele não tinha mais olhos.
Antes que eu pudesse gritar sua mão apertou minha garganta. Arregalei os olhos, sem ar e ele me prensou contra a parede com força. A batida na minha cabeça foi forte, mas me acordou do transe. Meu pai sumiu, A Mulher também.
Steve me enforcava com todo ódio, mas não morto, vivo.
(...)
Steve
O grito fino de Natasha ecoou por todo o gigantesco túnel.
— Natasha! — gritei, completamente desorientado. Meu coração batia com uma rapidez perigosa, reflexo do medo instalado em meu coração. — Merda, NATASHA!
Corri, com a tocha em minhas mãos. Ela havia simplesmente sumido. Minhas mãos tremiam de terror, eu estava completamente perdido e tonto, como se algo terrível fosse acontecer.
— Não, não, não, meu Deus. Por favor. — murmurei, dando voltas no mesmo lugar. Dei de cara com um cadáver em pé a centímetros de mim, sem expressão. Gritei caindo para trás num solavanco.
Não era um cadáver qualquer. Esse usava coroa e um uniforme militar com diversas medalhas. Esse era meu pai.
— Eu sempre soube que você iria falhar. — ele disse, me olhando. Sua carne apodrecida tinha um cheiro horrendo, ele estava coberto de terra e vermes da terra.
— Pai. — murmurei, sem me levantar no chão. Eu tremia descontroladamente, com o medo enraizado em mim.
— Você devia ter morrido naquela noite.
— Que noite? — perguntei, atônito e apavorado, meus olhos estavam cheios de lágrimas congeladas e minhas mãos não paravam de tremer nenhum segundo.
— Você é só um garoto assustado e fraco. Tony Stark vai vencer a guerra e te matar da forma mais patética.
— Não. — neguei com a cabeça, sentindo as lágrimas escorrendo.

— Todos eles vão pagar pelos seus fracassos. Bucky. Sam. Hill. Wanda. Thor. Loki. — ele sorriu. — Natasha.
— Não fale dela. — disse, enchugando uma lágrima. Manti meus olhos em seus pés, enjoado.
— Ela vai pagar por ter ficado de um lado de um rei fraco. Você é uma vergonha para ela.
— Pai, por favor. Cadê ela?
— Um rei não implora! — ele gritou, me fazendo tremer absurdamente.
— Eu nunca te quis. — a voz da minha mãe ecoou no túnel. Levantei a cabeça rápido. Ela estava lá. Morta. Com suas jóias de diamante no pescoço podre e o vestido coberto de larvas.
— Mãe, desculpa. Desculpe. Por favor.
— Você me matou! — ela gritou. — Eu sangrei por vinte e quatro horas pra você nascer e me decepcionar desse jeito! Todos nós morremos por sua culpa. Seu povo morreu. Natasha morreu.
— Para. — fechei os olhos com as mãos.
— Você me deixou morrer. — Peggy. Não. Não vou suportar olhar para ela. Fechei os olhos com força, me apagando a última imagem que tenho dela saudável.

— Por que não fez nada, Steve? Você já me trocou? Me esqueceu? Me deixou morrer?!
— Você não é real. — eles continuaram me dizendo coisas. Continuaram me mandando olhar e não olhei. Apenas me levantei, gritando, e me joguei contra eles, gritando. Derrubei alguém sem forma, que caiu com força no chão. Agarrei seu pescoço, erguendo-a com facilidade. Quebrar seu pescoço seria fácil.
Natasha
Meu noivo está me enforcando.
— Ste... ve...
— CADÊ ELA?! — ele gritou, me apertando mais.
— E-Eu... te amo.. — murmurei, fazendo-o recuar um pouco. Gritei, chutando seu peito com força para longe de mim. Cai no chão sem ar, respirando com dificuldade, mas mesmo assim ergui meu corpo. — Steve, sou eu!
— Cala a boca! — ele berrou, vindo na minha direção com o punho pronto para me socar. Abaixei por pouco, fazendo-o socar a parede. Dei uma rasteira nele, fazendo-o cair enquanto me levantei, indo para longe dele.
— STEVE, sou eu, Natasha!
— Mentira! Cadê ela?!
Ele me agarrou, puxando-me para o chão e rolei a poucos segundos de levar um soco que teria quebrado meu rosto.
— Merda. — disse, cambaleando para longe do rei irado para me matar. Se o que me acordou do que quer que auilo fosse foi a pancada na cabeça, eu teria que fazer isso com ele.
Gritei, correndo até Steve e escalei seu corpo até envolver minhas pernas em seu pescoço, antes de me jogar para baixo levando-o junto. Seu corpo caiu no chão com força, longe de mim mas antes que eu pudesse levantar um soco acertou minha boca. Caí longe, cuspindo sangue com uma dor absurda.
— Meu Deus.
Senti uma pegada na perna, e fui arrastada pelo chão sujo arranhando o chão enquanto tentava me segurar. Gritei, irritada, antes de acertar um chute no seu rosto.
— SOU EU, PORRA! Sai dessa!
— CADÊ ELA?! — ele ficava repetindo, consumido pelo ódio.
Avancei contra ele, mas ele bloqueou meus golpes com as mãos. Girei para desorienta-lo, acertando um chute nas costas que o derrubou. Perto demais de mim, segundos depois ele agarrou minha perna, puxando-me para si com força. Caí no chão de costas, gemendo de dor enquanto Steve se colocou em cima de mim para me imobilizar.
Passei a perna até seu ombro, achando caminho para a outra. Num chute o fiz afrouxar a pegada nos meus braços, virando-o onde estava antes em seguida.
Não tenho força para competir com ele, óbvio. Agarrei seu pescoço, me esticando para alcançar uma pedra no chão, mas Steve era mil vezes mais forte que eu. Me jogou para frente, agarrando meu pescoço de novo.
Sendo enforcada, olhei para a pedra, conseguindo tocar meus dedos nela. Merda!
— Steve... Natasha está aqui — disse, novamente distraíndo-o e finalmente consegui alcançar a pedra. Acertei-a em sua cabeça, sem muita força, mas abriu um corte e ele caiu desorientado para o lado.
Fiquei deitada, tossindo e com dor no corpo todo enquanto Steve recobrava a consciência. Meu Deus. Merda.
— N-Nat?
Ele se arrastou até mim e me obriguei a sentar, tocando seu rosto.
— Steve. — sorri, sentindo gosto de sangue enquanto seus olhos tentavam entender o que aconteceu.
— Meu Deus. — ele percebeu, analisando meu rosto roxo e vi o arrependimento em seu olhar. — Nat, e-eu...
— Tudo bem. — falei primeiro, beijando seu rosto. Toquei-o devagar, vendo se ainda esgava inteiro. — Temos que ir antes que eles voltem.
Steve deixou eu ergue-lo do chão e passei meu braço enrolado em sua cintura. Continuamos andando, Steve parecia desorientado demais para falar. Pareceram horas. A adrenalina em meu corpo me fazia tremer e meus olhos amedrontados percorriam todos os centímetros das paredes iguais. Segurei o choro, mantendo ele de pé ao meu lado.
Depois de muito tempo andando meu corpo queria morrer até ver uma luz no fim do túnel, literalmente.
— Nat. — ele disse, vendo a mesma coisa que eu.
— Estamos chegando, Steve. — segurei sua mão, continuando a andar.
Queria correr, mas não aguentava mais, a vontade de desistir e apenas cair no chão era enorme, mas senti o aperto dele na minha mão.
Continuamos andando, e andando, e andando. Até chegar num portão grade de ferro coberto de folhas verdes que o manteve escondido do mundo exerior provavelmente por décadas.
Steve analisou o cadeado velho, chegando para trás. Seu pé bateu com força naquele portão, arrancando o trinco do lugar depois de três tentativas. Steve me abraçou com força assim que saímos. Respirei o ar puro do lado de fora, exausta. Já estava de noite.
— Eu sinto muito. — Steve disse, segurando meu rosto e tocou meu lábio ferido por ele.
— Não faz isso com você mesmo. — beijei sua mão. — Por favor. O importante é que saímos.
— Eu devia saber que era você. — ele fechou os olhos.
— Não. Está tudo bem. — uni minha testa na dele. — Você viu coisas ruins também?
Steve assentiu.
— Você é real? — ele murmurou, segurando meu corpo como se sua vida dependesse disso.
— Sou, Ste. — acariciei seu rosto.
— Promete?
— Sim. Eu te amo. — abracei seu pescoço com os braços, mantendo seu coração junto ao meu.
Era como se fôssemos a ancora um do outro ali, no meio da noite iluminados pela luz da lua em território inimigo.
— Vamos voltar para aquele castelo e eu vou casar com você. — Steve sorriu, ajeitando meus cabelos.
— Vou ser chamado para o casamento, não é?
O braço de Steve agarrou protetoramente minha cintura, mantendo-me ao seu lado. Um exército expreitava na sombra das árvores, e em segundos as tochas se acenderam nas mãos dos soldados. Um dos cavalos saiu da sombra, revelando-o.
— Vou ficar muito decepcionado se não. — Tony sorria em seu traje de rei, uma manta vermelha e dourada. A coroa de ouro brilhando a luz do fogo, tanto quanto seus olhos sádicos.
Eu segurei a mão de Steve.
— Tony. — eu disse, respirando fundo. — Melhor pensar no que você vai fazer.
— Eu estou pensando muito bem, na verdade, seu noivo que perdeu completamente a noção do juízo. — ele disse, irritado, se aproximando cada vez mais com o cavalo que compartilhava seu ódio. — Falso, Steve?
— Eu não sabia. Você sabe que eu NUNCA iria brincar com a segurança dela.
— Guerra muda as pessoas. Eu não sei de nada. Só digo que vai ter volta, Rogers. E você, Romanoff... diga pro seu velho que eu vou botar o castelo dele abaixo.
Meu peito subia e descia rápido, por mais que eu tentasse estabilizar minha respiração.
— Natasha... — Steve tentou apelar para eu segurar a língua, mas provavelmente sabia que não daria certo.
Abri um sorriso.
— Acho que Romanoff ainda pode te surpreender.
— Aquele velho já usou todos os truques dele.
— Ele por acaso já tentou enfiar uma espada no seu...!
A mão de Steve alcançou minha boca.
Com um movimento de mão os soldados de Stark ergueram suas bestas carregadas na nossa direção, encurralando-nos. A mão de Steve apertava a minha com força.
— O colar.
— Tony...
— Eu não peço duas vezes! — ele gritou, completamente alterado.
Steve olhou para mim, chegando a mesma conclusão que eu. Devagar, ele tirou a mochila das costas, com movimentos lentos. De lá tirou o colar, largando a mochila do chão. Ele devagar andou até Tony, estendendo o colar para ele.
— E o Zemo, pede por você?
Meus olhos se arregalaram. Ah, meu Deus.
Tony arrancou o colar das mãos, enfurecido. Um dos soldados sorriu, tirando o capacete. Ah, merda. Antes que eu pudesse me mexer ele disparou a besta, fazendo uma flecha passar raspando no meu braço.
— AGH, eu sempre te odiei. — tapei o corte com a mão, irritada. Mesmo com 15 bestas apontadas para mim, se não fosse por Steve eu teria derrubado aquele Barãozinho daquela merda de cavalo.
Steve segurou meu braço, com os olhos em chamas.
— Você tem sempre que roubar a cena?! — Ele reclamou, vendo o Barão sorrir.
— Foi uma observação interessante. Como descobriu? — Zemo sorriu.
— Uma garota morta me contou. — respondeu, e Zemo ficou sério.
— Vamos embora. — ele disse, e Tony obedeceu como um cachorrinho. Todos os soldados foram embora, marchando em seus cavalos.
Suspirei aliviada, olhando pada Steve. Era como se tivéssemos vivido uma dessas histórias de terror que Bevvan contava quando éramos crianças.
— Onde estamos, Steve?
— Não sei. Thor disse que sairiamos onde entramos.
— Talvez estejamos um pouco distantes deles, vamos procura-los. — Steve assentiu, ainda sem largar minha mão. Fomos para leste, direção na qual viemos e contornamos aquela enorme estufa que mantinha o pântano escondido.
— Zemo fez isso com ele?
— E com a Wanda também.
— Sabe o que ele está planejando? — perguntei, e Steve não respondeu, apenas respirou fundo.
Deixei ele com o tempo dele, as visões da garota parecem ter mexido com sua mente. Tanto quanto aquele túnel acabou comigo. Fechei os olhos enquanto senti uma lágrima escorrer, dando passagem a outras. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo comigo.
Mas tinhamos que continuar. Era tudo que podíamos fazer.
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